Lista de Poemas
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Carlos Geraldino
soneca de Sócrates
agora
garoa
na Ágora
LUIZ GONZAGA DE PAULA
SAGA
SAGA
O vento sopra seus cabelos,
Seu rosto queima no rubor das faces.
Você queria ter ido embora, mas lhe faltou coragem!
Sigo viagem num cavalo alado,
Desejo que a noite nunca se acabe!
Enquanto houver estradas e avisos,
Não irei desfazer as minhas tralhas.
A lua ilumina a madrugada imensa,
Torna-nos a jornada mais tranqüila.
Quando amanhecer devemos estar bem longe,
Se possível já tiver atravessado o rio.
Existem mil estrelas cintilantes,
E os vaga-lumes nos mostram o caminho.
Viver é padecer contente,
Até parece que a vida adivinha.
Se essa noite já não foi o bastante,
Espero que em outra ainda seja minha!
Se a caminhada é essa labuta,
Que fica no peito e transparece.
Já dividimos muitos dias claros,
Mas há outros tantos que nem amanhece.
Um grito rouco me rasga a garganta,
E nem parece certo se vamos prosseguir,
O que se espera de nós viajantes,
É apenas a hora de partir!
Quem traz a sede de seus lábios,
Já conhece a distância da ilusão.
Por mais estrada que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra,
Sem antes beijar a sua mão!
Mesmo que o corpo ceda estropiado,
Esta fé cega nunca desanima.
Contudo e o medo preso nessa cela,
Abra a janela vem me dar um beijo!
Desejo o corpo e ante o cansaço,
Caia em meus braços oh linda menina!
Se a trama nos dita o destino,
Não vou ficar sozinho aqui parado.
E quando o sol da manha se abrir,
Contigo espero estar do outro lado.
Senhorita nossa de tão doce encanto,
A quero mais que essa vertigem.
Santa tão pura desfaz meus pecados,
Dê a minha alma a justa redenção.
Pois o que vivi extrapolando tudo,
Só me resta agora ter o seu perdão!
Elias Akhenaton
ALMA CAMINHEIRA
Assim é minh’Alma caminheira
Viajando e trilhando longas estradas
Do meu Sagrado destino...
E em minhas andanças tenho
Contemplado alguns fenômenos
Naturais como o Crepúsculo do sol
Se pondo na linha do horizonte
Deixando um halo de Luz avermelhado
Que divinamente
Desaparece...
São prenúncios,
Prelúdios
Místicos
De uma noite serena, enluarada
E encantada...
É o momento de quietude da
Minh’Alma cigana.
E sob o brilho das Estrelas no Céu
Com os cintilantes pisca-piscas
Dos pirilampos, adormeço
Sobre a relva macia...
Tenho sonhos com o VERDE
Esperança da Mãe natureza
Em toda sua plenitude,
Sutileza e beleza...
Sonho com flores e suas
Delicadas pétalas coloridas
Flutuando soltas no ar
E o leve toque do seu perfume
A impregnar o meu sonhar...
E lá está à rosa VERMELHA
Com a sua cor de pura emoção
E sedução
A aflorar todo meu ser
Numa grande paixão...
Ao acordar sinto em meus lábios
Gotículas de orvalho da madrugada
E ao meu lado a rubra flor delicada.
Transformando em realidade
Os meus sonhos de quimera...
No oriente meus olhos vislumbram
O nascer de uma nova Aurora
Um novo dia se inicia
E lindamente principia...
E o sol no céu totalmente AZUL
Mostra-me uma nova rota, uma nova
Estrada a trilhar com
Minha Alma caminheira,
Livre como o vento.
Elias Akhenaton
um peregrino da Vida."
Mary Golden
Nesse Dia
por surpresa e sem avisar
o destino pregou-me uma partida
que ainda hoje me dá que pensar
Nesse dia quando tudo começou
olha para trás, são tempos que já lá vão
pensaste que realmente podias chegar
até ao fundo do meu coração?
Tudo na vida acontece por uma razão
isso dizem, mas não sei o motivo
para num dia entrares no meu coração
e no outro mo deixares partido...
Aceitar que o teu amor não já me pertence
apagar todo o passado da minha memória
seria tão fácil se eu alguma vez pudesse
concluir que tudo não passou de uma história
Olho com saudade o tempo passado
Sinto a tua ausência no meu peito vazio
lá dentro o meu coração não está preparado
para enfrentar este novo desafio...
