Escritas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

ania_lepp

ania_lepp

Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
2 022
11
5
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

É O PIANO

A tecla do piano está solta
Com sons agoniados, agonizados
Velho como um lavrador que cultiva
Versos de mil palavras, notas soltas

Sonhos longos, profundos, eternos
Castelos em traços que descrevo
Estrelas que iluminam e beijam o coração
Piano velho, gasto que agoniza no tempo.!
1 587
11
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

FORMAS DE MULHER

Ser mulher não é ter as formas
De um corpo fascinante
É ter a beleza que o tempo transfigura
E continuar a ser especial
Ser mulher é chorar calada as dores do mundo
Ser mulher é cair e voltar a andar
Ser mulher é saber quando o sol nasce
É conseguir encontrar uma flor no deserto
Ser mulher é ter sido escolhida por Deus
É ter os sentimentos francos
E sentir ainda o fulgor dos seus cabelos brancos
É sentir-se como criança e sonhar como uma mulher
Ser mulher é ter o brilho nos olhos quando a noite chegar.!
770
11
Mia Rimofo

Mia Rimofo

HÁ EM MIM

Há em mim uma quietude de morte
Que procura o norte
Um ser errante de lavrada poesia
Pois os sonhos são bússolas
Que me guiam por terras distantes
Em fantasia onde a minha alma mora
Raízes em solidão na terra de fontes pagãs
De desencantados contos encantados
Paisagens mágicas de verdes flores
Há em mim sonhos de embalar de terra lavrada
Que procuram o sol nas noites de lua cheia
Pois escrever é ter na mão o negro luto da caneta
Numa quietude de morte no peito coroada de rosas

674
12
1
A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

Alquimia do tempo


Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.

Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?

Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
4 836
11
1
Cristina Miranda

Cristina Miranda

Ponta da língua




Desenha-mo-nos
lentamente
percorrendo flancos
lambendo o desejo
que corre pela pele.

Desejo-te!
Arrepio-te a vontade
de me teres agora
toda.

Deseja-me!
Arrepias-me vontade
de te ter agora
todo.

Bebo-te!
Bebe-me!

Cresce a ânsia
de te desenhar
de me desenhares
com lápis de cera de lua.
As bocas são o palco
onde as línguas vão dançando
ao nosso sabor
sem critério...

Esboçam
o abrir das minhas pernas
o afastar das tuas
e as línguas
percorrem-nos
bailam em nós
ávidas!

Cai amor pelo chão
enquanto nos tocamos.
Néctar!
Pingam gestos
estalactites
na gruta onde nos escondemos.
É de pó
de cumplicidade
esta delícia que bebemos
celebrando as festas
das danças dos corpos
desenhados pelas nossas línguas.

À flor da pele
da minha
semeias arrepios.
À entrada da pele
da tua
deponho este frio
moldado
soprado a quente.

Amaciamos o silêncio
num jogo de luzes
de olhares.

Recolhe-te em mim.
Vem passear-te
sulca o trilho
percorre-me
deixa que eu use e abuse
que de todo me lambuze
te levante cada pedaço de pele
pousando neles
meus olhos nocturnos
te percorra os silêncios
com os meus gemidos
me derrame
me desnude
mas
no instante em que nos despirmos
vamos vestir-nos

tu
eu
tanto
de nós!
1 576
12
1
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

BRILHO DO SOL

Que alegria saber que no teu coração
Existe um lugar especial para nós os dois
Meu amor, vejo-te em tudo que me rodeia
Mesmo distante nunca sais do pensamento
Nada é mais belo meu amor
Que estar nos teus braços
Sentir o calor dos nossos abraços
Trazes o brilho do sol 
Para aquecer o meu coração
A beleza do momento
Que ilumina os nossos corações
Meu amor, eu vou esperar
Mesmo que da saudade sinta dor
Não deixarei de amar-te.
2 215
10
1
João Edesio (Jhon)

João Edesio (Jhon)

O natural é mais fácil...

O natural é mais fácil...

