Lista de Poemas
A Ribeirinha (Cantiga de Guarvaia)
enquanto a vida continuar como vai,
porque morro por vós, e ai!
minha senhora alva de pele rosadas,
quereis que vos retrate
quando eu vos vi sem manto.
Maldito dia que me levantei
e não vos vi feia
E minha senhora, desde aquele dia, ai!
tudo me foi muito mal
e vós, filha de Don Paio
Moniz, e bem vos parece
de ter eu por vós guarvaia
pois eu, minha senhora, como presente
nunca de vós recebera algo
mesmo que de ínfimo valor.
Português antigo
No mundo non me sei parelha,
mentre me for como me vai,
ca já moiro por vós – e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, dês aquel di’, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nem hei
valia d’ua correa.
Meus Olhos, Gram Coita D'amor
me dades vós, que sempr'assi
chorades; mais já des aqui,
meus olhos, por Nostro Senhor,
nom choredes, que vejades
a dona por que chorades.
[...]
Senhor, Os Que Me Querem Mal
sei eu bem que vos vam dizer
todos, senhor, por me fazer perder
convosco e nom por al:
dizem-vos ca vos quero bem,
senhor – e nom devo por en
eu escontra vós a perder.
E já desta mescra [a]tal
de me guardar nom hei poder,
ca vos sei mui gram bem querer,
pero me contra vós nom val;
e vós, por tolherdes-mi o sem,
nunca lhes queredes per rem
esta mescra de mim creer.
E, mia senhor, quer'eu punhar
se me posso salvar, se nom;
e dire[i]-lhes, a quantos som,
que mi o nom poderám provar;
mais eles sei eu que farám:
log'ante vós mi afrontarám
que vos amo de coraçom.
Quando Se Foi Meu Amigo
jurou que cedo verria,
mais, pois nom vem falar migo,
por en, por Santa Maria,
nunca mi por el roguedes,
ai donas, fé que devedes.
Quando se foi, fez-mi preito
que se verria mui cedo,
e mentiu-mi, tort'há feito,
e pois de mi nom há medo,
nunca mi por el roguedes,
ai donas, fé que devedes.
O que vistes que dizia
que andava namorado,
pois que nom veo o dia
que lh'eu havia mandado,
nunca mi por el roguedes,
ai donas, fé que devedes.
Eu Sõo Tam Muit'amador
do meu linhagem, que nom sei
al no mundo querer melhor
d'ũa mia parenta que hei;
e quem a sa linhagem quer bem,
tenh'eu que faz dereit'e sem;
e eu sempr'o meu amarei.
E sempre serviç'e amor
eu a meu linhagem farei:
entanto com'eu vivo for,
esta parenta servirei,
que quero melhor doutra rem;
e muito serviç'em mi tem,
se eu poder - e poderei.
Pero nunca vistes molher
nunca chus pouc'algo fazer
a seu linhagem, ca nom quer
em meu preito mentes meter;
e poderia-me prestar,
par Deus, muit', e nom lhe custar
a ela rem de seu haver.
E veede se mi há mester
d'atal parenta bem querer:
que m'hei a queixar, se quiser
lhe pedir alg', ou a veer;
pero se mi quisesse dar
algo, faria-me preçar
atal parenta e valer.
O Meu Amigo, Que Mi Dizia
que nunca mais migo viveria,
par Deus, donas, aqui é já.
Que muito m'el havia jurado
que me nom visse, mais, a Deus grado,
par Deus, donas, aqui é já.
O que jurava que me nom visse,
por nom seer todo quant'el disse,
par Deus, donas, aqui é já.
Melhor o fezo ca o nom disse:
par Deus, donas, aqui é já.
No Mundo Nom Me Sei Parelh
mentre me for como me vai,
ca já moiro por vós e ai,
mia senhor branc'e vermelha!
queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia?
Mao dia me levantei
que vos entom nom vi fea!
E [ai!], mia senhor, des aquelh'
dia, me foi a mi mui lai.
E vós, filha de dom Paai
Moniz, e bem vos semelha
d'haver eu por vós garvaia?
Pois eu, mia senhor, d'alfaia
nunca de vós houve nem hei
valia d'ũa correa.
Meus Olhos, Quer-Vos Deus Fazer
ora veer tam gram pesar,
onde me nom poss'eu quitar
sem mort'! E nom poss'eu saber
porque vos faz agora Deus
tam muito mal, ai olhos meus!
Ca vos farám cedo veer
a por que eu moiro casar;
e nunca me dela quis dar
bem; e nom poss'or'entender
porque vos faz agora Deus
tam muito mal, ai olhos meus!
E de quem vos esto mostrar,
nunca vos mostrará prazer,
ca log'eu i cuid'a morrer,
olhos; e nom poss'eu osmar
porque vos faz agora Deus
tam muito mal, ai olhos meus!
Donas, Veeredes a Prol Que Lhi Tem
de lhi saberem ca mi quer gram bem!
Par Deus, donas, bem podedes jurar
do meu amigo, que mi fez pesar;
mais Deus! E que cuida mi a gãar
de lhi saberem que mi quer gram bem?
Sofrer-lh'-ei eu de me chamar senhor
nos cantares que fazia d'amor;
mais enmentou-me todo com sabor
de lhi saberem que mi quer gram bem.
Foi-m'el em seus cantares enmentar;
vedes ora se me dev'a queixar!
Ca se nom quis meu amigo guardar
de lhi saberem que mi quer gram bem.
A Rem do Mundo Que Melhor Queria
nunca m'en bem quis dar Santa Maria;
mais, quant'end'eu no coraçom temia
hei! hei! hei!
Senhor, senhor, agora vi
de vós quant'eu sempre temi!
A rem do mundo que eu mais amava
e mais servia, nem mais desejava,
Nostro Senhor, quant'end'eu receava
hei! hei!hei!
Senhor, senhor, agora vi
de vós quant'eu sempre temi!
E que farei eu, cativ'e coitado?
Que eu assi fiquei, desamparado
de vós, por que coita grand'e cuidado
hei! hei! hei!
Senhor, senhor, agora vi
de vós quant'eu sempre temi!
Comentários (6)
Sai fora, é meu sugar daddy
Qual o insta desse grisalho?<br />
Correçao: "As fontes afirmam que ele nasceu em 1200 e que seria da primeira metade do século XII. Mas 1200 é o último ano do século XII, pois em 1201 já é seculo XIII
As fontes afirmam que ele nasceu em 1200 sendo da primeira metade do século XII. Mas então é nasceu no último ano do século XII, pois em 1201 já é seculo XIII
É uma aproximação, que se costuma usar quando não existem registos exactos.<br /><br />Assim é possivel posicionar temporalmente o autor.
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Como ele pode ter nascido em 1200 e ser autor de uma obra de 1189? A Wikipedia está com o mesmo erro. Afirmando ser ele um importante nome do século XII, mas nascido no século XI.