Lista de Poemas
XVIII - Os homens
pálpebra de platina, crepitação de sal,
alga, peixe trêmulo, espada viva,
eu, apartado, me separo
da ilha separada, vou embora
envolto em luz
e ainda que pertença aos rebanhos,
aos que entram e saem em manadas,
ao turismo igualitário, à prole,
confesso minha tenaz aderência ao terreno
solicitado pela aurora da Oceania.
XXVII
estes trens que se extraviaram?
Quem nunca viu o aloés?
Onde plantaram os olhos
do camarada Paul Éluard?
Há lugar para uns espinhos?
perguntaram à roseira.
LIX
Por que cresci sem companhia?
Quem me mandou desvencilhar
as portas de meu próprio orgulho?
E quem saiu para viver por mim
quando eu dormia ou adoecia?
Que bandeira se desatou
ali onde não me esqueceram?
Um
me entendi com as agulhas
e logo me foram fiando
sem haver nunca terminado.
Por isso o amor que te dou,
minha mulher, mulher agulha,
se enrola em tua orelha molhada
pelo vendaval de Chillán
e se desenrola em teus olhos
desatando melancolias.
Não acho explicação amável
pra meu destino intermitente,
vaidade me conduzia
a inauditos heroísmos:
pescar debaixo da areia,
fazer buracos no ar,
comer mesmo todos os sinos.
E no entanto fiz pouco
ou não fiz nada no entanto
senão entrar por uma guitarra
e com ela sair cantando.
LIV
vão se estabelecer na lua?
Levarão a primavera
tirando-a das cornijas?
Se afastarão no outono
as andorinhas da lua?
Buscarão amostras de bismuto
a bicadas no céu?
E aos balcões voltarão
polvilhadas de cinza?
XIII
há crocodilos voluptuosos?
Como repartem o sol
na laranjeira as laranjas?
Vinha de uma boca amarga
a dentadura do sal?
É verdade que voa de noite
sobre minha pátria um condor negro?
XXVI
que me atribuía um castelo
devorou já com seu sobrinho
a torta do assassinato?
A quem engana a magnólia
com sua fragrância de limões?
Onde deixa o punhal a águia
quando se deita em uma nuvem?
A rua
que riscam a roda do orbe insultando armazéns,
e vivo no leito de um rio infinito de mercadorias,
retiro as mãos da devorante cinza que cai,
que envolvem a roupa que sai do cinema,
colo-me aos vidros olhando com fome chapéus que comeria
ou alfaias que querem matar-me com olhos de cólera verde
ou sabonetes tão suaves que se fizeram com suco de lua
ou livros de pele incitante que me ensinariam talvez a morrer
ou máquinas óticas que fotografam até tua tristeza
ou divãs dispostos às seduções mais inoxidáveis
ou o claro alumínio das caçarolas especializadas em ovos e aspargos
ou os trajes de bispo que a miúdo levam bolsos do Diabo
ou ferrarias amadas pela exatidão da minha alma
ou farmácias pálidas que ocultam, como as serpentes, sob o algodão
presas de arsênico, dentes de estricnina e unguentos letais,
ou tapetes vinílicos, estocolmos, brocados, milanos8
terylén, canhamaço, borlón9 e colchões de todo sossego
ou relógios que vão medir-nos e por fim tragar-nos
ou cadeiras de praia dobráveis adaptáveis a todo traseiro
ou teares com ratier, 1,36 Diederich, complicados e abstratos,
ou baixelas completas ou sofás floreados com capa
ou implacáveis espelhos que esperam demonstrar a
vingança da água
ou escopetas de repetição tão suavíssimas como um
focinho de lebre
ou adegas que se atulharam de cimento; e eu fecho os olhos:
são os ovos de Deus estes sacos terríveis que continuam parindo este mundo.
O Mar
se multiplicaram saindo a voar com suas asas de água
com suas gotas de água amanhecem na transparência
raiando a luz ou deixando imóvel o ar vazio.
As algas apodrecem vestidas de ferro molhado
e sobre as ávidas rochas que o trovão estremece
no estupor do outono vacila um certame de ovários.
Porque sobre o rosto de pedra que o mar atormenta e destrói
as máscaras verdes da alga marinha, a tapeçaria do frio,
subjugam à eternidade da pedra, ao mar, ao conflito.
LVI
preservam lua em suas corcovas?
Não a semeiam nos desertos
com persistência clandestina?
E não estará emprestado o mar
por um curto tempo à terra?
Não teremos que devolvê-lo
com suas marés à lua?
