Lista de Poemas
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joaquim cesario de mello
QUEIMADAS
no apagar gradual dos meus dias
Há os que já se foram afogados
pelas inundações do tempo
tossidos das lembranças como se fossem
resfriados ou fumaças exaladas dos cigarros
Deles apenas lembro que os esqueci
no silêncio do interior fundo da não-memória
aquele lugar sem rosto rumor ou nome
onde habitam os sumidos abandonados
deixando em seus sítios agora vagos
velhas covas esperando novos apossados
Em meus pretéritos mais antigos
não me cabem todos os finados
é preciso o cessar de alguns fios
para continuar fiando às lareiras
este tecido tão muito e tanto mal-usado
Mas em mim ainda subsistem incêndios
e o cheiro das carnes queimadas
a me permanecer condenado às saudades
Quando por fim o último morto partir
não havendo ninguém mais a lembrar
é que vou então deixar de existir
no debelar das fogueiras
e no vanescer da minha história
Joaquim Cesário de Mello
José António de Carvalho
CANTO AOS TEUS OLHOS
CANTO AOS TEUS OLHOS
Nos teus olhos,
Perco-me e encontro-me,
revisito-me por dentro,
revolvo-me na cama,
entro no teu mundo,
sou cometa em chama.
Nos teus olhos,
penetro as nuvens
que se vão dissipando,
entro no céu
que me dás,
e que sinto,
de vez em quando…
José António de Carvalho, 24-fevereiro-2023
A poesia de JRUnder
Portas e janelas
Quando meus olhos se abriram
e pude ver o seu olhar e o seu sorriso,
Senti que abriam-se as portas e janelas da minha vida.
E deixei entrar a luz, o aroma das flores,
o canto dos pássaros e o barulho da chuva...
Senti o cheiro da terra molhada e as nuvens do
céu, tornaram-se brancas como o algodão.
Vi o voo das aves rasgando o dia ensolarado
e borboletas de mil cores e padrões enfeitando a natureza.
Vi chegar o entardecer
e o céu forrar-se de estrelas, criando a noite.
Senti a magia da luz do luar enternecer meu coração
e deslumbrei-me com o infinito do universo.
Você entregou para mim,
um novo viver e novos sonhos de futuro.
E quero vive-los com você,
até o último dia deste encantamento...
Ouça este poema declamado em youtube/@jrunder
jessyy
O Meu Amado No Meu Coração
Más quando chego vejo o meu amado morto,
Corro para o seu pé,
E tento encontrar conforto,
Más não encontro conforto nos seus braços,
Sinto o meu coração a apertar e as lagrimas a escorrer pelo meu rosto,
Já não sinto os seus traços,
Não sinto o seu gosto,
Não sei o que fazer
E não sei o que lhe trazer.
Nesse meio priodo acordo,
e veijo ele ao meu lado,
Olho o meu braço e o mordo,
Para não gritar fico calado.
Fico feliz que era um sonho,
E não realidade,
me reponho,
nesta felicidade.
Agora
VEJO te!
Todos os dias,
Ao meu lado
E sinto os seus braços
Ao meu redor
E OUÇO dizeres me,
As palavras mais bonitas
Para não interromper fico calado,
Com aquelas palavras mal ditas,
Dou alguns soluços,
Para não voltar a interromper fico calado.
Aquelas palavras
Ouvidas e SENTIDAS,
No meu coração,
Parecem uma canção,
Aquelas letras
Foram contidas
Pelo meu amado.
Gostaria de ter sentido isso antes
Assim como as sinto agora
No meu coração!
Fim.
