Lista de Poemas
Never have I so deeply felt my exclusion from mankind.
To one side the sane, to the other side the lame and the halt and the blind;
To one side the healthy, the good, the strong, those in life's prime,
To the other side the slaves of genius, of madness, of crime.
Build prisons and hospitals and Bedlams. To one side the glad,
To the other side the sickly, the stupid, the ill and the mad.
At no time have I felt so deep the gulf between me and men.
Is it idiocy, madness or crime, or genius - or what is this pain?
I have felt it to-day with full truth and have felt to remember it well:
I am one thrown aside ‑ a torturer and tortured in my being's hell;
Yet I asked not to live, nor had choice of my living's rotten worth,
I had no power on my life, nor am I guilty of my birth.
So I shall sing my song without hope, cheerless and forlorn,
That men may learn - at least they may laugh - to what some hearts are born;
Song all mystery, all symbols, contradictions in ignoble dance,
But that this is madness complete not the smallest ignorance;
Song all of tortures of soul, of a being's human abysm
And never a doubt but this is but raving egotism;
Song of evil, song of hate, song of revolt, song of love
Of Nature, of Mother Nature, the earth at my feet and the sky above;
Song of the hatred of customs, of creeds, of conventions, of institutions
Song of madness unpondering to human prostitutions;
Song of one that better were dead, song of one set aside,
Song of one that hell and earth conspired and combined to deride.
Peace! let the sane be set on that side and the mad on this side.
SONG OF THE LEPER
Who in the ruins was;
There ever and anon
The hollow wind did pass,
And wild and feeble and yellow all
Was the grass.
And the leper sang this song:
«The leper is excluded from his race,
The leper is driven out,
The leper is thrust out
From hall and street and way;
He must not show his face
Where human beings may.
For him there are whips and stones;
He cannot even stay
Where mongrels fight for bones
And are allowed to play.
«No beast as the poor leper is
Worms and snakes have greater bliss.
But the leper is accurst
And he knows that well accurst
Is he because a nauseous leper,
Of evil things the worst.
«The toad, the newt, the viper
Are tolerate and borne,
But the vile and nauseous leper
Makes vomit in deep scorn;
Repugnance is for him
Inevitably born
«Sometimes he hears the laughter
Of human feast to come,
And music followed, after
By sounds of peace and of home.
Upon the wind they stray,
The wind bears them away,
And the nauseous leper, he remains,
Through night, through day,
Alone with his sores, with his pains.
And bands of strollers pass,
Taking the road afar,
For in the ruins they know well
The leper's sores there are.
And if perchance they see
The leper from their way,
He sees their finger point
And he knows that they say:
«He is the nauseous leper
Who in the ruins doth sit;
He is viler than the plague,
More loathsome far than it;
If near to him we dared do come
Upon him we would spit.»
«Poor leper who is a man,
Poor leper who is alive,
Under his being's ban,
Whose torture's chain unearned
No pity comes to rive.
«A Hand of Might created
The newt, the toad, the viper,
But gave them not its worst;
Kept them from loneliness,
Gave them their kindred's bliss.
But that hand made the leper
And it made the leper leper:
And that Hand Almighty is
Of all things the most curst.
O pensar, e o pensar sempre
Dá-me uma forma íntima e (...)
De sentir, que me torna desumano.
Já irmanar não posso o sentimento
Com o sentimento doutros, misantropo
Inevitavelmente e em minha essência.
Toda a alegria me gela, me faz ódio,
Toda a tristeza alheia me aborrece,
Absorto eu na minha, maior muito
Que outras. E a alegria faz-me odiar
Porque eu alegre já não posso ser,
E, conquanto o não queira assim sentir
Sinto em mim que a minha alma não tolera
Que seja alguém do que ela mais feliz.
O rir insulta-me por existir,
Que eu sinto que não quero que alguém ria
Enquanto eu não puder! Se acaso tento
Sentir, querer, só quero incoerências
De indefinida aspiração imensa,
Que mesmo no seu sonho é desmedida.
