Lista de Poemas
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ania_lepp
Tristura...(soneto)
Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...
Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...
Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...
Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
É O PIANO
Com sons agoniados, agonizados
Velho como um lavrador que cultiva
Versos de mil palavras, notas soltas
Sonhos longos, profundos, eternos
Castelos em traços que descrevo
Estrelas que iluminam e beijam o coração
Piano velho, gasto que agoniza no tempo.!
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
FORMAS DE MULHER
De um corpo fascinante
É ter a beleza que o tempo transfigura
E continuar a ser especial
Ser mulher é chorar calada as dores do mundo
Ser mulher é cair e voltar a andar
Ser mulher é saber quando o sol nasce
É conseguir encontrar uma flor no deserto
Ser mulher é ter sido escolhida por Deus
É ter os sentimentos francos
E sentir ainda o fulgor dos seus cabelos brancos
É sentir-se como criança e sonhar como uma mulher
Ser mulher é ter o brilho nos olhos quando a noite chegar.!
Mia Rimofo
HÁ EM MIM
Que procura o norte
Um ser errante de lavrada poesia
Pois os sonhos são bússolas
Que me guiam por terras distantes
Em fantasia onde a minha alma mora
Raízes em solidão na terra de fontes pagãs
De desencantados contos encantados
Paisagens mágicas de verdes flores
Há em mim sonhos de embalar de terra lavrada
Que procuram o sol nas noites de lua cheia
Pois escrever é ter na mão o negro luto da caneta
Numa quietude de morte no peito coroada de rosas

A poesia de JRUnder
Alquimia do tempo
Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
Cristina Miranda
Ponta da língua
Desenha-mo-nos
lentamente
percorrendo flancos
lambendo o desejo
que corre pela pele.
Desejo-te!
Arrepio-te a vontade
de me teres agora
toda.
Deseja-me!
Arrepias-me vontade
de te ter agora
todo.
Bebo-te!
Bebe-me!
Cresce a ânsia
de te desenhar
de me desenhares
com lápis de cera de lua.
As bocas são o palco
onde as línguas vão dançando
ao nosso sabor
sem critério...
Esboçam
o abrir das minhas pernas
o afastar das tuas
e as línguas
percorrem-nos
bailam em nós
ávidas!
Cai amor pelo chão
enquanto nos tocamos.
Néctar!
Pingam gestos
estalactites
na gruta onde nos escondemos.
É de pó
de cumplicidade
esta delícia que bebemos
celebrando as festas
das danças dos corpos
desenhados pelas nossas línguas.
À flor da pele
da minha
semeias arrepios.
À entrada da pele
da tua
deponho este frio
moldado
soprado a quente.
Amaciamos o silêncio
num jogo de luzes
de olhares.
Recolhe-te em mim.
Vem passear-te
sulca o trilho
percorre-me
deixa que eu use e abuse
que de todo me lambuze
te levante cada pedaço de pele
pousando neles
meus olhos nocturnos
te percorra os silêncios
com os meus gemidos
me derrame
me desnude
mas
no instante em que nos despirmos
vamos vestir-nos
tu
eu
tanto
de nós!
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
BRILHO DO SOL
Existe um lugar especial para nós os dois
Meu amor, vejo-te em tudo que me rodeia
Mesmo distante nunca sais do pensamento
Nada é mais belo meu amor
Que estar nos teus braços
Sentir o calor dos nossos abraços
Trazes o brilho do sol
Para aquecer o meu coração
A beleza do momento
Que ilumina os nossos corações
Meu amor, eu vou esperar
Mesmo que da saudade sinta dor
Não deixarei de amar-te.
João Edesio (Jhon)
O natural é mais fácil...
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
CORAGEM
A minha alma está partida, dividida
Despedaçada já sem forças, eu só peço
Que minha coragem vença o meu medo
Que o meu corpo não se quebre de pranto
Que a minha alma não se perca em agonia
Que a minha mente permaneça sempre erguida
Que os meus joelhos se dobrem à esperança
Que o meu coração não seja devorado pelos lobos
Que os meus inimigos me respeitem e não me temam.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
DESTINO CRUEL
Esquecida de dor
Condenada num abismo
De um desdém atroz
Porquê?
Não sei!
Quiçá o destino
Seja ou foi egoísta
Presa, sentenciada
A um amor cruel!
Fiel de ódio
Onde nós dois morremos
De um desdém cruel!
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
PÉTALAS DE FELICIDADE
As pétalas das flores sentem a saudade
Da tua ausência que aperta o meu coração
Parece que já passaram anos sinto a falta
Do teu carinho e do teu sorriso
Da tua voz e do teu calor de tudo que partilhamos
Volta depressa meu amor, quero amar-te
E deixar-te voar, ver o teu sorriso longe
Dos meus braços é melhor do que sentir
As tuas lágrimas a molhar e a ferir o meu coração.!
