Lista de Poemas
Iii. Nus Se Banharam Em Grandes Praias Lisas
Outros se perderam no repentino azul dos temporais
1982
Orpheu E Eurydice
Jovens luminosos muito antigos
Xiii. Canção Rente Ao Nada
No silêncio quieto
Da noite parada
Como quem buscasse
Seu rosto e o errasse
1982
Vii. Outros Dirão Senhor As Singraduras
Eu vos direi a praia onde luzia
A primitiva manhã da criação
Eu vos direi a nudez recém-criada
A esquiva doçura a leve rapidez
De homens ainda cor de barro que julgaram
Sermos seus antigos deuses tutelares
Que regressavam
1982
Tripoli 76
Cruzam-se muitas e diversas gentes
Vindas de muitos e diversos mundos
Vestindo muitas e diversas roupas
Falando muitas e diversas línguas
Vêm de muitos e diversos ritos
E cultos e culturas e paragens
II
O recitador entoa a palavra modulada
Rouca de deserto e sol e imensidão
Entoa a veemência nua da palavra
Fronteira de puro Deus e puro nada
III
E Leptis Magna em sua pedra cor de trigo
E em seu chão de laje pelo sol varrido
Guarda o matinal no mais antigo
Roma
O belo rosto dos deuses impassível e quebrado
A noite-loba rondando nas ruínas
A veemência a musa
Colunas e colinas
O bronze a pedra e o contínuo
Tijolo sobre tijolo
A arte difícil e bela da pintura
A música veemente que assedia a alma
O corpo a corpo do espaço e da escultura
Os múltiplos espelhos do visível
A selvagem e misteriosa paixão de Catilina
As altas naves as enormes colunas
Os enormes palácios as pequenas ruas
A lenta sombra atenta e muito antiga
O sucessivo surgir de fontes e de praças
Vermelho cor-de-rosa muita pressa
Gesticular de gentes e de estátuas
Azáfama clamor e gasolina
Do guarda-sol castanho a penumbra fina
Carta a Maria do Carvalhal Alvito
Deste primeiro frio misturado
Com um sabor de lenha e de maçã
Algo recorda: tacteio na memória
Procurando o onde o quando o quem
E a tua casa reabre de repente as suas portas
E caminho nos quartos entre
Os raios da luz e o cismar das penumbras
E vens ao meu encontro e és meu abrigo
Pranto e saudade em cada gesto irrompem
Mas a irreversível alegria do ter sido
Não deixará jamais de estar comigo
E há um sabor de lenha e de maçã
E o tempo é jovem próximo e amigo
E rimos juntas nesse dia antigo
E entro na tua casa e és meu abrigo
Lisboa, Novembro de 1986
Estações do Ano
Suas longínquas metas
São Julho e são Agosto
Luz de sal e de setas
A praia onde o vento
Desfralda as barracas
E vira os guarda-sóis
Ficou na infância antiga
Cuja memória passa
Pela rua à tarde
Como uma cantiga
O verão onde hoje moro
É mais duro e mais quente
Perdeu-se a frescura
Do verão adolescente
Aqui onde estou
Entre cal e sal
Sob o peso do sol
Nenhuma folha bole
Na manhã parada
E o mar é de metal
Como um peixe-espada
Xv. Inversa Navegação
Tédio já sem Tejo
Cinzento hostil dos quartos
Ruas desoladas
Verso a verso
Lisboa anti-pátria da vida
1978
A Rapariga E a Praia
São cor de areia suas pernas finas
Seu íris é azul verde e cinzento
Uma rapariga vai como uma espiga
Carnal e cereal intacta cerrada
Mas nela enterra sua faca o vento
E tudo espalha com suas mãos o vento
Comentários (10)
kkkkkkk
Poetisa que deu a magia nos co tos da minha i fancia!
