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Carlos Geraldino

Carlos Geraldino

soneca de Sócrates

afinal
agora
garoa
na Ágora
895
2
LUIZ GONZAGA DE PAULA

LUIZ GONZAGA DE PAULA

SAGA

SAGA

 

O vento sopra seus cabelos,

Seu rosto queima no rubor das faces.

Você queria ter ido embora, mas lhe faltou coragem!

Sigo viagem num cavalo alado,

Desejo que a noite nunca se acabe!

Enquanto houver estradas e avisos,

Não irei desfazer as minhas tralhas.

A lua ilumina a madrugada imensa,

Torna-nos a jornada mais tranqüila.

 

Quando amanhecer devemos estar bem longe,

Se possível já tiver atravessado o rio.

Existem mil estrelas cintilantes,

E os vaga-lumes nos mostram o caminho.

Viver é padecer contente,

Até parece que a vida adivinha.

Se essa noite já não foi o bastante,

Espero que em outra ainda seja minha!

 

Se a caminhada é essa labuta,

Que fica no peito e transparece.

Já dividimos muitos dias claros,

Mas há outros tantos que nem amanhece.

Um grito rouco me rasga a garganta,

E nem parece certo se vamos prosseguir,

O que se espera de nós viajantes,

É apenas a hora de partir!

 

Quem traz a sede de seus lábios,

Já conhece a distância da ilusão.

Por mais estrada que eu percorra,

Não permita Deus que eu morra,

Sem antes beijar a sua mão!

Mesmo que o corpo ceda estropiado,

Esta fé cega nunca desanima.

Contudo e o medo preso nessa cela,

Abra a janela vem me dar um beijo!

 

Desejo o corpo e ante o cansaço,

Caia em meus braços oh linda menina!

Se a trama nos dita o destino,

Não vou ficar sozinho aqui parado.

E quando o sol da manha se abrir,

Contigo espero estar do outro lado.

Senhorita nossa de tão doce encanto,

A quero mais que essa vertigem.

Santa tão pura desfaz meus pecados,

Dê a minha alma a justa redenção.

Pois o que vivi extrapolando tudo,

Só me resta agora ter o seu perdão!

1 124
2
Elias Akhenaton

Elias Akhenaton

ALMA CAMINHEIRA

Livre como o vento
Assim é minh’Alma caminheira
Viajando e trilhando longas estradas
Do meu Sagrado destino...

E em minhas andanças tenho
Contemplado alguns fenômenos
Naturais como o Crepúsculo do sol
Se pondo na linha do horizonte
Deixando um halo de Luz avermelhado
Que divinamente
Desaparece...

São prenúncios,
Prelúdios
Místicos
De uma noite serena, enluarada
E encantada...

É o momento de quietude da
Minh’Alma cigana.
E sob o brilho das Estrelas no Céu
Com os cintilantes pisca-piscas
Dos pirilampos, adormeço
Sobre a relva macia...

Tenho sonhos com o VERDE
Esperança da Mãe natureza
Em toda sua plenitude,
Sutileza e beleza...

Sonho com flores e suas
Delicadas pétalas coloridas
Flutuando soltas no ar
E o leve toque do seu perfume
A impregnar o meu sonhar...

E lá está à rosa VERMELHA
Com a sua cor de pura emoção
E sedução
A aflorar todo meu ser
Numa grande paixão...

Ao acordar sinto em meus lábios
Gotículas de orvalho da madrugada
E ao meu lado a rubra flor delicada.
Transformando em realidade
Os meus sonhos de quimera...

No oriente meus olhos vislumbram
O nascer de uma nova Aurora
Um novo dia se inicia
E lindamente principia...

E o sol no céu totalmente AZUL
Mostra-me uma nova rota, uma nova
Estrada a trilhar com
Minha Alma caminheira,
Livre como o vento.

Elias Akhenaton

"Eterno aprendiz,
um peregrino da Vida."

