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Carla Furtado Ribeiro

Carla Furtado Ribeiro

SONETO

No silêncio acontece que aconteço
E no silêncio que acontece me anoiteço
E de estrelas me refuljo e me refaço
No tempo íntimo dos íntimos compassos

No silêncio me ausento e precipito
No poema inacabado em que me habito
E em versos ordenados me sustento
De palavras erigidas pelo vento

Mas no silêncio da matéria rarefeito
A flor mais fina do silêncio em que me deito
É de seivas invisíveis afluente...

Dos Teus braços que me cinjem e me deleito
No silêncio dos dias imperfeito
Minha Alma Te busca: Omnisciente
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Tiago Ribeiro

Tiago Ribeiro

O Primeiro Beijo

Ardendo mais que um fogo ingente

Adivinhando o beijo que se previa,

O peito da alma quase ardia

Por ter dentro um coração tão quente

Fechámos os olhos, passámos à frente

E no fogo molhado que se sentia,

Se Deus me ouvisse eu pedia,

Para ficar a arder assim para sempre

Lábios de seda que só apetecem beijar

Neles sinto-me um perdido beija-flor

Que não sabe por onde debicar

Deste-me o primeiro, roubo-te o seguinte

E passarei assim a vida a roubar

Não quero ser deles um eterno pedinte

483
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Maria josé

Maria josé

A MAGIA DO AMOR



Queria pintar o teu rosto...

com cores de fogo, de Agosto

de um verão permanente

Pintar dois corpos, num só

moldar um mundo só nosso

de paixão e de prazer,

desenhar-te meu amor ,

em cada amanhecer.

Inventar um pôr do sol

todos os dias diferente,

na magia do amor

ficarmos assim para sempre.
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Fernando Maia

Fernando Maia

Vida agridoce

As vezes desejo sair do ar de verdade
perder por completo a sanidade
estar de vez inconsciente
pra ver se escapo, me flagro ou me encaixo

Essa vida é estranha, com toda essa relatividade
hoje te dou flores
amanã nem te ligo
hoje sou um ser humano maravilhoso
amanhã sou um perfeito cretino

As vezes vou podando à contra gosto
meu temperamento difícil num sorriso doce
para não ter que estrangular alguém

Essa vida é estranha mesmo
com tanto corante e placas de computador
quase ninguém se importa mais
quase ninguém ama
quase ninguém vive


909
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Bob J

Bob J

Filho de Louco

Nasci de um corpo sem alma
com paixão e sem coragem
leva a vida sonhando
e não mostra sua face

nasci pra trazer felicidade
nasci pra trazer esperança
nasci com um grande fardo
nasci homem e nunca fui criança

sou selvagem criado
sou hospedeiro
e meu berço é sua mente
não tenho passado
sou prisioneiro
pra sempre dependente

louco
louco é pouco
louco sou eu
por estar aqui

triste vida nossa
e eu preso por um louco
mas louco, não morra
que eu também morro
705
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Dalva Elisabete

Dalva Elisabete

ESTRELA CADENTE (ACRÓSTICO)

E xistem palavras que não podem ser escritas; S omente com as mãos; T erão que ser escritas com linguagem do coração. R idículo! vc pode até dizer; E novamente eu te digo,num olhar pode estar explícito oque teu coração quer dizer. L ágrimas são frases que o coração anuncia; A s vezes dor,as vezes alegria. C ada lágrima uma palavra,quando a boca se cala; A ssim tranborda nos olhos oque está cheio o coração; D EUS escreve assim, pra vc e pra mim; E is aqui a questão; N ão posso ser ridícula ao falar das palavras escondidas. T intas invisíveis vejo; E specialmente num beijo;posso ouvir oque diz teu coração!
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josie lima

josie lima

sonhos

O sonho quebrou
Gorou, coagulou
dentro de minhas veias de planos.
E eu,
Sofri.

Sofri, mas não morri.
R
asguei, inflamei, derreti.
Me esvaí em dor.
E sobrevivi.
Pois a esperança
parece ingênua criança
INSISTENTEMENTE
A fertilizar meu coração
Com novos sonhos.

