Lista de Poemas
Poemas Dos Peles-Vermelhas - a Iúca
daquela montanha,
cresce a flor da iúca,
vibrante tocha dos deuses.
É a sua luz que me cega.
É a sua luz que é mais alta
do que eu sobre um cavalo.
E não se rasga no vento, balançando
as suas ancas.
Sob o peso das estrelas, muitas vezes
estremece. «Porque sou assim tão grande,
assim tão só? Ah, ah! Ué!»
E a dormideira e a alfazema devagar
se acariciam. «Porque sou assim tão grande,
tão exposta ã solidão? Ah, ah! Ué!»
Mas no meio da manhã ela cresce
mais ainda.
Como a flor da iúca, tu também
— alta, intacta.
Tocha dentro dos meus sonhos, cada vez
mais no espaço.
— E a minha mão mal te roça.
2
E a luva de ouro a antebraço inteiro
— haste,
os dedos em cima demoradamente abertos.
Ele pinta as chamas atadas umas às outras no retrato.
“A criança falou da personagem laranja fogo através do campo.”
“Mete medo.”
“Como se desentranha do caos?” Enquanto em redor da testa
um anel barométrico. “Desfaço.”
“E a mim que desfazem se desatam as chamas.”
“E a história de Deus?”
“Deus está em tudo? perguntou a criança, Deus
é o cubo de açúcar que se dissolve todo no leite todo,
bebe-se.”
O ramo de ouro, a luva laranja fogo a remexer no escuro ié a noite
que se transfigura, a noite
concentrada, grande atmosfera infusa aureamente respirando?
Que me faça, alento, no retrato em tela
com ramo e halo. Da força em amarelo: a minha guerra nas flores
esbraseadas, sombra
a sombra, até luzir. Rosto que Deus,
à volta dissolvido, deixe arrancar-se em luva que desabrocha
do caos unânime.
“E a criança?”
“Era um planeta girando com a noite universal no meio —”
3
a melodia. Se o copo freme na minha boca.
Se o vidro queima.
Se uma chaga.
Uma estrela que me calcina onde sou misterioso,
parado, leve.
Que a linha então com a agonia tão alto transcreve a música.
Porque são os filhos vivos da minha água
vibrante, do meu fôlego, mão a mão dos raios
de quando adormeço. Fibras que latejam
ao arrancarem-se. Com que varejo
trançadas em paus varejo
a árvore astral defronte com as bagas no escuro.
Áureos galhos onde friso as consoantes do canto abalado. Se o canto
perde o ouro.
Não perde o canto munificente o arrepio o baptismo
filho a filho
crispados com um cordão negro. Glóbulos
brilham pelas palavras dentro.
Esse tecido em sangue e incandescência que um hausto enche
filhos — a frase escrita em mim
amargamente às vezes
um tubo de flúor estua e fulgura na substância púrpura
onde se geram os filhos pulsando sem anéis nos dedos —
4
sorvedouros pedaços magnéticos de um lado para outro
e alguém que dança quase apenas um rosto martelado,
mãos negras. Eu disse: levo a máscara,
levo-a deste mundo.
Quem sabe se o mundo estremece pela força da máscara pequena.
Começa na ponta dos dedos com muito jeito assim
para estudar: será que tem fulcros insuportáveis
de potência
algo que de repente carbonize os dedos?
Se eu pegasse na cabeça, se eu
me encostasse à sombra dos galhos de marfim enquanto grito.
^Ouviria os leões a abrir as portas, sentiria o bafo
leonino,
a misteriosa vida leonina, de frente, batendo, leonina contra mim?
E o chifre pelo coração dentro.
Através desse marfim rasgando ficar maciço e maduro
do marfim fieira a fieira pelo coração e depois o grito.
Mãos arrumadas sustendo nos buracos a ferver
na volta dos braços a ferver:
o sangue
e então: como se transborda na frase! Rodam as atmosferas,
caem sobre o cabelo coruscante. Como se transborda
de coisa a coisa escrita africanamente!
paus negros enflorados a rosa, leões pelos corredores, vê-se a juba
ao dobrar a esquina do espelho,
a rapariga dança, potes monstruosos de barro ocre.