E às vezes com pensar sinto crescer
Em mim loucuras de (...)
E impulsos que me transem de terror
Mas são apenas (...) e passam.
Mais de sempre é em mim (quando não penso
E estou no pensamento obscurecido)
Uma vaga e (...) aspiração
Quiescente, febril e dolorosa
Nascida do (...) pensamento
E acompanhando-o comovidamente
Nas inércias obscuras do meu ser.
Sonhos dentro de sonhos,
Involuções do sonhar,
Os pensamentos são medonhos
Quando se querem aprofundar;
E os corações ficam tristonhos, tristonhos
Quando se sentem sentir pensar.
ilusões dentro d'ilusões
Atormentando o descrer;
Descrenças e crenças são ambas visões
São ambas sonhar, são ambas crer.
ODE MARCIAL [a]
Clarins na noite,
Clarins na noite,
Clarins subitamente distintos na noite...
(É de cavalgada, de cavalgada, de cavalgada o ruído longínquo?)
O que é [que] estremece de diverso pela erva e nas almas?
O que é que se vai alterar e já lá longe se altera —
Na distância, no futuro, na angústia — não se sabe onde — ?
Clarins na noite,
Clarins... na noite,
Clari-i-i-i-ins.....
É de cavalgada,
É de cavalgada, de cavalgada,
É de cavalgada, de cavalgada, de cavalgada
O ruído, ruído, ruído agora já nítido.
Vejo-as no coração e no horror que há em mim:
Valquírias, bruxas, amazonas do assombro...
São um grande sonho — mistério de sombras pegadas que mexe na noite.
Vêm em cavalgada, e a terra estremece duas vezes,
E o coração como a terra estremece duas vezes também.
Vêm do fundo do mundo,
Vêm do abismo das coisas,
Vêm de onde partem as leis que governam tudo;
Vêm de onde a injustiça derrama-se sobre os seres,
Vêm de onde se vê que é inútil amar e querer,
E só a guerra e o mal são o dentro e fora do mundo.
Hela-hô-hôôô...helahô-hôôôôô.......
Em cada Consciência o Grande Horror
Mostra através da máscara os seus olbos.
E o carnal,
Em toda a sua extensão
De nudez da carne e da alma, mirra
Minha alma do pavor de colocar
A mão, na escuridão, sobre a fronte
Do Mistério.
A cópula dos entes, o contacto
Carnal das almas, pávido encontrar-se
Do horror de uma alma com o de outra alma,
Do mistério de um ser com o de outro ser,
Quintessenciar-se local, tangível
Do Mistério, (...)
Escrever
Em palavras de carne, sentindo
O horror e o mistério do Universo.
Com que gesto de alma
Dou o passo de mim até à posse
Do corpo de outro, horrorosamente
Vivo, consciente, atento a mim, tão ele
Como eu sou eu.
SONG OF DIRT
God's curse is on our head.
Let our lips irreverence blurt!
We are sufferers all; let us, instead
Of prayer, offer God the sacrifice
Of our minds that he curst with crime and vice,
Of our frames that diseases make dread!
Let us offer the tyrant of all,
To hang in the hall of his palace of pain,
A funeral pall,
And a bride's white dress with a stain,
And a widow's weeds, and the crumpled sheets
From the bed of the wife.
Let them be symbols of human strife!
Give we God the dirt of the streets
Of our spirit, made mud with our tears,
The dust of our joys, the mire of our fears,
And the rot of our life!
Ah não poder tirar de mim os olhos,
Os olhos da minh'alma da minh'alma
(Disso a que alma eu chamo)!
Só sei de duas cousas, nelas absorto
Profundamente: eu e o universo,
O universo e o mistério e eu sentindo
O universo e o mistério, apagados
Humanidade, vida, amor, riqueza.
