Escritas

Lista de Poemas

Maré cheia



Olhe as pegadas, passos na areia
E saberás de onde vim.
Pois logo mais, na maré cheia,
A minha história terá um fim.

Marcas profundas na fina areia,
Vidas repletas de solidão.
Ao pouco, o nada se acrescenta
Pois todo sonho, é sonho em vão.

Olhar na linha do horizonte,
E além dela, nada em haver.
O que existe atrás dos montes,
Somente o tempo nos deixa ver.

Linhas impressas, na palma da mão,
Onde o destino se pode ler...
Hoje o futuro é tão só ilusão,
E no agora, faz-se o viver.
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Difícil perdão.


Quase que impossível!
Não sabia, até então,
O quanto que era difícil,
O verdadeiro perdão.

Que estrago fazem as mágoas,
Que chegam em aluvião.
Invadem a nossa calma,
Machucam o coração.

É dor perene, não cessa,
Não dá tréguas. Não tem jeito!
É cicatriz, é ferida!
Marca indelével no peito.

Por mais que tentemos, não passa.
Não conseguimos fazer
Essa dor que nos persegue
Sumir... Desaparecer.

O frio gume cortante,
Que nosso querer  ultraja,
Foi forjado na bigorna,
Por quem mais se confiava.
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FIM


E tudo não passou de poesias,
que à beira mar ou no topo de alto monte,
o vento escreveu no livro do tempo.

E lá ficaram palavras que formaram juras,
que passaram a compor a brisa de cada nova manhã de solidão.
E lá nos perdemos do que fomos e seguimos
tendo como abrigo apenas um manto de lembranças.

Deixamos inertes as carícias,
carregamos apenas olhos vazios, olhando o nada como futuro.

As marcas dos beijos em nossas bocas,
E o calor dos abraços foram aos poucos se dispersando
na brisa fria do inverno que invadia nossas almas.

Lágrimas que contaram histórias de alegria,
querem chorar a saudade que virá.
E a noite que se faz em nossos corações,
turvará nossa visão e nos fará olhar para trás.

E só veremos a distância.
Em nossa lembranças, ecoará uma última palavra...

Adeus.
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Sopra, vento...



A brisa que trouxe este dia
Serena, sopra devagar.
O tempo dos vendavais,
Agora ficou para trás.

Em mares calmos, tranquilos,
Seguimos em rumos diversos.
Ficou no porto, uma história de amor
E agora, o destino é incerto.

Sopra vento, faz ondas no mar,
Que querer, não é amar.
Sopra vento, vença a distância
E nos traga uma nova esperança.
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Um rio de nome saudade


A saudade é um rio.
Tem sua nascente, algumas vezes aos pés de um morro...
Mas pode ser também em uma esquina, em um terminal rodoviário, no metrô ou até em um aeroporto.

Frágil e pequenina vai crescendo, alimentada pelos ribeirões dos sonhos e pelas águas das chuvas de lembranças.
Torna-se caudalosa, gigante e gera fortes correntezas de emoções, originando corredeiras de tristeza e cachoeiras de lágrimas amargas.
Em suas margens florescem lindas e coloridas recordações. Suas águas são límpidas e nos lembrarão do sabor dos longos beijos.

Ao toca-la, relembraremos carícias e juras.

Se mergulharmos nestas águas, seremos envolvidos pela esperança e se tentarmos sair, sentiremos soprar a gélida brisa da amargura.
Quando enfim, uma voz chamar por nosso nome e fizer nosso coração bater mais forte no peito, saberemos que é chegado o momento de subirmos pelas encostas da felicidade e alcançar o céu de um abraço...


"Canta essa saudade,
que chorar insiste.
Mostra na canção,
que o amor ainda existe.
Não se sinta triste,
Nem queira solidão...
Canta essa saudade
Liberta o coração."

 
A poesia de JRUnder
 
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Parece que foi ontem.



Todo garboso, a cavalo montado,
Trajado a requinte e com todo glamour,
Por varias vielas, estreitas, serenas,
Ecoa seu canto, o trovador.

Moçoilas felizes debruçam às janelas,
Pra ver e ouvir tão ilustre cantor.
A dedicatória é toda pra elas,
Nas trovas que contam em rimas, o amor.

Ah! Velhos tempos, quanta saudade,
Da simplicidade, da paz em sonhar.
Das coisas pequenas, da vida amena,
Alegres serestas em noites de luar.

Havia beleza nos olhos atentos,
Havia paixão no jeito de falar,
Havia respeito, havia pureza,  
Havia romance bailando no ar.

Os anos passados, não vão mais voltar,
A vida tem pressa em se modificar.
Quem viu e viveu, levará na memória,
Os tempos se foram... Restou a história.
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Realmente, não sei (súplica)



E chovem letras como fossem águas de março.
E trovejam palavras como fossem poemas.
Nos céus da literatura raios prenunciam a morte da poesia.

Que acontece, senhor? Que acontece?
Quanto mais oramos ao senhor, mais o senhor nos esquece?





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A harmonia dos versos

A harmonia das cores, quando as tonalidades revelam-se de forma suave,
A harmonia da música, quando os acordes  formam-se em sons agradáveis à nossa audição.
A harmonia dos sabores, quando nosso paladar sente-se agraciado pelo deguste.
A harmonia da vida, quando nossos sentidos levam-nos de encontro à paz interior.
 
Existe harmonia na amizade entre duas pessoas que se respeitam.
Existe harmonia nas palavras, quando elas expressam de forma clara, o que se tinha a dizer.
Existe harmonia no abraço, quando ele transmite o sentimento de quem abraça.
Existe harmonia na saudade, quando ela rebusca o que de bom, queremos relembrar.
 
A harmonia é enfim, a melhor expressão que se pode dar a um fato.
É a sublimação de um momento, transformando-o em único.
É a forma ponderada e equilibrada de construirmos nossos caminhos na vida.
É o que se recolhe do amor, em sua forma mais transparente e lúcida.
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Soberba


E surpreendo-me rindo do triste.
Porque triste é a soberba, triste é a arrogância...
Meu riso é amargo e tem o sabor da compaixão.
Se não  devo pagar com o desdém, a presunção,
Pago então com a humildade e com o perdão.

Não existem duas almas em um só corpo
E a perfeição tem morada nos céus: - Não na terra!
A empáfia não nos faz melhores, mas nos difere,
De todo objetivo que em viver se encerra.

Quem és tu, criatura presumida?
De onde vem esta imodéstia desmedida?
Não gabes o que achas ser:  – Seja!
Que te reconheça e aplauda ao fim, a vida...
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Prólogos e epílogos


Então ouvi um pedido:
Fale-nos sobre o amor!
Entreguei-lhe assim uma folha em branco.
- Aqui está, respondi.
Ninguém melhor do que quem amou, pode escrever sobre o como e o quanto amou.
Cada amor é único, assim como cada amante o é.
Cada paixão carrega suas próprias razões e seu próprio alimento.
Cada vida tem o seu tempo e escreve a sua história, única que é.
Cada autor escolhe seu tema.
Os prólogos não tornam previsíveis os epílogos.
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Comentários (32)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào
2026-02-16

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.