Lista de Poemas
Sinto um tsunami léxico em mim:
As palavras, expressões e metáforas
Sobrepõem-se e eu, sem âncora,
Afogo-me neste oceano sem fim.
Numa tentativa infrutífera de emergir,
Deixo-me levar pela forte corrente -
Transponho para o papel, desordenadamente,
Todas as ideias provenientes do seu surgir.
E no momento em que sinto elevação,
E capto os raios solares refratados,
Retorno à penetrante e marítima escuridão.
Para sempre assim eu hei de permanecer:
Aprisionada nas profundezas dos meus intrincados
Pensamentos; na minha maresia de ser.
uma coisa de um outro mundo
Situada na região do visível,
Incide nesse teu sereno olhar
E nele reflete o quão incrível
É amar-te.
O cintilante e cândido fulgor
Pertencente à cara e doce Lua,
Desentenebrece qualquer dúvida
E evoca-me que nada é superior
A ser tua, e somente tua.
As sublimes e infinitas marionetas
Do destino e universo, por serem as
Da pura ventura as próprias letras,
Escrevem todas as noites que
Nos pertencemos, para sempre.
Os nossos corações juntos carregam
Todos os universos possíveis, como
Se, desde sempre, se completariam
Pela força do destino, ou do próprio cosmos.
Tempo precioso que não se adianta nem se atrasa
Passar dos eternamente efêmeros segundos
Deixa-me exacerbadamente desorientada,
Por saber que, transcendentemente, tudo
Se lhe encontra interligado, tal como
Qualquer casa eletricamente estruturada:
Basta, apenas, que um fio fique desafixado
Para toda a luz se deixar substituir pela
Escuridão;
Basta um só segundo a mais ou a menos
Para tudo se deixar substituir por nada;
Tudo em vão.
Deixo-me, ainda, absorvida por uma outra
Escuridão - esta sendo uma característica
Do espaço desconhecido, por uma típica
Incerteza, com que me encontro deparada
Com uma certa frequência.
O ciclo de não ir e o deixar; o que já acabou
Por ir e o que ainda está por vir, de imanência
Escassos. Estes momentos fazem-me viver presa
No pensamento constante relativamente
A todos os momentos que a minha presença
Teve e terá, e que jamais; nunca,
No tempo de agora tem, no momento tão presente.
E esse presente é o único momento radiante,
Por nada ser tão genuíno como o instante
Nosso e só nosso.
O passado é da fraca memória vítima,
E o futuro é pela fértil imaginação
Sonhado.
E, no entanto, não encontro conforto
No que vivo. Encontro, somente,
No retorno, ou previsão do meu fado
- mas estes são tão soturnos.
Pelo constante medo de matar o que vivo,
Nem sequer a deixar-me viver arrisco.
Deixei-me, de forma inconsciente, capturar
Neste paradigmático e labiríntico limbo.
E não sei como dele me resgatar.
Quero olhar-te; redescobrir-te; conhecer-te
Esse teu tão misterioso e aliciante interior.
Quero-me apresentar aos teus demónios e, até,
Abatê-los, valentemente, se preciso for.
Quero tocar-te, porém, não como tu pensas:
Quero tocar-te sem tato - apenas mera conexão.
Quero beber-te a alma, e, pela voraz saciação,
Se for preciso, devorá-la até à tua existência.
Eu quero perder-me na mística dimensão
Que tu és, de olhos fechados e coração
Aberto; quero que partilhemos o cosmos.
Quero a Marte, sem ses, apenas com os nossos
Espíritos fundidos num só - e se for
Preciso, faço o Sol girar à nossa volta, amor.
Enquanto deambulo numa clara noite
Uma curva do mais puro esclarecimento
Atravessa, magicamente, a minha mente,
E torno-me possuidora do teu segredo.
Tu és como a Lua, já que, naturalmente, e
A partir do teu acutilante e belo semblante
Enganas quem te olha inocentemente:
Tu não és crescente; tu és minguante.
Viver constantemente a partir de ânsias
Recalcitrantes é a tua sorte, escrita
Nas estrelas do mundo mais longínquas.
Eu sempre saberei quem és e quem serás,
E por tal profeta e iluminada prerrogativa,
É que te espero onde, uma noite, chegarás.
Gävlebocken
Não sei se a Terra colapsa, ou se eu sucumbo
À fábula que é acreditar na coexistência
Da minha consciência viciada e deste mundo
- a minha essência não passa de uma besta;
Da personificação mais fiel de uma criatura
Para lá da putrefação, velada pela
Rigidez dos músculos deste focinho frígido,
Que mascara, em estoicismo, esta mortal loucura.
