Lista de Poemas

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

LETAL DESTINO

Cinzas no chão, veneno no deserto
Trovão no céu, abre-se o desejo
Fogo inextinguível, dor na vesícula
Mastigo o terror de orgulhoso medo
Furor exausto de irritada verdade
Picada em sangue, doce mordida
Cobra de sombra que lança perdida
Batalhas doridas no próprio sustento
Espada de ferro que carrega um anjo
Que mata a carne, que espera esquecida
Chuva de lama que remove a vida
Liga fraudulenta entre os ossos, o cérebro
Torcem o braço até às clavículas
Vermes que não sabem decifrar o silêncio
Práticos pesadelos em caçar talentos
Molhada argila feita de nada para nada
Destino falso de letais falsos profetas

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

POSSO PARECER

Posso parecer forte por fora
Mas dentro de mim
Só Deus sabe
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

MEMÓRIA MINHA

Nos estendais espalhados
Espalhados da minha memória
Desfraldam com os ventos
Com ventos da saudade
Do teu beijo, abraço, carinho
Depositei no teu peito
Toda a minha desnudes
Senti o aroma do teu corpo
Um perfume doce, doce suave
Onde jazia o desejo
Ensurdecedor, da nossa história.
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

ENCONTRO

Solte a vida e aprenda a respirar
Solte a dor acomodada no seu corpo
De tudo aquilo que faz mal
Prende-te e não deixa-te viver
Solte as amarras que prendem
E não deixavam voar
De tudo que assusta e que faz chorar
Deixe ser amada e ame
E voe um voo sublime
Cheio de amor, paz e liberdade
493
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

AMOR NÃO POSSO

Não posso mais ouvir em silêncio
Preciso falar, sou metade agonia
Metade esperança que partiu minha alma
Quero a loucura da saudade, do amor
No silêncio das madrugadas quando
O cheiro do orvalho mata-me de desejo
Quase sufoca-me no silêncio do quarto
Quero ouvir o barulho das nossas almas
Para matar esta agonia e desilusões
Eu sei que dentro do meu silêncio
Corre um rio de pensamentos e as minhas águas
Ficam mais claras ao encontrar as tuas
Tu és um raio de sol, nos dias escuros
Uma ave rara que enfeita o meu céu azul
És alma, coração, poema, ternura e dedicação.
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

AS SOMBRAS NO NEVOEIRO

Cobiçam a carne presa nos ossos
E a pequena voz está por um fio
Retalhos que trago na alma de frio
Já o coração se encontra queimado
Não me julguem, nem me condenem
Por não querer nesta vida amar mais
Silêncio da ramagem florido salgueiro
Olhos de fogo que livre quer voar
Hoje não morri no perfume dos sonhos
Mas parte de mim, sim essa morreu
Morreu entre as sombras no nevoeiro
Que faz lá em cima da serra ou no monte
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

LIBERDADE

A única liberdade
Possível neste mundo
 É a liberdade
De poder escolher
A nossa própria prisão



 
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

DE TI PERDI-ME

Perdi-me de ti por entre
As pedras soltas da rua
Entre vestidos de princesas
Num conto de fadas lido
E relido num luar de solidão
Das noites presas aos dias
Dos dias presos às noites
Escuras nos sonhos, nos anseios
Por entre desejos meus, teus
Gritos espalhados pelo vento
De tantos beijos dados
Que me tombam do regaço
Flores, flores dos belos tempos
Em que o amor floresceu em desejo.
907
Pedro Rodrigues de Menezes

Pedro Rodrigues de Menezes

malmequer negro

percorro pulsante o corredor
de pés mudos como muros
ergo o intransponível crânio
nascendo e dormindo prescrito
adio a translúcida sibilância
malmequer fulgente e negro
que levo ao peito como um sabre
recito pelo adejar rítmico dos lábios
salmos rituais ossos barro pó
fulgurante translação das veias
arde-me o míope sangue vertical
escorrendo pelo lantânio e lutécio
hei-de criar pedra sobre pedra
farei da luz dois vítreos ciclopes
pousarei nos pilares de hércules
a incorpórea maldição dos deuses
e levitando andarão as testas
dos homens e deuses
dos deuses homens
sit tibi terra levis[1]
requievit in pace.[2]

[1] que a terra te seja leve
[2] descansa em paz

(Pedro Rodrigues de Menezes, "malmequer negro")
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

SOL NA JANELA

Quando o sol entra pela minha janela
É como um raio de esperança
Que aquece o meu coração
Quando a chuva bate na janela
É como um perfume pelo ar
O cheiro de terra molhada
Gosto de sorrir e de sonhar
De gritar para o mundo
Como é bom amar e ser amada.
657
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

SAUDOSO XAILE MINHA MÃE

Que saudades do teu xaile minha querida mãe
Que embrulhava-me com carinho, nos teus braços
No teu xailinho de seda, de lã adormecia
O meu xaile de seda, que me faz sonhar

É como o da minha mãe, lembra-me sempre dela
Não o quero nunca largar, cheirava a amor a carinho
Era de flores vermelhas, amarelas, de todas as cores
É e era deslumbrante, o xaile da minha mãe.
478
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

