Escritas

Sufoco Até ver!

Francisca Bastos

Espaço. Aperto.

Sufoco gelado.

 

Faço das luzes as minhas estrelas,

Do chão um campo de relva em que me deito

Que me sustenta o peso mais pesado

Que o meu corpo.

O peso de tudo o que penso e não penso porque não sei pensar

Ou porque apenas nunca me lembrei de pensar.

 

Quatro paredes.

Meu horizonte aprisionado.

E quê?

Forço-as e rasgo-as e reduzo-as a nada

Como se fossem de papel

E eu lhes pudesse desenhar o mar ao longe

As nuvens e o escuro da noite.

 

Morro e morro todos os dias.

Morro porque quero e não quero.

Porque choro e desespero.

Porque sorrio sem fundamento.

Porque te quero e não te sei ter!

 

E assim morro.

Morro vivendo sufocada

Entre as quatro paredes rasgadas e pintadas.

Se eu pudesse colaria com toda a fita-cola,

Remendaria tudo o que fiz e deixei por fazer

Por falta de vontade, engenho ou ousadia.

 

Mas não há fita-cola que baste.

E se houvesse, não a saberia sequer usar.

Por isso faço, lamento e refaço… no mesmo erro.

Na mesma perdição e loucura

Na mesma falta de espírito e glória.

 

Está tudo bem.

Destino traçado e cumprido.

Frustrado, tranquilo, inquieto e resolvido.

Dualidade de tudo o que não pode ou deve coexistir

Mas fruto disto que me conheço e me preservo.

Me mantenho e me aguento.

Imutável.

Até ver!



Outubro de 2008