488
2
Mary Golden

Mary Golden

Nesse Dia

No dia em que entraste na minha vida
por surpresa e sem avisar
o destino pregou-me uma partida
que ainda hoje me dá que pensar

Nesse dia quando tudo começou
olha para trás, são tempos que já lá vão
pensaste que realmente podias chegar
até ao fundo do meu coração?

Tudo na vida acontece por uma razão
isso dizem, mas não sei o motivo
para num dia entrares no meu coração
e no outro mo deixares partido...

Aceitar que o teu amor não já me pertence
apagar todo o passado da minha memória
seria tão fácil se eu alguma vez pudesse
concluir que tudo não passou de uma história

Olho com saudade o tempo passado
Sinto a tua ausência no meu peito vazio
lá dentro o meu coração não está preparado
para enfrentar este novo desafio...

Quero de volta o sabor dos teus beijos
envolta nos teus braços, na clandestinidade
quero de volta os sonhos e os desejos
de ter o teu amor para toda a eternidade

E se isso nunca mais voltar a acontecer
e eu tiver que viver nesta triste solidão
como poderei algum dia esquecer
que um dia senti esta imensa paixão
445
2
André Anlub

André Anlub

NÃO PRECISA DIZER

Não diga que o mundo é redondo Que o carnaval é em fevereiro Pedofilia é um crime hediondo Que Brasilia virou um chiqueiro Não diga que ninguém sabe tudo Que Lars Grael é brasileiro Que Kojak não era cabeludo Uma giria de carioca é "maneiro" Não diga que a coisa mais bela é o amor Que Japonês são quase todos iguais E a traição causa muita dor E um x meio torto é um sinal de mais Não diga que Antonio Meucci inventou o telefone Que sorrir faz bem a saúde O Gradovildo quer mudar o seu nome E muitos procuram a plenitude Não diga que a poesia é uma das coisas mais belas Viver é muito mais que estar vivo Injustiça é uma das piores mazelas Que Adão não devia ter umbigo André Anlub
625
2
Madalena Palma

Madalena Palma

Acto inato

Masturbar é uma forma de arte

É conduzir ao centro do corpo

Os dedos que teimosamente escorregam

Carregam e esfregam os lábios que não falam

Aqueles que apenas emitem prazer e desejo

E que sorvem num simples gesto a energia dos corpos.

Os dedos guiados pela fome

Trepam os vales e as ondas do corpo

Caminhando extasiados e inebriados pelo odor do sexo

Empurrados por uma mão febril

Que incessante e sem dubiedade avança

Aprisionando num único gesto todo aquele mar


Nos lábios das palavras sacia todo o prazer

Deitando na língua os fluidos emanados pelo sexo

Extinguindo o fogo, a febre e o desejo

Cobrindo suavemente os lóbulos da boca

Para com a língua recolher

O desfalecimento dos espasmos que o corpo ainda liberta

1 025
2
Wolf

Wolf

O Grito que não Ouves

O grito que não ouves
Do sentimento perdido
Abafado pelo relógio,
Esconde nas mãos
Um rosto nu.
Na tristeza acalentada
Deixas-te enfeitiçar pelo encanto
Dos anos fugidios,
Pelos mórbidos dias inquietos,
Pelas horas íntimas da espera.
Fincas-te no sobrado
Gasto pelos dias de vida perdida.
Das vidraças,
Pressentes o anunciar da noite
E com ela um sopro de ti.
Deixas-te ficar.
Adormeces com a solidão
Das coisas quietas do momento,
E respiras a angústia
De mais um dia que virá.
 
478
2
Pedro Barreiros

Pedro Barreiros

vi-te agora

Vi-te agora com estes olhos que nunca te tinham visto assim
Vi os teus olhos como nunca antes tinham sido vistos, não pude evitar afogar-me neles
Perder os sentidos em ti, mergulhar, cair dentro de ti.
Vejo-te como ninguém te pode ver.
Estás nua por dentro e por fora. Despida de tudo entregue a este agora por mim criado, por mim terminado.
Estás pálida e frágil consumida pela verdade inabalável a que os meus olhos te submetem.
Não julgo. Olho apenas e és mais minha que nunca.