Quero de volta o sabor dos teus beijos
envolta nos teus braços, na clandestinidade
quero de volta os sonhos e os desejos
de ter o teu amor para toda a eternidade
E se isso nunca mais voltar a acontecer
e eu tiver que viver nesta triste solidão
como poderei algum dia esquecer
que um dia senti esta imensa paixão
André Anlub
NÃO PRECISA DIZER
Madalena Palma
Acto inato
Masturbar
é uma forma de arte
É
conduzir ao centro do corpo
Os
dedos que teimosamente escorregam
Carregam
e esfregam os lábios que não falam
Aqueles
que apenas emitem prazer e desejo
E
que sorvem num simples gesto a energia dos corpos.
Trepam
os vales e as ondas do corpo
Caminhando
extasiados e inebriados pelo odor do sexo
Empurrados
por uma mão febril
Que
incessante e sem dubiedade avança
Aprisionando num único gesto todo aquele mar
Nos
lábios das palavras sacia todo o prazer
Deitando
na língua os fluidos emanados pelo sexo
Extinguindo
o fogo, a febre e o desejo
Cobrindo
suavemente os lóbulos da boca
Para
com a língua recolher
O
desfalecimento dos espasmos que o corpo ainda liberta
Wolf
O Grito que não Ouves
Do sentimento perdido
Abafado pelo relógio,
Esconde nas mãos
Um rosto nu.
Na tristeza acalentada
Deixas-te enfeitiçar pelo encanto
Dos anos fugidios,
Pelos mórbidos dias inquietos,
Pelas horas íntimas da espera.
Fincas-te no sobrado
Gasto pelos dias de vida perdida.
Das vidraças,
Pressentes o anunciar da noite
E com ela um sopro de ti.
Deixas-te ficar.
Adormeces com a solidão
Das coisas quietas do momento,
E respiras a angústia
De mais um dia que virá.
Pedro Barreiros
vi-te agora
Vi-te agora com estes olhos que nunca te tinham visto assim
Vi os teus olhos como nunca antes tinham sido vistos, não pude evitar afogar-me neles
Perder os sentidos em ti, mergulhar, cair dentro de ti.
Vejo-te como ninguém te pode ver.
Estás nua por dentro e por fora. Despida de tudo entregue a este agora por mim criado, por mim terminado.
Estás pálida e frágil consumida pela verdade inabalável a que os meus olhos te submetem.
Não julgo. Olho apenas e és mais minha que nunca.
leal maria
aaah poetas tanta palavra e
que calmo e sereno desaguasse num meu desejo
metáfora de cristalino fio
para descrever a vontade que teria de um beijo
como queria eu falar-vos em palavras desconexas
sem um sentido aparente
para que em vossas almas convexas
espremêsseis o que no meu coração se sente
quem me dera na palavra a fluidez
sem que houvesse de recorrer ao ritmo da rima
e nela esconder-vos a minha acidez
resguardando-me de perder a vossa estima
aaah…. o bom que seria
por certo teria a vossa sincera admiração
ouviria cantar loas à minha poesia
e então sentir-me-ia como se tivesse o mundo na mão
quem me dera o tão difícil talento
daqueles que provocam só de mencionar o sexo
deixaria que reconhecêsseis em mim um advento
mestre a debitar frases sem nexo
mas pobre de mim
que não sei dissimular a minha falta de arte
tudo o que digo é… enfim
um mundo que construi nos muitos em que o meu “eu” se reparte
falta-me a vossa tendência para o subliminar
não sei criar assim tetas tão difíceis de espremer
tenho embaraço em juntar-me ao vosso colectivo masturbar
porque necessito dar alguma clareza ao meu querer
por certo tereis do vosso lado a razão
e será só aparente a imperceptibilidade do vosso vocabulário
longe de mim dizer-vos caligrafistas de torta mão
cruzes credo que não quero ser tão arbitrário
o vácuo que em vós vislumbro é somente mau feitio meu
muito haverá nas entrelinhas do vosso escrever
não me ligueis que eu sou o tipo que a má sorte não abateu
e prometo que me vou esforçar para não vos mandar foder
leal maria (todos os direitos reservados)
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
A INOMINÁVEL BELEZA
UM HOMEM EMPREENDE PASSOS ATÉ MIM
UM HOMEM APERTA-ME A MÃO
UM HOMEM A OSCULA COM TEMERÁRIA E SINCERA SEQUIDÃO
UM HOMEM VISLUMBRA EM MIM,
PERDIDA NA GALÁXIA DO OUTRORA,
QUE NUNCA MAIS VOLTA,
A AMADA CONSTELAÇÃO DA GLÓRIA
DE SABER-SE GENTE SÓBRIA.
