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natalia nuno
no vazio...
passaram os anos de maior vigor
agora amor...vamos acenando à vida
com um adeus animador
seguimos com coragem
esta viagem, incansavelmente
já que a vontade de viver
ancora ainda no nosso horizonte
e tudo faremos para a manter
às vezes, a taciturnidade se abeira de mim
e logo uma saudade sem fim
a querer perpetuar o horizonte dos meus sonhos.
o tempo invisível, partiu
apagando-se no silêncio, no vazio
num lamento doentio...a alegria já emudece
surgem , lágrimas e pensamentos de
resignação,
a este tempo que nos isola,
que à nossa pele se agarra como uma
prisão,
trago a sede no ouvido, do meu riso
trago sede de regressar ao calor do teu olhar
escondo-me num recanto da memória
e é aí que sei amar-te
ocupo os degraus da minha imaginação
fujo dos golpes e dos redemoinhos
levo-te no coração
e por atalhos vou sonhando à procura
de outros caminhos.
o tempo não abdica nem de ti, nem de mim
escuta os relógios e a sua pressa
sempre com a mesma obsessão... a de nos levar o coração
mas em nós habitarão quimeras sem fim.
natalia nuno
rosafogo
agora amor...vamos acenando à vida
com um adeus animador
seguimos com coragem
esta viagem, incansavelmente
já que a vontade de viver
ancora ainda no nosso horizonte
e tudo faremos para a manter
às vezes, a taciturnidade se abeira de mim
e logo uma saudade sem fim
a querer perpetuar o horizonte dos meus sonhos.
o tempo invisível, partiu
apagando-se no silêncio, no vazio
num lamento doentio...a alegria já emudece
surgem , lágrimas e pensamentos de
resignação,
a este tempo que nos isola,
que à nossa pele se agarra como uma
prisão,
trago a sede no ouvido, do meu riso
trago sede de regressar ao calor do teu olhar
escondo-me num recanto da memória
e é aí que sei amar-te
ocupo os degraus da minha imaginação
fujo dos golpes e dos redemoinhos
levo-te no coração
e por atalhos vou sonhando à procura
de outros caminhos.
o tempo não abdica nem de ti, nem de mim
escuta os relógios e a sua pressa
sempre com a mesma obsessão... a de nos levar o coração
mas em nós habitarão quimeras sem fim.
natalia nuno
rosafogo
319
beijaflor
Beija flor
Beija-Flor
E de noite eu fico meio assim ,meio solta , meio bamba, meio planando pelo travesseiro. Já fui de ontem a hoje e de hoje para meu casamento que era lá em dezembro, voltei pros meus 15anos e minhas tragédias amorosas, viajei pelo meu primeiro neto e o último cachorro. Me deixei imaginar e fui me perdendo entre sonho e memoria, foi juntando tudo o que eu queria com tudo o que faltava e no final de tudo que restou, não restou quase nada que já não fosse eu.
O espelho me traindo, mostrando mentiras, faltavam óculos nas pessoas que me olhavam feito louca, mal sabiam elas que esse era só o lado de fora, mas ai ficou tudo ao contrario de repente, e aquele jeito irritante d falar era o meu, eu fui me amargando e esconderam o adoçante.
Só jogavam limões mas limonada precisa de açúcar, e lá fui eu em ruas e avenidas, procurando um tal de doce tão difícil de encontrar. Procurei em parques e estacionamentos, já estava ficando tonta de procurar no lugar errado, ai fui me revirando e desdobrando esse dobrado e ai que tava o fato que ocultava o amargo, era toda essa roupa, esse tanto de carne, e um bando de ossos que escondiam a verdade. Ai fui me adoçando, de dentro pra fora, e indo de pouquinho em pouquinho pedindo pra roubar o mel alheio nas pessoas.
E ai me vi no espelho completamente louca, mas mal sabia eu que isso era só uma metade, como um kiwi tão feio, ou uma melancia, a casca escondia o que tinha dentro da barriga, e mais dentro ainda, lá bem no fundo, no reflexo desse espelho só tinha açúcar.
Foi ai que acordei, desse sonho acordado, o coelho já passou a muito tempo atrasado, e agora já deu a minha hora, hora de levantar e parar de ser egoísta e de guardar tanto açúcar só pra mim. Ele não me faz mal, muito menos diabética, mas ainda tem muito suco ruim por ai pelo mundo. É muito limão escorrendo pela garganta, pela ferida e pelo mar, já tá na hora de concertar esse jeito malfeito de se tomar, tomando em doses curtas, e descendo muito rápido, entontecendo a mente essa tal de uma vida. Estão servindo errado, avisa ao barman, que é pra vim em doses longas e com muito mais açúcar.
