Escritas

Lista de Poemas

TO ONE PLAYING

Play on with that music all lonely
Wandering through me like a breeze
Half‑lost in the calm of night,
A melody half‑heard only
Like the sound of stupendous seas
That in motion feel a delight.

For in thy rhythm soft pealing,
For thou in that meterless rhyme
Awakest in me a spirit stress,
A widening, deadening of feeling
That is to my normal consciousness
As Eternity is to Time.
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Não é o horror à morte porque raie

Não é o horror à morte porque raie
Nela o mistério em mim, nem venha nela
Ou o acabar-me, ou o continuar-me,
Que em qualquer cousa horrenda de diversa,
Para um pávido outro-eu me transmigrando,
Me anule para um Mais que me apavora.
Não. Não é na minha alma que os sineiros
Rebatem medos pelo que hei-de ser
É a minha carne que em minha alma grita
Horror à morte, carnalmente o grita,
Grita-o sem consciência e sem propósito,
Grita-o sem outro modo do que o medo,
Um pavor corporado, um pavor frio
Como uma névoa, um pavor de todo eu
Subindo à tona intelectual de mim.

Não temo a morte como qualquer cousa
Que eu veja ou ouça, mas como quem teme
Quando não sabe o que é que teme, e teme.
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Ânsia infinda

Ânsia infinda
De reaver o direito à sensação,
Que é humano em mim e que esquecido tinha;
Ânsia de vã paixão que muito parte
Do (...) desesperado sofrimento;
Ânsia de sentir e          (...)
E antes de ser amado que de amar.

Mas ah, não sei se já — estranho ser (
Volver eu posso à vida, pois me sinto
Estranho ao mundo, à vida e aos olhares,
Um Incapaz de ser irmão. Dum salto
Queria reaver meu natural
Como homem. E depois? Depois não sei.
Ah, nem no sonho, forte pensamento,
Me deixas, seco e argumentador.

É necessário pois não pensar mais.
Mas não; não pode ser, a abdicação.
Mas o quê — abdicar do pensamento
Em proveito da mera sensação?
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Num atordoamento e confusão

Num atordoamento e confusão
Arde-me a alma, sinto nos meus olhos
Um fogo estranho, de compreensão
E incompreensão urdido, enorme
Agonia e anseio de existência
Horror e dor, [agonia] sem fim!
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Quando penso

Quando penso
Em glória, fama,    (...)
(...) tudo acabando em morte
Eu sinto um frio n'alma, um confranger,
Obscurecer de todo o pensamento,
Dissolver da clareza da consciência
Nos seus (...) elementos escuros.

                                Tudo formas
Do gélido sentimento de existir
Que é o frio habitual do meu sentir;
Sentir a vida como um arrepio,
Como um horror, como uma morte consciente.

O frio do mistério enche tudo
Porque o mistério é tudo e é tudo a vida.
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FAREWELL

Farewell, farewell for ever,
        I cannot more remain;
Far wider things our hearts do sever
        Than continent or main -
Pride and distaste and inaptness
To feel each other's joy, distress.

Farewell, farewell for ever;
        Be it not said by thee
My heart was weaker, thy heart braver
        In mutual misery
But parted were we, be it said,
As are the living from the dead.

Farewell, farewell for ever,
        Since love left not behind
Nor even friendship nor endeavour
        Nor sorrow mad or kind.
'Tis fit indeed those souls be parted
That cannot e'er be broken-hearted.

Farewell, farewell for ever;
        'Tis time this thing were done,
When love is cold which was a fever
        And vulgar as a stone,
When life from woe to woe doth flee
And change itself is misery.
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O que é haver haver? Porque é que o que é

O que é haver haver? Porque é que o que é
É isto que é? Como é que o mundo é mundo?
Ah, o horror de pensar, como que súbito
Desconhecer onde estou.
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...e desse referver me veio

...e desse referver me veio
Mudo aniquilamento da vontade
Paralisada pelo (...) excesso
Do poder do desejo, mesmo sobre
A imaginada força do poder.
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Tudo transcende tudo

Tudo transcende tudo
E é mais real e menor do que é.

Sinto-me perturbado
E a consciência da perturbação
Mais me perturba.

Não sei que desejar
Nem que desejável ser em mim.
Todo o modo de ser além da morte
Me apavora e confrange.
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Sinto esse frio coração eu mesmo

Sinto esse frio coração eu mesmo
Admirado de ser um coração,
Tão frio está! Já o sonho
Porque quis fingir para mim mesmo
Esquecê-lo
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Comentários (17)

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Gabriel
Gabriel
2025-09-17

What?

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-07-27

Simplesmente um pensador ( tão grande) pois todos nós temos máscaras, nossos sentimentos são todos ocultos na nossa eterna alma. fantástico este texto para sua época vivida.

rodrigl
rodrigl
2023-12-01

cmt

tomaslopes
tomaslopes
2023-06-23

O maior e mais pensador poeta para a sua antiga época. O maior e mais revolucionista da literatura portuguesa, com os seus poemas e textos que enchem a alma de pensamentos. Tem um forma única de se expressar e ditar o que vem da sua alma, como ele dizia " Quem tem alma não tem calma".

mcegonha
mcegonha
2023-04-21

O profeta dos poetas!