655
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Hemili Scarpinatte

Hemili Scarpinatte

Madrugada

Tantas noites passei acordada
Sozinha no frio da madrugada
Só pensava em você
No quanto te amava
No quanto te esperava
Mas você não voltou
Me deixou sozinha na madrugada
Te esperando acordada
773
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Marc Santini

Marc Santini

No Silêncio 2

O choro já não me cabe.
Estou afogado
na perda do que nunca tive
e carente do que não
tenho direito,
do que não posso ter.
Querer já não é poder
como antes...
Não posso te querer
preciso querer não poder
pra te ajudar a viver melhor
pra te ajudar a viver bem
e sem culpa de querer
o que não se pode ter.
Ao menos um dos dois,
assim pode ser feliz.
quero
se for possível
que seja você.
988
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GiliaGerlinG

GiliaGerlinG

PRÓLOGO

Sentimentos-Tempos  nos fazem mudar.

Transformam cenas,

luzes, brilhos,

amores e dores.

 

E como num turbilhão,

fundem-se os sonhos e as realidades

que, confusas,

perdem-se e debatem-se,

machucando a alma feito foice em corpo exposto.

 

É preciso muito mais que uma esperança para alimentar o dia.

Ainda assim vivemos, (ou morremos) de tanto sentir.

929
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Adamastora

Adamastora

Espero

Espero por ti
espero que aparecas
espero por te abraçar por te beijar
espero por ti
espero por te amar
espero por ti
espero por te escutar e falar contigo e talvez um dia te diga assim amo-te.
695
2
marilene araujo motta

marilene araujo motta

magia

Que estranha magia e esta
Que invade minha alma
Quando em mim cravas teu olhar
Sinto-me nua, tua possuida
Penetrada corpo e alma
Entre gemidos de prazer
Teu nome chamar
Volto ao passado
Ele reconforta-me
Na certeza que foste meu e ainda es
Tatuado em minha alma estas
Olhe em meus olhos
Veras teu olhar


Marilene Araujo Motta
829
2
Marc Santini

Marc Santini

No Silêncio

Registre-se tudo
da semana que se viveu
Amor que antes de ser
ganho
já se perdeu.
Foi bom...
e quanto durou?
Eternidade
Ele diz.
E ela sorri...
Apenas sorri.
O agora
é que são elas...
O que foi bom
está lá
O agora está aqui
e o que se apresenta
é de matar o coração,
no coração...
todo e qualquer resquício
do que se podia chamar
de amor...
É quando ouve-se dizer:
Aquieta-te
chora o teu choro
lava sozinho os porões
da tua alma
E espera secar,
um dia quem sabe,
você nem vai se lembrar...
Mas enquanto não,
escreve
registre-se tudo.
885
2
Iatamyra Rocha

Iatamyra Rocha

Rosa negra

Sou turbilhão no vento
Perco-me em minhas miudezas
No passo,só minhas certezas
Que sopro do vento
Corta ao fio da navalha.

Sou o trejeito torpe
Que me transpassa a ferro
No limiar do inferno
Cuspindo sangue medíocre
Enlameado e nobre.

Sou o eco do mundo
Que ao sair das entranhas

Escava na pele pulsante
Um rio de amor profundo.
®IatamyraRocha

Blog Efêmero
http://iatamyra.blogspot.com/
Blog Palavras ao vento
http://iatamyra.wordpress.com/
Blog Prisma
http://iatamyrarocha.blogspot.com/

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Fernando Oliveira Granja

Fernando Oliveira Granja

Erotic

Doucement,
le châtiment qui fait couler le sang un peu plus vite,
accompagnée d'un sentiment chaud qui fait rougir la peau
et qui donne aux yeux l'éclat transparent
dont on apercois la jouissance du va-et-vient.

Fernando Granja 
850
2
Augusto Fracari

Augusto Fracari

Sobre loucura e escolha

Passei todas as minhas loucuras a ferro
e pendurei no armário.
Todo dia...
Visto a que me cair melhor.
860
2
LUIZ GONZAGA DE PAULA

LUIZ GONZAGA DE PAULA

SEM ALIVIO

SEM ALÍVIO

A rosa nua é flor sem zelo,

A noite sem lua é negra em pêlo.