Jaja vai amanhecer, tenho que pousar na cama, parar de passear a essa hora por tanta estrada escondida, guardar as minhas armas de canudos e pirulito. A noite já acabou, mas o turno só começa, tem muito estoque ainda no armário. E para os meus guerreiros, só não esqueçam o mapa, da fonte do cristal, nosso tráfico açucarado não pode parar, enquanto houver shots de vida servidos errados vamos lutar.
Agora e sempre, só por um pouquinho mais de açúcar.
E de noite eu fico meio assim ,meio solta , meio bamba, meio planando pelo travesseiro. Já fui de ontem a hoje e de hoje para meu casamento que era lá em dezembro, voltei pros meus 15anos e minhas tragédias amorosas, viajei pelo meu primeiro neto e o último cachorro. Me deixei imaginar e fui me perdendo entre sonho e memoria, foi juntando tudo o que eu queria com tudo o que faltava e no final de tudo que restou, não restou quase nada que já não fosse eu.
O espelho me traindo, mostrando mentiras, faltavam óculos nas pessoas que me olhavam feito louca, mal sabiam elas que esse era só o lado de fora, mas ai ficou tudo ao contrario de repente, e aquele jeito irritante d falar era o meu, eu fui me amargando e esconderam o adoçante.
Só jogavam limões mas limonada precisa de açúcar, e lá fui eu em ruas e avenidas, procurando um tal de doce tão difícil de encontrar. Procurei em parques e estacionamentos, já estava ficando tonta de procurar no lugar errado, ai fui me revirando e desdobrando esse dobrado e ai que tava o fato que ocultava o amargo, era toda essa roupa, esse tanto de carne, e um bando de ossos que escondiam a verdade. Ai fui me adoçando, de dentro pra fora, e indo de pouquinho em pouquinho pedindo pra roubar o mel alheio nas pessoas.
E ai me vi no espelho completamente louca, mas mal sabia eu que isso era só uma metade, como um kiwi tão feio, ou uma melancia, a casca escondia o que tinha dentro da barriga, e mais dentro ainda, lá bem no fundo, no reflexo desse espelho só tinha açúcar.
Foi ai que acordei, desse sonho acordado, o coelho já passou a muito tempo atrasado, e agora já deu a minha hora, hora de levantar e parar de ser egoísta e de guardar tanto açúcar só pra mim. Ele não me faz mal, muito menos diabética, mas ainda tem muito suco ruim por ai pelo mundo. É muito limão escorrendo pela garganta, pela ferida e pelo mar, já tá na hora de concertar esse jeito malfeito de se tomar, tomando em doses curtas, e descendo muito rápido, entontecendo a mente essa tal de uma vida. Estão servindo errado, avisa ao barman, que é pra vim em doses longas e com muito mais açúcar.
Jaja vai amanhecer, tenho que pousar na cama, parar de passear a essa hora por tanta estrada escondida, guardar as minhas armas de canudos e pirulito. A noite já acabou, mas o turno só começa, tem muito estoque ainda no armário. E para os meus guerreiros, só não esqueçam o mapa, da fonte do cristal, nosso tráfico açucarado não pode parar, enquanto houver shots de vida servidos errados vamos lutar.
Agora e sempre, só por um pouquinho mais de açúcar.
122
Antonio Aury
Privilégios
Por que esnoba tanto assim, rapaz?
É porque ganho demais!
Eu sou um empresário de atitude
Tenho negócios na saúde
Dinheiro da educação!
Sou sócio em muita repartição
Sou um homem muito ocupado
Pois me tornei deputado
Com o voto da população!
Por que esnoba tanto assim, rapaz?
É porque ganho demais!
Eu trabalho lá em Brasília
Separado da família
Recebo uma contribuição
E as benesses do mercado
Por fora é só um milhão!
Eu sempre tenho esperança
Aguardo toda votação
Que me perdoe se é criança
Recebo mais de um milhão!
Por que esnoba tanto assim,rapaz?
É porque ganho demais!
É porque ganho demais!
Eu sou um empresário de atitude
Tenho negócios na saúde
Dinheiro da educação!
Sou sócio em muita repartição
Sou um homem muito ocupado
Pois me tornei deputado
Com o voto da população!