465
2
leal maria

leal maria

aaah poetas tanta palavra e

aaah… como queria eu falar-vos de um rio
que calmo e sereno desaguasse num meu desejo
metáfora de cristalino fio
para descrever a vontade que teria de um beijo

como queria eu falar-vos em palavras desconexas 
sem um sentido aparente
para que em vossas almas convexas 
espremêsseis o que no meu coração se sente

quem me dera na palavra a fluidez 
sem que houvesse de recorrer ao ritmo da rima
e nela esconder-vos a minha acidez
resguardando-me de perder a vossa estima

aaah…. o bom que seria
por certo teria a vossa sincera admiração
ouviria cantar loas à minha poesia
e então sentir-me-ia como se tivesse o mundo na mão

quem me dera o tão difícil talento
daqueles que provocam só de mencionar o sexo
deixaria que reconhecêsseis em mim um advento
mestre a debitar frases sem nexo

mas pobre de mim
que não sei dissimular a minha falta de arte
tudo o que digo é… enfim
um mundo que construi nos muitos em que o meu “eu” se reparte 

falta-me a vossa tendência para o subliminar
não sei criar assim tetas tão difíceis de espremer
tenho embaraço em juntar-me ao vosso colectivo masturbar
porque necessito dar alguma clareza ao meu querer

por certo tereis do vosso lado a razão
e será só aparente a imperceptibilidade do vosso vocabulário
longe de mim dizer-vos caligrafistas de torta mão
cruzes credo que não quero ser tão arbitrário 

o vácuo que em vós vislumbro é somente mau feitio meu
muito haverá nas entrelinhas do vosso escrever
não me ligueis que eu sou o tipo que a má sorte não abateu
e prometo que me vou esforçar para não vos mandar foder





leal maria (todos os direitos reservados)
lealparaquedista@sapo.pt



723
2
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A INOMINÁVEL BELEZA

UM HOMEM CONTEMPLA-ME FIXAMENTE
UM HOMEM EMPREENDE PASSOS ATÉ MIM
UM HOMEM APERTA-ME A MÃO
UM HOMEM A OSCULA COM TEMERÁRIA E SINCERA SEQUIDÃO
UM HOMEM VISLUMBRA EM MIM,
PERDIDA NA GALÁXIA DO OUTRORA,
QUE NUNCA MAIS VOLTA,
A AMADA CONSTELAÇÃO DA GLÓRIA
DE SABER-SE GENTE SÓBRIA.
615
2
Mary Golden

Mary Golden

Sonho Acordada

Quando o desespero me invade
no meio de lágrimas que caem sem parar
quer seja por tristeza ou por saudade
afinal eu só quero ser amada e poder amar

E as lágrimas brotam sem piedade
pergunto-me vezes sem conta "porquê?"
o meu coração doi com tanta intensidade
mas parece que isso mais ninguém vê.

E no meio da desta minha solidão
onde estou presa como um nó apertado
procuro-te com desespero nesta escuridão
onde estás amor porque te quero a meu lado.

Então fecho os olhos e sinto que estás comigo
abraço-te com força para nunca mais te soltar
sussurras-me palavras doces de amor ao ouvido
e eu finalmente sou feliz e deixo de chorar.

E como por magia ou quem sabe por encantamento
ao som da tua voz suave e doce acalmo a minha dor
adormeço tranquila protegida por este sentimento
e sonho contigo amor... fazendo amor... fazendo amor...