Pedro Rodrigues de Menezes
Requiem for Adílio Lopes
oferecer-te um poema
em forma de livro
de receitas
cozer-te pão
para o coração
há tanta falta de pão
para o coração.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes XV)
Adília
e
Adílio
comem
pão
de ló
pelos pés
Lopes.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XVI)
imagino-te
como vieste
ao mundo
de pano do pó
na mão
e sem mais nada
por cima
por baixo
mas cheia
de coração.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XVII)
Herberto Helder
convida
Adília Lopes
para jantar
duas solidões
uma doméstica
não domesticada
outro uma artéria
sem pressão arterial
ponto de interrupção.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XVIII)
o teu cabelo
Adília
o teu cabelo
Adília
é uma rosa
de ventos
ventania
poesia.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes XIX)
os capítulos
capitulam
esta história
no fim triste
cumpriu o destino
de Adílio Lopes
morreu nos braços
de Adília Lopes
no dia em que se conheceram
consta que morreram
Adílio Lopes
os gatos
e só sobreviveu
Adília Lopes
e as suas baratas
mas sobre os gatos
assassinos
que esgatanharam
(não confundir com esgadanhar)
o corpo de Adílio Lopes
ninguém escreveu.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XX)
Nota: termina a história de Adília e Adílio, ambos Lopes.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Poemas e Poesias.
"Quem se Aventura
a me amar"!
Não sei a razão de
te desejar tanto...
e por muito tempo
não me esqueçer dos
meus longos prantos.
Somente sei que o amor
é inesgotável; pra quem
ama de verdade: pronto.
Pois por muito tempo
suportei amarguras , e
nos cantos do quarto
me encolhia; rezando.
O sofrimento da alma e
deste meu corpo é inter-
minável... a inveja te mata
a cada vida-tempo.
Mas jamais me curvei com
meus vários prantos-encantos.
Que ao longe me via orando.
Meu amor por você é tão
grande... que suporto tudo
e a todos ; nesta minha vida
de amores e meus santos.
ademir o poeta.
André Medeiros
A Rosa Amarela do deserto.
Fui na feira comprar flores pra ela
Ela queria uma rosa do deserto amarela
O feirante não tinha a rara flor
Pra não desagradar a minha bela
Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.
A poesia de JRUnder
Serei melhor
O que viver possa me ensinar,
Procurarei na força de aprender.
E a cada dia, consiga imaginar,
O quão melhor, eu poderia ser.
Não basta o dia, nascendo com o sol
Não basta a noite, a luz adormecer...
O despertar se dá no coração,
Se a ilusão, não faça esmorecer!
Serei maior, enquanto eu viver!
Serei melhor, a cada amanhecer!
Terei do tempo, a força do saber...
Serei tão forte, quanto possa ser.
O que da vida, eu possa conquistar,
Com humildade, eu saiba dividir.
Cada vitória que comemorar,
Com plenitude, eu possa sentir!
Não basta o dia, nascendo com o sol,
Não basta a lua no céu resplandecer!
O despertar, que move a compaixão,
Que a cada instante, eu possa conhecer!
Serei melhor, a cada amanhecer!
Serei maior, enquanto eu viver!
Serei tão forte, quanto possa ser...
Terei do tempo, a força do saber.
Adma Reis Sauma
Solidão
Acordei sentindo sua falta, ainda amanhecia, a chuva caia, cinza predominava no céu e em mim, não quis café, nada fiz além de sentar na varanda com um lençol enrolado em meu corpo, expondo apenas meus pés para que o ar frio que a chuva trazia os tocassem.
No chão, puxei aquela velha mesa de madeira em que jogávamos baralho, e decidi colocar memórias para fora. Algo que sempre evitei com medo de que o tempo as levasse, mas nós sempre adoramos a chuva. Temos tão pouco tempo para guardar tantos detalhes, tão poucas horas para viver longos momentos. Então veio até mim aquela posição de pensador que você sempre fazia para ler, o movimento de seus dedos calmos e concentrados no piano, a xícara de cafe quente na varada de noites e dias frios, seus sorrisos bobos ao desenhar na terra dos vasos de plantas, os brilhos de seus olhos ao olhar para as estrelas tentando achar novas constelações, seu riso ao brincar na grama com os cachorros que facilmente te derrubavam, e a sensação de segurança quando seus braços me rodeavam e seu calor me aquecia até o sono me buscar.
