Escritas

Tempo precioso que não se adianta nem se atrasa

Trouxxana
O contínuo e completamente alheio do mundo
Passar dos eternamente efêmeros segundos
Deixa-me exacerbadamente desorientada,
Por saber que, transcendentemente, tudo
Se lhe encontra interligado, tal como
Qualquer casa eletricamente estruturada:
Basta, apenas, que um fio fique desafixado
Para toda a luz se deixar substituir pela
Escuridão;
Basta um só segundo a mais ou a menos
Para tudo se deixar substituir por nada;
Tudo em vão.

Deixo-me, ainda, absorvida por uma outra
Escuridão - esta sendo uma característica
Do espaço desconhecido, por uma típica
Incerteza, com que me encontro deparada
Com uma certa frequência.
O ciclo de não ir e o deixar; o que já acabou
Por ir e o que ainda está por vir, de imanência
Escassos. Estes momentos fazem-me viver presa
No pensamento constante relativamente
A todos os momentos que a minha presença
Teve e terá, e que jamais; nunca, 
No tempo de agora tem, no momento tão presente.

E esse presente é o único momento radiante,
Por nada ser tão genuíno como o instante
Nosso e só nosso.
O passado é da fraca memória vítima,
E o futuro é pela fértil imaginação
Sonhado.
E, no entanto, não encontro conforto
No que vivo. Encontro, somente,
No retorno, ou previsão do meu fado
- mas estes são tão soturnos.

Pelo constante medo de matar o que vivo,
Nem sequer a deixar-me viver arrisco.
Deixei-me, de forma inconsciente, capturar
Neste paradigmático e labiríntico limbo.

E não sei como dele me resgatar.