Escritas

Lista de Poemas

Na esquina em que tu passas.

 

Na esquina em que tu passas, tenho cadeira cativa.

Olhos fixos na distância, busco qualquer relevância,

Que possa ser o teu vulto.

Te vejo todos os dias, tempo de espera infinita,

Uma ansiedade aflita, que esmorece meu mundo.
 

 Dou a vida por um só segundo, para aspirar o perfume

E aquecer-me no lume que emana de teu resplendor.

Na esquina onde me esqueces, a luz vai embora mais cedo,

Talvez por cuidado ou medo, de um novo amanhecer.

Na tortura da espera, as horas de mim desdenham.

Meus sonhos são todos desenhos, que crio para te ver.
 

Noites tão conturbadas, infindáveis madrugadas,

Prenunciam que o Sol, não tem pressa para nascer.

Na esquina onde a paixão, cria um clima de desejo,

Onde lábios clamam por beijos e as mãos por afagar,

A vida faz ironia e ocupa todos os meus dias.

O amor concede clemência, para depois me escravizar.

 

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O silencio do nada.


E o silencio aconteceu... 

Ensurdecedor!

Ecoava das paredes frias, da sala vazia...
Conturbava a alma e de tão diminuto,
Meu grito de dor, não mais se ouvia.

Meus olhos que antes, irradiavam alegria,
Estavam molhados, humilhados,
Subjugados, pelas lágrimas que caiam...

Quantos milênios serão necessários,
Para preencher um momento?

Quantas águas formam um oceano?
Quanto se sofre por um sentimento?

Que tamanho terá uma vida sem rumo?
Que dizer do destino insano e impuro?

O som do vazio, o sibilar da ausência...
A explosão de uma gota que cai
E transborda na taça, onde a amargura é líquida
E a sorvemos pouco a pouco, no compasso do tempo...




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Cara a cara.


Tire essa máscara mutante,
Que se adapta ao instante,
Em que é requisitada.
Quero olhar nos seus olhos,
Sem mentiras, sem imbróglios,
Falsidades ou trapaças...

Mostre a mim as suas verdades,
Não use da ambiguidade,
Para atingir o seu fim.
Chega de tantas desculpas,
Tudo o que você não disse,
A vida, já contou para mim.
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Sonata

 
O anoitecer se desenhava no esmorecer do dia,
Na gravura do sol que se escondia no horizonte
E prenunciava horas de profunda solidão.
Chegou assim sorrateiro, mansamente...
Tão logo a luz apagou-se por detrás dos morros.

Dia após dia... Semanas ... Meses ... Anos ...
Como se o tempo não contasse,
Como se a história se repetisse, incansavelmente.
Como se os cabelos embranquecessem, sem que se notasse...

A mesma partitura amarelada, repousa sobre o piano,
Como se esperasse a hora de acariciar as lembranças,
Revolver as ilusões empoeiradas, empilhadas na alma.
Quase um ritual, assemelhando-se a um filme antigo,
Daqueles que assistimos milhares de vezes, mas nunca recordamos o final.

Os primeiros acordes soam tingindo o branco silêncio.
São tons róseos, como as saudades que pendem em cachos perfumados
Adornando os galhos da árvore de cada vida.
O coração não mais acelera, apenas acompanha o compasso
E bate nota a nota, pulso a pulso, pauta a pauta...

E na mente, confundem-se anseios, desejos, esperas...
Os dedos deslizam sobre o teclado puído, desgastado.
Já sabem onde devem ir. Sabem como falar da dor,
Sabem como dimensionar distâncias, sabem como lembrar do amor.
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Longe tão perto


Longe...
E o que é a distância,
Se não uma fada má,
Separando corações?
O que é essa distância,
Que coloca realidades
No meu mundo de ilusões?

Como combater a distância,
Que não pode ser mensurada?
Que não está no fim de uma estrada,
Que não se marca no chão.

Como voltar a estar perto,
Neste imenso mar aberto
Se o navegar é incerto,
Sob um céu de escuridão...

Distância alongada no tempo,
Nos braços da solidão.
Tão longe estando tão perto,
Separados pelo caminho
De uma incompreensão...

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Insone


E no cansaço em que me aconchego,
O sono chega trazendo-me paz.
Entrego o corpo à febril dormência,
Dentro ao sepulcro em que ele jaz.

Nas madrugadas, quando enfim desperto
No frio quarto e na escuridão,
Abrir os olhos sem saber ao certo
Se temo a morte, ou a solidão...

O sangue rubro que o peito tinge,
E pelos poros tão sutil escorre,
Não diz da dor que se vê, florida,
No mesmo instante em que se vive, ou morre.

Saudade é dor que nos desatina,
Amor é mal que não aceita cura,
Uma ferida aberta nos consome
Enquanto a vida por teimosa, dura.
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Choram os céus.

 
Céu cinzento, chuva fina, tarde fria ...
Uma nostálgica névoa, turva minha visão.
Molham os olhos as mágoas,
Que inundam o meu coração.

Apenas restou a tristeza, herança da despedida...
Apenas se viu um aceno. Nas mãos, o sinal da partida.
Restou somente o vazio, na alma de quem ficou.
Assim como as marcas do tempo, que a saudade gravou.

Na velha estação suburbana, sumiram da vista os vagões,
Assim como no peito, findaram as ilusões.
Talvez chorassem os céus, testemunhando a dor,
De quem morria por dentro, vendo partir seu amor.

Os sonhos que foram desfeitos, jamais sairão da memória.
Os dias de felicidade, escreverão nossa história.
Na parede fica uma imagem, retrato de uma paixão...
Que um dia me disse adeus... Deixando-me na solidão.
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Dias


Um dia lhe vi passar
E fiquei paralisado,
Lhe acompanhando com o olhar.

Um dia vi o seu sorriso
E pareceu-me ter toda
A paz que tanto preciso.

Um dia ouvi sua voz
E imaginei quais palavras
Seriam trocadas por nós.

Um dia olhei o seu rosto
E notei que nele corria
Uma lágrima por desgosto.

Um dia você foi embora
E todos os sonhos que tive
Morreram na mesma hora...
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Clemência!


Ah! Meu amor! Não me deixes...
Embora de mim se queixes,
Eu lhe quero com fervor.

Fica ao meu lado pra sempre,
Que prometo, eternamente,
Lhe dar todo o meu  amor.

Ah! Minha amada, eu sofro,
Só ao pensar em partida!
Sei que a dor da despedida,
Jamais irei suportar.

Se toda essa minha paixão,
Transformar-se em solidão,
A vida (em eterno sofrer),
Levar-me-ia a morrer,
Junto com toda ilusão.

Ah! Fique ao meu lado, lhe imploro!
Não vê o quanto eu choro,
Ao imaginar sua ausência?

Fica, aquietes sua alma,
Analise assim, com calma,
Meu pedido de clemência!

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Precisava dizer


Pelo escárnio com que tratas teus iguais,
Não mereces do senhor a alforria,
Singra teus mares a vaga ilusão,
De querer ser, o que jamais poderias.

Cria o poeta em palavras e poesia,
E o faz somente por prazer.
Não se conta em números fictícios,
O que por valor, não poderia obter.

Sangra o açoite da deslealdade,
Fustiga o dorso sem complacência...
Jamais criarás assim a verdade,
Se não a consegues por competência.
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.