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MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

Queria saber

Queria saber responder
as tuas perguntas...
mas penso que nem os deuses saberiam o que dizer.
Queria saber
se  ao dormir  sonhas com terras estranhas, 
e se  estrangeiro ficas
só pelo gosto de assim ser.
Andei varando tempestades e
cavalgando ventos
e nessas trilhas
até aos oráculos indaguei.
Mas, não sei!
Saber dói! Alguém disse.
por isso, fico no escuro.
Se habitasse a certeza
te diria com belas palavras o que não sei.
Mas, o que sei é tão pouco  e banal!
Já tentei me fazer passar por Dom Quixote
mas, faltam-me palavras e armaduras.
Queria tudo responder com certeza
mas se não a tenho, como posso usá-la?
Diante dos fatos meus olhos serenaram, já o meu coração permanece inquieto!

Fátima Rodrigues

Expedicionários, João Pessoa, Paraiba,  Brasil . Em 18 de setembro de 2023.

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Pedro Betin

Pedro Betin

amor incompreensível


Amor tú és ilusão
ou apenas fantasia
mas se tu não existise
ninguém jamais amaria

amor não posso toca-lo
também não consigo te fer
amor como posso te-lo
se não consigo te compreender

sem amor não é possível
o ser humano existir
vou desistir da vida
vou me auto destruir

mas espere um momento
meu coração está palpitando
e pela primeira vez
loucamente estou amando

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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Procuras

 

Em que se deseje o recíproco e não se encontre

Restam-se em amor, solitárias figuras

Que em horas vazias de sublime penúria

Em largos devaneios, perderam-se em procuras.
 

Não são vazios os corações que amam

Só por amar, mesmo não sendo amados.

Vazios são corpos que por amar não morrem,

Vazias são rezas, quando inexistem pecados.


Se lhe dou amor, para que o tenha,

Que o saiba e conheça, que o use ou guarde.

Se por amar me fiz contentamento,

Não guardarei no peito, o que no peito arde.

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Lagaz

Lagaz

O último poema

O último poema será escrito, precedendo a arrebatadora chegada da beleza.

E, de modo algum será avesso, desdenhado e preso,esquecido impune em um  canto rude da memória.

Antes que o esperado,seria lançando em correntezas frias, e assim partiria.

&

Suas lágrimas desceriam lentas, próximas da morte, parecendo não existir.

Trariam em si, 
a desculpa fúnebre do prazer,de um tempo em silêncio.

Teriam a incerteza de olhos belos e feridos, como a sorte sem destino,
Próprios de um anjo caído

&

Poetas!
Que somos nós ?
Nessa terra sem pão, justiça e sabor.

O que nos reserva o futuro ?

E a todos os seus filhos néscios,?

Enlouquecidos por um sentimento, esquecidos por conveniência e 
embrutecidos pela violência instigante,
que ronda o por vir.

&

Chorem poetas.
Os seus lamentos.
Augusto dos Anjos...
Charles Baudelaire,
e outros tantos 

Poetas
Que infernizam a alma
Que maculam os santos
E se mostram tão humanos
Quāo semânticos.

Poeta louco...
Levante as mãos ao declamar.
Este  poema inverso,
que é a vida
Vida esta, que é ensaio

Poeta morto.
Não há fim para a beleza
E mesmo a morte
Não é a palavra derradeira,
quando é falsa a covardia

Me tragam...
Shelley
Corso
Vinícius 
Mallarmé

Poeta louco
Lance os versos ao seu prazer.
Trabalho...
Palavras de uma vida.
Escrevo jovem para não
mais morrer.

&

Toda palavra é dor, mesmo a mais banal.
Desse modo funde-se  a vida,e também a morte.
Julgam-nos em nossos defeitos,o fazem o tempo inteiro.
Nunca esqueça que é a derrota que define o homem.
A vitória é tola,pois, transparece  uma irrealidade
,um fim que existe apenas ao morrermos.
Vai chegar o dia em que saberemos tudo,
mas, até esse momento,
a verdade será apenas um pano imundo, jogado ao relento.