Por que esnoba tanto assim, rapaz?
É porque ganho demais!
Eu trabalho lá em Brasília
Separado da família
Recebo uma contribuição
E as benesses do mercado
Por fora é só um milhão!
Eu sempre tenho esperança
Aguardo toda votação
Que me perdoe se é criança
Recebo mais de um milhão!
Por que esnoba tanto assim,rapaz?
É porque ganho demais!
165
RicardoC
CONHECENÇA
Mas como é bom rever a ponta aguda
Depois de navegar por mar aberto!...
Saber-me do canal de novo perto,
Onde aos olhos cada angra se desnuda.
Pelos costões de pedra ir sem ajuda
Até topar co'o cabo indescoberto.
E em todo o litoral quase deserto,
Reconhecer mesmo a ilha mais miúda.
Dos rasos de arrecifes e de abrolhos
Passei ao largo pondo longos olhos
Para avistar enfim a extensa costa.
Agora é só fundear a embarcação
No estuário d'água doce d'um rincão
Onde coisa nenhuma me desgosta.
Ubatuba - 16 07 2017
Depois de navegar por mar aberto!...
Saber-me do canal de novo perto,
Onde aos olhos cada angra se desnuda.
Pelos costões de pedra ir sem ajuda
Até topar co'o cabo indescoberto.
E em todo o litoral quase deserto,
Reconhecer mesmo a ilha mais miúda.
Dos rasos de arrecifes e de abrolhos
Passei ao largo pondo longos olhos
Para avistar enfim a extensa costa.
Agora é só fundear a embarcação
No estuário d'água doce d'um rincão
Onde coisa nenhuma me desgosta.
Ubatuba - 16 07 2017
962
Adrenalina
Lucidez
O quão iluminado foi
Deixaste de ser
De longa, para curta
Quase se esvaindo com o ar
A minha sanidade veio a dançar na beira do abismo
Inerentemente já estava atraída por você
O tempo foi efêmero, logo me vi sem você
Deixaste de ser
De longa, para curta
Quase se esvaindo com o ar
A minha sanidade veio a dançar na beira do abismo
Inerentemente já estava atraída por você
O tempo foi efêmero, logo me vi sem você
912
natalia nuno
no ocaso da vida...
Ando nas coisas do tempo perdida
perdida como o jorro duma fonte
que canta...canta ferida!
no esquecimento do monte.
numa noite qualquer
com ou sem luar
hei-de gritar
o que não pode morrer!
Abrir de par em par
a alma, erguendo-me com rebeldia
e meu grito há-de ressoar
melhor do que a palavra faria.
quando a minha mão cessar
e não haja mais que esquecimento
e seja um longo calar?!
meu tempo será apenas um momento
e na mão que palavras escrevia
não creio que haja mais nada
só resignação fria e sombria.
ou uma esperança desolada.
Ando nas coisas do tempo perdida
vão-se as horas os minutos vagueiam,
pela minha atenção distraida.
na mente lembranças se passeiam,
no ocaso da vida.
e o olhar permanece atento,
aberto de par em par
com a suspeita da morte
que um dia vai chegar.
A vida foge para um sítio
onde nos resta esperar.
rosafogo
natalia nuno
perdida como o jorro duma fonte
que canta...canta ferida!
no esquecimento do monte.
numa noite qualquer
com ou sem luar
hei-de gritar
o que não pode morrer!
Abrir de par em par
a alma, erguendo-me com rebeldia
e meu grito há-de ressoar
melhor do que a palavra faria.
quando a minha mão cessar
e não haja mais que esquecimento
e seja um longo calar?!
meu tempo será apenas um momento
e na mão que palavras escrevia
não creio que haja mais nada
só resignação fria e sombria.
ou uma esperança desolada.
Ando nas coisas do tempo perdida
vão-se as horas os minutos vagueiam,
pela minha atenção distraida.
na mente lembranças se passeiam,
no ocaso da vida.
e o olhar permanece atento,
aberto de par em par
com a suspeita da morte
que um dia vai chegar.
