Lista de Poemas
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natalia nuno
meus dedos, bailarinas...
meus dedos, ninguém sabe
ninguém ouve...são segredos.
impulsos que não venço
e cada vez mais me convenço
que me hão-de levar à loucura,
dedos que deslizam em pontas
como bailarinas, ternura
meninas... sempre prontas
a esboçar um vôo, leves plumas
ingenuidade de quem sonha
sem certezas nenhumas...
orquestram verbos de desejo
possuem fogo do coração
meus dedos pássaros de ilusão,
espalham aos quatro ventos
acordam meus pensamentos
escrevem palavras de amargura
outras de prazer,
sorrio à minha loucura
minha alma ruindo
e meu coração partindo.
natalia nuno
rosafogo
natalia nuno
nostalgia de doer...
onde será que ela vagueia agora?
sofrida com o decorrer dos anos
nem de por força morrendo
arranja sossego nesta hora.
paira no ar um rumor de noite calma
por perto uma ave canta, canta
aos ouvidos da m'nha alma
lá em cima o resplendor da lua
que a terra envolve, já pensando
no cortejo da aurora
enquanto m'nha alma por onde andará
agora...
vem do campo o aroma do relento
meus olhos verdes olham em torno
uma brisa morna, que me traz o vento
o coração em desordem do sofrer
ainda morno...
pela boca da noite fala-me a saudade
como um pássaro que anseia pela madrugada
m'nha alma onde andará de verdade?
que se recusa no meu corpo fazer morada.
natalia nuno
natalia nuno
lembranças louca companhia...
na mente
numa louca orgia
e eu mudamente
finjo não sentir
tão louca companhia,
estreitam-me em seus laços
e cada uma me fala diferente
trazem-me saudades dos teus abraços
galopam dia e noite doces e constantes,
recordam-me teus passos
uma morre, logo outra nasce,
instante a instante...e o sonho
faz-se.
lembranças nostalgias aos molhos
trazem-me alegrias ou lágrimas aos olhos
engendram-se em mim
e em mim se abandonam
com voz desvelada,
que hei-de eu fazer
se me sinto lembrada
numa saudade que não consigo
esconder?!
saudades trago uma braçada
que acabei de colher.
as horas sucedem-se
e eu neste viver
o sonho, tão perto e se foi
fez-me feliz, como tive esperanças
de o ser...hoje nos meus olhos
a sombra que dói!
natalia nuno
RicardoC
D'ORAVANTE
Não mais ser um refém de meus problemas!
Mas, no que depender de mim então,
Poete eu a minha humana condição
E não outra engrenagem nos sistemas...
Para valer a pena escrever poemas
Carece mais ter dúvidas à mão,
Que sempre para tudo solução
Na vida e seus inúmeros dilemas.
D'oravante serei calmo, não frio
Ciente de que a verdade, na verdade
Se revela n'algum canto sombrio.
E ainda que não seja novidade,
-- Ao contrário, p'ra mim até tardio --
Saiba eu ver tudo com serenidade.
Betim - 30 12 2017
RicardoC
ELA E ELE – amor em três actos
PROÊMIO
Diante de nossos olhos acontece
Alguma história assim todos os dias:
Ela e Ele compartilham-se alegrias
À medida que um ao outro mais conhece.
Esta história tantas mais parece...
Tanto, que não importam as etnias,
Pátrias, lugares, épocas, poesias
Ou nem sequer o deus de cada prece.
Tampouco hão-de importar que nomes tomem...
Seja Ela mulher; Ele, apenas homem.
Vós-outros os chamais como quiserdes!
Resta, contudo, a vós eu advertir
Que os três actos d'amor logo a seguir
Também repetireis se não souberdes...
* * *
ACTO PRIMEIRO - O enamoro
PRAZER EM CONHECER
Ele vem sem saber para que vem...
Anda tão distraído que por nada
Espera que lhe exista alguma estrada
Para se seguir junto com alguém.
Ela chega sem qu'Ele olhe. Porém,
Quando a vê a percebe inalterada...
Ao certo pensa ainda uma hora errada
Para o querer consigo Ela também.
Ele conversa mesmo sendo em vão
Manter-se longe o olhar do coração
E deixar de qualquer outra esperança.
