Gävlebocken
Não sei se a Terra colapsa, ou se eu sucumbo
À fábula que é acreditar na coexistência
Da minha consciência viciada e deste mundo
- a minha essência não passa de uma besta;
Da personificação mais fiel de uma criatura
Para lá da putrefação, velada pela
Rigidez dos músculos deste focinho frígido,
Que mascara, em estoicismo, esta mortal loucura.
É loucura, sim - não vejo mais ninguém assim;
É mortal, sim - não paro de sonhar no meu fim.
O meu coração afunda-se a cada vez mais
Que eu tento, nesta infinita fossa de perdição
Que é viver, sentir sinais vitais e ver astrais
Premonições que vaticinem o meu destino
E que me façam acreditar na pura ilusão
Pela qual todos os outros humanos querem
Continuar a viver; continuar neste martírio
Envolto de demónios e espíritos malignos
Que assombram até a epítome da inocência;
Que deturpam até a fonte ancestral de imanência
Humana - esta infame sacromania profana
Que, de transcendência apenas a decadência.
Fogo que arde sem se ver é a minha alma,
Desde que imersa neste vórtice terreno
- inflamou-se em infinda incandescência,
E agora, entre cinzas perdidas, a bruma
Encobre o que sobra de mim neste inferno,
Meros vestígios da minha certa inexistência:
Maldições, mentiras, sátiras e blasfémias.
Que o fogo não cesse, antes me consuma,
Queimando eternamente a minha ausência;
Pois viver é ser cinza que se esfuma,
E morrer, oh! A derradeira recompensa.
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