HÁ UM TEMPO PARA AMAR

Há amores que ficam para sempre no peito
Há momentos que morrem no esquecimento
Há sentimentos que guardamos no pensamento
Há mágoas que se calam, outras que gritam
Há olhares que ficam e dá vontade de abraçar
Há dores que passam que desaparecem na areia
Há magia no por do sol e na sua contemplação
Há beijos que são beijados com os olhos da mente
Há uma louca imaginação quando os lábios se tocam
Há felicidade que aparece para aqueles que amam
Há sempre alguém que te faz sorrir lindamente
Há alguém que te faz sonhar quando estás acordada
Há no silêncio da madrugada doces de poesias
Há no silêncio da alma os olhos cheios de emoção
Há meias verdades que na verdade são meias mentiras
Há um corpo sob um lençol cansado de mais um dia
Há um céu carregado de estrelas que carrego contigo
Há um amor que cura a distância, dói em mim, de ti
Há uma cama onde eu descanso a minha alma, a tua
Há palavras que se calam, deixando espaço para o silêncio
Há um tempo para amar, outro para desejar ser amado.

986
Emílio

Emílio

setembros

setembros

manto solar estende desenrola

seus raios

espreguiçando seus membros

em ruas da cidade



joga o claro escuro das janelas

das portas num esconde

esconde de amanhecer

como convite ao acordar

adormecer



enleiam-se braços

trocam-se corpos numa

simbiose formal de encontro

sem chama num ato de

despedida da cama



maria reticente bem acordada

de insónias visitada

aguarda não por amor

por nada



baila na cabeça madrugadas

de incertezas

criança, livros, escola

roupa

vai e vem estelar que

certezas
iluminam

suas alvoradas



pão carne batatas

feijão

casa gás
luz

que cava a insónia

para lá da televisão

que tudo se reduz



sentir a vida em contramão

saber o josé desempregado

anita sem abono

salário em redução

diário malfadado



josé não tenho não

amor foi guardado

em armários de aflição

resta rezar a fátima

que me segure o patrão



Emílio Casanova, in "ninguém compra"

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Alexandre Rama

Alexandre Rama

SEU JEITO DE SER

Alguém certa vez escreveu que tudo se inicia pelo olhar.
Eu diria que no meu caso foi seu lindo sorriso que me inicio a você.
Ou talvez seja o conjunto da obra criada por Deus – que necessário é resaltar que
devia estar muito inspirado.
O que me prende a você não são apenas fatores visíveis aos olhos comuns, mas são
aqueles que você guarda lá no fundo de si, sua forma carinhosa de tratar as pessoas que lhe são caras; Seu jeito meigo; A menina sonhadora; A garota que tem dúvidas;A  mulher que ama, mas tem medo de confiar, e só quem descobre esse lindo paraíso escondido é quem tem o espírito aventureiro e não de conquistador.
Pois o conquistador só quer tal lugar para o seu próprio prazer e quando tudo se esgota ele parte para outro lugar deixando apenas solidão; Mas um verdadeiro aventureiro no fundo só procura um lugar no qual seu coração possa descansar e, assim, dar a vida para cuidar de tal lugar tão precioso.
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

EM CADA TRAÇO

Em cada traço do teu rosto
A uma estrela angelical
No hemisfério norte do amor
E em cada letra do teu nome
A um verso rimado de mim
E quando de ti tenho fome
Tu convidas-me ao pecado
E em cada linha do teu corpo
Tem a luz o desejo da tentação
Que me devora num magico sonho
Em cada gesto de loucura num poema
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afonso rocha

afonso rocha

O MAR E MARINGÁ

Maringá...sem mar...o meu mar salgado...com cheiro forte a iodo ao anoitecer que inibria e me persegue. Respiro o verde em meu redor, como se de algas se tratasse. Respiro-TE ao som de Elis, Tom Jobim, Caetano. Maringá e TU...tão longe e perto dentro de mim. Não tenho o meu mar, mas tenho a tua energia, pura que me alimenta ao amanhecer! Não tenho o meu mar...mas tenho-TE a TI, MEU AMOR...e isso basta-me. Garota de Paraná... que assim seja. Oh, Maringá, terra verdejante de chão de barro vermelho e simpatia de gente simples, com carácter. Maringá...cidade recente...crescida...quase madura, atraente...do interior do Brasil de meus antepassados...e minha também...
1 735
Fernando Cartago

Fernando Cartago

ADORO

Apenas olhei e enxerguei uma pessoa, numa fala atento fiquei.
A cada palavra dita, que até poderiam ser bem ou mal dita... Mas
minha escuta mantive limpa. Seu timbre firme despertou-me o macho
no cio e ali pensamentos quase saltaram aos olhos.

Uma louca vontade insana de lhe rasgar a roupa, te possuir, beijar-lhe a boca
invadiu minha cabeça.
Mas contive este lado vagabundo, mundano de querer você ali na frente de todos e todas. Comecei a cercá-la, só na espreita como uma onça a caçar e no momento do golpe
rápido me segurei antes do salto.