Ela, por mais sensata, se protege
Por entender que a estrela que lhe rege
Não brilha tanto quanto na lembrança.
* * *
ATÉ BREVE
Caminhos que se cruzam e após vão
Aonde for possível e além ir...
Ele não foi sequer se despedir
Quando Ela partiu com seu coração.
Ela o levou consigo, embora em vão.
Por temer consequências no porvir,
Afastou-se a melhor se descobrir,
Sem saber d'Ele e sua escuridão.
Ele espera; Ela, não. Ou melhor, vê
Cada extremo senão, cada porquê,
Em face já de sua ampla insistência.
Ele, por distraído ou tolo, fala
Ao passo que, atenciosa, Ela se cala
Sem saber que esperar da experiência.
* * *
POR OBSÉQUIO
Ele se derrama em mimos e atenções;
E Ela, entre lisonjeada e reticente,
Confrontando o homem ora à sua frente,
Contesta uma a uma suas ilusões.
Ele responde já não ter opções:
Precisa conhecê-la tão somente.
E se algo acontecer qual tem em mente
Não sofrem eles maiores decepções.
Curiosa, Ela já quer saber seu plano
Apenas a mostrar com quanto engano
Pretendia Ele entrar em sua vida.
Ele se reconhece enamorado
D'Ela e, deverasmente, culpa o Fado
Querer quem a Ele tão desconhecida.
* * *
ACTO SEGUNDO - os amantes
ANTEGOZO
Ela já se deleita em tê-lo ao lado
E sente falta d'Ele se se ausenta.
Ele, sempre que pode, se apresenta
À sua porta com ledo cuidado.
Lá chegando, se sente transportado
Ao aconchego que alegre experimenta.
Horas gozosas... Quando Ela o contenta
E às quais Ele, aliás, se fez rogado...
Ele lhe beija as mãos com tal ternura
Qu'Ela enfim se abandona à calentura
De o ter tão docemente junto d'Ela.
Mas sem um mais nem quê, logo Ela chora...
Vendo-a emotiva, tímido, Ele cora
E beija o rosto tépido à donzela.
* * *
TONS SOBRE TONS
Ela chora. Dois olhos d'água ao rosto.
Ele lhe bebe as lágrimas... E sorri!...
Beija-a violentamente aqui e ali
Até da própria dor Ela ter gosto.
Ele toma do cinto ao largo posto
E ata seus pulsos bem junto de si.
Cheira-lhe o pescoço, a colibri...
Após, rasga o vestido descomposto.
Suga faminto, pálidos, seus seios...
Mais torturando-a até sentir anseios:
Faz com que implore ser toda desnuda.
Ele a olha... Ela é mais bela que a beleza!
Vê em seus olhos sós a chama acesa
E afinal a possui, confusa e muda.
* * *
ÊXTASE
Amaram-se em silêncio, sem ousar
Que palavras quebrassem esse encanto.
Ela se arqueia e freme... Cai a um canto
E o abraça forte sem nada falar.
Ele logo a aninha ávido a secar
Aquela última lágrima em seu pranto.
Quando beija seus olhos ao acalanto
De carícia impossível de findar.
Ela reluz igual gema brilhante
Ao palor que Ele exsuda n'esse instante
E molha os lençóis sob o casal.
Ela sorri. Alumbra-se seu rosto.
Ele registra o quadro ali composto
E adormece em seus braços afinal.
* * *
ACTO TERCEIRO - o desenlace
DEPOIS DO AMOR
Acorda co'o barulho do retrete
E levanta, automático, para ir.
Espera que Ela saia para partir,
Despedindo-se pouco antes das sete.
E, na saída, a cena se repete:
Mais beijos estalados a se ouvir!
Ela o abraça, querendo lhe impedir.
Ele a beija, deixando-a no tapete...
No caminho, remorsos e segredos
O acompanham até os arvoredos
Onde tenta ocultar todo pecado.
Sob as sombras, mil vezes se maldiz...
Infeliz por ter sido tão feliz,
Ainda que em lugar ou dia errado!
* * *
ANTES DA DOR
Ela está tão contente! Mal sabe Ela...
Pensa qu'Ele saiu para o trabalho.