427
2
Madalena Palma

Madalena Palma

Nascer de ti

Queria esquecer quem fui

Apagar todas as pegadas

Desprezar todos os nomes

Queria viver sem memórias

E nascer na tua boca

Sempre que me pronunciasses

Queria renascer como Vénus

Na concha das tuas mãos

Nos teus lábios brotar

Toda a minha alma

Repleta de ti

1 055
2
Roseleine

Roseleine

Fragilidade

Brilhante,
ser errante,
amante,
cavalheiro andante
que no tropel retumbante
disfarça, ofuscante,
o embaraço paralizante
de um homem que não sabe chorar!
366
2
leal maria

leal maria

voo de um pássaro errante

sobrevém-me um imenso cansaço
germina em mim uma vontade de parar
um gélido abraço
obstinada recusa em continuar a sonhar

soberano imponente 
este silêncio… entre nós
oculta num segredo tudo aquilo que se sente
ocupa a ausência da tua voz 

e reconheço-me indiferente
esconjurei já todas as saudades
solitário no meio de tanta gente
alienei tudo o que foram as minhas verdades

nada mais me resta então
que o simples fruir da passagem dos dias
renego como infértil o chão
onde em vão semeei poesias

foi um vento que passou
voo de um pássaro errante
sonho que sonhar em mim se ousou
como novos mundos desejou o infante

no imenso e profundo universo
cabe bem mais um rumo perdido
que se ausente o amor do meu verso
renegarei alguma vez o ter sentido

quero o vazio… tudo é espaço
a ausência reina-me sem oposição
caminhos que não calcorreará mais o meu passo 
poemas que os vindouros não me celebrarão 

nada mais me resta que o nada
substanciando-me de coisa nenhuma os dias
minha nação soçobrada
por ser esconsa a mão que lhe forjou as geografias




leal maria (todos os direitos reservados)
814
2
Ira Buscacio

Ira Buscacio

Derme

Abaixo da pele há um desgosto impermeável,
Que não vasa suor nem dor.
Por dentro incicatrizável,
Por fora fingidor.

Abaixo da pele há um rio represado,
Onde a nostalgia mergulha.
Ora afunda no passado,
Ora emerge em borbulhas.

Abaixo da pele há alguém que respira,
O ar rarefeito de afetos despovoados.
Mascara a face da Ira.
Ira dos esquartejados.

Abaixo da pele há quem suporta,
Os dias de solidão calada.
Onde a tristeza abre a porta,
O que entra é a sombra do nada.

574
2
Fátima Encarnado

Fátima Encarnado

- Sentir Apenas -



Escuto ecos mudos
Vindos do silêncio azul mar
Onde recolho ao fundo

Intrigante vislumbre
Ondulam
Elevam
Enlevam
Enleiam
Cegam e seduzem

Apetece parar
Não pensar
Sorrir
Mergulhar

Apetece ficar
A sós
No infinito de mim
...e sentir!
730
2
Madalena Palma

Madalena Palma

Em mim

No meu corpo vivem

Todas as formas das tuas mãos

Quando em movimentos lentos

Retomo cada gesto que me encheu

E cada lugar nunca antes habitado

Por ter sido a ti que entreguei uma pele sem véu

1 034
2
Sebastião da Gama

Sebastião da Gama

Pelo Sonho é que Vamos

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

865
2
Keidy Lee Jones

Keidy Lee Jones

Um Par de Pegadas

Mas há, no fim do mundo algo que possua razão, e isso me rege, não há uma lei e essa eu sigo. Há uma linha que cruza o canto mais silente de minha mente.

Lugar parado, estático, que finda acabando comigo.

Desapareço, alegro-me ou entristeço. Razão acabada, paciência esgotada.
Vida sumida nos rastros da loucura comum que passou e que voltará, rastros incapazes de se entender, de se explicar, de se ler, de se falar.

Rastros apagados com a sombra de um olhar, outro olhar, o que falar?