&

Escrevo para explorar as verdades,
celebrar as angústias secretas,
e  impróprios desejos.

Como a chuva morna de primavera,
que cinge as ruas e medos.

Que transforma e invade 
mentes e cidades,
e semeia a desgraça e,transmite a febre mundana.

copulam o tempo e vaidades urbanas,
e distorcem o silêncio









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3
Pedro Rodrigues de Menezes

Pedro Rodrigues de Menezes

as três mil Marias

Maria sem Glória 
Maria da Desgraça 
Maria das Cem Dores
Maria da Desconsolação 
Maria da Farinha Amparo
Maria do Sarcasmo
Maria Toucinho do Céu 
Maria do Desespero
Maria da Reincarnação
Maria de Luzes
Maria da Guerra
Maria da Depuração 
Maria sem Remédios 
Maria dos Carnais Prazeres
Maria da Derrota

(Pedro Rodrigues de Menezes, "as três mil Marias)
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Pedro Rodrigues de Menezes

Pedro Rodrigues de Menezes

quasar

coração
basculante
pulsante
mínguante

(Pedro Rodrigues de Menezes, "quasar")
304
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Gabriela Lages Veloso

Gabriela Lages Veloso

A janela

Aqui dessa janela,
Eu vejo o mundo enquadrado.
É certo que os vidros estão 
Um tanto embaçados e, 
Até mesmo, trincados
Em alguns pontos.
Mas, daqui, eu enxergo
A vida lá fora. 

Dessa janela,
Eu observo a lua, o sol,
O passar das estações,
O ir e vir de pessoas,
Que através de outras janelas 
Contemplam o mundo
Sob outros tons. 

Talvez, após alguns reparos
Em minha janela,
Eu enxergue a vida
Sem meias-palavras ou
Quem sabe, eu só fique
Mais ludibriado com
Os sons inaudíveis 
De lugares fora dos meus horizontes.


VELOSO, Gabriela Lages. Poema A janela. In: Coletânea Universo Poético. São Paulo: Editora Delicatta, 2021.
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Carlos Alberto Silva

Carlos Alberto Silva

Um instante

Das pessoas inesquecíveis que a vida me trouxe, de um modo especial me fascinam aquelas que rapidamente passaram por mim. Caminharam comigo por uma tarde ou por uma estação, um momento, talvez, em que apenas se mostrassem – e então se despediram. Ao se despedir, tornaram-se reais. Guardo delas a verdade que não conhecem de si mesmas; o modelo perfeito do qual foram moldadas. Não tiveram tempo, e porque não o tiveram, não as corrompeu. Assim elas existem na minha história. É possível que uma única vez na vida tenham sido como as percebi. É possível que nunca tenham sido. Mas gosto de pensar que são extraordinárias; gosto de pensar que estão por aí e que talvez algumas se lembrem de mim. Da realidade não sei nada. Mas há algo especialmente belo em que acredito e que gostaria que você acreditasse também: existem muitas pessoas no mundo ligadas a você de alguma forma. Ao longo da vida, você terá a oportunidade de encontrá-las, por um breve instante. E nesse tempo menor do que um instante, em que couber ainda que uma palavra ou um sorriso, elas terão lhe deixado, pela eternidade, o melhor de sua existência.

Carlos Alberto Silva
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sebastiao_xirimbimbi

sebastiao_xirimbimbi

Sodade

Não foste apenas uma mãe 
Foste a nossa heroína mãe 

Nada doeu mais do que ver você morrendo lentamente mãe
E essa dor matava-me silenciosamente mãe;

Eu morria diariamente
Vendo você morrer lentamente;
Sentia-me inútil, e insuficiente.

Mãe, foste uma mãe verdadeira;
Descendente de nginga mulher guerreira;
Todos os esforços que fizeste pelos teus filhos valeram a pena e a galinha inteira.