A vida foge para um sítio
onde nos resta esperar.
rosafogo
natalia nuno
270
natalia nuno
hora de recordar...
semeio palavras na aragem do vento
palavras com aroma de infância
passeiam-se pelo firmamento,
crescem na claridade do meu olhar
na saudade ao lembrar
sussuram por entre os lírios do campo
palavras onde me encontro brincando
e nelas meu coração pulsando...
minha alma segue nesta melancolia
a vida fugidia e
cada paisagem me lembra um rosto
amigo, cantam as papoilas, o rio
e os melros seu assobio
palavras rasgam o arvoredo
e seguem do meu coração sem medo
natalia nuno
palavras com aroma de infância
passeiam-se pelo firmamento,
crescem na claridade do meu olhar
na saudade ao lembrar
sussuram por entre os lírios do campo
palavras onde me encontro brincando
e nelas meu coração pulsando...
minha alma segue nesta melancolia
a vida fugidia e
cada paisagem me lembra um rosto
amigo, cantam as papoilas, o rio
e os melros seu assobio
palavras rasgam o arvoredo
e seguem do meu coração sem medo
natalia nuno
361
natalia nuno
trovas antigas...soltas
A trova é para troar
Aos sete ventos pois então!
Se a trova queres travar?
vais morrer de solidão.
Trova-se na madrugada
Ao doce alvor da manhã
se a trova fôr travada
Enrusbece como a romã.
Ai...de que me serve a vida
Se há nela tanta mentira...
Trago a esperança perdida
Que até a crença me tira.
Vestígios, do que se foi
Prós quais não há remedio
É dor que existe e que dói
E traz à vida algum tédio.
S há dor que nunca passa
é tempestade ou bonança?
Sofrer pra nossa desgraça
é deixar morrer a esperança.
natalia nuno
rosafogo
Aos sete ventos pois então!
Se a trova queres travar?
vais morrer de solidão.
Trova-se na madrugada
Ao doce alvor da manhã
se a trova fôr travada
Enrusbece como a romã.
Ai...de que me serve a vida
Se há nela tanta mentira...
Trago a esperança perdida
Que até a crença me tira.
Vestígios, do que se foi
Prós quais não há remedio
É dor que existe e que dói
E traz à vida algum tédio.
S há dor que nunca passa
é tempestade ou bonança?
Sofrer pra nossa desgraça
é deixar morrer a esperança.
natalia nuno
rosafogo
382
natalia nuno
não me falem do tempo...
Não me falem do tempo
Atormentam-me os receios
A saudade entranhada em
mim vive
Não me falem do tempo
Povoa os meus sonhos,
os meus devaneios.
E se ilusões tive?
São agora rios de desespero
Partiram as esperanças
Mas eu espero
Pelas folhas que hão-de verdejar
As lembranças, hão-de voltar!
E hão-de rebentar flores
Passarão rios a cantar
Hei-de lembrar todos os amores
Até o derradeiro olhar apagar.
É grande a minha esperança
Meus olhos são ainda os da criança
Onde habitam assombros
Ainda acreditam na felicidade
Ainda que carregue nos ombros
Uma menina morta de saudade.
Se meus olhos partirem
Minhas mãos caírem
Com tantos cansaços
Não me falem do tempo
Deixem que siga meus passos
Que mais dias possa colher
Que sejam seara de trigo a
crescer.
rosafogo
natalia nuno
Atormentam-me os receios
A saudade entranhada em
mim vive
Não me falem do tempo
Povoa os meus sonhos,
os meus devaneios.
E se ilusões tive?
São agora rios de desespero
Partiram as esperanças
Mas eu espero
Pelas folhas que hão-de verdejar
As lembranças, hão-de voltar!
E hão-de rebentar flores
Passarão rios a cantar
Hei-de lembrar todos os amores
Até o derradeiro olhar apagar.
É grande a minha esperança
Meus olhos são ainda os da criança
Onde habitam assombros
Ainda acreditam na felicidade
Ainda que carregue nos ombros
Uma menina morta de saudade.
Se meus olhos partirem
Minhas mãos caírem
Com tantos cansaços
Não me falem do tempo
Deixem que siga meus passos
Que mais dias possa colher
Que sejam seara de trigo a
crescer.
rosafogo
natalia nuno
314
natalia nuno
como tudo pôde mudar um dia?!...
