Lista de Poemas
Os Insanos Sempre Me Amaram
ao longo de todo o ensino
fundamental
ensino médio
faculdade
os rejeitados se
uniam a
mim.
caras com um só braço
caras com tiques
caras com problemas de fala
caras com uma película branca
sobre um dos olhos,
covardes
misantropos
assassinos
tarados
e ladrões.
e em todas
as fábricas e na
vagabundagem
sempre atraí
os rejeitados. eles me encontravam
logo de cara e se grudavam
em mim. continuam
fazendo isso.
aqui na vizinhança há agora
um que me
encontrou.
ele anda por aí empurrando um
carrinho de supermercado
cheio de lixo:
bengalas partidas, cadarços
sacos vazios de batata frita,
caixas de leite, jornais, canetas...
“ei, parceiro, o que tá fazendo?”
eu paro e conversamos um
pouco.
então eu digo adeus
mas ele continua me
seguindo
para além dos
puteiros e dos
prostíbulos...
“me mantenha informado,
parceiro, me mantenha informado,
quero saber o que está
acontecendo.”
esse é o meu insano do momento.
nunca o vi falar
com mais
ninguém.
o carrinho chacoalha
um pouco atrás
de mim
então alguma coisa
cai.
ele se detém para
juntá-la.
enquanto ele se ocupa disso eu
entro pela porta de um
hotel verde que fica na
esquina
cruzo
o saguão
saio pela porta
dos fundos e
ali há um gato
cagando
absolutamente deliciado,
que me arreganha os
dentes.
Um Poema Rude
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap...
Eu Também Tenho a Cueca Carimbada
“ele sempre bate à máquina até tão
tarde?”
“não, é bastante incomum.”
“ele não deveria bater a essa
hora.”
“isso quase nunca acontece.”
“ele bebe?”
“acho que sim.”
“ontem ele foi até a caixa
do correio só de cuecas.”
“eu também vi.”
“ele não tem amigos.”
“está velho.”
“não deveria bater a esta hora.”
eles entram e começa
a chover enquanto
3 disparos soam a meia quadra
de distância e
um dos arranha-céus no
centro de L.A. começa
a arder
em chamas de 8 metros que lambem a escuridão
da noite.
Iron Mike
Cagney servia uvas
a uma mulher
mais rápido do que ela conseguia
comer e
então ela se
apaixonava por ele.
“isso nem sempre
funciona”, digo a Iron
Mike.
ele dá uma risadinha e diz,
“claro”.
então ele desceu a mão
e tocou seu cinto.
32 escalpos de mulher
estavam pendurados ali.
“eu e meu enorme cacete
judeu”, ele disse.
então ergue as mãos
para indicar o
tamanho.
“opa, sim, muito bem”,
eu disse.
“elas aparecem”, ele
disse, “eu as traço, elas
começam a ficar, eu lhes digo,
‘é hora de ir’.”
“você é corajoso,
Mike.”
“essa aí não ia se mandar
então eu tive que me levantar e
esbofeteá-la... ela foi
embora.”
“eu não tenho sua fibra,
Mike. elas ficam,
lavam os pratos, esfregam
as manchas de merda no
vaso, jogam fora os
velhos prospectos do Jockey Club...”
“elas jamais vão me pegar”,
ele disse.
“sou invencível.”
olhe, Mike, nenhum homem é
invencível.
algum dia
vão considerá-lo louco pelo
olhar como num desenho a lápis feito por uma
criança. você não conseguirá
beber um copo
d’água ou cruzar um
quarto. haverá as
paredes e o som das
ruas lá fora, e
você ouvirá metralhadoras
e tiros de morteiro. isso se dará
quando você quiser, mas não
puder ter.
os dentes
nunca são por fim
os dentes do amor.
462-0614
todas iguais.
“é Charles Bukowski,
o escritor?”
“sim,” eu lhes respondo.
e eles dizem que entendem minha
escrita,
alguns deles são escritores
ou querem ser escritores
e estão em empregos estúpidos e
horríveis
e não conseguem nem encarar a sala
o apartamento
as paredes
essa noite...
querem alguém com quem possam
conversar,
não podem acreditar
que não posso ajudá-los
que não conheço as palavras.
não podem acreditar
que agora mesmo
me dobro em meu quarto
segurando minhas entranhas
e dizendo
“Jesus Jesus Jesus,
de novo não!”
eles não podem acreditar
que as pessoas mal-amadas
as ruas
a solidão
as paredes
também são minhas.
e quando desligo o telefone
eles acham que escondi o
jogo.
não escrevo a partir da sabedoria.
quando o telefone toca
eu também gostaria de ouvir palavras
que pudessem aliviar um pouco alguma
dessas coisas.
é por isso que meu nome está na
lista.