Mas volta n'um horário incerto e falho
Enquanto Ela observava da janela.
Passou as horas lívida e singela,
À espera d'um patético espantalho,
Que volta com cara de paspalho
E ainda atucanado para vê-la.
Abre a porta sorrindo e o faz entrar.
Ela procura em vão lhe animar,
A Ele que vai partir seu coração.
Quando sua mudez enfim se impôs,
Percebe o seu silêncio ser o algoz,
Que traz a Ela de volta a escuridão.
* * *
ENTRE OLHOS
Ela olha para Ele: Estava arredio.
A conversa sem fio e sem lugar.
Ela o acarinha; Ele a repele ao tocar:
Enquanto o arde d'amor, gela-a de frio.
Perdido o olhar, Ele a olha vazio.
Em si vagou e só foi se encontrar:
O coração, medroso para amar;
O corpo, seco por saciado o cio.
Ela o olha, mas Ele não está ali!
Ora chora quem por último ri
E os olhos nos seus olhos não são seus...
Espelham-se sem ver quem bem à frente...
Se impossível dizer que têm em mente
Só o silêncio entre olhos diz -- "Adeus..."
* * *
EPÍLOGO
Como vos adverti, conto comum
Esse que a vós narrei de amor e dor.
Ide de volta ao lar com mais ardor
Reviver tudo com alguém ou algum.
Se o gozo d'essa vida for nenhum,
Ao menos a lembrança tem valor
D'aqueles que se amaram sem supor,
Que repetissem um lugar-comum.
Assim também amais e sois amados,
Mas vós -- por bem ou mal enamorados
Ou que buscais no amor algum conforto. --
Ouvi, portanto, a luz da narrativa:
-- "Antes morrer d'amor para que viva,
Que avivar o amor depois morto."
Galileia - 04 01 1994
manoelserrao1234
AFAGO POUCO [Manoel Serrão]

Afago que não passa troco.
Afago que sonega o outro:
É poço que afoga o choro.
É vento que apaga o fogo.
É fel que amarga o doce.
Afago, sonegado ou pouco,
O que há de não fazer no afogo,
quando o afago sonegado ou pouco,
Não o afaga solto?
Ó tanto mais se si ilude!
A troco d'um afagar,
ao se dar se pensa pouco.
O que há de não fazer chorar?
mari_80s_ana
Pobre alma lusitana
Pobre alma lusitana a minha
Cheia de fado e amargura,
Chamo Deus como quem bebe
E repousa na cova escura;
Deixa que te olhe direito,
Os meus olhos já estão embargados,
Se eu pudesse pedir um desejo:
Que eu pereça e morra aos bocados;
Sob o teu sorriso de encantar
Ouvem-se as cantigas da manhã,
A madrugada hoje deitou-se cedo
Só para ti ela poder cantar;
Tão minha, tão somente minha,
Que sem eu saber não é,
Rendo-me a Deus, mas não a ti,
Meu anjo, como poderia?
Antonio Aury
Sambinha do Conflito
Concordo com você: primo, amigo e poeta
Ao escrever mais parece um profeta
Quem comanda o país é um monte de infeliz
E só o povo nas ruas para cortar esta raiz
O governo aprova o que não presta para o povo
Por que eles englobam tudo e o povo fica mudo?
Penso ser ameaças, desordem e o apego ao dinheiro
Na verdade este canalhas são capazes de tudo!
Fazem o que têm em sua mente!
Como aquela que foi posta
Está escrito em suas testas:só sei andar de costa
A cada roubo que fazem se reunem em grande tulha
Até trocaram um continente,
meu amigo brasileiro
Por um agulha que perdeu-se entre os porcos
de um chiqueiro!
Vamos fazer mais samba, tocar música de terreiro
Dançar o nosso forró, um baião mais brasileiro
E pedir para Jesus salvar este povo estrangeiro!
E pedir para Jesus salvar este povo estrangeiro!
Darlan de Matos Cunha
Teia
Visão do apocalipse é o que pensas
sobre aqueles morros fumando
mas te enganas de todo
ao pôr estranhezas no natural.
