Solidão
Adma Reis Sauma
Hoje acordei com saudades.
Acordei sentindo sua falta, ainda amanhecia, a chuva caia, cinza predominava no céu e em mim, não quis café, nada fiz além de sentar na varanda com um lençol enrolado em meu corpo, expondo apenas meus pés para que o ar frio que a chuva trazia os tocassem.
No chão, puxei aquela velha mesa de madeira em que jogávamos baralho, e decidi colocar memórias para fora. Algo que sempre evitei com medo de que o tempo as levasse, mas nós sempre adoramos a chuva. Temos tão pouco tempo para guardar tantos detalhes, tão poucas horas para viver longos momentos. Então veio até mim aquela posição de pensador que você sempre fazia para ler, o movimento de seus dedos calmos e concentrados no piano, a xícara de cafe quente na varada de noites e dias frios, seus sorrisos bobos ao desenhar na terra dos vasos de plantas, os brilhos de seus olhos ao olhar para as estrelas tentando achar novas constelações, seu riso ao brincar na grama com os cachorros que facilmente te derrubavam, e a sensação de segurança quando seus braços me rodeavam e seu calor me aquecia até o sono me buscar.
Sei que não foi sua vontade, que tentou comprar mais tempo, que chorou silenciosamente ao se virar depois da despedida. Guardo tanto amor que dói, recebo tanto que me falta, penso tanto que me afundo, relembro tanto que revivo, depender de tantos me faz refém. Quando acredito que estou perdida na escuridão posso ouvir sua risada, quando me ensurdeço em busca de paz e encontro seu sorriso, quando me sinto só e sinto o apoio de uma mão erguendo-me.
Escrevendo cartas sem sequer saber para onde endereça-las, talvez nem sequer devesse escrever, mas um dia você me encorajou e eu nunca parei. Não há um endereço certo para aquelas palavras de conforto, para aqueles tristes olhos que me faziam feliz, para aquelas piadas que de tão ruim se tornam inesquecíveis, para as caretas que nos faziam rir até que faltasse ar, eu não acho o endereço do seu abraço apesar de ter sido meu lar.
Fotografias guardadas em mim, fui reconstruída de momentos nossos para me tornar intocável e de estrutura inabalável. Mas desmorono de dentro para fora, por minha mente ser a que melhor conhece meus medos e por isso imagina com tanta perfeição.
Hoje acordei com o peito doendo de saudade, hoje chorei logo cedo ao te procurar pela sala e não te encontrar.
Quero esquecer do mundo novamente como fazia com você, sentir todos aqueles sentimentos inexplicáveis que me traziam frio na barriga e impediam que o sorriso se apagasse do meu rosto, quero voltar a escrever nossa história na beira dos lagos e no topo das montanhas, então, não demore para me reencontrar.
Acordei sentindo sua falta, ainda amanhecia, a chuva caia, cinza predominava no céu e em mim, não quis café, nada fiz além de sentar na varanda com um lençol enrolado em meu corpo, expondo apenas meus pés para que o ar frio que a chuva trazia os tocassem.
No chão, puxei aquela velha mesa de madeira em que jogávamos baralho, e decidi colocar memórias para fora. Algo que sempre evitei com medo de que o tempo as levasse, mas nós sempre adoramos a chuva. Temos tão pouco tempo para guardar tantos detalhes, tão poucas horas para viver longos momentos. Então veio até mim aquela posição de pensador que você sempre fazia para ler, o movimento de seus dedos calmos e concentrados no piano, a xícara de cafe quente na varada de noites e dias frios, seus sorrisos bobos ao desenhar na terra dos vasos de plantas, os brilhos de seus olhos ao olhar para as estrelas tentando achar novas constelações, seu riso ao brincar na grama com os cachorros que facilmente te derrubavam, e a sensação de segurança quando seus braços me rodeavam e seu calor me aquecia até o sono me buscar.
Sei que não foi sua vontade, que tentou comprar mais tempo, que chorou silenciosamente ao se virar depois da despedida. Guardo tanto amor que dói, recebo tanto que me falta, penso tanto que me afundo, relembro tanto que revivo, depender de tantos me faz refém. Quando acredito que estou perdida na escuridão posso ouvir sua risada, quando me ensurdeço em busca de paz e encontro seu sorriso, quando me sinto só e sinto o apoio de uma mão erguendo-me.
Escrevendo cartas sem sequer saber para onde endereça-las, talvez nem sequer devesse escrever, mas um dia você me encorajou e eu nunca parei. Não há um endereço certo para aquelas palavras de conforto, para aqueles tristes olhos que me faziam feliz, para aquelas piadas que de tão ruim se tornam inesquecíveis, para as caretas que nos faziam rir até que faltasse ar, eu não acho o endereço do seu abraço apesar de ter sido meu lar.
Fotografias guardadas em mim, fui reconstruída de momentos nossos para me tornar intocável e de estrutura inabalável. Mas desmorono de dentro para fora, por minha mente ser a que melhor conhece meus medos e por isso imagina com tanta perfeição.
Hoje acordei com o peito doendo de saudade, hoje chorei logo cedo ao te procurar pela sala e não te encontrar.
Quero esquecer do mundo novamente como fazia com você, sentir todos aqueles sentimentos inexplicáveis que me traziam frio na barriga e impediam que o sorriso se apagasse do meu rosto, quero voltar a escrever nossa história na beira dos lagos e no topo das montanhas, então, não demore para me reencontrar.
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