Lista de Poemas
Cantiga de maldizer
sempre convosco se deita
vossa mulher!
Vedes-me andar suspirando;
e vós deitado, gozando
vossa mulher!
Do meu mal não vos doeis;
morro eu e vós fodeis
vossa mulher!
Português antigo
Martim jograr, que gram cousa:
já sempre convosco pousa
vossa molher!
Ve[e]des m'andar morrendo,
e vós jazedes fodendo
vossa molher!
Do meu mal nom vos doedes,
e moir'eu, e vós fodedes
vossa molher!
Amigas, Que Deus Vos Valha, Quando Veer Meu Amigo
falade sempr'ũas outras enquant'el falar comigo,
ca muitas cousas diremos
que ante vós nom diremos.
Sei eu que por falar migo chegará el mui coitado,
e vós ide-vos chegando lá todas per ess'estrado,
ca muitas cousas diremos
que ante vós nom diremos.
Dona fea
Que vos nunca louv'en meu trobar
Mais ora quero fazer un cantar
En que vos loarei toda via;
E vedes como vos quero loar:
Dona fea, velha e sandia!
Ai dona fea! Se Deus mi pardon!
E pois havedes tan gran coraçon
Que vos eu loe en esta razon,
Vos quero já loar toda via;
E vedes qual será a loaçon:
Dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
En meu trobar, pero muito trobei;
Mais ora já en bom cantar farei
En que vos loarei toda via;
E direi-vos como vos loarei:
Dona fea, velha e sandia!"
Sanhud'an[Da]Des, Amigo
porque nom faço meu dano
vosc', e per fé, sem engano,
ora vos jur'e vos digo:
ca nunca já esse [preito]
mig', amigo, será feito.
De pram nom som [eu] tam louca
que já esse preito faça,
mais dou-vos esta baraça,
guardad'a cint'e a touca,
ca nunca já esse preito
mig', amigo, será feito.
Ai dom Joam de Guilhade!,
sempre vos eu fui amiga,
e queredes que vos diga?
Em outro preito falade:
ca nunca já esse preito
mig', amigo, será feito.
Foi-S'ora Daqui Sanhudo
amiga, o voss'amigo.
- Amiga, perdud'é migo,
e, pero migu'é perdudo,
o traedor conhoçudo
acá verrá,
ca verrá,
acá verrá.
- Amiga, desemparado
era de vós e morria.
- Sodes, amiga, sandia:
ora fogiu mui coitado,
mais ele, mao seu grado,
acá verrá,
ca verrá,
acá verrá.
- Amiga, com lealdade
dizem que anda morrendo.
- Vó'lo andades dizendo,
amiga, éste verdade,
mailo que chufa, 'n Guilhade,
acá verrá,
ca verrá,
acá verrá.
Dom Foam Disse Que Partir Queria
quanto lhi derom e o que havia.
E dixi-lh'eu, que o bem conhocia:
"Castanhas eixidas, e velhas per souto".
E disso-m'el, quando falava migo:
- Ajudar quero senhor e amigo.
E dixi-lh'eu: - Ess'é o verv'antigo:
"Castanhas saídas, e velhas per souto".
E disso-m'el: - Estender quer'eu mão
e quer'andar já custos'e loução.
E dixi-lh'eu: - Esso, ai Dom Foão:
"Castanhas saídas, e velhas per souto".
Amigas, o Meu Amigo
dizedes que faz enfinta
em cas d'el-rei da mia cinta,
e vede'lo que vos digo:
mando-me-lh'eu que s'enfinga
da mia cinta e x'a cinga.
De pram todas vós sabedes
que lhi dei eu de mias dõas
e que mi as dá el mui bõas,
mais desso que mi dizedes:
mando-me lh'eu que s'enfinga
da mia cinta e x'a cinga.
Se s'el enfing'é ca x'ousa,
e direi-vos que façades:
jamais nunca mi o digades;
e direi-vos ũa cousa:
mando-me lh'eu que s'enfinga
da mia cinta e x'a cinga.
A Mia Senhor Já Lh'eu Muito Neguei
o mui gram mal que me por ela vem,
e o pesar, e nom baratei bem;
e des oimais já lho nom negarei:
ante lhi quer'a mia senhor dizer
o por que posso guarir ou morrer.
Neguei-lho muit'e nunca lhi falar
ousei na coita que sofr'e no mal
por ela; e se me cedo nom val,
eu já oimais lho nom posso negar:
ante lhe quer'a mia senhor dizer
o por que posso guarir ou morrer.
Eu lhe neguei sempre, per bõa fé,
a gram coita que por ela sofri;
e eu morrerei por en des aqui,
se lho negar, mais pois que assi é,
ante lhe quer'a mia senhor dizer
o por que posso guarir ou morrer.
Fostes, Amig', Hoje Vencer
na voda, em bafordar bem,
tôdolos outros e praz-m'en;
ar direi-vos outro prazer:
a leva do parecer da voda,
per bõa fé, eu mi a levo toda.
E, poilos vencedes assi,
nunca deviam a lançar
vosc', amigo, nem bafordar;
ar falemos logo de mi:
a leva do parecer da voda,
per bõa fé, eu mi a levo toda.
E muito mi praz do que sei
que vosso bom prez verdad'é,
meu amigo, e, per bõa fé,
outro gram prazer vos direi:
a leva do parecer da voda,
per bõa fé, eu mi a levo toda.
A tôdalas donas pesou
quando me virom sigo estar,
e punharom de s'afeitar,
mais praza-vos de como eu vou:
a leva do parecer da voda
per bõa fé, eu mi a levo toda.
Se M'ora Deus Gram Bem Fazer Quisesse
nom m'havia mais de tant'a fazer:
leixar-m'aqui, u m'ora 'stou, viver;
e do seu bem nunca m'El outro desse!
Ca já sempr'eu veeria daqui
aquelas casas u mia senhor vi,
e cataria alá quant'eu quisesse.
Daqui vej'eu Barcelos e Faria,
e vej'as casas u já vi alguém,
per bõa fé, que me nunca fez bem,
vedes por quê: porque xe nom queria.
E pero sei que me matará Amor,
enquant'eu fosse daqui morador,
nunca eu já del morte temeria.
Par Deus Senhor, viçoso viveria
e em gram bem e em mui gram sabor!
Veê'las casas u vi mia senhor,
e catar alá... quant'eu cataria!
Mentr'eu daquesto houvess'o poder,
daquelas casas que vejo veer,
nunca en já os olhos partiria!
E esso pouco que hei de viver,
vivê-lo-ia a mui gram prazer,
ca mia senhor nunca mi o saberia.
Comentários (6)
dddddddddddddddd
grande homem! . foi pena a junta de milhazes e câmara de Barcelos ter deixado destruir sua casa milenar
Demais ??
Yvhivhvhocyy
zxcvbnm,
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Releitura da cantiga trovadoresca “Morr'o meu amigo d'amor”, de João Garcia de Guilhade.
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Como pão para a boca - episódio 7 - "Ai, dona fea, fostes-vos queixar" – João Garcia de Guilhade
Un cavalo non comeu. Contrafactum C.S.M 190. Letra Joan Garcia de Guilhade
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1ª Série | Literatura | 2º etapa
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