Oh vulgar, oh feliz! Quem sonha mais
Eu ou tu? Tu que vives inconsciente ,
Ignorando este horror que é existir,
Ser perante o pensamento
Que o não resolve em compreensões, tu
Ou eu, que, analisando e discorrendo
E penetrando (...) nas essências,
Cada vez sinto mais desordenado
Meu pensamento louco e sucumbido,
Cada vez sinto mais como se eu,
Sonhando menos, consciência alerta,
Fosse apenas sonhando mais profundo...
E esta ideia nascida do cansaço
E confusão do meu pensar, consigo
Traz horrores inúmeros, porque traz
Matéria nova para o mistério eterno,
Matéria metafísica em que eu
Me perco a analisar.
Pensar fundo é sentir o desdobrar
Do mistério, ver cada pensamento
Resolver em milhões de incompreensões,
Elementos (...)
Oh tortura, tortura, longa tortura!
Aos homens tu produzes palidezes
Da sensação não tristes sempre, a alguns
Um mais acentuado sentimento
De tristeza; mas em mim, ah tarde! trazes,
Em mim m'acordas e m'intensificas
Meu desolado e vago natural.
Qu'importa? Tudo é o mesmo. A mim, quer seja
Manhã inda d'orvalho arrepiada,
Dia, ligeiro em sol, pesado em nuvens
Ou tarde (...)
Ou noite misteriosa e (...)
Tudo, se nele penso, só me amarga
E me angustia.
Tenho no sangue o enigma do universo
E o seu pavor que outros não conhecem
E alguns talvez, mas não profundamente.
Só a mim me foi dado sentir sempre.
E se às vezes pareço indiferente
E em mim mesmo calmo, é apenas
O excesso da dor e do horror
Cuja constante (...) me dói.
O luar parece que se torna mais álgido, mais branco,
Comentários (17)
What?
Simplesmente um pensador ( tão grande) pois todos nós temos máscaras, nossos sentimentos são todos ocultos na nossa eterna alma. fantástico este texto para sua época vivida.
cmt
O maior e mais pensador poeta para a sua antiga época. O maior e mais revolucionista da literatura portuguesa, com os seus poemas e textos que enchem a alma de pensamentos. Tem um forma única de se expressar e ditar o que vem da sua alma, como ele dizia " Quem tem alma não tem calma".
O profeta dos poetas!
Mensagem
1934
Poesias
1942
Poesias de Álvaro de Campos
1944
Odes de Ricardo Reis
1946
Poemas de Alberto Caeiro
1946
Fausto
1952
Poesias Inéditas (1930-1935)
1955
Poesias Inéditas (1919-1930)
1956
Quadras ao Gosto Popular
1965
Novas Poesias Inéditas
1973
Poemas Ingleses
1974
Livro do Desassossego
1982
Álvaro de Campos - Biografia encenada
Estou Cansado - Poema de Álvaro de Campos
Chico Buarque lê Álvaro de Campos
Álvaro de Campos - Tabacaria (por Mário Viegas)
Mário Viegas - Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos
''Acaso & Afinal'' Álvaro de Campos [Fernando Pessoa]
Primeiro é a Angústia - Álvaro de Campos
SIM ESTÁ TUDO CERTO - Álvaro de Campos, Poema do Dia 10.wmv
Maria Bethânia - Ultimatum - Álvaro de Campos
Fernando Pessoa por Joao Villaret- Tabacaria
Sinde Filipe diz Ai Margarida de Álvaro de Campos (2008)
Reticências, Álvaro de Campos (trecho)
Trecho Texto Essa Velha Angustia (Álvaro de Campos)
MANIFESTO DE ÁLVARO DE CAMPOS
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) - Lisbon Revisited
Jô Soares - CRUZOU POR MIM, VEIO TER COMIGO NUMA RUA DA BAIXA - Álvaro de Campos - gravação de 1985
Fernando Pessoa: Tudo o que precisas de saber! 🤓 (CURSO COMPLETO)
The Terrible Paradox of Self-Awareness | Fernando Pessoa
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Fernando Pessoa e seus Heterônimos (Modernismo em Portugal)
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Ricardo Reis | Heterônimos de Fernando Pessoa - Brasil Escola
#3 Fernando Pessoa - Alberto Caeiro ✍️ (Português 12º ano)
LITERATURA – Modernismo em Portugal – Fernando Pessoa e Heterônimos ENEM
Richard Zenith on Fernando Pessoa -- 192 Books
Maria Bethânia Meu coração não aprendeu nada Fernando Pessoa
"NÃO ME SUPORTO MAIS" | Fernando Pessoa
Le génie de Fernando Pessoa - Faut-il vivre ses rêves pour être heureux?