Conta-se história de outras vidas,

Como quem sabe da despedida.

 

Diz-me adeus e foi-se embora,

Sempre distante mesmo das horas.

A luz do tempo à cor da aurora,

Como que parte já sem demora!

 

Deixou só rastros espéctros gastos,

No candelabro sabor e gosto,

Onde desvia o próprio medo,

Dentro do peito nenhum segredo.

 

Entardeceu sombra e lua fria,

Banhando as margens da estrada.

Deixando apenas um vazio,

No frio prado, por todo estio.

 

Rasga-se o vento rompe castigo,

Deixe de tudo fique aqui comigo.

Não deve ainda não pode agora,

Esquece o tempo tudo lá fora.

 

Mas me abriga ante o delírio,

Roube meus versos faz poesia,

Deixe meu corpo assim sem alívio,

Mata meu ego no fim do dia.

1 071
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Miguel Reis

Miguel Reis

Descumplicidades

Nunca antes assim me senti
A sede de viver é demasiada.
Terrores, desejos que me atormentam,
Amores maldosos,
Cansaços sem fim.
Hirto é meu coração
A vida é luz na escuridão.

Morrer, para nunca ressuscitar.
Acabar, para nunca recomeçar.
Nada faz sentido
Uma vida sem destino.
É negro o meu caminho
Longínqua a caminhada.
Algo me espera no final. Talvez...

Claro como água.
Ad eternum,
Somente tu...
Cristalino, puro
Anormalidades perfeitas.
Observações desnecessárias, bem sei.

Dálias, safiras, mundos a teus pés...
Elevadas minhas comparações, mas como poderiam não estar?

Ouço tudo, vejo nada, sinto demasiado.
Lento é o tempo
Impossivelmente lento.
Vivências que me desiludem
Este existir sem qualquer descanso.
Impulsos que não controlo
Ressuscitam minha dor.
Amar, viver, morrer.

Não.
Agora não.
Simplesmente, não.
Haverá terror realmente superável?
Amar-te completamente, temer-te eternamente.

401
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JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

A PROSPECÇÃO DA PAISAGEM

QUANDO DEIXAMOS DE SER MANHÃ,
AINDA NO ÁTRIO DA ESTRADA,
TORNAMO-NOS PRESA DO INEXORÁVEL OCASO:


A LATITUDE DO CÉU,
QUE PENSÁVAMOS INFINITA,
REVELA-SE CRIA DE UM UNIVERSO VOLÁTIL.

AH, E O NOSSO MAR NOS MOSTRA
A SUA LÍDIMA ÍNDOLE:
A FEROCIDADE DO VÓRTICE DO ÓDIO
AFLORA-LHE DO BOJO,
DOMANDO PROGRESSIVA
E PLENAMENTE
TODO O SEU AQUALINO CORPO.


A TERRA,
QUE COMPÕE A NOSSA PELE,
LIQUEFAZ-SE EM CÓRREGOS DO PUS
INCARCOMÍVEL:
A CHAGA SE TRANSFORMA
EM UM NOVO TEGUMENTO,
AGORA, IRREMOVÍVEL!
 

ENTÃO O QUE REINA
É UMA PAISAGEM DE ÁGUA:
EMPEDERNIDA, ROCHA INSOÇOBRÁVEL,
MÁRMORE ENTALHADO NO OCEANO DA PASSIONAL SÁFARA. 
626
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Céu

Céu

Voar

Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e transformam-se em letras cirandando a nossa volta. Quando fecham os livros eles alçam vôo como se fosse uma nuvem. Eles não têm pouso certo, nem porto, alimentam-se de instantes, possam em cada mão e partem. Eu os absorvo, bebo carregando-me de poesias, estas tuas mãos vazias no maravilhoso espanto de saber que todo o alimento deles já estava em ti...