Eis o crime, normal, à tua porta
a boca da injúria vindo em ondas
como um jorro que as luzes
da aldeia disfarçam com ânsia
doentia, renovada, e as peças
do tabuleiro mudam de conceito
sem se darem por isso os da aldeia.
Cansados estão velhos e moços
sem prumo definido, em paz
não se dorme num batente de cruz.
mari_80s_ana
Os teus olhos
Meus celestes olhos
Nesta leda madrugada te assistem,
Os teus tão tristes, hoje, tão opacos,
Que deixam o meu coração em pedaços;
Dessa cor que chocolate
Faz lembrar ao raiar do sol,
Vejo a sombra d'uma vida
Sem esperanças de me ter contida;
Não lhe canto a ela, canto-lhe a ele,
Moço que me tem cativa
Ai, essa tamanha formosura
Que me rendo de perdida;
Enfim, repouso meu gesto cansado
Do desprezo de te olhar,
Já devastada estou eu
Que fará se pudesse a ti tocar?
natalia nuno
na poeira do tempo...
há flores que se desfolham
num torpor sonâmbulo e gelado,
já nenhuns olhos as olham
com olhar apaixonado
foram flores de verde pino
de olhos verdes expressão bravia
suave ou triste foi o destino
de melancolia hoje seu dia a dia.
o tempo cria caricaturas sem dó
tira-lhes o brilho que tinham outrora
e o sorriso que as faces iluminava
pétala a pétala lhe deixam só
a saudade, que as persegue hora a hora
a saudade magoa-as, quebram-se num
silêncio cismando em tudo e nada
e há lembranças que nem chegam a abrir
quando a memória é já de si delicada
flores que teimam em não morrer
expostas ao inverno e às nortadas
alimentam-se de sonhos, querem ser amadas
ressuscitam sentimentos de tanto querer.
um murmúrio de água na voz perdida
no âmago ainda a idade de ouro
e os olhos desencantados a prender-se à vida
quando a noite é já pálpavel
natalia nuno
rosafogo
natalia nuno
ave sem ramo...
andorinhas volteiam no azul do céu
os estorninhos abalam em debandada
olhar que em mim mudou, que fiz eu?
que pelo jugo do tempo fui apanhada
pensei que meu coração asas tinha
julguei-me feliz em doces encantos
viva, era a saudade que me mantinha
e sonhos eram mil ...eram eles tantos!
trago agora cabelos de neve extrema
logo a vida envolta em névoa escura
se é vontade de Deus... ela é suprema!
lá ficou para trás ... a tão florida idade
e tudo o tempo me trouxe, menos a cura,
apenas dos anos restam danos e saudade
natalia nuno
rosafogo
Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)
Querubin
Escol vívido a flor germina,
Notívagas sementes quiméricas,
Efêmero perfume paira,
Ameno arrebol flutua.
Vai a brisa peregrina,
Vestida de vento divino amor,
Imitando a voz das ondas,
No perene mar da eternidade,
Olhar invisível de um sorriso.
Venerável criança brinca,
Imitando alvas estrelas,
Serena lisonja celeste,
Escutando o infinito,
Aspirações da alma enleva.
fernanda_xerez
MANHÃ ENSOLARADA

Amanheceu
e nem consegui dormir.
Estou calma:
c
o
m
p
u
s
expus o que há em mim,
na minh' alma!...
e nesta manhã
tão serena,
com cheirinho de alfazema,
eu penso, (e penso assim):
tudo que é bom
tem princípio, tem meio...
Mas o que é ruim,
sempre tem
f
i
m
***
teka barreto
pobre boy
raízes entrecortadas
moldando o
homem bonsai
escorre a seiva
da
vida ceifada que vasa
gota a gota
esvai-se
de suas veias
a vitalidade de sua arte
homem por partes
inteiramente dividido
meieiro fracionanndo-se a si mesmo
presente inflacionado ao vivo
ativos fixos
nas ações que fraciona
milionário ordiário
único beneficiário
de seus medos cativos
tesouros frouxos
dividendos de um tolo inteiro
prisioneiro boi...