Jorge Santos (namastibet)
Ainda hei-de partir por esse mundo afora
Ainda hei-de partir por esse mundo afora montado na alma d'algum estivador
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
DIÁRIO
A quem eu chamei de amor
Ferido, congelando, guardei
Trancado numa caixinha de dor
Está o diário sonhador
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
COMIGO ANDAM E CAMINHAM
Que eu amei e os que mais detestei
Amigos que perdi ou afastaram-se
Inimigos que me apunhalaram pelas costas
Onde deixaram feridas difíceis de cicatrizar
Todos os dias que apanhei chuva, frio ou sol
Nalguns dias não perdi nada
Noutros apenas ilusão
Pensava que era dona do mundo
E que tudo era meu para sempre
Descobri que nada é meu é só uma passagem
Para amar, ser feliz, fazer os outros felizes.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
A MINHA BOCA
"A minha boca segue o instinto
Como o mar doce e salgado
Dos teus lábios, onde saboreio
(...) o teu doce despertar "
Taís Silva
Palavras
Palavras são frias nesse ar
Prendem fragmentos do sentir
Sem elas somos vazios
Com elas somos mortais
Palavras doces encantam
Prendem com nitrogênio o rir
Seu olhar apenas mata
Meu desejo em laço, aço e alumínio
Deságua em seus cais...
Palavras são frágeis
Palavras são imortais
Palavras são promessas
Cruas...
Tuas...
Que me inspiram a escrever
E me render a elas
Em simples versos
em rios de lavas...
apenas palavras de...
Adilson Adão
Vitorioso
O vencedor luta Mesmo quando tudo está perdido,
Não há vós no mundo que o faça parar,
Seja ele forte, oprimido, realista ou iludido.
Queira ser
cineasta, escritor,
Poeta, professor,
Filósofo, presidente,
Esportista, combatente
Cientista, missionário,
Burguês ou revolucionário,
Ser humano,
Ser a si mesmo.
Se há um alto muro tenta saltar,
Se cair da escada tenta subir novamente,
Se tiver uma idéia tenta pô-la em pratica
Se tiver um sonho tenta torná-lo real.
Sempre incerto, de conseguir ou não.
Em uma busca ao desconhecido,
Querer saber como termina.
Estava errado ou tinha razão?
Era preciso ou só tentação?
É possível ou só ilusão?
Qual a resposta da questão?
Não sabe e pouco importa.
Ser derrotado... Nunca!
Mesmo se o que busca não for conquistado
Vencerá por sempre ter lutado
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
BRINCAR PORQUÊ
Porquê brincar com as palavras
De um texto em ordem na melancolia
Porquê brincar com as letras
De um texto que se estende ao infinito
Porquê brincar com as vírgulas
De um texto mergulhado deste abismo
Porquê brincar com os pontos
De um texto de sublime cor da ternura
Porquê brincar com as páginas
De um livro inacabado por escrever
Porquê brincar e não ler, porquê.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
SEM FLOR
Diz-lhes que fui arrastada
Por um sopro de vento
Que me sepultei sem nome
Sem lápide ou ainda sem flor.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
SINTO UM VAZIO
Tenho um vazio
Que corroí-me o corpo
Cada gesto, cada palavra
Caí em silêncio na minha alma
Numa dor que corroí e mata
Trespassa-me a alma
Num silêncio agudo
Onde eu escondo-me
Para o resto do mundo
Estou e sinto-me só
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
SAUDADES A SANGRAR
Não fales nada agora, que me faz doer
Olha-me nos olhos e dá-me um simples abraço
Ouve o som do meu coração, da minha alma
Que chora que ama-te em silêncio
De tantas saudades que chega a sangrar
Sente o meu silêncio ele vale mais
Que mil palavras ditas ao vento, a chuva
Mostra-me a tempestade que eu não tenho medo
Agita o meu corpo faz-me vibrar
Faz-me sentir como as ondas do mar.!
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
ESTILHAÇOS DA ALMA
Os estilhaços do corpo ferido
A recolher da minha alma os pedaços
Cada tristeza, cada caminho sem chão
Sejam só cicatrizes, de tanta desilusão
Escrevo numa folha de papel a minha dor
Rasgo aos pedacinhos atiro ao vento
Para que o vento leve a minha dor para longe
Insensatez, sentimento, angustia
Sombra pela intensidade da solidão de seu vazio
Onde as lágrimas correm como um rio!
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
OUTONO MEU
Quero entregar-te os meus delírios
Nas ruas do nosso outono
Onde os nossos passos vão ficar
Folhas do abandono pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Os nossos olhos verão tudo a mudar
E eu escreveria um livro só para te ver chegar
Se eu te fosse contar, antes de te encontrar
Subiria os montes, desceria as ladeiras
Enfrentaria perigos, sentiria a força vento
A romper a fúria de uma tormenta
Molharia o corpo neste mar profundo
Dormiria com o teu olhar, perderia a noção das horas
Se as ruas do nosso outono pudessem
Despiriam as vestes da hipocrisia em folhas.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
QUERO QUERO AMOR
Quero ser o doce vinho a entrar nas tua veias
Quero degustar a tua carne para apagar o meu desejo
Quero ser o teu abrigo num dia de tempestade
Quero ser o teu caminho na escuridão da noite
Quero ser a tua luz para acalentar os teus medos
Quero ser os teus sonhos para não serem levados pelo vento
Quero ser a chave da tua vida para viveres para sempre
Quero ser a cavidade da tua boca para viver nela
Quero perder em ti para não me encontrar de mim.!
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