Escritas

SAGA

LUIZ GONZAGA DE PAULA

SAGA

 

O vento sopra seus cabelos,

Seu rosto queima no rubor das faces.

Você queria ter ido embora, mas lhe faltou coragem!

Sigo viagem num cavalo alado,

Desejo que a noite nunca se acabe!

Enquanto houver estradas e avisos,

Não irei desfazer as minhas tralhas.

A lua ilumina a madrugada imensa,

Torna-nos a jornada mais tranqüila.

 

Quando amanhecer devemos estar bem longe,

Se possível já tiver atravessado o rio.

Existem mil estrelas cintilantes,

E os vaga-lumes nos mostram o caminho.

Viver é padecer contente,

Até parece que a vida adivinha.

Se essa noite já não foi o bastante,

Espero que em outra ainda seja minha!

 

Se a caminhada é essa labuta,

Que fica no peito e transparece.

Já dividimos muitos dias claros,

Mas há outros tantos que nem amanhece.

Um grito rouco me rasga a garganta,

E nem parece certo se vamos prosseguir,

O que se espera de nós viajantes,

É apenas a hora de partir!

 

Quem traz a sede de seus lábios,

Já conhece a distância da ilusão.

Por mais estrada que eu percorra,

Não permita Deus que eu morra,

Sem antes beijar a sua mão!

Mesmo que o corpo ceda estropiado,

Esta fé cega nunca desanima.

Contudo e o medo preso nessa cela,

Abra a janela vem me dar um beijo!

 

Desejo o corpo e ante o cansaço,

Caia em meus braços oh linda menina!

Se a trama nos dita o destino,

Não vou ficar sozinho aqui parado.

E quando o sol da manha se abrir,

Contigo espero estar do outro lado.

Senhorita nossa de tão doce encanto,

A quero mais que essa vertigem.

Santa tão pura desfaz meus pecados,

Dê a minha alma a justa redenção.

Pois o que vivi extrapolando tudo,

Só me resta agora ter o seu perdão!