Escritas

Lista de Poemas

Anjo


Anjo dourado que meu corpo habita,
Raio de luz, ser de energia!
Dogma intrínseco em minha existência, 
Força do medo, ódio e poesia...

Anjo de aço, pássaro livre,
Ouro que brilha ao entardecer!
Anjo felino, vil, sorrateiro...
Guerreiro sublime que me faz viver.

Anjo perdido nos sonhos profanos, 
Meus descaminhos, venturas e sorte.
Alma estranha, anjo divino.
Carma! Destino forte!

Anjo que imprime minha alma nos versos, 
Rasga, maltrata, me faz padecer...
Faz do meu mundo espaço inverso, 
Ida sem volta, ser ou não ser.

Anjo das noites, anjo da lua, 
Anjo dos tempos, da história incontida!
Anjo das rimas e dos desencontros, 
Anjo do amor, da paz e da vida!
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Poeta e poesia


E imaginou que seria poesia.
Falaria por metáforas, utilizaria o subjetivismo, esbanjaria alegoria.
Imaginou colocar, nas folhas de um livro de ouro,
As mais belas palavras. Construiria um tesouro!

E escreveu sobre o mar, sobre o sol, sobre a lua
Escreveu sobre caminhos, campos e ruas...
Falou do ontem, do hoje e do amanhã,
Disse sobre certezas, das dúvidas e das coisas vãs.

Decorou cada verso, seguiu todas as normas,
Escreveu corretamente, usou de diversas formas.
Nunca mais expressou, um só sentimento sem rima!
Desprezou o curso das águas. E remou, mesmo sendo rio acima!

Mas ao poeta, basta ter ilusão e sonhar acordado,
Bastam os olhos fechados e ouvir só o coração...
Basta olhar as pessoas e sentir o que elas sentem,
A alegria, a dor e o amor... Estes, nunca mentem.

Um pedaço de papel, um giz, ou um pedaço de chão,
Esquecer regras, costumes... libertar toda a emoção.
Fluir a poesia com calma. Sentir toda a liberdade...
Que venha do fundo da alma! Da sua mais pura verdade!
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Espelhos


Quando puder, apareça...
Mas venha de alma aberta, quero conhecê-la.
Saber o que realmente lhe importa,
De onde veio e onde quer chegar.
Saber o que pretende fazer,
Enquanto por aqui ficar...

Quando puder, apareça...
Para falar francamente. Sem meias palavras.
Falar sobre o que se passou.
O que enfim conseguiu guardar,
Ou mesmo procurou entender,
De tudo o que a vida, tentou lhe ensinar...

Quando puder, apareça...
Quero ouvir suas verdades, sem segredos...
Ouvir as batidas de seu coração,
A cada palavra declarada.
Ouvir a voz da sua razão
E o silêncio da sua emoção.

Quando puder, apareça...
Quero lhe dizer muitas coisas, necessárias.
Para que você consiga refletir
E seguir o destino que escolher.
Venha sem medo. Ouça meu conselho.
Olhe-me bem de frente...
Eu sou, seu espelho!
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Não me fale de amor.


Não me fale de amor, se as palavras não embargarem em seus lábios.
Não me fale de amor se seus olhos não lacrimejarem, 
Se seu coração não disparar feito louco, 
Se não lhe faltar o ar.
Não me fale de amor se suas mãos não tremerem e seus sentidos não esmorecerem.
Não me fale de amor, se ele não te fizer sofrer.

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Deixe

 

Deixe...

Deixe que mergulhe nesse poço sem fim, dos incompreendidos.
Lá onde padecem as palavras vãs e os gestos vagos.
Lá onde o silêncio canta aos ouvidos dos surdos
E a angústia aguça a visão dos cegos.

Prometo não dizer nada quando falar sobre
coisas que engasgam enroscadas em minha revolta.
Nada quero ou espero que compreendam 
e nem espero na verdade, que ouçam.

Se me compreenderem, serei comum
E me refugiarei no mundo dos iguais, 
No mundo dos que dizem amar, mas apenas desejam... 
Que dizem se importar, mas apenas observam.

Deixe...

Que meu olhar se perca no infinito, sem nada ver, 
A não ser esta razão mesquinha que me domina, 
De ter um pensamento só meu, único pertence
Do qual a vida jamais me afastará.

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Sombras

 

A noite silente e fria,

debruçava seu manto de sutil tristeza...

Nuvens no céu bordavam a nostalgia

do pálido momento, em tons de rara beleza.

 

Apenas vultos nas ruas se moviam,

em contraste com a quase inerte natureza

dos arbustos, que nas calçadas sombrias

bailavam aos ventos, em parcas correntezas.

 

Lua de prata, luzes que criam,

sombras sem almas, vidas ilusórias.

E cada uma escreve nas folhas

do livro do tempo, as linhas da história.

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Candelabro

 

Que se tenha por utopia estar amando

Enquanto os braços do sofá limitam os corpos.

Dá-se ao salão o direito ao espanto

Da escuridão mórbida à frágil luz do encanto.

 

Espreguiça-se no chão o vil tapete, 

No silêncio onde crepitam carvões

E imitam o que arde dentro ao peito, 

Na loucura onde crepitam corações.

 

Tinge a lua de luar toda a varanda, 

Baila a cortina enquanto canta a brisa

E apaga a luz do candelabro.

 

Na penumbra se esbarram sussurros, 

De um grito ao gentil murmúrio, 

Qual prisioneiros em um porão macabro.

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Uma nova felicidade

 

 

Preciso urgentemente de uma nova felicidade.

Há tempos tenho utilizado das mesmas que adquiri na vida,

Mas embora ainda brilhem, estão desgastadas, carcomidas

E exploradas minuciosamente em seus conteúdos.

Preciso sentir-me leve, livre, isento do passar das horas

Despercebido das noites e dos dias

Esquecer de olhar para os ponteiros do relógio,

Na espera de acontecer, sem saber exatamente, o que...

Sorrir livremente, sentir uma vontade enorme de correr.

Olhar e ver os jardins, os pássaros, as pessoas.

Sentir-me ao mesmo tempo participante

E estranho ao mundo e seus grilhões.

Preciso urgentemente ser feliz

Feliz na alma, nas crenças e nos anseios.

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Frutos amargos

 

 

Desespero...

Quero sentir em meus lábios, os sabores dos beijos teus

E impregnar de teu perfume a minh’alma, lavada pelas águas da espera.

Quero flutuar no som dos teus murmúrios e mergulhar em teus gritos de amor...

Sigo os rastros de loucura que deixas ao passar por minha vida,

Mas entorpecido pelos teus encantos,

Sempre caio nos profundos abismos de meus desejos.

Desespero...

Ao saber da noite cada minuto,

Ao conhecer do dia as marcas das distâncias,

Ao colher dos pomares, os frutos amargos da resignação.

 

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Pasión


Deixe o luar rolar em seu rosto

Para morrer no rubro de seus lábios...

E que as vozes aos poucos se calem,

Para que a paz seja seu manto e seu abrigo.

 

Deixe que seu olhar se perca no infinito,

E saberei que este infinito é apenas seu

E assim, jamais me atreverei tocá-lo.

 

Deixe-me saber em que mares navegam seus pensamentos,

Nesta noite em que o tempo lhe subordina momentos,

Para que a magia do seu fulgor, apenas adormeça...

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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.