Lista de Poemas

ÂNSIA REPRIMIDA

Li nos teus olhos por todos esses anos
Que juntos estivemos tão longe e perto
Tu eras meu oásis, às vezes, só deserto,
Universo de areias nos meus desenganos!

Li nos teus olhos em doces devaneios
A erguer-se exausto imenso castelo...
Tu foste da inspiração o verso mais belo!
Um mar de saudades, de dores e anseios...

Tu leste nos meus olhos tristes rasos d’água,
O pranto que inunda os sonhos da minh’Alma,
São vertentes a se perpetuar dentro de mim;

Se acaso me ouvires distante a chamar-te,
São juras contidas em mim por amar-te...
Se já não me escutas, por que sofro assim?

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ALMA SOTURNA

O sol se debruçou sobre meu rosto
Um brasido a crepitar em chamas
Refulgentes horas de desgosto
No coração chagado que te ama!

Alma Soturna... divinamente pura!
Abra-se em flores de míseras vaidades
Tateio sombras em cinzas de amargura
No pátio alucinante da imortalidade!

A espalhar-se em pétalas de luzes
Esses espinhos a enfeitar as cruzes
São asas paradas do meu desejo;

Desvairada e tonta ando a vagar...
Leves passos em nuvens a flutuar...
Quimera d’Alma em sangrentos beijos!

 

 

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ABANDONO

Lamentos e perdões são desenganos
A me turvar em névoas o pensamento
Eu vivo pra chorar meus sofrimentos
Eu morro pra esquecer os meus enganos!

Se o abandono da alma me traz a paz
Que vela as sepulturas e os mistérios
A contemplar de longe os cemitérios
Esse silêncio é meu, comigo jaz!

Que me levem os corredores dos aflitos,
Se ninguém pode ouvir meus gritos,
A clamar misericórdia de outra vida;

Se Deus teceu as mantas com bordados,
Em brancas rendas os céus trabalhados,
Por que não digo adeus à despedida?
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AMOR DO MEU AMOR!

Eu hei de suspirar os teus desejos
Em cântaros perfumosos nos rosais
Eu hei de aventurar milhões de beijos
Em sopros de favônios nos pombais!

Eu hei de amainar os teus anseios
Em luas prateadas frente ao mar
Eu hei de evocar prantos alheios
Em campos de alvos véus a florear!

Fizemos do amor ondas de espuma,
A flutuar em nós uma após uma...
A ilusão dispersa dos outeiros;

Ah! Se eu tivesse asas a ruflar os céus...
Um pássaro a sonhar os sonhos meus,
e beijar todas as flores do canteiro!

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DESCONSOLO D’ALMA

Os meus passos deslizavam mansamente
No espaço indefinido do horizonte...
Enquanto a bruma sacudia lentamente
Um sopro perfumoso em minha fronte
Eu adormecia os meus sonhos doirados
Sob os lençóis macios da ilusão...
Nem sequer vi-os dormir desventurados
Sobre o leito da minh’alma em solidão!

A vida aproximou-se dos meus dias
Pediu-me licença pra ancorar
A sua embarcação nas noites frias
Nas ondas refulgentes do luar...
Caíram silenciosas do meu rosto
Da face, o meu pranto a soluçar...
As lágrimas são pingentes de desgosto
As tuas mãos nas minhas escondem o mar!

Não sabes avaliar a minha dor
Nessa distante ausência a te esperar
Os meus olhos banhados de amor
Em conchas cristalinas a velejar...
São duas esmeraldas – dois rubis
Que trago preso em minha emoção
Essa saudade em brasa nunca diz
Se vai morrer de amor meu coração!
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VERSO E REVERSO

Debaixo da árvore do sol...
Vi meu sonho alvorecer
Como se faz um poema
Com asas de borboleta
Sobrevoando dois versos
Como se ter ou não ter?

Debaixo da árvore da noite...
Vi meu sonho se esconder
Como se faz uma estrela
Com um brilho prateado
Iluminando o luar...
Como se ver ou não ver?

Debaixo da árvore da vida...
Vi meu sonho renascer
Como se faz uma flor
Com pétalas, perfume e cor,
A irradiar tanta beleza...
Como sentir ou não sentir?
 
Debaixo da árvore do mundo...
Nem vi o sol que desponta
Nem vi a noite que dorme
Nem vi a vida que geme
vi o poema que grita
vi o luar que pranteia
vi o meu sonho que canta!
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AMA-ME MUITO!

Ama-me meu amor, e por que não?
Fúlgidos rubis entontecidos...
São os meus nos teus lábios unidos
Meu coração dentro do teu coração!

É uma febre-terçã que de mansinho
Toma todo nosso corpo, a Alma...
Aos poucos se esvai e se acalma
A febre, o rubor devagarzinho...

Amemos meu amor, que tudo passa,
Célere como o dia, vens, me abrasa!
Deixa-me presa aos sonhos teus...!

Amemos meu amor, que o mundo é vão,
Beija-me! A fumaça é a ilusão...
A saudade tua, os devaneios meus!

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AUTORETRATO

Pintei o meu rosto
Com todas as tintas
Vi nele o desgosto
Não há quem não sinta
Na face estampada
Vida estagnada
Monótona e sucinta!

Desenhei meu retrato
Com traços marcados
Vi nele o relato
Sombrio do passado
No contorno que existe
Parece tão triste
Martírio dobrado!

Tentei tudo enfim,
Mostrar como eu sou
Um pouco de mim
Desde que começou...
Memórias da infância
No peito a ânsia
Que nunca acabou!

Fiz de cada poesia
Uma razão bem maior
Sonhos e fantasias
O perfume da flor
Nas tardes vazias
Nas noites sombrias
Buscava o amor!

Mas nunca o tivera
De mim se escondeu
E na primavera
Com ela morreu
Deixou-me tão só...
Desconsolo sem dó
Partiu, não viveu!
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LIVRO DE SEGREDOS

Esse livro é de sombras e claridade
Fala do riso, da dor e de toda emoção,
Fala da lágrima, do amor e da saudade,
Da luz eterna a iluminar a escuridão!

Esse livro é de ilusão e desventura
Fala de sonhos, de cor e eternidade,
Fala da vida, da morte e da amargura,
Da flor das horas a verter piedade!

Fala de mim a buscar-te na primavera,
Fala do tempo e dessa longa espera,
A qual tenho que vivê-la inutilmente;

Fala de ti a surgir além do cansaço,
Dos beijos que não dei e dos abraços,
Que não tivemos consequentemente!

 

 

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AGONIAS D'ALMA

Irei te decantar em prantos e versos
Que essa inspiração puder me dar...
Em vasos de cristais quero te amar
Em rosas de florais todo universo!

Irei te decantar sonhos em plumas
Canções a versejar belos poemas
A declarar-te assim o meu dilema
Nas ondas do mar cheio d’espumas!

Se essas rosas falassem o que eu penso,
Poderiam perfumar esse amor intenso...
Que vivo a recolher na triste poesia;

Se tu soubesses o quanto te desejo!
Muito mais que o sabor desse teu beijo
A me tocar por dentro essa agonia!

 

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Comentários (1)

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jrunder
2020-08-02

Muita qualidade nos seus poemas.