            Não gosto de andar descalço, uma porque meus pés doem outra porque os pés ficam sujos. Gosto de andar de sandália bem confortados, daquelas que nossos pés ficam confortados, sem apertar e não muito larga ao ponto andar arrastando o calcanhar ao andar.
            Mas quando se está no sertão a sandália só tem uma função, não deixar que os “cabeça de toro” entre em seus pés, porém existem alguns ousados que atravessam a chinela e cutuca seu calcanhar, parecendo que fincou uma agulha em sua alma de tanta dor.
            No sertão onde fiquei por algum tempo, e também já narrei em outro conto, logo não repetirei aqui, o vento é constante e abundante. E estes não são agressivos, agem com gentileza, ecoando um cântico sem harmonia durante o dia e como uma serenata durante a noite fazendo você dormir tranquilo, embrulhado em uma coberta que mais transparece medo do que de frio.
            Usar sandália nesse contexto, como já disse ante, só tem uma função, também já disse antes, a outra, fica a desejar. Os pés ficam sujos de poeira carregada de pó e também do próprio vento que ao andar tira o pó do chão dando-o vida e movimento. Nisso os pés ficam sempre envoltos com uma camada fina de pó vermelho que impregna como se fosse um tipo de maquiagem barata, que para sair, precisa de muita água e sabão.
             A chinela segue o ritmo dos pés, ficam vermelhas, como foi o caso da minha, que era branca (inocente). Não adiantava lavar todos os dias, pois todos os dias estariam do mesmo jeito, lavando ou não lavando. Mas resolvia todos os dias lavar antes do banho. Mas como vocês sabem terra vermelha não sai fácil, além do mais se for recorrente o contágio.
            Tudo na vida tem seu tempo certo, chegara meu tempo de voltar para minha realidade fantasia. Logo voltei para casa.
            Assim como qualquer família que se programa para uma viagem, você não faz compras para deixar estocada sem usar. Então ao chegar em casa, a dispensa estava vazia, minha casa mais parecia uma igreja, só tinha água disponível. Então como um bom senhor do lar, fui ao mercado fazer algumas compras. Aproveitei o tempo que tinha e resolvi não ir de carro, mas aproveitar o ar e também fazer exercício.
            Depois de ter feito as compras e voltado para casa, resolvi lavar minha sandália usada no sertão e na ida para o mercado. Não sei se vocês fazem isso, lavar o solado da sandália, acho que fica legal e com uma cara de nova. Mas quando olho para correia, lembro que não é nova, pois tem um prego atravessado onde havia um suporte para não deixar que a correia soltasse.
            Então comecei lavando por cima, as correias, as laterais e por fim, o solado. Nesse instante percebi algo muito estranho, havia dois tipos de sujeira, a do sertão e a da cidade. Comecei a perceber uma distinção bem clara quando comecei a passa água e sabão no solado. Duas sujeitas, uma vermelha a outra preta. Por ser de cor mais forte, a cor do sertão ficou abaixo da sujeira da cidade.
            Comecei a esfregar, esfregar, esfrega o solado para ver se aquela sujeira preta saísse do solado, mas apenas a vermelha começou a sair e preta continuou resistente às esfregaduras com uma escova de lavar roupa. Resolvi apelar para alguns produtos que me ajudaria nesse processo, peguei água sanitária e um sabão em pó e deixei um pouco de molho, após esfreguei novamente então a sujeira se foi.
            Parece que quando as coisas são naturais são fáceis o lidar com elas, pois o que é natural sai com naturalidade, já aquelas que têm uma intervenção da mente humana, não sai com naturalidade, pois houver uma intervenção no processo de criação, logo para ser retirada, apenas com elementos criados pelo homem.  O natural fica inoperante diante do elaborado pela mente humana, ou até sufocado.
            Lidar com o natural é mais fácil...
550
10
10
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

CORAGEM

A minha alma está partida, dividida
Despedaçada já sem forças, eu só peço
Que minha coragem vença o meu medo
Que o meu corpo não se quebre de pranto
Que a minha alma não se perca em agonia
Que a minha mente permaneça sempre erguida
Que os meus joelhos se dobrem à esperança
Que o meu coração não seja devorado pelos lobos
Que os meus inimigos me respeitem e não me temam.