Obrigado pelas noites que não dormiste para cuidar de nós;
Nada jamais pagará tudo que fizeste por nós;

Sinto falta dos momentos que passávamos juntos louvando a Deus, lendo a Bíblia e orando para Deus cuidar de nós;
Sinto falta do teu sorriso,
Tenho saudades da tua doce voz.

Mãe foste e serás sempre o meu grande amor 
Sei que descansas em paz, pois acabou-se a dor;

Dor que sentias
todos os dias;
Estou como Deus quer; é o que dizias.

E Deus queria você por perto
Por isso levou você para perto.

Descanse em paz mãe,
Descanse nos braços do nosso Deus pai.
Eu vou seguindo a vida honrado a ti e ao pai.
Descansem em paz.

Saudades.


Por: Sebastião Xirimbimbi
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Aromas, sabores e cores.

E a paz que seu interior requeria, 
Não permitiria que agisse em entrevero.
As razões do coração eram indiscutíveis,
Mas não justificariam qualquer desespero.

Amar sem ser amado, ou o inverso
Tem o mesmo aroma, sabor ou cor.
Amar é esperança, cria sonhos, traz alegrias, 
Não ser amado por quem se ama, traz a dor.

E sofrer, por vezes judia, 
Mas ensina a resiliência.
As agruras, tribulações amargas da vida
Formam a essência de nossa existência.

Se amado, é realização
Amar, é presente divino.
Quando ambos por fim, se encontram, 
Será por acaso, ou destino?

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Gabriela Lages Veloso

Gabriela Lages Veloso

(Re)viver

Agendas cheias de 
compromissos vazios 
nos tornam apáticos e 
indiferentes ao mundo 
ao nosso redor. É preciso
que algo aconteça para 
nos acordar do transe 
cotidiano. Esse é o papel 
da arte: trazer um sopro 
de vida aos nossos dias 
e apurar nossos olhares 
e consciências. A arte – 
em cada nota, tinta ou 
letra – salva vidas.

***

(Re)vivir

Agendas llenas de
compromisos vacíos
nos hace apáticos e
indiferentes al mundo
a nuestro alrededor.
Se necesita que le ocurra
algo para despertarnos de nuestro
trance. Este es el papel
del arte: aportar un soplo
de vida a nuestros días
y agudizar la vista y
la concienciación. Arte –
en cada nota, tinta o
letra – salva vidas.


VELOSO, Gabriela Lages. Poema (Re)viver. In: Revista Kametsa, Peru, 24 ago. 2021.
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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

FEBRIL

 

Quero aquecer meu coração no calor do teu abraço para na trajetória febril dos meus desejos inundar-me de esperanças e emoldurar essa paixão incandescente.

Ao seu olhar, viver a brevidade do eterno e entregar-me ao instante. Caminhar por sobre nuvens de lembranças e semear ilusões. Inalar do doce aroma da felicidade quando ela se fizer flor e colher desse canteiro um futuro só nosso.

Calar meu grito para ouvir no seu silêncio o tempo tecer essa rede, onde esqueceremos nossos corpos fatigados para enfim, podermos adormecer e sonhar.

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A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Saudades de mim.

 

Sinto saudades de mim...

Dos tempos em que era feliz sem saber o que era felicidade.

Eu apenas, era feliz.

Das manhãs em que acordar significava acima de tudo a oportunidade de degustar mais um dia e que dormir era mais uma oportunidade de sonhar.

E sonhava com novas manhãs como se todo o tempo fosse feito de sucessivas primaveras...

Sinto saudades do ingênuo que fui, do otimista, do crente, do apaixonado.

Sinto saudades das canções que falavam ao meu coração e que eu cantava feliz, como se o mundo fosse só meu.

E essa saudade dói, a dor amarga do tempo. Porque a razão é doída, porque a realidade é sofrida e o sonhar não fala mais da vida que um dia imaginei.

