Sufoco Até ver!
Espaço. Aperto.
Sufoco gelado.
Faço das luzes as minhas estrelas,
Do chão um campo de relva em que me deito
Que me sustenta o peso mais pesado
Que o meu corpo.
O peso de tudo o que penso e não penso porque não sei pensar
Ou porque apenas nunca me lembrei de pensar.
Quatro paredes.
Meu horizonte aprisionado.
E quê?
Forço-as e rasgo-as e reduzo-as a nada
Como se fossem de papel
E eu lhes pudesse desenhar o mar ao longe
As nuvens e o escuro da noite.
Morro e morro todos os dias.
Morro porque quero e não quero.
Porque choro e desespero.
Porque sorrio sem fundamento.
Porque te quero e não te sei ter!
E assim morro.
Morro vivendo sufocada
Entre as quatro paredes rasgadas e pintadas.
Se eu pudesse colaria com toda a fita-cola,
Remendaria tudo o que fiz e deixei por fazer
Por falta de vontade, engenho ou ousadia.
Mas não há fita-cola que baste.
E se houvesse, não a saberia sequer usar.
Por isso faço, lamento e refaço… no mesmo erro.
Na mesma perdição e loucura
Na mesma falta de espírito e glória.
Está tudo bem.
Destino traçado e cumprido.
Frustrado, tranquilo, inquieto e resolvido.
Dualidade de tudo o que não pode ou deve coexistir
Mas fruto disto que me conheço e me preservo.
Me mantenho e me aguento.
Imutável.
Até ver!Outubro de 2008
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