1 441
12
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

DESTINO CRUEL

Alma perdida
Esquecida de dor
Condenada num abismo
De um desdém atroz
Porquê?
Não sei!
Quiçá o destino
Seja ou foi egoísta
Presa, sentenciada
A um amor cruel!
Fiel de ódio
Onde nós dois morremos
De um desdém cruel!
1 697
12
2
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

PÉTALAS DE FELICIDADE

As rosas que me deste já estão a cair
As pétalas das flores sentem a saudade
Da tua ausência que aperta o meu coração
Parece que já passaram anos sinto a falta
Do teu carinho e do teu sorriso
Da tua voz e do teu calor de tudo que partilhamos
Volta depressa meu amor, quero amar-te
E deixar-te voar, ver o teu sorriso longe
Dos meus braços é melhor do que sentir
As tuas lágrimas a molhar e a ferir o meu coração.!
938
11
2
Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Ainda hei-de partir por esse mundo afora


Tenho a alma tosca d'um estivador,
Que tanto me dói de tão dura,
Não fosse furada por uma grossa goteira,
Não teria maneira d'achar outra dor,

E eu estimo o que por ela andei,
P'las milhas em meu redor,
Amachucando no íntimo a lei,
Que dizem que existe no país do rancor.

Lastimo estas dores ilegais,
P'lo que delas na alma ainda perdura,
Mas da pele tesa dest'estivador do cais,
Gretou apenas a branca rija salmoura,

Por dentro, ond'era mais precisa,
Permanece fluida e convive,
Comigo de forma branda, religiosa
E leve...

Tenho alma d'estivador sem terra e sem destino,
Olhos prenhos do que no mar em redor
Encerra, embarquei na noite, clandestino,
Numa caravela e posso finalmente rir sem pudor...

Por esse outro mundo afora...

Joel-matos (01/2013)
http://namastibetpoems.blogspot.com
3 249
11
1
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

DIÁRIO

Guardei o meu diário
A quem eu chamei de amor
Ferido, congelando, guardei
Trancado numa caixinha de dor
Está o diário sonhador
607
10
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

COMIGO ANDAM E CAMINHAM

Comigo andam e caminham todos aqueles
Que eu amei e os que mais detestei
Amigos que perdi ou afastaram-se
Inimigos que me apunhalaram pelas costas
Onde deixaram feridas difíceis de cicatrizar
Todos os dias que apanhei chuva, frio ou sol
Nalguns dias não perdi nada
Noutros apenas ilusão
Pensava que era dona do mundo
E que tudo era meu para sempre
Descobri que nada é meu é só uma passagem
Para amar, ser feliz, fazer os outros felizes.
1 816
12
2
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

A MINHA BOCA

"A minha boca segue o instinto
Como o mar doce e salgado
Dos teus lábios, onde saboreio
(...) o teu doce despertar "


2 139
11
3
Taís Silva

Taís Silva

Palavras

Palavras são frias nesse ar

Prendem fragmentos do sentir

Sem elas somos vazios

Com elas somos mortais

 

Palavras doces encantam

Prendem com nitrogênio o rir

Seu olhar apenas mata

Meu desejo em laço, aço e alumínio

Deságua em seus cais...

 

Palavras são frágeis

Palavras são imortais

Palavras são promessas

Cruas...

Tuas...

Que me inspiram a escrever

E me render a elas

Em simples versos

em rios de lavas...

apenas palavras de...

785
11
Adilson Adão

Adilson Adão

Vitorioso

O vencedor luta Mesmo quando tudo está perdido,

Não há vós no mundo que o faça parar,

Seja ele forte, oprimido, realista ou iludido.

Queira ser

cineasta, escritor,

Poeta, professor,

Filósofo, presidente,

Esportista, combatente

Cientista, missionário,

Burguês ou revolucionário,

Ser humano,

Ser a si mesmo.