à tardinha a terra é morna
rejubila o meu coração de outono
à memória sempre torna
aquele aroma da infância
onde a sonhar me abandono
trago a ânsia das estrelas
o delírio de voar
dou-me conta dos sentimentos
da saudade que não sei calar.
a vida outrora me dava alegria
como pôde tudo mudar um dia?
na memória sobrevive o que amamos
o que trazemos ainda no coração
o rio, o loureiro, o carreiro
o nosso chão...
cresceu o trigo, cheira a pão
lá vou eu criança levada p'la mão
cheiro a fumo, o fogo é lento
vejo as chamas a dançar
cresce-me um sorriso
afinal nada caíu no esquecimento.
natalia nuno
rejubila o meu coração de outono
à memória sempre torna
aquele aroma da infância
onde a sonhar me abandono
trago a ânsia das estrelas
o delírio de voar
dou-me conta dos sentimentos
da saudade que não sei calar.
a vida outrora me dava alegria
como pôde tudo mudar um dia?
na memória sobrevive o que amamos
o que trazemos ainda no coração
o rio, o loureiro, o carreiro
o nosso chão...
cresceu o trigo, cheira a pão
lá vou eu criança levada p'la mão
cheiro a fumo, o fogo é lento
vejo as chamas a dançar
cresce-me um sorriso
afinal nada caíu no esquecimento.
natalia nuno
337
natalia nuno
nos teus olhos o céu...
beija-me como no sonho da juventude
olha-me com a plenitude desse teu olhar
e eu serei o aroma fragrante que esfuma
a labareda ou a queda
a realidade ou já só a saudade...
a dor ou a doçura, a noite que murmura
a memória duma vida em seu ar distante
tua mulher e amante.
o tempo vai quebrando laços
vai desfazendo nossos passos
vai espiando a ocasião
enlaça-nos numa intranquila solidão.
refugia-se nos meus olhos
este desmesurado amor...
enquanto a tua boca me entrega
o júbilo aceso duma flor.
o tempo todo vem perdurando em mim
a jovem chama, que me põe a mente
incendiada, traz-me a tua recordação e eu,
tropeçando, caída e cansada ainda assim.
vejo nos teus olhos o céu...
e no teu corpo o único destino meu.
natalia nuno
rosafogo
olha-me com a plenitude desse teu olhar
e eu serei o aroma fragrante que esfuma
a labareda ou a queda
a realidade ou já só a saudade...
a dor ou a doçura, a noite que murmura
a memória duma vida em seu ar distante
tua mulher e amante.
o tempo vai quebrando laços
vai desfazendo nossos passos
vai espiando a ocasião
enlaça-nos numa intranquila solidão.
refugia-se nos meus olhos
este desmesurado amor...
enquanto a tua boca me entrega
o júbilo aceso duma flor.
o tempo todo vem perdurando em mim
a jovem chama, que me põe a mente
incendiada, traz-me a tua recordação e eu,
tropeçando, caída e cansada ainda assim.
vejo nos teus olhos o céu...
e no teu corpo o único destino meu.
natalia nuno
rosafogo
368
Richard Teixeira
idas
O que é a vida perante aos olhos juvenis?
Só farra e diversão!
Ninguém nunca imagina o que está por acontecer.
Morte ou tragédia,
Tudo não passa de frações de segundos.
Sonhos que agora são cinzas.
E agora, o que ouvimos?
Só choro!
Lágrimas solitárias a pingar ...
Só farra e diversão!
Ninguém nunca imagina o que está por acontecer.
Morte ou tragédia,
Tudo não passa de frações de segundos.
Sonhos que agora são cinzas.
E agora, o que ouvimos?
Só choro!
Lágrimas solitárias a pingar ...
408
fernanda_xerez
ZOEIRA FAZER POESIA RIMADA

121
Antonio Aury
Samba da Comunhão
Como Jesus a pregar
a igualdade entre os homens em todos os cantos:
nas vilas, favelas,cidades, nos campos e
em todo lugar!
La, la, la, la,
Meu samba é o sol irradiante
que a esperança trará
É o samba da paz e da harmonia
Quem canta meu samba prova da mais pura alegria
Prova da Liberdade todo dia
Vendo a vida melhorar!
É um samba que ninguém guardou segredo
Pois Jesus canta sem medo
Seu samba em todo lugar!
Jesus Cristo em qualquer situação
canta o samba da comunhão!
Em forma de samba-canção ou samba-enredo
Um samba da fraternidade,
ensina a humanidade
Sempre com este refrão:
Aprenda a dividir o pão!
133
natalia nuno
espelho meu...