Mary Golden
Sonho Acordada
no meio de lágrimas que caem sem parar
quer seja por tristeza ou por saudade
afinal eu só quero ser amada e poder amar
E as lágrimas brotam sem piedade
pergunto-me vezes sem conta "porquê?"
o meu coração doi com tanta intensidade
mas parece que isso mais ninguém vê.
E no meio da desta minha solidão
onde estou presa como um nó apertado
procuro-te com desespero nesta escuridão
onde estás amor porque te quero a meu lado.
Então fecho os olhos e sinto que estás comigo
abraço-te com força para nunca mais te soltar
sussurras-me palavras doces de amor ao ouvido
e eu finalmente sou feliz e deixo de chorar.
ao som da tua voz suave e doce acalmo a minha dor
adormeço tranquila protegida por este sentimento
e sonho contigo amor... fazendo amor... fazendo amor...
Madalena Palma
Nascer de ti
Queria
esquecer quem fui
Apagar
todas as pegadas
Desprezar
todos os nomes
Queria
viver sem memórias
E
nascer na tua boca
Sempre
que me pronunciasses
Queria
renascer como Vénus
Na
concha das tuas mãos
Nos
teus lábios brotar
Toda
a minha alma
Repleta
de ti
Roseleine
Fragilidade
ser errante,
amante,
cavalheiro andante
que no tropel retumbante
disfarça, ofuscante,
o embaraço paralizante
de um homem que não sabe chorar!
leal maria
voo de um pássaro errante
germina em mim uma vontade de parar
um gélido abraço
obstinada recusa em continuar a sonhar
soberano imponente
este silêncio… entre nós
oculta num segredo tudo aquilo que se sente
ocupa a ausência da tua voz
e reconheço-me indiferente
esconjurei já todas as saudades
solitário no meio de tanta gente
alienei tudo o que foram as minhas verdades
nada mais me resta então
que o simples fruir da passagem dos dias
renego como infértil o chão
onde em vão semeei poesias
foi um vento que passou
voo de um pássaro errante
sonho que sonhar em mim se ousou
como novos mundos desejou o infante
no imenso e profundo universo
cabe bem mais um rumo perdido
que se ausente o amor do meu verso
renegarei alguma vez o ter sentido
quero o vazio… tudo é espaço
a ausência reina-me sem oposição
caminhos que não calcorreará mais o meu passo
poemas que os vindouros não me celebrarão
nada mais me resta que o nada
substanciando-me de coisa nenhuma os dias
minha nação soçobrada
por ser esconsa a mão que lhe forjou as geografias
leal maria (todos os direitos reservados)
Ira Buscacio
Derme
Que não vasa suor nem dor.
Por dentro incicatrizável,
Por fora fingidor.
Abaixo da pele há um rio represado,
Onde a nostalgia mergulha.
Ora afunda no passado,
Ora emerge em borbulhas.
Abaixo da pele há alguém que respira,
O ar rarefeito de afetos despovoados.
Mascara a face da Ira.
Ira dos esquartejados.
Abaixo da pele há quem suporta,
Os dias de solidão calada.
Onde a tristeza abre a porta,
O que entra é a sombra do nada.
Fátima Encarnado
- Sentir Apenas -
Escuto ecos mudos
Vindos do silêncio azul mar
Onde recolho ao fundo
Intrigante vislumbre
Ondulam
Elevam
Enlevam
Enleiam
Cegam e seduzem
Apetece parar
Não pensar
Sorrir
Mergulhar
Apetece ficar
A sós
No infinito de mim
...e sentir!
Madalena Palma
Em mim
No
meu corpo vivem
Todas
as formas das tuas mãos
Quando
em movimentos lentos
Retomo
cada gesto que me encheu
E
cada lugar nunca antes habitado
Por
ter sido a ti que entreguei uma pele sem véu
Sebastião da Gama
Pelo Sonho é que Vamos
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.