É loucura, sim - não vejo mais ninguém assim;
É mortal, sim - não paro de sonhar no meu fim.
O meu coração afunda-se a cada vez mais
Que eu tento, nesta infinita fossa de perdição
Que é viver, sentir sinais vitais e ver astrais
Premonições que vaticinem o meu destino
E que me façam acreditar na pura ilusão
Pela qual todos os outros humanos querem
Continuar a viver; continuar neste martírio
Envolto de demónios e espíritos malignos
Que assombram até a epítome da inocência;
Que deturpam até a fonte ancestral de imanência
Humana - esta infame sacromania profana
Que, de transcendência apenas a decadência.
Fogo que arde sem se ver é a minha alma,
Desde que imersa neste vórtice terreno
- inflamou-se em infinda incandescência,
E agora, entre cinzas perdidas, a bruma
Encobre o que sobra de mim neste inferno,
Meros vestígios da minha certa inexistência:
Maldições, mentiras, sátiras e blasfémias.
Que o fogo não cesse, antes me consuma,
Queimando eternamente a minha ausência;
Pois viver é ser cinza que se esfuma,
E morrer, oh! A derradeira recompensa.
Nem por instantes cogitei ser necessário
Nem por instantes cogitei ser necessário
Reencaminhar das cordas vocais aos lábios
A plenitude que na minha alma despoletas,
Visto todo o meu ser te servir a ti, apenas.
Pensei, até, que fosse pelo contrário:
Um superlativado indubitável facto,
Já que dele parto para qualquer ato;
Já que, meramente, ajo a teu apanágio.
Tão indubitável que se torna avassalador
Este sudário interminável de vazio,
Que me cobre quando não estás presente.
Mas, tão sublimemente o meu espírito sente
Cada renascimento que em mim incendeias, de amor...
A minha génese é abraçar cada último suspiro.
Beautiful Moon, don't cry
The crescent gibbous Moon cries with relief at night,
As she feels, deeply in her craters, the consummation
Of her prophecy; as she feels the waxing brighter light,
Cleansing the Universe's blur, through deific purification.
Completely insanely absorbed by blazing, cathartic hope,
She seeks for guidance among the stars, while horoscopes
Are being sunk in the depths of light-scattered seas by her
- the only astral tides she continues to love being a voyeur.
Despite the purification wave, the Moon has a dark secret
Remarkably, nicely and deeply hidden in her taciturn core
- what she doesn't know is that even the silent and deepest
Seashells, during a storm, can be brought by a wave to shore.
As the storm subsides, and the truth emerges from the deep,
Moon embraces her shadow, no longer afraid to be eclipsed.
Still, she shines with a newfound light, both dark and bright,
And dances, in the sky, whole in this purgatory cosmic night.
o meu mundo intacto/ a minha bola de cristal
Através dum frio, emocionalmente nulo e insensível
Vidro, enquanto sonho no dia em que será possível
Parti-lo inteiramente, e sentir, final e intensamente,
Cada molécula; cada átomo; cada eletrão.... e
Aquela leve e calmante brisa na minha dormente,
Nua e áspera pele.
Não obstante, mas de forma irónica, acabo por graças
Dar aos Céus, por me manterem aqui resguardada,
Na minha própria bola de cristal, pois vejo lá fora
O completo caos e apocalipse implementados nas
Mentes mais desumanas, pela sanidade atribulada
E consumida pela sede insaciável de poder tomadas.
Talvez sinta a minha pele áspera e sedenta por alguma
Imanência da vida,
Mas é melhor sentir a aspereza na pele, do que o sangue
Na boca.
o meu mundo intacto/ a minha bola de cristal
Através dum frio, emocionalmente nulo e insensível
Vidro, enquanto sonho no dia em que será possível
Parti-lo inteiramente, e sentir, final e intensamente,
Cada molécula; cada átomo; cada eletrão.... e
Aquela leve e calmante brisa na minha dormente,
Nua e áspera pele.
Não obstante, mas de forma irónica, acabo por graças
Dar aos Céus, por me manterem aqui resguardada,
Na minha própria bola de cristal, pois vejo lá fora
O completo caos e apocalipse implementados nas
Mentes mais desumanas, pela sanidade atribulada
E consumida pela sede insaciável de poder tomadas.
Talvez sinta a minha pele áspera e sedenta por alguma
Imanência da vida,
Mas é melhor sentir a aspereza na pele, do que o sangue
Na boca.
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