Escritas

O poeta guarda o oco

Thaís Fontenele
Absorvi todas as insignificâncias,
decifrei a sujeira, pendurei-me nos ácaros,
limpei os pés na lama,
cometi o pecado da libertação poética,
fiz-me escritora do nada, ninharia as exatidões,
eu vesti-me das escórias,
rasguei o ventre e me fiz poeta,
ignorei as obviedades de ser austero,
quebrei o voto casto do verbo,
eterna linhagem de preceptores do vazio terreno,
o vácuo fazendo-se presente abaixo da língua.
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Comentários (1)

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wilson1970
wilson1970
2020-04-13

você escreve com muita inteligência . Sou fã da tua poesia !