Rastros apagados buscando razão que não existe nas curvas de um canto distante que mais se parece uma lei morta que não seguirei, nem serei seguido.
948
2
LUIZ GONZAGA DE PAULA

LUIZ GONZAGA DE PAULA

VIAGEM

VIAGEM

 

Vi-te Honduras, Cuba, Porto Príncipe;

Descubra se puder o sentido da vida.

Ser livre e morar numa ilha,

Mar caribenho, martírio, delírio.

 

De portos, portais, raça dos canaviais,

Sol forte do Equador, paralelo trinta,

Onde mais se pode ver o sol a pino,

Onde que não aqui se sabe Porto Rico.

 

O começo das águas vida equatorial,

Aqui nos trópicos abaixo do sol.

Vau e passagem estreito do canal,

Mata espessa e verdejante por sinal.

 

Panamá, Guatemala, Guadalupe, Manágua:

Nicarágua, Haiti, Honolulu, Guianas:

Perto dali vira-se para o estremo,

Povo apressado, poucos simplistas.

 

Atravessar a fronteira do destino,

Ainda não cheguei ao México.

Invadir os Esteites num vôo rasante,

Atravessar radiante rumo ao Canadá.

 

Isso pelo mapa me parece lógico,

Mas na caminhada e quase improvável.

Um saltimbanco, um salteador de estrada,

Pode num segundo atravessar o futuro.

 

Demora o tempo necessário não arrisca muito,

Fica com a glória da sanha da longa jornada.

De barco ou navio, de moto até num aeroplano,

Demarca o caminho e segue seus planos.

 

Por seguir os pássaros migratórios,

Quem sabe aprenda alguma reza,

E pregue nas praças as suas crendices,

Loucas desavenças tamanhas tolices.

 

 

1 005
2
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Fábio Ferraz

Fábio Ferraz

Anarquia

não governo as ondas frias do desprezo
e as leis que regem os corpos em silêncio

não controlo as nuvens negras do remorso
cimento fresco nos pilares de meu ódio

não enxergo as aves mortas nos rochedos
a chuva fina irriga os sonhos que almejo

não outorgo o nascer do livre arbítrio
- e varo as noites em estado de sítio

( in Cavalos Mortos e outros lutos, 2007 )
674
2
Paula Scoz

Paula Scoz

Flores de sonho

São flores de sonho
Me beije meu bem

São flores de sonho
Você e mais ninguém

São flores de sonho
E murcham no fim

São flores de sonho
Não esqueça de mim
419
2
Petra Correia

Petra Correia

Desabafos

Momentos de fôlego instantâneo que me surgem pela boca acima e que despejo nos meus cadernos inacabados e rasgados, devido a instantes em que outrora me fizeram descarregar fúrias e revoltas comigo mesma, com os outros e com o mundo.

Mas no fundo, são apenas pensamentos, desabafos.
Nada verdadeiramente real no meu irreal.

719
2
Erik

Erik

Alivio

Na suavidade das caricias do deus da eternidade;

Encontra-se a paz, que arranca de inocentes...

Sincera lagrima de fel, sentimento ilusório;

Mas ainda escuto nas folhas do bosque;

A doce voz de Hades, chamando-me continuamente.

 

Eu bebo, fumo, vivo e moro a cada instante;

Um cadáver rastejando pelas ruas da cidade;

A floresta de concreto, um labirinto onde apenas a vida...

Incalculado estado inanimado se perde durante o dia;

Passos rápidos que não acabam nos Km dentro de cm.

 

No dedilhado do violão se passa minha vida...

Viajando pela imensidão do subconsciente;

Escassas notas do pianista escoam garganta abaixo;

Rumo a liberdade, o esquecimento do dia-a-dia;

No caminho de gelo a escravidão, no cair do Sol da meia noite.

 

Os anjos que me guardam se posicionam ao meu redor;

Cada qual dirá a tua palavra, e no final da frase...

Será concluída a despedida da vida, agradável sonho;

Que se sucumbe na inocência da maldade;

E o corpo vazio do poeta, jaz, no chão.

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