Sei que não foi sua vontade, que tentou comprar mais tempo, que chorou silenciosamente ao se virar depois da despedida. Guardo tanto amor que dói, recebo tanto que me falta, penso tanto que me afundo, relembro tanto que revivo, depender de tantos me faz refém. Quando acredito que estou perdida na escuridão posso ouvir sua risada, quando me ensurdeço em busca de paz e encontro seu sorriso, quando me sinto só e sinto o apoio de uma mão erguendo-me.
Escrevendo cartas sem sequer saber para onde endereça-las, talvez nem sequer devesse escrever, mas um dia você me encorajou e eu nunca parei. Não há um endereço certo para aquelas palavras de conforto, para aqueles tristes olhos que me faziam feliz, para aquelas piadas que de tão ruim se tornam inesquecíveis, para as caretas que nos faziam rir até que faltasse ar, eu não acho o endereço do seu abraço apesar de ter sido meu lar.
Fotografias guardadas em mim, fui reconstruída de momentos nossos para me tornar intocável e de estrutura inabalável. Mas desmorono de dentro para fora, por minha mente ser a que melhor conhece meus medos e por isso imagina com tanta perfeição.
Hoje acordei com o peito doendo de saudade, hoje chorei logo cedo ao te procurar pela sala e não te encontrar.
Quero esquecer do mundo novamente como fazia com você, sentir todos aqueles sentimentos inexplicáveis que me traziam frio na barriga e impediam que o sorriso se apagasse do meu rosto, quero voltar a escrever nossa história na beira dos lagos e no topo das montanhas, então, não demore para me reencontrar.
itamarfs
DESTINO
Cativo como um onívoro faminto,
Descarregando a fome pelos olhos,
Observando o que eu já não sinto:
Esse sorriso - eu sigo à meus antolhos.
Tento lamber os meus próprios piolhos
Pra expressar-me um pouco de carinho.
Mesmo trancado em tantos ferrolhos
O mal jamais me deixará sozinho...
Assim figura o meu destino inccerto,
Perdido, como um trivial inseto
Se rastejando à procurar a luz.
E toda vez que m'encontrar mais perto
Do brilho que ofusca - '' o céu aberto'' -
Inda mais perto eu estarei da cruz.
Itamar FS
tiamat
Para aquele que um dia foi meu grande amor
Hoje me pergunto onde de fato você findou? Quando foi que eu passei a te inventar ou viver do que foi, mas já não era?
Analisar as mémorias, é ver que as respostas sempre estiveram claras... Você não era mais o meu amor, não importa o quanto eu quisesse que você fosse.
Eu não consigo ter raiva de você, seria mais fácil te matar dentro de mim, mas você que já foi a minha pessoa favorita nesse mundo, vai continuar lá, como um dragão adormecido, que eu jamais terei a petulância de acordar. Pois, na solidão do meu sentir, ninguém te tem além de mim.
Talvez o meu maior ato de amor tenha sido te deixar ir.
A liberdade é o presente mais valioso que eu podia te oferecer.
E dessa forma eu pretendo continuar te amando, longe para que você se torne quem precisa ser e eu aprenda a viver sem você.
simoni_souza0
Vida
Com passos incertos, seguimos adiante, no palco da nossa existência.
Cada dia é um verso, uma canção,
e na dança repentina da vida, florescemos.
Os sonhos tecidos em fios de esperança, nos impulsionam a buscar a calmaria.
Assim navegamos pelo rio do tempo,
aproveitando nosso precioso presente.
Cada sorriso é uma estrela que brilha no céu, as lágrimas de tristezas e alegrias são tintas que coloram nossos dias.
Que a vida, com toda as suas incertezas, seja nossa eterna fonte de riqueza.