E então a luz revoluteada se alguém arranca uma banana do peso
cor do ouro; súbito: a ruptura da frase, membros
por toda a parte. Esta é a carne despedaçada, aqui.
Isto são as colunas de ar.
Levo a máscara, disse eu. Quando pus os dedos
na frase, a frase
sangrava. Tinha aquele lanho, alguém cosera tudo com agrafes de marfim
— palavras a marfim e sangue. Disse: levo-a comigo.
O continente arqueja pela espinha de ouro.
Talvez eu volte, quem sabe? talvez
eu ressuscite a frase ocre africana, quem sabe quantos nomes
faltam, volte
coroado, mãos negras com as iluminações girando, eu:
devagar a debruçar-me sobre a furiosa rede dos diamantes —
(É Uma Dedicatória)
a mão transparente, e atrás,
nas embocaduras da noite,
o mundo completo treme como uma árvore
luzindo
com a respiração. E ofereces,
das unhas à garganta
talhada, a deslumbrante queimadura do sono.
— Em teu próprio torvelinho se afundam
as coisas. Porque és um vergão raiando entre
esses braços
que irrompem da minha morte se durmo, da loucura
se a veia
violenta que me atravessa a cabeça se torna
ignea como
um rio abrupto num mapa. Quando as salas
negras fotográficas
imprimem a sensivel trama das estações
com as paisagens por cima. E
jorras
desde as costas dos espelhos, seu coração
arrancado pelos dedos todos de que se escreve
o movimento inteiro.
Nunca digas o meu nome se esse nome
não for o do medo. Ou se rapidamente o lume se não repartir
nas formas
lavradas como chamas à tua volta. Os animais
que essa labareda ilumina
na boca. Desde a obscuridade
de tudo que tudo
é inocente. Nunca se pode ver a noite toda de súbito.
E da fronte aos quadris em tuas linhas, és
cega, fechada.
A minha força é a desordem. Reluzes
na têmpera enxuta — queima-te.
O ouro desloca a tua cara. Um nervo
atravessa as frementes, delicadas massas
das imagens:
como uma ferida límpida desde a nascença pela carne
fora. Es alta em mim por essa
cicatriz que se abre ao dormir e quando
se acorda fica aberta.
— Esta
espécie de crime que é escrever uma frase que seja
uma pessoa magnificada.
Uma frase cosida ao fôlego, ou um relâmpago
estancado
nos espelhos. E às vezes é uma raiz engolfada, e quando toca
a fundura das paisagens, as constelações mudam
no chão. A truculência
que se traça como uma frase na pessoa, uma queimadura
branca. Porque ela mostra as devastações
magnéticas
da matéria. Na frase vejo os fulcros da pessoa.
Por furos acerbos as estações que se escoam
e a inquebrantável
paisagem que as persegue por dentro. A frase
que é uma pálpebra
viva
como roupa fechada sobre a radiação das veias.
Que é uma cara, uma cratera.
Ou um hausto animal das unhas à testa
onde
fulguram os cornos em coroa.
E esta massa ofegante é queimada por um
suspiro, um alimento brutal.
O teu rosto cerca-me, a minha
morte cerca o teu rosto como uma clareira
pulsando
na luz cortada. A pessoa
que é uma frase: astro
rude cruamente encordoado entre as omoplatas.
Como se um nervo cosesse todas as partes pungentes e selvagens
da carne. Como
se a tua frase fosse um buraco brilhando até aos pulmões,
com o sangue e a língua
na minha garganta. A beleza que te trabalha
deixa-te
árdua e intacta
no mundo, entre o sangue estrangulado na minha memória.
Cinco Poemas Esquimós
semelhantes aos golpes de asa
de um corvo rápido.
Levanto-me
para saudar o dia.
Uá, uá!
Minha face afasta-se das trevas da noite
e olha para a aurora
que se abre.
O grande fluxo do oceano põe-me em movimento,
faz-me flutuar.
Flutuo como a alga à superfície das águas.
E a abóbada celeste abala-me e o ar violento
abala o meu espírito
e atira-me sobre a poeira.
E eu tremo de alegria.
Os mortos que sobem ao céu
por degraus sobem ao céu,
por velhos degraus já gastos.
Todos os mortos que sobem ao céu
por degraus gastos,
gastos ao contrário,
gastos por dentro,
sobem ao céu.