Abrem-se sulcos no rosto
o tempo acumula-se amadurecido
o sorriso perdido
onde não resta nem brilho no olhar
e é já sol-posto.
os mares dos olhos secaram
as lágrimas a recolher-se
eles que tanto sorriram
trazem rios de nostalgia a esconder-se
a lição repetida
vive-se de sonho e ilusão
o coração não sara
e o tempo não pára!
na moldura dourada amor vivido
por nós jamais esquecido
a saudade faz-se antecipação
vangloria-se o tempo campeão.
volto à raiz de mim
às coisas que não esqueço
e não me reconheço!
interpelo o espelho
que nada esconde
também ele velho.
e às perguntas
nem um ai me responde,
o tempo abutre ou serpente
a vida eterno trovejar
morrendo continuamente
e nascendo a cada instante
num gesto ou num olhar
o peito trovejando
numa raiva feroz
e a vida passando
como raio veloz,
rasgando-o sem dó,
noite negra sem rumo
sequiosa, desatando o nó
desfazendo-se em fumo.
natalia nuno
rosafogo
o tempo acumula-se amadurecido
o sorriso perdido
onde não resta nem brilho no olhar
e é já sol-posto.
os mares dos olhos secaram
as lágrimas a recolher-se
eles que tanto sorriram
trazem rios de nostalgia a esconder-se
a lição repetida
vive-se de sonho e ilusão
o coração não sara
e o tempo não pára!
na moldura dourada amor vivido
por nós jamais esquecido
a saudade faz-se antecipação
vangloria-se o tempo campeão.
volto à raiz de mim
às coisas que não esqueço
e não me reconheço!
interpelo o espelho
que nada esconde
também ele velho.
e às perguntas
nem um ai me responde,
o tempo abutre ou serpente
a vida eterno trovejar
morrendo continuamente
e nascendo a cada instante
num gesto ou num olhar
o peito trovejando
numa raiva feroz
e a vida passando
como raio veloz,
rasgando-o sem dó,
noite negra sem rumo
sequiosa, desatando o nó
desfazendo-se em fumo.
natalia nuno
rosafogo
251
Frederico de Castro
Nos claustros do tempo

Impassível ficou o silêncio
Quase que propositadamente
Desertou e flagelou a solidão assim eficazmente
Aconchego tua sombra pois que a noite
No seu covil colecta toda a luz trazida
No cargueiro do tempo que chega depois ressarcido
Nas docas da minha solidão aportam navios de
Saudades imensas alimentando os fiordes da memória
Onde aplaco cada lamento inamovível...quase claustral
Súbita chega a noite atapetando o marmóreo silêncio
Onde incólume pousa uma lágrima solitária obturando
Pra sempre aquela hora fulcral uivando autoritária
Frederico de Castro
958
natalia nuno
à tua espera...
os dias parecem longos
sobretudo quando as flores morrem depressa
e logo a ânsia com que a saudade regressa...
espreguiçam-se as recordações na memória
e longas são as emoções.
vai a morrer a tarde, sigo contigo
de mão na mão, cabelos ao vento
e tu acendes em mim o desejo
dum beijo, outro beijo, e eu sonhando possuo o mundo
neste desejo tão profundo...
os dias parecem longos, passo por eles a medo
a dor não passa, a dor da saudade
desse amor, que vou recordando em segredo.
os dias passam... para mim minto
crendo que ainda plantarei flores na primavera
à chegada dos pássaros dir-te-ei o que sinto
e assim, remoendo o tempo, reenvento sonhos
à tua espera...
os dias não me trazem recados teus
por detrás das cortinas há lampejos de lua
deixam remediados os sonhos meus,
é a hora da loucura, dos abraços,
dias repetidos de saudade nua
da carne a envelhecer ...do sonho a morrer.
o tempo, vai agora bordando o silêncio
é tempo do coração quieto e sereno, da solidão
e dos dias que parecem longos, doridos, vazios,
onde adormeceram as emoções, uma ou outra dor ainda,
a saudade que não finda e
uma peregrinação de recordações.
natália nuno
rosafogo
sobretudo quando as flores morrem depressa
e logo a ânsia com que a saudade regressa...
espreguiçam-se as recordações na memória
e longas são as emoções.
vai a morrer a tarde, sigo contigo
de mão na mão, cabelos ao vento
e tu acendes em mim o desejo
dum beijo, outro beijo, e eu sonhando possuo o mundo
neste desejo tão profundo...
os dias parecem longos, passo por eles a medo
a dor não passa, a dor da saudade
desse amor, que vou recordando em segredo.
os dias passam... para mim minto
crendo que ainda plantarei flores na primavera
à chegada dos pássaros dir-te-ei o que sinto
e assim, remoendo o tempo, reenvento sonhos
à tua espera...
os dias não me trazem recados teus
por detrás das cortinas há lampejos de lua
deixam remediados os sonhos meus,
é a hora da loucura, dos abraços,
dias repetidos de saudade nua
da carne a envelhecer ...do sonho a morrer.
o tempo, vai agora bordando o silêncio
é tempo do coração quieto e sereno, da solidão
e dos dias que parecem longos, doridos, vazios,
onde adormeceram as emoções, uma ou outra dor ainda,
a saudade que não finda e
uma peregrinação de recordações.
natália nuno
rosafogo
393
natalia nuno
a viagem...
