Lista de Poemas
Poemas Arabico-Andaluzes - Cavalo Alazão
coragem.
As crinas eram cor da flor da romãzeira e as orelhas tinham a forma das
folhas de mirto.
No peito, ao meio da cor vermelha, abria-se uma estrela branca, como as
bolhas claras que nascem numa taça de vinho rubro.
Quinze Haikus Japoneses
lugar onde os guerreiros
sonham.
Um cuco
foge ao longe — e ao longe,
uma ilha.
Primeira neve:
bastante para vergar as folhas
dos junquilhos.
Libélula vermelha.
Tira-lhe as asas:
um pimentão.
Pimentão vermelho.
Põe-lhe umas asas:
Libélula.
Pelo meio do arrozal
vou até à ameixoeira —
para ver o seu perfume.
Pirilampos
sobre o espelho da ribeira.
Dupla barragem de luz
Festa das flores.
Acompanhando a mãe,
uma criança cega.
Casa sob as flores brancas.
Onde bater?
Mancha sombria da porta.
Crescente lunar.
O tubarão esconde a cabeça
debaixo das vagas.
A lua deitou sobre as coisas
uma toalha de prata.
Azáleas brancas.
Monte de Higashi.
Como o corpo
sob um lençol.
Caracol,
lento, lento, lento — sobe
o Fuji.
Um cuco
cuja voz se arrasta
sobre as águas.
Ah, o passado.
O tempo onde se acumularam os dias lentos.
Canções de Camponeses do Japão - Amor Mudo
cantam: mais belos porém são
os pirilampos, cujo mudo amor
lhes queima o corpo!
Quatro Poemas Árabes - Tudo o Oue É Novo É Belo
mas eu sei que não é boa a jovem morte.
Ela fere pelas costas, e não é doce como o açúcar,
nem é como o vinho, nem como o sumo das uvas.
Quatro Poemas Árabes - Divisa
traiçoeiros e a guerra e as feridas e o papel e a pena.
O Mistério de Ameigen
Eu sou o vento que sopra à flor do mar,
sou vaga do mar,
o bramido do mar.
Sou o boi das sete lutas,
ave de rapina sobrevoando as falésias,
e dardo solar.
Eu sou o que navega, o inteligente.
Javali sangrento.
Lago na planície violenta.
Sou palavra de ciência.
Espada viva abrindo a noz das armaduras.
Eu sou o deus que implanta o fogo na cabeça,
e espalha a luz pelas montanhas,
e que anuncia as idades lunares,
e ensina ao sol onde morrer.
Poesia Mexicana do Ciclo Nauatle - Hino a Nossa Mãe
nossa mãe, borboleta de obsidiana.
Ei-la, terrível, nas nove planícies, devorando
corações de veados.
Tu és a nossa mãe, ó rainha terrestre:
com tuas plumas novas e tua argila fresca.
E quebraram-se as flechas nos quatro orientes:
rainha súbito transfigurada em corça.
E viemos para ver-te por sobre os campos áridos.
Canção Escocesa
Eduardo, Eduardo?
Porque escorre o sangue pela tua espada,
e porque estás tão triste, oh?»
«Oh, porque matei o meu melhor falcão,
minha mãe, minha mãe,
oh, porque matei o meu melhor falcão,
e no mundo não há outro nenhum assim, oh!>>
«O sangue do teu falcão não era assim tão vermelho,
Eduardo, Eduardo,
O sangue do teu falcão não era assim tão vermelho,
porque me mentes, oh?»
«Oh, porque matei o meu corcel ruão,
minha mãe, minha mãe,
oh, porque matei o meu corcel ruão,
que era delgado e tão ágil, oh!»
«Esse corcel era velho e possuis outros corcéis,
Eduardo, Eduardo,
esse corcel era velho e possuis outros corcéis,
porque me mentes, oh?»
«Oh, foi meu pai quem eu matei,
minha mãe, minha mãe,
oh, foi meu pai quem eu matei, que
a maldição me cubra para sempre, oh!»
«Que penitência farás pelo teu crime,
Eduardo, Eduardo?
Que penitência farás pelo teu crime,
dize-me, ó filho, oh?»
«Embarcarei para longe, bem longe,
minha mãe, minha mãe,
embarcarei para longe, bem longe,
irei por sobre as águas do mar, oh!»
«E os teus castelos e torres, que é que deles farás,
Eduardo, Eduardo?
E os teus castelos e torres, que é que deles farás,
que eram tão altos, tão belos, oh?»