Vejo aproximarem-se os brancos cães da aurora:
— Alto!, que vos atrelo ao meu trenó de gelo!
I
Espírito do ar, vem,
vem depressa.
O invocador te chama.
Vem, e purifica esta terra.
Espírito do ar, vem,
vem depressa.
Levanto-me:
é no meio dos espíritos que eu me levanto.
Os invocadores me protegem,
conduzem-me por entre os espíritos.
Criança, criança, grande criança,
levanta-te e vem,
grande criança, pequena criança,
aparece entre nós.
II
Quero visitar uma mulher estrangeira,
quero desvendar os enigmas do homem.
Desato as correias das minhas botas,
procuro no homem e
procuro na mulher.
No rosto das mulheres desfaço as rugas.
Caminhei ao longo dos gelos marinhos,
e as focas sopravam de dentro dos buracos.
Escutei maravilhado o canto do mar
e o gemido claro dos jovens gelos.
E um espírito antigo traz agora o poder
à casa das danças.
Poemas Dos Peles-Vermelhas - a Puberdade
Já quase morrem esta noite os ecos.
Mulher virgem, mulher virgem não tem sono.
Vela, veia, através da noite.
Áspero e gigante, o cacto despedaçado:
e minhas penas caídas elevam-se no ar,
mais alto que o cume do monte da Mesa.
E eis que o jovem moveu as pedras sonoras,
e a mulher ouviu, e não pôde dormir.
E partiram-se as unhas de meus pés.
Quando eu passava, tombaram os ramos da noite,
e quebraram-me as penas.
1
Se mexem as mãos memoriais as mães
transmudam
o mundo. Sabem ponto
a ponto forte o quotidiano estelar das matérias: aço, louça
— atrás do ramo
dos ouros a fruta iluminada nos sítios
onde lhe pegam. Elas
sabem como se enxameiam as coisas como vão de umas às outras ou
se intensificam na limalha
por uma risca eléctrica. Eu exponho-me ao seu trabalho
assombroso e aprendo e
purifico. O braço irrompe desde a raiz aos dedos
em acção de rosa. Às luas nos meandros nos laços
vermelhos — o ensino
dos elementos. Vejo tanta seiva escoando-se pelos orifícios
aquela matriz crispada nas partes
virgens, nome
banhado. Depois a linha de células ardendo. Cada criança
arranca-se à criança lustral com as pratas eriçadas na cabeça, a quín
floração trazida acesa. Todo o fenómeno
fêmea
de mover-se no apoio das palavras das coisas.
Com esse romper de rosa pelas unhas.
Elas põem as centelhas nas jarras ao meio das massas
puras: carne,
o pão que ainda fermenta, o açúcar
agudo, tão fria a água
enredada: Nós que desatam com tanto poder tanta
delicadeza. Se a mão apanha os botões de sal entre os idiomas negros
fica viva nas cicatrizes. Toca
na testa da criança primeira: e todas as crianças sucessivas principiam e
aumentam nas rosas transmitidas.
O vagar magnifica. Como no alongamento dos ofícios, atenção, os ritmos
— e se a bebida é tão íntima numa infusa
que
em mente e sede se torna
acto
absoluto, aliança, poesia. A mão que vem da lenta loucura
e carrega com todo o peso terrestre
criança a criança profunda a lembrança
— e o ouro misterioso: a mão
empurra pela brancura fora, entre, até onde? como chegam sombrias
às suas rosas
essas vidas pequenas. Um dia elas mesmas hão-de ser abundantes, erguer
extremamente os dedos, brilhar, doar
como heranças leves
as cicatrizes. São palavras maternas abrem-se
em ferida. Nos espelhos centrais com as pancadas de ar as pessoas
nas palavras assistem à vertigem
da sua imagem:
cabeça contra dedos, a exaltação das rosas —
Poemas Arabico-Andaluzes - o Nadador Negro
pedras do fundo.
Tinha o lago a forma de uma íris azul de que o negro era a pupila.
Canções de Camponeses do Japão - Lírio
vi-o eu esta manhã:
na planície do quinto mês,
um lírio aberto!
Comentários (4)
I can't keep a secret??
H. H.
Gostei muito , mas a escrita não e grande coisa , mas gostei +- . É razoável . 12/10
Casava
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