Keidy Lee Jones
Um Par de Pegadas
Lugar parado, estático, que finda acabando comigo.
Desapareço, alegro-me ou entristeço. Razão acabada, paciência esgotada.
Vida sumida nos rastros da loucura comum que passou e que voltará, rastros incapazes de se entender, de se explicar, de se ler, de se falar.
Rastros apagados com a sombra de um olhar, outro olhar, o que falar?
Rastros apagados buscando razão que não existe nas curvas de um canto distante que mais se parece uma lei morta que não seguirei, nem serei seguido.
LUIZ GONZAGA DE PAULA
VIAGEM
VIAGEM
Vi-te Honduras, Cuba, Porto Príncipe;
Descubra se puder o sentido da vida.
Ser livre e morar numa ilha,
Mar caribenho, martírio, delírio.
De portos, portais, raça dos canaviais,
Sol forte do Equador, paralelo trinta,
Onde mais se pode ver o sol a pino,
Onde que não aqui se sabe Porto Rico.
O começo das águas vida equatorial,
Aqui nos trópicos abaixo do sol.
Vau e passagem estreito do canal,
Mata espessa e verdejante por sinal.
Panamá, Guatemala, Guadalupe, Manágua:
Nicarágua, Haiti, Honolulu, Guianas:
Perto dali vira-se para o estremo,
Povo apressado, poucos simplistas.
Atravessar a fronteira do destino,
Ainda não cheguei ao México.
Invadir os Esteites num vôo rasante,
Atravessar radiante rumo ao Canadá.
Isso pelo mapa me parece lógico,
Mas na caminhada e quase improvável.
Um saltimbanco, um salteador de estrada,
Pode num segundo atravessar o futuro.
Demora o tempo necessário não arrisca muito,
Fica com a glória da sanha da longa jornada.
De barco ou navio, de moto até num aeroplano,
Demarca o caminho e segue seus planos.
Por seguir os pássaros migratórios,
Quem sabe aprenda alguma reza,
E pregue nas praças as suas crendices,
Loucas desavenças tamanhas tolices.
Fábio Ferraz
Anarquia
e as leis que regem os corpos em silêncio
não controlo as nuvens negras do remorso
cimento fresco nos pilares de meu ódio
não enxergo as aves mortas nos rochedos
a chuva fina irriga os sonhos que almejo
não outorgo o nascer do livre arbítrio
- e varo as noites em estado de sítio
( in Cavalos Mortos e outros lutos, 2007 )
Paula Scoz
Flores de sonho
Me beije meu bem
São flores de sonho
Você e mais ninguém
São flores de sonho
E murcham no fim
São flores de sonho
Não esqueça de mim
Petra Correia
Desabafos
Momentos de fôlego instantâneo que me surgem pela boca acima e que despejo nos meus cadernos inacabados e rasgados, devido a instantes em que outrora me fizeram descarregar fúrias e revoltas comigo mesma, com os outros e com o mundo.
Mas no fundo, são apenas pensamentos, desabafos.
Nada verdadeiramente real no meu irreal.
Erik
Alivio
Na suavidade das caricias do deus da eternidade;
Encontra-se a paz, que arranca de inocentes...
Sincera lagrima de fel, sentimento ilusório;
Mas ainda escuto nas folhas do bosque;
A doce voz de Hades, chamando-me continuamente.
Eu bebo, fumo, vivo e moro a cada instante;
Um cadáver rastejando pelas ruas da cidade;
A floresta de concreto, um labirinto onde apenas a vida...
Incalculado estado inanimado se perde durante o dia;
Passos rápidos que não acabam nos Km dentro de cm.
No dedilhado do violão se passa minha vida...
Viajando pela imensidão do subconsciente;
Escassas notas do pianista escoam garganta abaixo;
Rumo a liberdade, o esquecimento do dia-a-dia;
No caminho de gelo a escravidão, no cair do Sol da meia noite.
Os anjos que me guardam se posicionam ao meu redor;
Cada qual dirá a tua palavra, e no final da frase...
Será concluída a despedida da vida, agradável sonho;
Que se sucumbe na inocência da maldade;
E o corpo vazio do poeta, jaz, no chão.
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