Sou como os pássaros que atravessam mares em busca de sol,

Sou como os livros,

Necessito ser lida, tocada,

Sou como a magia de um livro aberto que nunca fecham-se,

Neles deixo-me levar...

Pelas suas fantasias que abraçam-se as minhas,

E nunca sei onde vou chegar!

Céu

401
2
Tito

Tito

A Despedida

Perdoa-me por aquilo que sou
Perdoa-me por não tentar ser aquilo que tu queres que seja
Este sou eu e não mudarei
Sei que não sou perfeito
Mas tambem sei que ninguem o é
Se não me aceitas assim
E se tudo aquilo que eu digo tu não entendes
Então não vale a pena
Só estaremos a viver uma mentira
Sentirei a falta de te ter nos meus braços
Sentirei a falta de te ver
Sentirei a falta de sentir o teu toque
Mas
O teu orgulho vencerá...
348
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Keidy Lee Jones

Keidy Lee Jones

A Lágrima

A lágrima molhou meu papel,
Na hora em qu'eu iria escrever
Ela caiu e não deixou.

A lágrima acabara de aceitar,
Que é bom chorar quase de vez em quando
Ela cai novamente. E de novo ela cai...

A lágrima me afronta todos os dias:
Entra sem pedir licença,
Sai sem dar adeus.
Mas ela irá voltar.

A lágrima gosta de me visitar,
É meu tormento diário.

A lágrima cai acostumada com o chão que vai pisar
Ela sabe que aqui dificilmente vão expulsá-la.
Aflige e dá carinho,
A lágrima.
902
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Francisca Bastos

Francisca Bastos

Sufoco Até ver!

Espaço. Aperto.

Sufoco gelado.

 

Faço das luzes as minhas estrelas,

Do chão um campo de relva em que me deito

Que me sustenta o peso mais pesado

Que o meu corpo.

O peso de tudo o que penso e não penso porque não sei pensar

Ou porque apenas nunca me lembrei de pensar.

 

Quatro paredes.

Meu horizonte aprisionado.

E quê?

Forço-as e rasgo-as e reduzo-as a nada

Como se fossem de papel

E eu lhes pudesse desenhar o mar ao longe

As nuvens e o escuro da noite.

 

Morro e morro todos os dias.

Morro porque quero e não quero.

Porque choro e desespero.

Porque sorrio sem fundamento.

Porque te quero e não te sei ter!

 

E assim morro.

Morro vivendo sufocada

Entre as quatro paredes rasgadas e pintadas.

Se eu pudesse colaria com toda a fita-cola,

Remendaria tudo o que fiz e deixei por fazer

Por falta de vontade, engenho ou ousadia.

 

Mas não há fita-cola que baste.

E se houvesse, não a saberia sequer usar.

Por isso faço, lamento e refaço… no mesmo erro.

Na mesma perdição e loucura

Na mesma falta de espírito e glória.

 

Está tudo bem.

Destino traçado e cumprido.

Frustrado, tranquilo, inquieto e resolvido.

Dualidade de tudo o que não pode ou deve coexistir

Mas fruto disto que me conheço e me preservo.

Me mantenho e me aguento.

Imutável.

Até ver!



Outubro de 2008
490
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Mary Golden

Mary Golden

Sinto o Vazio

Hoje sinto um vazio dentro do peito
Por muito que tente não desaparece
Não há forma nem há jeito
Nem com a força de uma prece

Deixar para trás tudo o que se ama
Trocar tudo por outra realidade
Gerou a tristeza que me acompanha
E que é apenas o desejo de felicidade

Vivo numa eterna solidão
Sempre rodeada por muita gente
Elas não me alegram o coração
Nem a alma mesmo que tente

Penso então qual será o motivo
Onde estará a essência
Talvez a falta de um amigo
Certamente a tua ausência

Não posso viver apenas da recordação
Desses doces momentos... que saudade!
Em que senti dentro do coração
A plenitude da nossa amizade

Só tu tens esse dom e essa magia
E nem sempre te lembras disso
Para me poder devolver a alegria
Para me poder devolver o sorriso

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