Escritas

Lista de Poemas

A sala e o vento

O vento em meu rosto,
o ar entrando em meus poros,
minha boca que o sequestra,
o tempo transcendendo ao chegar em minha mente,
o sol birrando atento,
ao me ver no alento,
o cômodo dessa sala,
que esquenta os frutos,
o vento gritando ao rasgar as falas inadequadas,
essa é a graça, a desgraça, a massa,
que engole os insultos ditos pelo ar.
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Meu cerne

As veias que resguardam o meu sangue,
sorriem para meu corpo, embebedam meu ser,
transpassam minha pele, aprofundam meu cerne,
engendram as ideias para afunilar-me em berço sútil,
esquentando a estrutura celestial
e as caravelas que nos percorre,
e as caravelas que nos movimenta,
no fim...
laceram nosso último fio de cabelo,
meu cerne é eterno como a natureza,
meu cerne é perene como o horizonte dos olhares.
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A busca pelo utópico

O amor se veste de tantas formas,
cores e melancolia,
por lugares vistos, não encontrados,
variados,
devastados,
onde não há razão para haver cor,
porque é o estar fora do imaginável,
bem próximo dos projetos bizarros,
ao encontro do utópico,
onde a mente bruta, tardia, promiscua, nítida,
berra por probabilidades perfeitas.
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70. Portas no ponto

Os sentidos das portas que se fecham,
São muitas expressões do infinito,
Na existência da escuridão que finca os arcos do peito,
Na carne viva do coração,
Na ponta da luz, que rasga e vibra a cadência,
Os feixes que perpetuam a imensidão,
São o necessário para o fisgar da nuance da mente,
Os pontos finais,
as vazes não passam de uma porta fechada e uma reticência oculta,
com uma reticência e uma porta fechada,
é que se fazem as vidas.

 

 

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Podres poderes

As letras embaralhadas
A fragmentação que paira no horizonte
A riqueza benevolente das cores que pintam o oceano frio.
 
A tinta azul que rasga o céu
A terra fértil no enrolar dos cabelos
Marcando os dedos
os pés alternando as dores.
 
Os sonhos tão singelos
A destruição da dignidade
Os podres poderes.
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Força do verbo

No limite do tempo
Eu vou me moldando
Na raiz do dia
Eu sigo o sossego do sol
 
No limite do verbo
Me faço na força do verbo
Porque forte são as palavras
E fraco são os atos diante de nós
 
O delírio do verbo carrega o cheiro de fulô,
A relva do meu corpo vem da natureza
Quente e úmida da terra
Onde houve a criação do fantasiado verbo
 
O silêncio conversa com outros instantes
O vazio nascente é cantado pelos grilos
E em nossos olhos há instantes e grilos
👁️ 311

Janela

Quando abro os olhos observo uma janela marrom
o quarto branco me cega toda manhã,
na minha vista cresce um pé de acerola,
essa fruta tropical com gosto ácido,
banha toda minha família nos almoços,
me enche de nostalgia
as acerolas que frutificam no me quintal.
👁️ 303

Momentos

O desejo é uma linha tênue entre o encontro e a perdição,
e hoje eu não quero me perder,
quero me encontrar.
👁️ 275

Desatino

Estou faminto
O ventre entorpecido
O corpo em polpa pura e fina
Nesse fruto de regozijo
 
Na rosa de leite os encontros
No tecido o rigor dos corpos
No travesseiro o algodão
 
Entre o pulso
O suspense e o movimento
No desfalecer das pernas
 
A curva do desatino
O paladar doce como as rosas do meio dia
 
Longo é o movimento
E lento os lábios cedendo
O meu falar ameno
 
Onde tem rompante
Pele seca
Onde tem desatino
Tem lábio lendo
Se lendo.  

👁️ 339

Não podemos amarrar nosso tempo

Te perder de vista na minha quimera,
te perder sem ao menos te achar
como posso não encontrar tua cor, gosto e pudor,
na cidade que não te guarda.
 
Na polpa dos meus dedos não existe tu,
na minha mão não há teu toque,
não podemos ser selvagens,
não descobrimos como se amarra o tempo ao perder de vista as horas,
nem intuímos nosso interior em comunhão.
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Comentários (14)

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Francisco Guilherme
Francisco Guilherme
2024-02-07

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte
camila_duarte
2022-12-04

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio
joaoeuzebio
2020-07-27

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa
felixa
2020-05-25

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

thaisftnl
thaisftnl
2020-05-19

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!