Escritas

Lista de Poemas

Solfejos


Por ti, senti meu coração abrir-se em sorrisos... 

Não havia notado antes, o verde das paisagens, 

Não havia percebido antes, o azul do céu, 

Não sabia das cores, dos aromas, do orvalho das manhãs,

Nunca ouvira antes o som do quebrar das ondas do mar...

E cavalguei o luar para laçar estrelas, escondido nas noites insones,

Aspirei da luz que refletia nos lagos serenos, e fui ar, fui chão.

Lavei minha alma no silêncio das madrugadas, e me fiz sonhar.

Por ti fiz-me único e passei a ser matéria...

Apenas para poder, te tocar...

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Vida. Esta que se vive.

 

Hoje, estou por aqui. Amanhã, talvez esteja.

A probabilidade é boa, caso não aconteçam imprevistos.

Mas, o imprevisto é viável quando se vive o comum.

quando se olha pela janela,

                                                atravessa uma rua,

                                                                                 passeia de barco...

                                                                                                 Ou, pega um voo para o Rio.

                                                       Bem, o Rio por si só já é um imprevisto.

Assim como São Paulo, assim como Belo Horizonte, assim como Salvador e assim como qualquer lugar do mundo...

                                                           O imprevisto é sempre imprevisto.

Mas pretendo estar por aqui amanhã e caso não esteja,

                                                                                             aplique a regra do imprevisto.

E se não nos virmos mais por aqui, talvez nos vejamos por lá, qualquer dia,

Naquele lugar onde todos se encontram, ou onde todos se...  Perdem!

                                                                     Aproveitem hoje, já que estou por aqui.

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Somos estranhos

 

Somos estranhos

Quando nos isolamos em nossos pensamentos

E nos calamos, nos ressentimos, deixando de expressar nossos sentimentos.

Somos estranhos

Quando deixamos que nossos olhares se percam

E permitimos que a inércia, ocupe o lugar de nossas reações.

Quando nossas mãos não se buscam

E não dividimos nosso frio e nosso calor.

Somos estranhos

Nas horas de sorrisos apagados, em dias sem histórias a contar,

Em noites insones e manhãs vazias.

Em tardes de céu cinzento, na solidão de um banco de jardim...

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AMANDO VOCÊ


Foi quando percebi,

Que a simples lembrança do seu olhar,

Transformava meu momento e tornava o viver mais leve e solto.

Pude sentir as horas passando despercebidas,

Como se corressem ao largo do tempo.

No ar, aromas criavam um novo prazer,

E ao aspira-los

O entorno transformava-se em um campo de flores.

Quando percebi que o seu calor aquecia minha existência,

Como fosse um sol, só meu.

Senti que os pássaros cantavam com maior sonoridade e mais felizes!

Senti que o chão antes rígido e frio,

Estava acolhedor e macio!

Sim, só uma explicação para tanta mudança:

Eu estou amando...

Amando você.

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Inexplicável

 

E mergulhei no inexplicável abismo, 

Paralisado, sem interagir...

Aos vultos que voam, inexpressíveis, 

Em um quase ocultar, ou não existir.

 

Olhar distante, horizonte dos tempos, 

Onde os desejos se mesclam aos sonhos.

Quando o querer resguardar-se dos medos, 

Tal a um sorriso, em um rosto tristonho.

 

Palavras vazias, não formam sentidos

Como um céu que não mostra sua cor.

Assim são os ventos que sopram moinhos, 

E movem as asas de um beija-flor.

 

Lembranças latentes em tempos perdidos, 

Aromas de flores, seguros na mão...

Prever o futuro em meio ao escuro

Da vida, da noite, do amor, da ilusão...

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Exílio da alma

 

Um deserto sem areias, mar sem ondas, céu sem nuvens.

É assim a solidão.

Uma impressão do nada a nos circundar, nenhuma brisa a tocar.

Nada a ouvir, falar ou ver. Nada que possa interessar.

O universo do corpo, o limite das mãos, o vagar dos pensamentos.

Estes viajam por sonhos distantes, procurando vestígios das escritas perdidas no passado, 

Em uma história que termina em páginas vazias de um livro singular abandonado sobre a mesa.

A vida se torna inobjetiva. Os minutos iguais se transformam em dias sem luz e noites sem luar.

A solidão é um espaço vazio, onde agonizam as almas...

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Por querer

 

Por que condicionamos o que queremos? 
Por que não podemos querer, querer e querer, de forma plena e infinita, de forma eterna e certa, de forma descomprometida e indiscutível? 
Por que por vezes precisamos renunciar ao que queremos?

Sorver do luar em noites de reflexão e ansiedade, quando o desejo palpita e transforma o viver em amargura e espera. Esconder-se no âmago do tempo, esperando o acontecer passar e levar-nos em seus braços para quem sabe, entregar-nos em algum instante repleto de felicidade.

A esperança é amarga e dolorida, porque vive sempre à sombra da desilusão e da amargura.

Viver o verde das matas desejando o azul do céu. Como é difícil enxergar a felicidade que nos permeia... 

Como é doloroso conviver lado a lado com o tempo.

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O vento e o tempo

O vento e o tempo

 

Sopra vento e leve o tempo, que em seus braços parece voar,
Sopra constante e carregue o instante, que vi passar neste mesmo lugar.
Vento que surge no mesmo momento, em que a vida criança desponte,
Tempo que voa ao sabor dos ventos, que sopram os anos por sobre estes montes...

Sopra a vida como fosse o tempo, assim como sopram as brisas do mar,
Sopram os sonhos que o tempo desfolha e os carrega soltos no ar.
Passa o tempo, nos braços do vento e leva o amor que igual ao perfume,
Deixa no tempo levado ao vento apenas a luz desprendida do lume.

No vendaval que traduz cada vida, passa o tempo do amor e da dor,
No atropelo das horas que passam, nasce um botão quando morre uma flor.
Sopra vento, sopra ligeiro, que o tempo tem pressa, não pode esperar,
Corre tempo, que a vida só para, antes que o vento volte a soprar.
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Sentimentos alados


E vi voarem meus sentimentos,

Rumo às montanhas e dos ventos do sul,

Em asas ligeiras singrando os céus,

Rasgando as nuvens, riscando o azul.

 

Sentindo o frio do vazio em Minh ‘alma,

Fechei os espaços às emoções.

No peito doído a dor não se acalma.

Viver o amanhã é criar ilusões.

 

Espadas de ouro não vencem batalhas,

Soldado sem luta não impõe seu grilhão.

Se o corte  profundo não sangra o peito...

O tempo liberta o nosso coração.

 

O ninho da ave se faz entre ramos,

O nicho dos sonhos, tecendo esperanças.

O amor se constrói trabalhando o tempo,

A história da vida, guardando lembranças.
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Desaguar


Adormecido, sob o manto do luar,
Pus-me a sonhar com as venturas da paixão
Amanheceu quando fulgiu o seu olhar,
Rumo ao amor, vi navegar meu coração.

Em quantos rios correm as águas, como vidas,
Que aos oceanos se fizeram desaguar.
Como as saudades que sobre ondas, perdidas,
Longe das margens se deixaram naufragar.

Segure o leme! Siga o brilho das estrelas!
Pelos caminhos do amor, vão te guiar...
Deixe que brisas do querer soprem as velas,
Para nos mares de esperanças navegar.
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.