Escritas

Lista de Poemas

Desculpas

Entre tantos depois,
há um perdão,
entre tantas desculpas,
há uma intenção,
entre idas e vindas,
há uma humanidade.
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A fronde parte dos teus olhos


A minha fonte parte da tua luz,
minha sede acaba na tua boca, 
a fronde parte dos teus olhos,
minha terra é queimada por ti,
minha fome começa no teu corpo, 
o vento leva-te a minha voz nua.
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A distância de ti

A única distância que quero de ti meu amor, é a da folha e o seu caule,
A única distância que quero de ti meu amor, é a das aves e seus ninhos,
Pois se for de ir, há de voltar,
Pois se for de voar, há de ventar

Existe beleza no céu sem ti,
Existe profundidade sem teu sorrir,
Não existe apenas meu amor por ti,
Já que ais de voltar para mim e eu para ti,
Não ei de sofrer por teu partir.
👁️ 405

Pandemia

As carnes vão para onde não conseguimos ver ou sentir,
essas ocupam a terra e os céus,
a luz já não está no fim do túnel,
a luz já não habita os olhares,
a fé faz-se morada nos corpos frios,
a vida já não é mais palpável.
 
A fé adentra os cômodos,
já que lá fora o mundo paralisa,
hospitais tornam-se produtores de vida em larga escala,
milhares de pessoas procuram por oxigênio e pelo renascer.
 
A pandemia nos obriga
a acreditar cada vez mais no potencial
de integração e inclusão do mundo,
numa luta que parte de todos.
 
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O rio no meu quintal

Alguns dias atrás fui até o meu quintal,
dei passos que conduziam meu olhar ao céu,
naquele claro azul eu vi o rio, aquela água do alto
nunca havia passado por aqui antes,
o rio estava reimoso, revolto
e fazia travessia com barcos de algodão.
 
O rio passava pelo céu sem muita cerimônia,
não tinha hora marcada, nem fazia questão de plateia
quando doloroso fazia-se e voltava a chorar,
as lagrimas eram vagarosas e eu era sua única plateia.
 
A água do céu tinha um percurso que convergia no meu peito,
meu coração sentia-se morada azul de algodões passageiros,
que no percurso do rio, ia lento
e recorria toda a minha extensão.
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Aonde irá o meu destino?

Guardar-me nos retalhos
não fará o papel sangrar,
minhas veias não pulsam ao teu barulho,
ler-me os bilhetes não fará de ti ameno,
fui tanto, em tantos tons,
fui céu, fui tantos mares,
contou tuas dores
- fechei-me os prantos -
colhi meu destino na mão,
plantei as minhas incertezas.
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O poeta guarda o oco

Absorvi todas as insignificâncias,
decifrei a sujeira, pendurei-me nos ácaros,
limpei os pés na lama,
cometi o pecado da libertação poética,
fiz-me escritora do nada, ninharia as exatidões,
eu vesti-me das escórias,
rasguei o ventre e me fiz poeta,
ignorei as obviedades de ser austero,
quebrei o voto casto do verbo,
eterna linhagem de preceptores do vazio terreno,
o vácuo fazendo-se presente abaixo da língua.
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O navegar das ações

O barco que puxa a lucidez, 
a ventania das preces alcançadas, 
o ferro marcando a roupa, o pranto das mulheres reunidas,
o barro marcando as mãos dos ribeirinhos, 
a enchente do peito, que deságua nos olhos,
os pés calçando o lodo verde, 
as pernas pesadas do azul do mar, 
o horizonte fincando quem mergulha no fim, 
dilatando os silêncios das criaturas elementares.
👁️ 376

O âmago de Frida Kahlo


Aqueles olhos, grandes, com inúmeras constelações,
marcados, enraizados de dor,
sobrancelhas únicas,
Frida Kahlo, mulher que lutou,
transformou dor em força, arte, valor,
fortaleceu a cultura mexicana,
aconchegou com calor as mudanças de seu tempo,
mulher intensa, artista, pinturas redigidas, memórias de Frida,
de escrita amável, suas cartas de amor,
afago por Diego,
céu marcado por tantos amores,
lá estão os dois, sem romantização do céu,
estrelas que brilham, marcados em passos,
flor de Coyoacán,
prédio azul, árdua esperança,
pés, para que os quero, se tenho asas para voar, disse Frida,
nada é definitivo, tudo muda tudo se move, tudo gira, tudo voa e desaparecem, disse Frida,
sempre revolucionária, nunca morta, nunca inútil, disse Frida,
mulher de bravura, sempre em frente,
fluente em magníficas pinceladas, compassos do enlaço da vida,
trágicos acontecimentos,
tanta magnitude em meio ao tormento de Frida,
mulher de desintegração, movimentação,
o sentir alimentou seu corpo e alma,
Frida.
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A água e o caminho

As estradas que recorrem em mim
são as mesmas que desconheço
quando deito em minha cama,
a sede que me têm não há água capaz de matar,
gosto de sentir o gosto da vida contida na liquidez da água,
na subordinação da palavra ao tendência-la,
nossos toques efêmeros no paladar da alma.
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Comentários (14)

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Francisco Guilherme
Francisco Guilherme
2024-02-07

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte
camila_duarte
2022-12-04

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio
joaoeuzebio
2020-07-27

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa
felixa
2020-05-25

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

thaisftnl
thaisftnl
2020-05-19

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!