Escritas

Lista de Poemas

... Mas eu não ouso. Ó horror e tortura

... Mas eu não ouso. Ó horror e tortura!
O transcendente horror de um ser humano!
Beijar na boca uma consciência, um ser humano!
Beijar na boca uma consciência, um ser,
O mistério encarnado em nu e sólido.

A nudez(...)
Há entre alma e alma um abismo. Saber
Que me está vendo uma alma em  (...), nudez
E acto de amor!
Não a nudez da estátua,
Mas a nudez viva, cheia de olhar-me
Até que me apavoro de pensá-lo.

Nem tenho gestos para saber amar,
Nem alma para tirar ao mero-oco
Pensar aqueles gestos, o horror
Que vem de eles saberem a mistério.
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Minha oração-cavalgada!

Minha oração-cavalgada!

Minha saudação-arranco!

Quem como tu sentiu a vida individual de tudo?
Quem como tu esgotou sentir-se — a vida — sentir-nos?
Quem como tu tem sempre o sobresselente por próprio
E transborda por norma da norma — forma da Vida?
(...)

a minha alegria é uma raiva,
o meu arranco um choque
        (Pá!)
em mim...

Saúdo-te em ti ó Mestre da minha doença de saúde,
o primeiro doente perfeito da universalite que tenho
o caso-nome do “mal de Whitman” que há dentro de mim!
St. Walt dos Delírios Ruidosos e a Raiva!
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A CRIME

Do you know the crime I committed
        Nearly twenty years ago?
At that crime my heart is torn.
        What my crime was do you know?
'T was the crime of being born.

And every day another crime
        I commit, and ever have done
Up to now in the face of Time.
        Do you know what crime this is?
'Tis the crime of living on.

Do you know what evil's disgrace
        Has made an outcast's my lot
And sundered me from my race?
        Do you know what crime is that?
'Tis the crime of having thought.
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Horror! Conhecer intimamente

Horror! Conhecer intimamente
O transcendente horror dum corpo humano!
Sentir o mistério doutra vida
Tão intimamente perto... quase nosso
E como que carnalizar em hórrida
Intranscendência o mistério em si.
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Caminhamos sobre abismos

Caminhamos sobre abismos
Ai de quem o sente. A noite, uma noite funda
Cerca-nos, ai de quem conhece
Como ela é funda, como é inescrutável.

Pulsam-me as veias
Alucinadamente e um terror novo
Obtém-me, o terror de mim mesmo.
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Sem impaciência.

Sem impaciência.
Sem curiosidade,
Sem atenção
Vejo-o crochet que com ambas as mãos combinadas
Fazes.

Vejo-o do alto de um monte inexistente,
Malha após malha formando pano...

Qual é a razão que te dá entretenimento
Às mãos e à alma essa coisa rala
Por onde se pode meter um fósforo apagado?
Mas também
Qual é a razão que assiste a eu te criticar

Nenhuma.
Eu também tenho um crochet.
Data de desde quando comecei a pensar...
Malhas sobre malhas formando um todo sem todo
Um pano que não sei se é para um vestido ou p'ra nada
Uma alma que não sei se é para sentir ou viver...
Olho-te com tanta atenção
Que já nem dou por ti...

Crochet, almas, filosofia...
Todas as religiões do mundo...
Tudo quanto nos entretém ao serão de sermos...
Dois marfins, uma volta, o silêncio...
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Many an evil, many a bliss

Many an evil, many a bliss
        Go to make existence' hell,
But the greatest evil of all is this:
        To live and to know it well.

Since this from life at once we see
        Thus simply gathered,
Must not the greatest bliss then be
        To die and know oneself dead?

That's true, as far as I guess,
That's true and impossible,
As far as I know and tell.
So much for happiness!
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MOMENTS - II

II

Baby came into the world.
In a basket full of flowers
Which a fairy brought, an angel
From the paradisal bowers.
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Depois de quando deixei de pensar em depois

Depois de quando deixei de pensar em depois
Minha vida tornou-se mais calma —
Isto é, menos vida.
Passei a ser o meu acompanhamento em surdina.

Olho, do alto da janela baixa,
As garotas que dançam a brincar na rua.
O seu destino inevitável
Dói-me.
Vejo-lho no vestido entreaberto nas costas, e dói-me.

Grande cilindro, quem te manda cilindrar esta estrada
Que está calçada de almas?

(Mas a tua voz interrompe-me
— Voz alta, lá de fora do jardim, rapariga —
E é como se eu deixasse
Cair irresolutamente um livro no chão.)

Não teremos meu amor, nesta dança da vida.
Que fazemos por brincadeira natural,
As mesmas costas desabotoadas
E o mesmo decote a mostrar-nos a pele por cima da camisa suja?
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Quase anónima sorris

Quase anónima sorris
E o sol doura o teu cabelo.
Porque é que, pra ser feliz,
É preciso não sabê-lo?
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Comentários (17)

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Gabriel
Gabriel
2025-09-17

What?

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-07-27

Simplesmente um pensador ( tão grande) pois todos nós temos máscaras, nossos sentimentos são todos ocultos na nossa eterna alma. fantástico este texto para sua época vivida.

rodrigl
rodrigl
2023-12-01

cmt

tomaslopes
tomaslopes
2023-06-23

O maior e mais pensador poeta para a sua antiga época. O maior e mais revolucionista da literatura portuguesa, com os seus poemas e textos que enchem a alma de pensamentos. Tem um forma única de se expressar e ditar o que vem da sua alma, como ele dizia " Quem tem alma não tem calma".

mcegonha
mcegonha
2023-04-21

O profeta dos poetas!