Comentários (0)
NoComments
Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada
1924
Residência na Terra 1
1933
Residência na Terra 2
1933
Canto geral
1950
Os Versos do capitão
1952
As Uvas e o vento
1954
Cem Sonetos de Amor
1959
A barcarola
1967
A Rosa Separada
1972
O mar e os sinos
1973
2000
1974
Defeitos Escolhidos
1974
O Coração Amarelo
1974
Livro das Perguntas
1974
If You Forget Me by Pablo Neruda | Powerful Life Poetry
Romance and revolution: The poetry of Pablo Neruda - Ilan Stavans
POET, HERO, VILLAIN: The Complicated Life and Philosophy of PABLO NERUDA
Pablo Neruda documentary
Quem foi PABLO NERUDA I 50 FATOS I VRATATA
PABLO NERUDA | Poema 20 - Puedo escribir los versos mas tristes esta noche
PABLO NERUDA - I LOVE YOU Without Knowing How (poem)
Pablo Neruda - Tonight I Can Write The Saddest Lines // Spoken Poetry
CHILE: ALGARROBO, ISLA NEGRA E CASA DE PABLO NERUDA
Tonight I Can Write the Saddest Lines – Pablo Neruda (A Poem for Broken Hearts)
Pablo Neruda - How I Met Your Mother
Pablo Neruda - If You Forget Me // Spoken Poetry Motivational Inspirational Video
PABLO NERUDA - NO CULPES A NADIE
Tonight I Can Write by Pablo Neruda
Tonight I Can Write The Saddest Lines by Pablo Neruda
Keeping Quiet by Pablo Neruda
ഇനിയും ചുരുളഴിയാത്ത നെരൂദയുടെ മരണം | The Mystery Behind Neruda's Death | Pablo Neruda | The Cue
Poesia "Te Amo" [Pablo Neruda]
Saudade | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Biografía de Pablo Neruda | Premio Nobel de Literatura
Poesia "É assim que te quero amor" [Pablo Neruda]
Poesia - "Se você me esquecer" [Pablo Neruda]
Sempre | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Ti Amo ♥ Pablo Neruda
"SEMPRE A MESMA PRIMAVERA" | Pablo Neruda
O Sonho | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Here I Love You ~ Pablo Neruda
Patch Adams (I do not love you)(100 Love Sonnets XVII from Pablo Neruda)
Pablo Neruda: Biografía y Datos Curiosos | Descubre el Mundo de la Literatura
If You Forget Me - Pablo Neruda (Madonna)
Poesia "O Teu Riso" [Pablo Neruda]
PABLO NERUDA - Te Amo (English Translation)
Mulher Não Me Deste Nada | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Deep Meaningful Life Poetry | Pablo Neruda Poem | Spoken Word
PABLO NERUDA. 20 POEMAS DE AMOR Y UNA CANCIÓN DESESPERADA
Pablo Neruda - I Like For You To Be Still
Sabrás que te amo — Pablo Neruda // Poema
Confesso que vivi (Pablo Neruda)
Pablo Neruda - Te Amo
Te Amo - Pablo Neruda
Vinte - Pablo Neruda
Poetry by Pablo Neruda - Poema 20
Pablo Neruda: Forensic experts say Chilean poet was poisoned
💕 Lindo poema de Pablo Neruda - Ainda te necessito (Poesia falada) | Verso que se escreve
PABLO NERUDA Poema 15 Me gustas cuando callas. Por Joan Mora.
Si tu me olvidas - Pablo Neruda - Recitado por Feneté - If you forget me
Poetry: "Clenched Soul" by Pablo Neruda (read by Tom Hiddleston) (12/07)
Façam Silêncio | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Jean Ferrat - Complainte de Pablo Neruda
Vassoler responde: Por que a ditadura chilena envenenou Pablo Neruda?
Com treze anos, começou a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña. Foi em 1920 que surgiu o pseudônimo Pablo Neruda – uma homenagem ao poeta tchecoslovaco Jan Neruda. Vários dos poemas desse período estão presentes em Crepusculário, o primeiro livro do poeta, publicado em 1923.
Além das suas atividades literárias, Neruda estudou francês e pedagogia na Universidade do Chile. No período de 1927 a 1935, trabalhou como diplomata, vivendo em Burma, Sri Lanka, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. Em 1930, casou-se com María Antonieta Hagenaar, de quem se divorciaria em 1936. Em 1955, conheceu Mathilde Urrutia, com quem ficaria até o final da vida.
Em meio às turbulências políticas do período entre-guerras, publicou o livro que marcaria um novo período em sua obra, Residência na terra (1933). Em 1936, o estouro da Guerra Civil Espanhola e o assassinato de García Lorca aproximaram o poeta chileno dos republicanos espanhóis, e ele acabou destituído de seu cargo consular. Em 1943, voltou ao Chile, e, em 1945 foi eleito senador da república, filiando-se ao partido comunista chileno. Teve de viver clandestinamente em seu próprio país por dois anos, até exilar-se, em 1949. Um ano depois foi publicado no México e clandestinamente no Chile o livro Canto geral. Além de ser o título mais célebre de Neruda, é uma obra-prima de poesia telúrica que exalta poderosamente toda a vida do Novo Mundo, denuncia a impostura dos conquistadores e a tristeza dos povos explorados, expressando um grito de fraternidade através de imagens poderosas.
Após viver em diversos países, Neruda voltou ao Chile em 1952. Muito do que ele escreveu nesse tempo tem profundas marcas políticas, como é o caso de As uvas e o vento (1954), que pode ser considerado o diário de exílio do poeta. Em 1971, Pablo Neruda recebeu a honraria máxima para um escritor, o Prêmio Nobel de Literatura. Morreu em Santiago do Chile, em 23 de setembro de 1973, apenas alguns dias após o golpe militar que depusera da presidência do país o seu amigo Salvador Allende.
Português
English
Español