feito boy que se gaba com viagra
regurgitando
fartas histórias passadas
Mausoléu erguido ereto
in memoriam do que não foi
mari_80s_ana
O tempo não pára
Não nos deixa repousar
Afasta-nos da lua
E cega-nos ao luar
Empurra para o precipício
Fere a alma com um olhar
Ilude-nos com um sorriso
Que é fatal que vá matar
Rouba-nos a vida
Doma as belas mágoas
Cura as feridas
Das paixões arrastadas
Sabe mentir
Que nada cura no meu ser
Nada faz para me cegar
Nada faz para tirar de mim
Quem não pode ser meu jamais
E o tempo não pára
Mal sabe ele que não o quero parado
Não sabe ele o porquê de não parar
Não sei eu o porquê dele de mim não gostar.
natanaelferreira
Destino sem fim
mari_80s_ana
Um sopro de nostalgia
De repente, um sopro de nostalgia.
Lembrei o que há muito não lembrava,
O gosto a leite com café
Que da cozinha d'avó Maria emanava,
Sob a toalha bordada que tanta nódoa tinha;
Pronta para fugir para o terraço,
Fingia uma sesta com a boneca na mão,
Assim que a vovó se entregava ao sono,
Coitada, embalada na sua própria canção;
A velha surda lá na esquina
Corria sempre pr'á porta e sorria,
Mal ouvia, mas era tão cusca,
Que as vezes que espirrava ela sabia;
Pior que isso somente as outras vizinhas,
Que se comunicavam aos gritos,
Debruçadas nas varandas, todas esbaforidas,
Para não pagarem renda de telefone;
Sentada na cadeira das rosas, na varanda,
Restava eu diante de tanta euforia,
Sorria ao ouvir o Viriatinho cantar,
Quando as mulheres davam tréguas à gritaria;
Do tempo fiz memórias,
Construí sonhos,
Criei espetativas,
Confundi sentimentos,
Apaixonei-me que nem perdida,
Escrevi e cantei o meu povo,
Caí em tormentos rendida
E sorri, porque eu faria tudo de novo.
De repente, um sopro de poesia.
Matheus de Andrade
Momentâneo amor .
te conheci pessoalmente ,
me apaixonei quando olhei para ela ,
Depois ,me arrependi eternamente .
KEL
A GAROTA DO CABELO ENROLADO
Me perguntava se realmente, isso poderia ser o tal do amor?
Aquele riso para mim, era como uma melodia que me fazia
Não querer mais nada além de você, o pior castigo era os
Dias sem te ver, talvez ela não sinta o mesmo por mim, mesmo assim,
A garota do cabelo enrolado é a que eu desejo ter ao meu lado.
Darlan de Matos Cunha
Milagre dos peixes
Não recordo como eras no último outono, mas
embora passado pouco tempo, os peixes
chamando por ti, e com o assunto reclamando vistas,
fui aos peixes, não a milagres
que pudesse talvez o amor fazer; por isso não me lembro
como eras no último verão em que salgamos em demasia
a carne, e logo se fez tenebroso inverno, e sob a capa de gelo
nenhum peixe foi mais possível. Nada.
Restou a ponte da amizade.
***
Darlan M Cunha. O ar em seu estado natural - Textos sobre letras do Clube da Esquina.
Editora CBJE, Rio de Janeiro, 2010, p. 40
Darlan de Matos Cunha
Sancho Pança revisitado
Prepara-te, Sancho, para os encontros e as despedidas de hoje, que os ângulos do amanhã não podem esperaar (serás governador, porque o delirante prometeu-te).
Areja então as mãos com o sumo do espanto, e conta mais aforismos e pilhérias que mantenham cegos de riso
os da feira - pura filosofia entre legumes e frutas e vinho.
Ao longe o mar, do outro lado da rua
luz trêmula, luz de melaço, sempre um teatro por fazer
num lugar por visitar; Prepara-te, velho poltrão,
que o mundo te quer sempre rolando feito um seixo.
Sirlânio Jorge Dias Gomes (R)
Propósito
Em suas asas de lugar incerto,
Desígnio aos olhos,
Abrigo de um deleitoso maná,
Estes cartapácios que chegam de lá,
Erudito pouso eminente dos versos,
Substancial segredo refúgio.
O encanto desabrocha em páginas,
Ápice adorável peregrino,
Atalhos de emoções,
De sentenças alusões.
PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT
VEM COMIGO!

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