 

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Olga Kawecka

Olga Kawecka

Eu não sinto medo

Só existe a escuridão ao meu redor.
Por onde eu ando,
há apenas pedras afiadas.
A terra inteira é como um túmulo,
e todos estão mortos
como se estivessem no passado.
Este sou eu no passado,
porque não há pessoas vivas comigo.
Estou enredada nos espinhos da solidão,
como um cordeiro que é levado ao matadouro.
Mas eu não sinto medo,
porque Deus está em toda parte.

 
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izasmin

izasmin

Sono Profundo

Finalmente acordei,
Era um sonho distante,
Foram quase três anos, eu bem sei.


Já não sou a mesma ainda que quisesse,
Assim como cultivo o que um dia serei,
Tão bom o gosto de viver outra vez.


Realmente digo que senti falta, 
De colocar metas em pauta,
Mas precisava saber o que me esperava,
Experimentos perigosos os quais eu me prejudicava.


Se a algum tempo apresentei-me à Internet,
Esse ano será uma combinação de minha bagagem,
Veremos até onde o ciclo finaliza ou se repete,

Por enquanto visto as experiências como tatuagem da alma.


23 de Fevereiro de 2021.
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Sofi Ortiz

Sofi Ortiz

{...}

O eco da melancolia me agarrou
Decidiu inesperadamente me sufocar
    Ah, Deus! Se eu pudesse me soltar
Esse vai e vem descontrolado me aprisionou

A cegueira do eco me maltratou
Decidiu sem carências me controlar
    Ah, Deus! Se eu pudesse me libertar
Esse baço de frente dos olhos me desequilibrou

O escuro na claridade me arruinou
Decidiu sem misericórdia me alienar
    Ah, Deus! Se eu pudesse me soltar
Essa escuridão inabitada me aprisionou

A paz da luz me alcançou
Decidiu por vontade me buscar
    Ah, Deus! Se eu pudesse me libertar
Essa luz que vem do alto me guiou

    A tua misericórdia chegou em mim!
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Sergio Persi

Sergio Persi

Minha cor

Nos libertaram da escravidão, mas não temos está sensação, o aprisionamento hoje não é com correntes e sim em nossas mentes.

Andar com nota fiscal do nosso bem material; para não ser confundido com um marginal, a condenação da nossa ação veio ao término da escravidão.

Pra muitos o racismo não existe mais, porque camuflaram ele até demais, a cor da minha pele já é um atestado criminal, pois no shopping eles já me olham mal.

Um branco usando, Nike e Adidas; dizem que ele está "trajado", mas se for um preto ele está favelado. Desculpe a minha cor, pois eu já nasci carregando está dor.
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Gabriela Lages Veloso

Gabriela Lages Veloso

A Casa

Tenho mil e uma histórias dentro de mim.
Palavras.
Pessoas.
Sons.

Em antigos baús,
Guardo fotografias de desconhecidos,
Conchas e relicários.
Sou repleta de inutilidades.

Cores.
Sabores.
Cheiros.
Sou rica em miudezas.

Descarto pesos.
Coleciono sensações.
Tenho mil e uma memórias dentro de mim.



VELOSO, Gabriela Lages. Poema A casa. Revista Desvario, Sergipe, 22 fev. 2021.
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camila_duarte

camila_duarte

Somos flores

Se me tirarem o segundo 
É o fim. 
Aquela casa velha e esburacada
É a memória amargurada da moleirinha 
Que já não cresce entre o musgo; 
É o resto de tudo e o vestígio do nada, 
Lembrando apenas o suspiro da velhice;
É a nostalgia do cheiro a relva, a fruta, 
A canja e talvez a bolo da padeira; 
É a reminiscência enevoada do que foi 
Família, ou nunca foi; 
É o beijo carinhoso dos pais dos meus pais, 
Canção de embalar que ecoa da sepultura;
É o desmembramento da realidade de um dia, 
Da qual sobra pouco; 
É a evidência do nada perante o desabar do mundo, 
É a finitude, o breve trilho que percorremos, 
O sorriso que é mortiço e passageiro;
É o funeral da terrinha, o enterro do bailarico, 
A miséria da filha e da neta, do cão também;
É a última página do livro. Desconcerta... 
Nem sabemos como o fechar e abandonar na prateleira,
Às teias.
É a flor que murcha, queixando-se do sol, da chuva, da terra: 
De tudo o que a fez florir. 
Damos flores e recebemos flores. 
Vivos ou mortos, somos flores. 
Da terra nascem, na terra caem. 
No mundo entram, do mundo saem.
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Gabriela Lages Veloso

Gabriela Lages Veloso

Chuva

Existe algo de mágico
Na chuva.
Algo místico
Que desperta as memórias
Mais profundas.