A este caminho não voltarei
Nem depressa nem devagar
Nem perdida com ele me cruzarei
E nem rasto vou nele deixar.
Só palavras apagadas
No fundo dum velho poço
Em águas estagnadas
Gritando...ah, só eu ouço.
Serão meu uivo de dor
Resíduos da minha inquietação
Restos de lágrimas sem cor
Lava fria, cinzas da erupção.
Caminho cujo horizonte não sei
Ou finjo ignorar...
Só sei que nele sonhei
Ser nuvem sempre a avançar.
Não levo mapa nem destino
Levo no rosto a indiferença
Caminho qual peregrino
Com Deus e sua presença.
natalia nuno
Rosafogo
Nem depressa nem devagar
Nem perdida com ele me cruzarei
E nem rasto vou nele deixar.
Só palavras apagadas
No fundo dum velho poço
Em águas estagnadas
Gritando...ah, só eu ouço.
Serão meu uivo de dor
Resíduos da minha inquietação
Restos de lágrimas sem cor
Lava fria, cinzas da erupção.
Caminho cujo horizonte não sei
Ou finjo ignorar...
Só sei que nele sonhei
Ser nuvem sempre a avançar.
Não levo mapa nem destino
Levo no rosto a indiferença
Caminho qual peregrino
Com Deus e sua presença.
natalia nuno
Rosafogo
315
natalia nuno
Vôo transparente...
a simples lembrança duma festa
um arco-íris que penetra na memória
não é só data nem história
é a grinalda de rosas caída do ramo
o coração exultando de paixão
e sílabas soletrando...te amo, te amo.
a alegria natural da juventude
no dia um resplendor que canta
nas nuvens uma gaivota que surge
do sonho brota uma música que encanta
foram horas que abraçámos
que abrem ainda com suas chaves
os sonhos que sonhámos...
amar-te é então lembrança
é guardar em mim o cheiro do alecrim
é ser parte de ti, voar no teu sangue
num contínuo pulsar, é ser teu rio,
teu mar, tua segunda pele
a tua manhã de sol ofegante
o teu diamante ...
natalia nuno
rosafogo
um arco-íris que penetra na memória
não é só data nem história
é a grinalda de rosas caída do ramo
o coração exultando de paixão
e sílabas soletrando...te amo, te amo.
a alegria natural da juventude
no dia um resplendor que canta
nas nuvens uma gaivota que surge
do sonho brota uma música que encanta
foram horas que abraçámos
que abrem ainda com suas chaves
os sonhos que sonhámos...
amar-te é então lembrança
é guardar em mim o cheiro do alecrim
é ser parte de ti, voar no teu sangue
num contínuo pulsar, é ser teu rio,
teu mar, tua segunda pele
a tua manhã de sol ofegante
o teu diamante ...
natalia nuno
rosafogo
265
PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT
ESTA NOITE SERÁ UMA EXCEÇÃO. VOU DEVORAR TUA ALMA!

2 108
Richard Teixeira
Liber(idade)
Como é bom se libertar
Dá penas às asas,
cortar as algemas
Rumo a um mundo vago e disperso.
Como és bom poder viver
aceitar seus instintos
Aceitar que quem nasce presa
Jamais será predador.
Como é bom ter ação e poder reagir
Tornar - se submisso à submissão.
Dá penas às asas,
cortar as algemas
Rumo a um mundo vago e disperso.
Como és bom poder viver
aceitar seus instintos
Aceitar que quem nasce presa
Jamais será predador.
Como é bom ter ação e poder reagir
Tornar - se submisso à submissão.