Se há um alto muro tenta saltar,

Se cair da escada tenta subir novamente,

Se tiver uma idéia tenta pô-la em pratica

Se tiver um sonho tenta torná-lo real.

Sempre incerto, de conseguir ou não.

Em uma busca ao desconhecido,

Querer saber como termina.

Estava errado ou tinha razão?

Era preciso ou só tentação?

É possível ou só ilusão?

Qual a resposta da questão?

Não sabe e pouco importa.

Ser derrotado... Nunca!

Mesmo se o que busca não for conquistado

Vencerá por sempre ter lutado

971
12
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

BRINCAR PORQUÊ

Porquê brincar com as palavras
De um texto em ordem na melancolia
Porquê brincar com as letras
De um texto que se estende ao infinito
Porquê brincar com as vírgulas
De um texto mergulhado deste abismo
Porquê brincar com os pontos
De um texto de sublime cor da ternura
Porquê brincar com as páginas
De um livro inacabado por escrever
Porquê brincar e não ler, porquê.

1 580
12
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

SEM FLOR

Alguém te perguntar por mim
Diz-lhes que fui arrastada
Por um sopro de vento
Que me sepultei sem nome
Sem lápide ou ainda sem flor.
601
11
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

SINTO UM VAZIO

Sinto-me tão só
Tenho um vazio
Que corroí-me o corpo
Cada gesto, cada palavra
Caí em silêncio na minha alma
Numa dor que corroí e mata
Trespassa-me a alma
Num silêncio agudo
Onde eu escondo-me
Para o resto do mundo
Estou e sinto-me só
2 527
10
1
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

SAUDADES A SANGRAR

Fica aqui comigo meu amor no silêncio desta noite
Não fales nada agora, que me faz doer
Olha-me nos olhos e dá-me um simples abraço
Ouve o som do meu coração, da minha alma
Que chora que ama-te em silêncio
De tantas saudades que chega a sangrar
Sente o meu silêncio ele vale mais
Que mil palavras ditas ao vento, a chuva
Mostra-me a tempestade que eu não tenho medo
Agita o meu corpo faz-me vibrar
Faz-me sentir como as ondas do mar.!
927
11
2
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

ESTILHAÇOS DA ALMA

Ajuda-me a reconstruir
Os estilhaços do corpo ferido
A recolher da minha alma os pedaços
Cada tristeza, cada caminho sem chão
Sejam só cicatrizes, de tanta desilusão
Escrevo numa folha de papel a minha dor
Rasgo aos pedacinhos atiro ao vento
Para que o vento leve a minha dor para longe
Insensatez, sentimento, angustia
Sombra pela intensidade da solidão de seu vazio
Onde as lágrimas correm como um rio!
1 498
12
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

OUTONO MEU

Outono, outono meu
Quero entregar-te os meus delírios
Nas ruas do nosso outono
Onde os nossos passos vão ficar
Folhas do abandono pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Os nossos olhos verão tudo a mudar
E eu escreveria um livro só para te ver chegar
Se eu te fosse contar, antes de te encontrar
Subiria os montes, desceria as ladeiras
Enfrentaria perigos, sentiria a força vento
A romper a fúria de uma tormenta
Molharia o corpo neste mar profundo
Dormiria com o teu olhar, perderia a noção das horas
Se as ruas do nosso outono pudessem
Despiriam as vestes da hipocrisia em folhas.
897
10
1
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

QUERO QUERO AMOR

Quero ser a ultima gota do teu sangue
Quero ser o doce vinho a entrar nas tua veias
Quero degustar a tua carne para apagar o meu desejo
Quero ser o teu abrigo num dia de tempestade
Quero ser o teu caminho na escuridão da noite
Quero ser a tua luz para acalentar os teus medos
Quero ser os teus sonhos para não serem levados pelo vento
Quero ser a chave da tua vida para viveres para sempre
Quero ser a cavidade da tua boca para viver nela
Quero perder em ti para não me encontrar de mim.!
2 424
12
1