Tabacaria | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Fernando Pessoa, "Como é por dentro outra pessoa"
FERNANDO PESSOA (Biografia) & O Livro do Desassossego
Um Especialista É Um Homem Que Sabe ... | Poema de Fernando Pessoa narrado por Mundo Dos Poemas
#2 Fernando Pessoa - A poética do ortónimo ✍️ (Português 12º ano)
La última página 14: Fernando Pessoa, poesía y prosa
Livro do Desassossego: a inquietação de Fernando Pessoa | Rogério Hafez
Fernando Pessoa: The Poet as Philosopher - Jonardon Ganeri for the Royal Institute of Philosophy
Aula Aberta - FERNANDO PESSOA REVISITADO - Curso no Atelier Paulista com José Miguel Wisnik
AUTOPSICOGRAFIA - Fernando Pessoa
Colhe O Dia, Porque És Ele | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
I Don't know How Many Souls I Have - Fernando Pessoa
Aulão #02 - Dissecando Fernando Pessoa
"Nem uma coisa nem outra" | FERNANDO PESSOA
"DEIXEM-ME RESPIRAR" | Fernando Pessoa
Escritor português, nasceu a 13 de Junho, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo, no Liceu de Durban, os estudos secundários. Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes. De regresso definitivo a Lisboa, em 1905, frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade. Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreria a morte da mãe. Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool. Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paúlismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes. Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dilecto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-director e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-director e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença. A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos. A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar. Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres. 13 de junho de 1888 - Nasce em Lisboa, às 3 horas da tarde, Fernando Antônio Nogueira Pessoa.
1896 - Parte para Durban, na África do Sul.
1905 - Regressa a Lisboa
1906 - Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa
1907 - Abandona o curso.
1914 - Surge o mestre Alberto Caeiro. Fernando Pessoa passa a escrever poemas dos três heterônimos.
1915 - Primeiro número da Revista "Orfeu". Pessoa "mata" Alberto Caeiro.
1916 - Seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se.
1924 - Surge a Revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.
1926 - Fernando Pessoa requere patente de invenção de um Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua. Dirige, com seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade.
1927 - Passa a colaborar com a Revista "Presença".
1934 - Aparece "Mensagem", seu único livro publicado.
30 de novembro de 1935 - Morre em Lisboa, aos 47 anos.
Português
English
Español
ignorante
pode alguem me ajudar em relacao da referencia de publicao deste livro
Sim Fernando
Amo Fernando Pessoa, e o meu preferido é AQUI NA ORLA DA PRAIA...
O Cosmos descortinado...O sonho coberto de poesias...Assim é Fernando Pessoa.
Great Man ...
Da educaçâo que me deram....
Toda a ordem errada. Aqui na orla da praia... O Poeta é um fingidor...Meta poesia, Taqbacaria... O menino da sua mâe. Nunca comheci que tivesse levado porrada... ETC O desassossego do cais!
e lindo
Tantas citações que poderiam usar, e usam logo uma que a Internet lhe tem atribuído erradamente...
alguem podia me fazer uma interpretação do poema sff?
Gostei do blog