385
natalia nuno
entre ser, e não ser nada...
há sempre uma hora que morre
deixa meu coração ermo
e minha face amadurecida
na solidão...
minhas mãos me parecem alheias
de rabiscos cheias
com poesia inacabada
entre ser e não ser nada.
ao redor a escuridão me cerca,
na mão a bagagem triste
percorro um corredor sombrio
meu tempo se enche de vazio
e frialdade...já nem sei o que existe
sou solidão e saudade!
mais uma hora morta
como impedi-la de passar?!
ouço os passos do tempo,
deste tempo que teima meu sonho
quebrar.
esta hora é tudo que resta
vejo passar os dias um a um
e já nem sei a idade
e como se não restasse nenhum,
meu sonho
permanece na obscuridade.
tudo parou na tarde que morre
parar o tempo como queria!
rente à sombra das àrvores a escuridão
a noite desce, não há saída
morreu o dia,
a noite traz-me o sonho p'la mão
amanhã haverá novo sentido
para a vida.
natalia nuno
deixa meu coração ermo
e minha face amadurecida
na solidão...
minhas mãos me parecem alheias
de rabiscos cheias
com poesia inacabada
entre ser e não ser nada.
ao redor a escuridão me cerca,
na mão a bagagem triste
percorro um corredor sombrio
meu tempo se enche de vazio
e frialdade...já nem sei o que existe
sou solidão e saudade!
mais uma hora morta
como impedi-la de passar?!
ouço os passos do tempo,
deste tempo que teima meu sonho
quebrar.
esta hora é tudo que resta
vejo passar os dias um a um
e já nem sei a idade
e como se não restasse nenhum,
meu sonho
permanece na obscuridade.
tudo parou na tarde que morre
parar o tempo como queria!
rente à sombra das àrvores a escuridão
a noite desce, não há saída
morreu o dia,
a noite traz-me o sonho p'la mão
amanhã haverá novo sentido
para a vida.
natalia nuno
329
Richard Teixeira
Poema a um professor
Desde cedo até tarde,
dos primeiros passos até as primeiras palavras.
Profissão privilegiada,
única em que ensina o que aprende,
transmite sinceridade.
Arte inegável de ser indiferente ao artista,
irreverente ao palco,
quando ensina o bem desintegra o mal abstendo o incomparável.
Desde os primórdios da vida
es seu o mérito de se fazer seres complexos,
racionais, íntegros da vossa sabedoria,
ouvintes da fossa essência,
arte de fazer gente.
dos primeiros passos até as primeiras palavras.
Profissão privilegiada,
única em que ensina o que aprende,
transmite sinceridade.
Arte inegável de ser indiferente ao artista,
irreverente ao palco,
quando ensina o bem desintegra o mal abstendo o incomparável.
Desde os primórdios da vida
es seu o mérito de se fazer seres complexos,
racionais, íntegros da vossa sabedoria,
ouvintes da fossa essência,
arte de fazer gente.
481
natalia nuno
floriram palavras na palavra...
Este poema carrega a saudade
Adormece e acorda comigo
É um vento forte que corre na tarde
E p'la noite é insónia ou castigo.
Este poema é um regato alegre a serpentear
É uma seara de trigo a crescer
É a saudade que me faz lembrar
O cheiro dos laranjais a florescer.
Este poema sou eu às árvores trepando
Sou eu menina descalça vadia
Que corre na carroça do tempo, levando
Cabelos ao vento, barriga vazia.
Este poema onde me fico a relembrar
Os caminhos e os sonhos que eu desafiei
Volta que volta à minha volta a girar
Poema da minha alma que não calarei.
Poema que sinto que me persegue
Me corre nas veias e a palavra abraça
Poema que quer que à saudade me entregue
Um cântico, um grito. um amor que não passa.
Lembranças, anseios tudo ele tem
Poema do querer que sinto de lhe querer bem.
rosafogo
natalia nuno
Adormece e acorda comigo
É um vento forte que corre na tarde
E p'la noite é insónia ou castigo.
Este poema é um regato alegre a serpentear
É uma seara de trigo a crescer
É a saudade que me faz lembrar
O cheiro dos laranjais a florescer.
Este poema sou eu às árvores trepando
Sou eu menina descalça vadia
Que corre na carroça do tempo, levando
Cabelos ao vento, barriga vazia.
Este poema onde me fico a relembrar
Os caminhos e os sonhos que eu desafiei
Volta que volta à minha volta a girar
Poema da minha alma que não calarei.
Poema que sinto que me persegue
Me corre nas veias e a palavra abraça
Poema que quer que à saudade me entregue
Um cântico, um grito. um amor que não passa.
Lembranças, anseios tudo ele tem
Poema do querer que sinto de lhe querer bem.
rosafogo
natalia nuno
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