Lista de Poemas

Rodeia-me, com uma formosura fascinante,

Rodeia-me, com uma formosura fascinante,
O filho cerúleo de Póseidon, recalcitrante,
Através de angélicas, ainda que brutalmente
Mortíferas, ondas, pela verdade transparentes.

Elas, através da sua clareza e sonoridade,
Relatam-me todas as suas vivências e 
Os segredos das criaturas que fazem de
Lar os lugares mais profundos, desde sempre.

Utilizo uma concha como caneta, afim de,  
Nas sobreviventes e esculpidas rochas,
Eternizar o seu mais belo testemunho. 

Não obstante que a gravura seja pelas ondas 
Revitalizada, perdurará sempre o alicerce
Das profundezas do mar; do mundo; tudo.
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Até a Lua, de tamanha suprema divindade

Até a Lua, de tamanha suprema divindade,
Deixa-se consumir pela extrema soledade 
Ao refletir a luz do Universo, e desaparece
Por breves momentos; foge; desiste; eclipse.

Até o vento, tão forte e intenso, ardente,
Deixa-se enfranquecer ao perder a areia,
Que com tamanha dedicação passeia,
Num milésimo de segundo, perdidamente.

Não obstante,tu prometes que me queres
E que me amas eternamente; para sempre,
Independentemente do seu real significado.

E eu, embora todos os trágicos precedentes,
E perante a ingenuidade ao amor subjacente,
Acredito, do meu corpo, bocado a bocado.
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Serás tu afinal uma estrela disfarçada?

Serás tu afinal uma estrela disfarçada?
Somente me encontras de madrugada,
Quando o fulgor do luar incide nos teus
Olhos estrelados, e encandeia os meus.

Serás tu afinal uma estrela disfarçada?
O teu toque deixa-me desesperada
E a arder por ti, como se algo tão distante
Como tu pudesse colidir-me; reinventar-me.

Enquanto eu tento re iluminar-te, desvias-me
A mim própria para as poeiras e estrelas
Que, num aglomerado, criam o teu brilho.

Porque é quando eu menos espero, que te 
Denotas num buraco negro e me levas
Nesse inferno consumidor de luz contigo.
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Escrevo-te, assim, em cada verso,

Escrevo-te assim, em cada verso,
Mas sempre totalmente inverso,
Pois, amor, não sou eu que copio-
-te; apenas te escrevo e recrio.

Seria ilógico e desprovido de sentido
Deixar a tua amargura na minha poesia,
Não, não!; Tornei-a numa doce harmonia,
Que te encantaria e deixaria perdido.

Perdido no saber sobre o que podias ser,
Se tu fosses aquilo que eu tanto escrevo,
Em vez de seres o que eu tanto temo ler.

Esses teus olhos, tão escuros, tanto os vejo
Na minha poesia; mais profundos que o mar;
E tão, tão mais complexos do que rimar...
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