Escritas

Lista de Poemas

Ode À Maneira de Horácio

Feliz aquela que efabulou o romance
Depois de o ter vivido
A que lavrou a terra e construiu a casa
Mas fiel ao canto estridente das sereias
Amou a errância o caçador e a caçada
E sob o fulgor da noite constelada
À beira da tenda partilhou o vinho e a vida
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Vieira da Silva

Atenta antena
Athena
De olhos de coruja
Na obscura noite lúcida
1994
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O Branco

Foi pelo pranto que te reconheci
Foi pelo branco da praia que te reconheci
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Veneza

(Prólogo de uma peça de teatro)

Esta história aconteceu
Num país chamado Itália
Na cidade de Veneza
Que é sobre água construída
E noite e dia se mira
Sobre a água reflectida

Suas ruas são canais
Onde sempre gondoleiros
Vão guiando barcas negras
Em Veneza tudo é belo
Tudo rebrilha e cintila

Há quatro cavalos gregos
Sobre o frontão de S. Marcos
E a ponte do Rialto
Desenha aéreo o seu arco
Em Veneza tudo existe
Pois é senhora do mar

Dos quatro cantos do mundo
Os navios carregados
Desembarcam no seu cais
Sedas tapetes brocados
Pérolas rubis corais
Colares anéis e pulseiras
E perfumes orientais

Cidade é de mercadores
E também de apaixonados
Sempre perdidos de amores
E cada dia ali chegam
Persas judeus e romanos
Franceses e florentinos
Artistas e bailarinos
E ladrões e cavaleiros

Aqui só há uma sombra
As prisões da Signoria
E os esbirros do doge
Que espiam a noite e o dia
De resto em Veneza há só
Dança canções fantasia

Cada ano aqui se tecem
Histórias tão variadas
Que às vezes até parecem
Aventuras inventadas

Por isso aqui sempre digo
Que Veneza é como aquela
Cidade de Alexandria
Onde há sol à meia-noite
E há lua ao meio-dia**
** Os últimos 3 versos são da tradição popular.
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Cá Fora

Abre a porta e caminha
Cá fora
Na nitidez salina do real
Junho de 1994
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Inocência E Possibilidade

As imagens eram próximas
como coladas sobre os olhos
o que nos dava um rosto justo e liso;
os gestos circulavam sem choque nem ruído
as estrelas eram maduras como frutos
e os homens eram bons sem dar por isso
Granja 31 de Agosto 1943
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Tejo

Aqui e além em Lisboa — quando vamos
Com pressa ou distraídos pelas ruas
Ao virar da esquina de súbito avistamos
Irisado o Tejo:
Então se tornam
Leve o nosso corpo e a alma alada
Julho de 1994
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Anjos Sem Asas Meus Anjos Pesados

De boca sem voz
As fadas que disseram os maus fados
Falavam de vós

De mãos dadas em círculos dançantes
Infinita valsa
Todos brilhavam como diamantes
Madrugada falsa

E eu chorando e cantando fui levada
Pálida e morta
Até à taciturna encruzilhada
Duma estrada torta
1940
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A Activista Cultural

O passo decidido não acerta com o cismar do palácio
O ouvido não ouve a flauta da penumbra
Nem reconhece o silêncio
O pensamento nada sabe dos labirintos do tempo
O olhar toma nota e não vê
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Foi No Mar Que Aprendi

Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia do seu dorso
O longo espraiar das mãos de espuma

Por isso nos museus da Grécia antiga
Olhando estátuas frisos e colunas
Sempre me aclaro mais leve e mais viva
E respiro melhor como na praia
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Comentários (10)

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tb achei
tb achei
2023-03-29

kkkkkkk

Erasmos
Erasmos
2022-01-01

Poetisa que deu a magia nos co tos da minha i fancia!

José
José
2021-03-03

foi uma grande escritora /poeta e é pena que não esteja entre nós :(

maria isabel
maria isabel
2020-04-20

tao admirador

Fátima
Fátima
2019-10-26

Amei o poema