Celebremos a vida com toda emoção, com todas as cores e sombras que ela se compõe.
izasmin
Superfície
Incapaz de ver o que sou,
Aparência que atrai aos montes,
Julgas uma aventura que nem tentou.
Ao implorar e rastejar por alguém revela certa fraqueza,
Mas pior ainda é a carência doentia e se menosprezar,
Quem terá piedade com tamanha fragilidade?
Tantas presunções que mal posso te ajudar.
31 de Julho, 2021
shadowoftheworld
Partindo
Sempre que a procuro volto a me olhar.
Às vezes na solidão me pertenço,
Com vozes e emoção que desconheço...
Esse partir sem olhar, voltar e ficar,
Me deixam presa a uma memória
Me levam à uma história.
História que ainda não vivi
Sonho que desconheço
Aos poucos aprendi:
Cada mudança tem seu preço
Já não sei se quero partir,
Mas às vezes parto sem perceber
A cada lampejo de luz que segui
A chama em mim vi reacender
LUIZ GONZAGA DE PAULA
ANJO
ANJO
Anjo meu!
Deu para ver,
Sua face enfeitando a paisagem,
Os seus lábios me chamam para o beijo,
O seu corpo me convida ao pecado.
Apesar de perdido em sonhos,
Vou levar os meus olhos tristonhos,
Para em seus olhos ser então devasso!
Anjo bom!
Que de louco me fez seu brinquedo,
Que investe e me traz os segredos,
Como luz me ascende os caminhos,
E me mostra que mesmo sozinho,
Eu não vou mais sofrer por ai.
Vou sorrir invadir a cidade,
E quem sabe amar de verdade,
Ser o dono da felicidade,
Espalhar meus versos por ai.
A poesia de JRUnder
Meus devaneios
E te vi nascendo das sombras e esparzindo em raios de luz,
Meu coração iluminou-se e quis ser alvorada,
para dedicar-te todos os dias de sol.
Senti-me gigante como um oceano e permiti
que sobre minhas ondas seu querer navegasse.
E fui teu porto, teu abrigo.
Tornei-me em vento e fiz teus cabelos esvoaçarem,
para homenagear assim, tua beleza.
Então me fiz amor... E te amei.
Ladybird
Woman in chains (releitura)
Use até o seu último resquício de força
para
quebrar a corrente
queimar a venda
coloque fogo em tudo
e saia correndo
o mais rápido que puder
hellena
O toque do aço
Sei que não posso
Que não devo
Sei que você me machuca
Mas a minha pele está fria sem você
Tento não pensar
Tento esquecer
Mas tenho marcas da última vez
Minha pele queima
Por onde você passa
Você deixa rastro
Vestígios que sei que terei que esconder
Você se esconde em palavras
Que gritam comigo
Você me machuca, eu sei
Mas também sinto-me aliviada
Sinto falta do seu toque na minha pele
Sinto falta da dor que você me causa
Eu olho você de longe algumas vezes
As suas palavras ainda doem no meu corpo
Você me machuca a mais de dez anos
Eu sei lidar quando me faz sangrar
Sei que não me faz bem
Mas é com essa dor que eu sei conviver
Eu quero que você me toque
Mas não vou até você
Me agarro nas palavras que deixou para trás
E tento escreve-las por você
Eu sinto falta do seu toque na minha pele
Eu sentia ele por dias e dias depois que ia embora
Queimando, latejando
Doendo por onde quer que passasse
Sempre dizendo que não poderia senti-lo de novo
Sempre fantasiando uma última vez
Porque eu sei que me machuca
Que eu deveria te esquecer
Mas dentre todas as coisas que me ferem
Com voce eu sei lidar
Minha pele sente falta do seu toque
Porque é uma ferida que eu sei como cuidar
Eu vou te olhar de longe
Me odiando por desejar
Sentir o aço em minha pele
Porque é mais fácil que chorar
H.A
03/07/2022
Pedro Rodrigues de Menezes
termodinâmica do gesto
nada que venha dos outros
excepto o seu silêncio
sobretudo a sua inexistência
me transforma
me transborda
e é entre estes aborrecimentos
que me atiro para a economia
do gesto
da palavra
do tempo.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "termodinâmica do gesto")
José António de Carvalho
A MARIA TERESA HORTA
<Coletânea - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES»
A MARIA TERESA HORTA (N: 20-05-1937; M: 04-02-2025)
Os teus poemas
são cheias de rio
no calor dos verões.
