Lista de Poemas
XX - A ilha
saí com lianas, com esponjas, com fios
da fecundidade, com as trepadeiras
e as negras raízes da umidade terrestre
− de ti, rosa do mar, pedra absoluta,
saio limpo, vertendo a claridade do vento −
revivo azul, metálico, evidente.
Regresso
que deixa o oceano depois de entregar sua carreta de trovões,
tocar outra vez com o sangue a rajada de frio e salmoura
que morde a beira do Chile aventando a areia amarela.
É azul regressar à terra escolhida durante o combate,
levantar a bandeira de um homem sem reino
e esperar da luz uma rede que aprisione a trêmula prata
dos peixes escuros que povoam o pélago puro.
É eterno comer outra vez com o vinho ancestral no copo
a carne enrolada, os tomates de Janeiro com a linguiça,
a pimenta cuja fresca fragrância te ataca e te morde,
e a esta hora de sol as humitas6 de sal e delícia
desenroladas de suas folhas de ouro como virgens no sacrifício.
Os dias
E que lâmina de água incessante ou de bronze roído ou de gelo
impediu que acudisse meu peito às chamas que me
procriaram?
E quem sou? pergunto às ondas quando enfim naveguei sem navio
e pude me dar conta que o mar eu mesmo o levava nos olhos.
No entanto este dia que ardeu e consumiu sua distância
deixou para trás suas sombrias origens, olvidou a uterina treva,
e cresceu como a levedura levantando para cima os braços
até que desagregou a substância da luz que o favorecia,
e se foi separando do céu até que convertido outra vez em família da fumaça
se desfez na sombra que outra vez convertida em abelha
saía voando na luz de outro dia radiante e redondo.
Vamos Ver, Chamei a Minha Tribo
vamos ver, quem somos, que fazemos, que
[pensamos.
O mais pálido deles, de nós,
me respondeu com outros olhos,
com outra sem-razão, com sua bandeira.
Esse era o pavilhão do inimigo.
Aquele homem, talvez, tinha direito
a matar minha verdade, assim aconteceu
comigo e com meu pai,
e assim acontece.
Mas sofri como se me mordessem.
XI - Os homens
para nos medir (quanto saltamos, quanto ganhamos,
ganhamos, etc.),para nos ignorar (sorrindo), para nos mentir,
para o acordo, para a indiferença ou para comer juntos.
Mas que ninguém não nos mostre a terra, adquirimos
olvido, olvido até os sonhos de ar,
e nos ficou somente um desejo de sangue e pó
na língua: engolimos a lembrança
entre vinho e cerveja, longe, longe daquilo,
longe daquilo, da mãe, da terra, da vida.
LVIII
Eram planetas ou ferraduras?
Devo escolher esta manhã
entre o mar desnudo e o céu?
E por que o céu está vestido
tão cedo com suas neblinas?
O que me esperava em Ilha Negra?
A verdade verde ou o decoro?
LV
e as tartarugas à lua?
Os animais engenheiros
de cavidades e ranhuras
não poderiam tomar o encargo
destas longínquas inspeções?
Tarde - LVII
os que profetizaram meu porvir de areia,
asseveraram tantas coisas com línguas frias:
quiseram proibir a flor do universo.
“Já não cantará mais o âmbar insurgente
da sereia, não tem senão povo.”
E mastigavam seus incessantes papéis
patrocinando para minha guitarra o esquecimento.
Eu lhes lancei aos olhos as lanças deslumbrantes
de nosso amor cravando teu coração e o meu,
eu reclamei o jasmim que deixavam tuas pegadas,
eu me perdi de noite sem luz sob tuas pálpebras
e quando me envolveu a claridade
nasci de novo, dono de minha própria treva.
Tarde - LXXV
Errávamos por outros longos muros.
Não achávamos a porta nem o som
desde a ausência como desde mortos.
E ao fim a casa abre seu silêncio,
entramos a pisar o abandono,
os momentos mortos, o adeus vazio,
a água que chorou no encanamento.
Chorou, chorou a casa noite e dia,
gemeu com as aranhas4, entreaberta,
se desgastou desde seus olhos negros,
e agora de repente a revolvemos viva,
a povoamos e não nos reconhece:
tem que florescer, e não se acorda.
4 Aranhas – pequenas carruagens puxadas por cavalos. (N.T.)
LVII
os beijos interplanetários?
Por que não analisar as coisas
antes de habilitar planetas?
E por que não o ornitorrinco
com sua espacial indumentária?
As ferraduras não se fizeram
para cavalos da lua?