«Que fiquem de pé, e que tombem depois,
minha mãe, minha mãe,
que fiquem de pé, e que tombem depois,
e no mundo não reste nenhum sinal, oh!»
«Que deixas ã tua mulher, e que deixas aos teus filhos,
Eduardo, Eduardo?
Que deixas ã tua mulher, e que deixas aos teus filhos,
se te aventuras ao mar, oh?»
«Deixo-lhes a terra toda para que nela mendiguem,
minha mãe, minha mãe,
deixo-lhes a terra toda para que nela mendiguem,
que nunca mais os verei, oh!»
«E que deixas tu à tua mãe extremosa,
Eduardo, Eduardo?
E que deixas tu à tua mãe extremosa,
que fica sem ti, oh?»
«A maldição do inferno, eis agora o que te deixo,
minha mãe, minha mãe,
a maldição do inferno, eis agora o que te deixo,
que o meu crime é o teu, oh!»
Poesia Mexicana do Ciclo Nauatle - Canto de Itzpapalotl
para colher os cactos e as piteiras selvagens,
para erguer uma casa de piteiras selvagens.
Ireis à região onde é a raiz da luz,
para atirar os dardos:
águia amarela, tigre amarelo, serpente amarela,
coelho amarelo, veado amarelo.
Ireis à região onde é a raiz da morte,
para atirar os dardos:
águia azul, tigre azul,
serpente azul, coelho azul, veado azul.
Ireis à região das sementes húmidas,
para atirar os dardos sobre a terra florida:
águia branca, tigre branco, serpente branca,
coelho branco, veado branco.
Ireis à região dos espinheiros bravos,
para atirar os dardos sobre a terra violenta:
águia vermelha, tigre vermelho, serpente vermelha,
coelho vermelho, veado vermelho.
E depois de atirar os dardos e atingir os deuses,
o amarelo, o azul, o branco, o vermelho,
águia, tigre, serpente, coelho, veado —
colocai sob a sua protecção
os veladores do deus antigo — o deus do tempo.
Todas Pálidas, As Redes Metidas Na Voz.
Cantando os pescadores remavam
no ocidente — e as grandes redes
leves caíam pelos peixes abaixo.
Por cima a cal com luz, por baixo os pescadores
cheios de mãos cantando.
Cresciam as barcas por ali fora, a proa
aberta como uma janela ao sal.
Metida na voz, toda pálida, a proa
rimava no ocidente com a cal que os pescadores
remavam, cantando grande, pela luz fora. Ao sol, ao sal.
E o espírito de Deus como num livro
movia-se sobre as águas.
Com seu motor à popa, veloz, peixe
sumptuoso, o espírito de Deus, motor de um número de cavalos, galgava
a antiga face pálida das águas. Enquanto,
cantando as redes,
os pescadores metiam as mãos cheias
de cal pelos grandes peixes abaixo.
E pelas barcas fora a luz remava pelo ocidente todo pálido, rimando
as redes leves com a proa.
E o peixe espírito de Deus, rangendo
o motor, rompia com um número,
remando todo pálido os seus grandes
cavalos. Deus
cantava no ocidente sobre as redes de cal,
a proa aberta — como as guelras
da luz. E os pescadores
metiam as redes pelo espírito de Deus abaixo.
E os remos rimavam com as redes
leves no peixe sumptuoso.
Por ali fora as guelras caíam na voz
dos grandes pescadores.
E Deus metido então nas redes, puxado
cor de cal para dentro
das barcas, as mãos cantando cheias
de pescadores.
E sobre as águas rangentes, rompendo
o leve ocidente, os pescadores remavam
o espírito de Deus para terra — peixe
de motor à popa — e a proa
grande aberta.
E cantavam o seu peixe sumptuoso, espírito
pálido na leve cal do ocidente
cantando.
Comentários (4)
I can't keep a secret??
H. H.
Gostei muito , mas a escrita não e grande coisa , mas gostei +- . É razoável . 12/10
Casava
Etc
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1961
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1963
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1963
A Máquina Lírica (Electronicolírica)
1964
Húmus
1967
O Bebedor Nocturno
1968
Apresentação do rosto
1968
Cinco canções Lacunares
1968
Antropofagias
1973
Os brancos arquipélagos
1973
Cobra
1977
O corpo, o luxo, a obra
1978
Photomaton & Vox
1979
Flash
1980
A cabeça entre as mãos
1982
Última ciência
1988
Os selos
1990
Os selos, outros, últimos
1991
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2008
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