São espadas em punho
erguidas à intensa luz
do sol do mês de junho.
São a pele do corpo
o sangue, a carne
a voracidade das palavras.
São espelhos da mente
de uma alma condizente
na encruzilhada das estradas.
São os vetores da ligação
do prazer e do coração
de quem não é cobarde,
fenómenos de paixão
em tempo de repressão
da poesia que arde
e seiva penetrante
de poema inebriante
no final de qualquer tarde.
José António de Carvalho, 05-fevereiro-2025
simoni_souza0
Anseio por Liberdade
No anseio profundo, almejo o céu a conquistar, ser livre como pássaro, no azul a planar.
No céu aberto em pleno alvor,
desfrutar, a Liberdade, o vento, o
mundo a conquistar.
Na dança das nuvens, encontrar meu caminho, sem amarras nem correntes, ser dona do meu destino.
Nas alturas, o sol beija minhas penas douradas, em busca de horizontes, não há estradas trilhadas.
Nas asas da Liberdade,
encontro a inspiração, no voo
da alma a mais pura sensação.
O desejo de liberdade é fogo em meu peito, ser livre como pássaro, é meu eterno direito.
José António de Carvalho
INEVITABILIDADES
(Coletânea SOMOS HORIZONTES DA POESIA I)
INEVITABILIDADES
Hoje construo menos do que antes,
idealizo mais e mais perfeito.
Os meus olhos só veem flagrantes.
Ver mal até deixa de ser defeito.
Voltado para a minúcia das coisas,
só quero ver o que apenas sinto,
e só sinto o que mais me conforta.
Tudo o resto, de pouco me importa.
Fecho os olhos e vejo a natureza,
que vai definhando, e quase morta,
mesmo assim se veste da maior beleza:
naquelas flores que me batem à porta,
que abro sempre, e sempre mais feliz,
deitando ao vento cinzenta tristeza.
Os dias passam e continuo aprendiz
de tudo, e do que se diz e se faz;
na calma da alma fico a pensar…
Depois, lá me atrevo e escrevo,
neste meu caminho sobre o mar.
José António de Carvalho, 19-junho-2023
Mairon
Semeador
Algo me aconteceu
Antes de eu semeá-la
A fruta se ofereceu
Eu provei
O que pode fazer um semeador, se não crêr no futuro?
Ter esperança estando no escuro
E seguir tateando...
Não neguei
O que pode fazer um semeador, quando a safra se acaba?
Esperar para recomeçar
E seguir tentando...
O que faz de mim um semeador
O que faz de mim um sonhador
É seguir semeando
É seguir sonhando
Um bom lugar para respirar
Para a Paz encontrar
Ali lançarei as sementes
Ali irei sonhar
Gabriela Lages Veloso
Do Outro lado
mínimo que seja,
alguém conseguir sair
do seu micro-mundo,
e, por uma única vez,
sentir, na própria
pele, as conquistas
e dores alheias...
Se algum dia, apenas,
alguém notar que
existe um universo
além de nós, e,
quem sabe, lutar
por causas que não
lhe dizem respeito...
Se algum dia,
alguém estiver
pronto para
ajudar o outro,
sem barganhas.
Rir e chorar,
fazer o que for
preciso pelo
bem de todos...
Então, esse alguém
descobriu o real
significado da empatia.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Do Outro lado. In: Coletânea de Poetas Brasileiros Contemporâneos. Curitiba: Editora Persona, 2021.
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