Social
rasgos de estrada amarela
um volante
uma mulher insana sentada
ao seu lado
reclamando enquanto o oceano
faz espuma
e pessoas em motor homes
amarelas e
brancas
impedem sua passagem
por um tempo
frenético
enquanto você escuta
culpado disso e
culpado daquilo
você admite
isso e aquilo
mas nunca é o
suficiente
ela quer conquistas
esplêndidas
e você está escaldado por
essas conquistas
esplêndidas
chegando lá
ela desce
caminha em direção à
casa
você mija junto ao
para-lamas do seu carro
bêbado de cerveja
pequenas gotas de você
pingando na
poeira
na poeira
seca
depois de fechar o zíper você
se põe em marcha
para encontrar os amigos
dela.
Eu
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
Garotas Calmas E Limpas Em Vestidos de Algodão
[ex-prostitutas,
loucas. vejo homens com mulheres calmas e
gentis – vejo-os nos supermercados,
caminhando juntos na rua,
eu os vejo em seus apartamentos: pessoas em
paz, vivendo juntas. sei que essa paz
é apenas parcial, mas
existe paz, muitas horas e dias de paz.
tudo o que eu sempre conheci foram boleteiras, alcoólatras,
putas, ex-prostitutas, loucas.
quando uma vai
outra vem
pior do que sua antecessora.
vejo tantos homens com garotas calmas e limpas em
vestidos de algodão
garotas com rostos que não são de predadoras ou de
feras.
“nunca traga uma puta junto com você,” eu digo para
[meus
poucos amigos, “eu me apaixonarei por ela.”
“você não consegue suportar uma boa mulher, Bukowski.”
preciso de uma boa mulher. preciso de uma boa mulher
mais do que da máquina de escrever, mais do que do
meu automóvel, mais do que de
Mozart; preciso tanto de uma boa mulher que posso
senti-la no ar, posso senti-la
na ponta dos dedos, posso ver calçadas construídas
para seus pés caminharem,
posso ver travesseiros para sua cabeça,
posso sentir a expectativa da minha risada,
posso vê-la acariciar um gato,
posso vê-la dormir,
posso ver seus chinelos no chão.
eu sei que ela existe
mas em que parte deste planeta ela está
enquanto as putas continuam me encontrando?
A 5ª do Bee
[loira
que tinha a maior xoxota em
Scranton.
escutei-a novamente enquanto escrevia uma carta
para minha mãe
pedindo US$ 5.000
e ela me respondeu mandando
3 tampinhas de garrafa e
os ossinhos dos dedos indicadores do
vovô.
a 5ª acabará com você
na grama ou na pista do jóquei,
a gatinha disse,
cruzando o tapete
de papagaios estampados.
se a 5ª não te matar
a décima irá,
disse a prostituta Caliente.
enquanto eles sobem a
maravilhosa bandeira vermelha cor de ketchup
93 ladrões choram em meio a
poeira púrpura.
a 5ª é como uma
formiga numa mesa de café da manhã cheia de
bengalas e
besouros
sugando o
suco de laranja do amanhecer que chega.
e eu peguei as 3 tampinhas que minha mãe
mandou e
as devorei
embrulhadas em páginas da
revista
Cosmopolitan.
mas estou cansado da
5ª
e eu disse isso a uma mulher em
Ohio, certa vez, eu
recém havia carregado carvão por 3 lances
de escada
eu estava tonto e
bêbado, e ela disse:
como você pode dizer que não dá bola
para algo muito maior do que você
jamais será?
e eu disse:
isso é fácil.
e ela se sentou em uma cadeira verde e
e eu numa cadeira vermelha
e depois disso
nunca mais voltamos a fazer
amor.
Texana
47 quilos
e para em frente ao
espelho penteando oceanos
de cabelos ruivos
que descem ao longo de todas
suas costas até a bunda.
o cabelo é mágico e lança
faíscas quando eu me deito na cama
e a vejo penteá-los.
ela parece uma criatura
saída de um filme mas está
aqui de fato. fazemos amor
pelo menos uma vez por dia e
ela consegue me fazer rir
sempre que deseja.
as mulheres do Texas são sempre
saudáveis, e além disso ela
limpa meu refrigerador, minha pia,
o banheiro, e faz comida e
e me serve alimentos saudáveis
e lava os pratos
também.
“Hank”, ela me disse,
segurando uma lata de suco de
uva, “este é o melhor de
todos”.
dizia na lata: suco natural de uva
ROSA do Texas.
ela se parece com a Katherine Hepburn
na época
do ensino médio, e vejo esses
47 quilos
penteando um metro
de cabelo ruivo
diante do espelho
e a sinto dentro de meus
pulsos e no fundo dos meus olhos,
e os dedos e as pernas e a barriga
a sentem, assim como
aquela outra parte,
e toda Los Angeles se desfaz
e chora de contentamento,
as paredes das alcovas tremem –
o oceano invade tudo e ela se vira
e me diz, “maldito cabelo!”
e eu digo,
“sim”.
Comentários (1)
Mário Quintana
Queimando na água, afogando-se na chama
1974
O amor é um cão dos diabos
1977
War all the time
1984
Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido
1986
The Roominghouse Madrigals
1988
The last night of the earth
1992
As pessoas parecem flores finalmente
1994
Textos Autobiográficos
2009
Sobre gatos
2015
Sobre o Amor
2016
Tempestade para os Vivos e para os Mortos
2019
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