Fechei os olhos e me guiei apenas pelo seu cheiro.
Mesmo que fosse mortal para mim decidi estar inteiro

Todo ouvidos
Libido
Desejo
Fogo
Paixão
Pele
Corpo
Alma

Já havia pulado sem medo de perder estava ali inteiro um completo
Felino entregue a erupção do meu e o seu prazer.
É simples assim. ADORO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

(Fernando Cartago)



1 176
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

VELA ESPECIAL

Esta vela é para todos
Aqueles que sofrem e estão sós
Que o silêncio sufoca e amordaça
Que Deus transforme em alegrias
Todas as suas horas e dias.
1 429
José António de Carvalho

José António de Carvalho

VERMOIM, MINHA TERRA

(Coletânea HORIZONTES DA POESIA XII - 2020)


VERMOIM, MINHA TERRA

 
Se vejo os teus mil cantos, minha terra
Se em cada canto os teus encantos mil
Mais encantos ainda este olhar descerra
Por causa deste olhar cego e febril.

Quando o sol lança os raios sobre ti
Todo o esplendor te salta do rosto
Nos olhos tens um verde que sorri
Em fortes tons de quente e doce agosto. 

Vestes roupa de nova primavera
Do tempo pendurado na memória
Onde o povo levanta a tua história.

Inspiras o poeta na quimera
De escrever a beleza que não altera
O rumo do seu sonho: A tua glória!

José António de Carvalho, 21-julho-2019
2 728
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Pudesse Eu



Pudesse eu, não ter laços
Ou esperança,
Cair no poço sem fundo,
Com que sonhava em criança,

Pudesse eu, na garganta sentir,Torturante,
A dor no parir, perto ou distante
E o choro aflito dos qu'hão-de vir.
Pudesse eu, fazer-"O que me dá na gana",

Não morreria numa cama,
Escolheria viver enterrado,
Sentindo o peso da terra,
Amontoada na tumba,
E os caniços, varando-me a cara nua,
Numa sensação boa,

Pudesse decepar eu, os braços
E salvar a dor
Na alma,Não seria estranha,
A sensação tamanha de sentir,
Que deveras sinto...

Joel Matos (10/2013)
http://namastibetpoems.blogspot.com
3 153
Alexandre Rama

Alexandre Rama

O RELÓGIO

No fundo da sala em uma parede bege, ou amarela clara, existe um relógio cujos ponteiros não se cansam de andar. Sempre em frente. Pulando em segundo em segundo. Tic, tic, tic, tic, tic...

Será que ele nunca se cansa? Como seria se um dia todos os relógios entrassem em greve e parassem de registrar o tempo? Enquanto o professor fala, ele permanece lá imóvel ao sei lugar, calmo, apenas mostrando quem é que manda, pois, não importa o quão importante seja a ação, quão importante seja a fala do professor ou a vida a ser salva, tudo no final das contas quem dá a última carta é o tempo.

Mas fundo da sala há um relógio, um buraco negro que tem o prazer de engolir tudo que está a sua volta e nunca mais devolver às coisas que tomou para si. Para mim, no fundo da sala o relógio não está a pular e, sim, a gargalhar na nossa cara, pois, no final das
contas tudo é uma questão de tempo.
1 319
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

SENTIMENTO DE UM SORRISO

As águas passadas não movem moinhos
As pedras cruzam-se no caminho
Com o teu sorriso encantei-me
Com a tua voz grossa, apaixonei-me
De te ter junto de mim e sentir-te
Dos sentimentos que dominam-me
Que envolvem-me com paixão e amor
Com a tua ternura enfeitiçaste-me, com o teu olhar
Deixaste-me com fome de sentir a tua boca doce
Com o desejo de sentir as tuas mãos
E o desejo de sentir o teu coração bater
De esquecer o mundo só para estar contigo
Meu amor, minha paixão, minha saudade
Ama-me simplesmente.
2 030
Lua Barreto

Lua Barreto

Efeito Borboleta

O tempo parou um instante
E eu, tornada anti-matéria
Fui totalmente absorvida por teus olhos.

E aquele olhar
Causou um tsunami na ásia
Terremotos na áfrica
Maremotos na Europa
Um vulcão eclodiu na América

E o mundo acabou.

De lá pra cá, tudo o que parece existir
é ilusão.
Só o que existe são teus olhos.
1 603
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

COMO CARNE CRUA

 Andas ancorado à minha cintura
Como um barco que se apega ao mar
Eu velejo como que se o silêncio
Me dissesse tudo o que sei
Vivi entre as ansiedades mais profundas
Na sede intensa, de um suor quente
Da fome súbita, consumida por luas
Devasto os sentidos através dos dedos
Segurando a cruz do teu amado corpo
Velejo nas sombras da nudez do oceano
Como carne crua onde nos amarrámos
A nós mesmos, no convés do nosso navio
Entre a escravidão do nosso salgado beijo
Somos fome, somos desejo, cegos de nós
Com a verdade nos olhos de quem vê com fé.


 

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