Comentários (0)
NoComments
Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada
1924
Residência na Terra 1
1933
Residência na Terra 2
1933
Canto geral
1950
Os Versos do capitão
1952
As Uvas e o vento
1954
Cem Sonetos de Amor
1959
A barcarola
1967
A Rosa Separada
1972
O mar e os sinos
1973
2000
1974
Defeitos Escolhidos
1974
O Coração Amarelo
1974
Livro das Perguntas
1974
If You Forget Me by Pablo Neruda | Powerful Life Poetry
Romance and revolution: The poetry of Pablo Neruda - Ilan Stavans
POET, HERO, VILLAIN: The Complicated Life and Philosophy of PABLO NERUDA
Pablo Neruda documentary
Quem foi PABLO NERUDA I 50 FATOS I VRATATA
PABLO NERUDA | Poema 20 - Puedo escribir los versos mas tristes esta noche
PABLO NERUDA - I LOVE YOU Without Knowing How (poem)
Pablo Neruda - Tonight I Can Write The Saddest Lines // Spoken Poetry
CHILE: ALGARROBO, ISLA NEGRA E CASA DE PABLO NERUDA
Tonight I Can Write the Saddest Lines – Pablo Neruda (A Poem for Broken Hearts)
Pablo Neruda - How I Met Your Mother
Pablo Neruda - If You Forget Me // Spoken Poetry Motivational Inspirational Video
PABLO NERUDA - NO CULPES A NADIE
Tonight I Can Write by Pablo Neruda
Tonight I Can Write The Saddest Lines by Pablo Neruda
Keeping Quiet by Pablo Neruda
ഇനിയും ചുരുളഴിയാത്ത നെരൂദയുടെ മരണം | The Mystery Behind Neruda's Death | Pablo Neruda | The Cue
Poesia "Te Amo" [Pablo Neruda]
Saudade | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Biografía de Pablo Neruda | Premio Nobel de Literatura
Poesia "É assim que te quero amor" [Pablo Neruda]
Poesia - "Se você me esquecer" [Pablo Neruda]
Sempre | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Ti Amo ♥ Pablo Neruda
"SEMPRE A MESMA PRIMAVERA" | Pablo Neruda
O Sonho | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Here I Love You ~ Pablo Neruda
Patch Adams (I do not love you)(100 Love Sonnets XVII from Pablo Neruda)
Pablo Neruda: Biografía y Datos Curiosos | Descubre el Mundo de la Literatura
If You Forget Me - Pablo Neruda (Madonna)
Poesia "O Teu Riso" [Pablo Neruda]
PABLO NERUDA - Te Amo (English Translation)
Mulher Não Me Deste Nada | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Deep Meaningful Life Poetry | Pablo Neruda Poem | Spoken Word
PABLO NERUDA. 20 POEMAS DE AMOR Y UNA CANCIÓN DESESPERADA
Pablo Neruda - I Like For You To Be Still
Sabrás que te amo — Pablo Neruda // Poema
Confesso que vivi (Pablo Neruda)
Pablo Neruda - Te Amo
Te Amo - Pablo Neruda
Vinte - Pablo Neruda
Poetry by Pablo Neruda - Poema 20
Pablo Neruda: Forensic experts say Chilean poet was poisoned
💕 Lindo poema de Pablo Neruda - Ainda te necessito (Poesia falada) | Verso que se escreve
PABLO NERUDA Poema 15 Me gustas cuando callas. Por Joan Mora.
Si tu me olvidas - Pablo Neruda - Recitado por Feneté - If you forget me
Poetry: "Clenched Soul" by Pablo Neruda (read by Tom Hiddleston) (12/07)
Façam Silêncio | Poema de Pablo Neruda com narração de Mundo Dos Poemas
Jean Ferrat - Complainte de Pablo Neruda
Vassoler responde: Por que a ditadura chilena envenenou Pablo Neruda?
Com treze anos, começou a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña. Foi em 1920 que surgiu o pseudônimo Pablo Neruda – uma homenagem ao poeta tchecoslovaco Jan Neruda. Vários dos poemas desse período estão presentes em Crepusculário, o primeiro livro do poeta, publicado em 1923.
Além das suas atividades literárias, Neruda estudou francês e pedagogia na Universidade do Chile. No período de 1927 a 1935, trabalhou como diplomata, vivendo em Burma, Sri Lanka, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. Em 1930, casou-se com María Antonieta Hagenaar, de quem se divorciaria em 1936. Em 1955, conheceu Mathilde Urrutia, com quem ficaria até o final da vida.
Em meio às turbulências políticas do período entre-guerras, publicou o livro que marcaria um novo período em sua obra, Residência na terra (1933). Em 1936, o estouro da Guerra Civil Espanhola e o assassinato de García Lorca aproximaram o poeta chileno dos republicanos espanhóis, e ele acabou destituído de seu cargo consular. Em 1943, voltou ao Chile, e, em 1945 foi eleito senador da república, filiando-se ao partido comunista chileno. Teve de viver clandestinamente em seu próprio país por dois anos, até exilar-se, em 1949. Um ano depois foi publicado no México e clandestinamente no Chile o livro Canto geral. Além de ser o título mais célebre de Neruda, é uma obra-prima de poesia telúrica que exalta poderosamente toda a vida do Novo Mundo, denuncia a impostura dos conquistadores e a tristeza dos povos explorados, expressando um grito de fraternidade através de imagens poderosas.
Após viver em diversos países, Neruda voltou ao Chile em 1952. Muito do que ele escreveu nesse tempo tem profundas marcas políticas, como é o caso de As uvas e o vento (1954), que pode ser considerado o diário de exílio do poeta. Em 1971, Pablo Neruda recebeu a honraria máxima para um escritor, o Prêmio Nobel de Literatura. Morreu em Santiago do Chile, em 23 de setembro de 1973, apenas alguns dias após o golpe militar que depusera da presidência do país o seu amigo Salvador Allende.
Português
English
Español