Essas nuvens pesadas
Nos transportam
Para outros tempos e lugares,
Revivem momentos
Que fazem morada
Na intimidade da alma.

Para alguns,
Trazem boas lembranças.
Para outros,
Saudades incuráveis.
Mas, certo é que não se pode
Sair o mesmo de um dia como esse.

VELOSO, Gabriela Lages. Poema Chuva. In: Revista Sucuru, 08 abr. 2021.
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Lagaz

Lagaz

Nota sobre um dia triste

Quando enfim,
tive a oportunidade
não me despedi.

Olhei em seus olhos

Simples

A última lembrança,
é sempre a mais triste,
e insana.

Em meu egoísmo sádico,
fingi ser indiferente.

E desde de então,
essa sombra é presente.

Estivéssemos em outro momento,
este seria apenas,
mais um dia triste.
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Kelly Brizak

Kelly Brizak

sem som


O silêncio me faz falta,

nele me perco, me esqueço
flutuo nos meus pensamentos,
me isolo dos temores,
no silêncio me encontro,
me distancio.
o ruído me incomoda
me desorienta,
me atormenta,
tira meu rumo
arranca meus pés do chão,
porisso, ainda prefiro o silêncio
por ele me oriento
me frequento
me explico
justifico minhas falhas,
suas falhas,
me julgo, 
me sentencio,
me livro
me decifro
me encanto
desencanto. 
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valquiriaec

valquiriaec

Retrato

Retrato
Valquíria Esper Chahhoud

Não mais me chame para tuas noites boêmias  
Tamanha é a dor em meu peito por ver-te partir, mal respiro. 
Minhas palavras tropeçam em breve fôlego, 
Deixe que outra sane os efêmeros desejos que te inspiro. 
 
Minha morada nunca fora tão fria e cálida como hoje, 
Entre nós não vaga nenhum segredo e lá fora a chuva firma 
Comigo, dormem as lembranças de um passado recente 
Contigo, o amor alheio que diz que sentes 
 
Suplico-te, não mais me chame para deitar teus desvarios 
Tamanho é meu sofrimento por ver-te partir todas as manhãs: 
Desvencilha-se de mim física e sentimentalmente, e 
Despedaço-me com palavras que guardo em atitude vã. 
 
Não mais peço que fiques, não contrario a pureza de meu sentimento 
Já disse tudo que me cabia e nada jamais controlarei. 
Sabes do amor que guardo e do carinho que tenho –  
Digo-te em último gole: não mais permeie o meu sofrimento. 
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CORASSIS

CORASSIS

Da construção humana



Todo dia, sai coração afora alguma coisa:

Para a edificação ainda é diminuto o amor,

Mas se esvai algo

Como detritos insalubres

Que passa como por canais

Não de águas límpidas, nem transparentes

Todo dia sai algo de um coração adulterado,

Porque o orgulho é como um esgoto imprestável,

Que deve passar por nossa visão rapidamente.

Saiu de nós há poucos segundos palavras ferinas

Que anulam sonhos de outros!

A muitas horas saiu também, morna brandura

Que quase não atingiu ninguém

A instantes paramos no mar das inconstantes alegrias,

De maldades planejadas pelo poder enganador,

De vez em quando, sai alguma coisa produtiva de nós

A ganancia não permite que sai mais ...

Talvez, meio pronunciamento benévolo e até meio perdão.

Para estancar sangramentos, ferimentos emocionais

De vez em quando sai de nós ensaio para a humildade.
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