foi uma grande escritora /poeta e é pena que não esteja entre nós :(
tao admirador
Amei o poema
Documentário Sophia de Mello Breyner Andresen O Nome das Coisas
Há Mulheres Que Trazem O Mar Nos Olhos | Poema de Sophia de Mello Breyner narração Mundo Dos Poemas
Coral e outros poemas Sophia de Mello Breyner Andresen Leituras obrigatórias 2024 Vestibular UFRGS
Sophia de Mello Breyner Andresen - Joao César Monteiro 1969
Sophia de Mello Breyner Andresen: espiritualidade e religiosidade
Conheça a escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, no Trilhas Literárias
Sophia de Mello Breyner Andresen | Biografia
entrevista Sophia Mello Bryner Andreson
Sophia de Mello Breyner Andresen
MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GÂNDIA, Sophia de Mello Breyner Andresen - Rita Loureiro
Sophia de Mello Breyner Andresen em entrevista à Emissora Nacional em 1974
Porque | Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen com narração de Mundo Dos Poemas
Para Atravessar Contigo O Deserto... | Poema de Sophia de Mello Breyner narrado por Mundo Dos Poemas
Soneto À Maneira De Camões | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Evocação de Sophia de Mello Breyner Andresen I - Festa Literária Folha 2019
Julia Maria | O Velho Abutre | Sophia de Mello Breyner Andresen
"Em vão chamará pelo vento" | SOPHIA DE MELLO BREYNER
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
LIBERDADE - Um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen - poesia narrada e legendada - AMO POEMAS
A Forma Justa | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Por Delicadeza | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Clara Mello | Sem Título | Sophia de Mello Breyner Andresen
"Sophia de Mello Breyner Andresen" (reportagem)
Quando (Sophia de Mello Breyner Andresen)
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESSEN - Poetas do Mundo #25
Cidade - Sophia de Mello Breyner Andresen
A Paz Sem Vencedores Nem Vencidos | Poema de Sophia de Mello Breyner narrado por Mundo Dos Poemas
25 DE ABRIL - Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen
519 - Inscrição - Sophia de Mello Breyner Andresen
Quando | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Poeme-se: Jorge Pontual declama Sophia de Mello Breyner Andresen
Pudesse eu, Sophia de Mello Breyner Andresen
AS PESSOAS SENSÍVEIS, de Sophia de Mello Breyner Andresen | #AventurasTodoDia
Sophia de Mello Breyner Andresen — Inscrição | Poesia Portuguesa #shorts
Sophia de Mello Breyner Andresen no Panteão Nacional
Sophia de Mello Breyner Andresen Para Atravessar Contigo O Deserto Do Mundo Cristina Branco
"Revolução - Descobrimento" - Sophia de Mello Breyner Andresen
Em Todos Os Jardins Hei-de Florir | Poema de Sophia De Mello Breyner, com Narração
ep. 147 "Navegações" Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen, Deriva VIII - Diogo Infante
"Sophia de Mello Breyner Andresen" (1969) - Parte 1
Apesar das ruínas e da morte - Sophia de Mello Breyner Andresen
Homenagem de Lisboa a Sophia de Mello Breyner Andresen
Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen
A vida de Sophia de Mello Breyner Andresen
#2 Dia Mundial da Poesia: Inês Pereira lê Sophia de Mello Breyner Andresen
#onossopoemário - "Apesar das ruinas e da morte" de Sophia de Mello Breyner Andresen
"Revolução", de Sophia de Mello Breyner Andresen
21 MAR 2020 | #ligadospelapoesia | Sophia de Mello Breyner Andresen, "Liberdade"
Terror De Te Amar | Poema de Sophia de Mello Breyner com narração de Mundo Dos Poemas
Português
English
Español
Fuck my errors, important are my rights that are MANY
Porque tu tens toda a razâo na maioria of your assertions, are a great poetic genius, although I despise Blake for that concept, sometimes he, as his Tiger and engraves, must be considered. Girl, you are hot in poetry. Podia ter conhecido a tua excelsa presença, eu que sou de falar dos partidos e raramente nos vivos, normalmente na musica...Amo'te Mulher
Eu não estou morta servos! Hahaha
ameei,pena q ja morreu,mais ela tinha um talento enorme...
Sophia de Mello é um Icon da literatura portuguesa