Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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O desgastar

A sola do sapato gasto pelo tempo
é apenas mais uma representação
do desgaste de quem o usa,
o tempo tem o poder de gastar a
camada abstrata da alma,
a camada móvel
do gasto
ganho
do desgaste.

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Poemas

82

Não podemos amarrar nosso tempo

Te perder de vista na minha quimera,
te perder sem ao menos te achar
como posso não encontrar tua cor, gosto e pudor,
na cidade que não te guarda.
 
Na polpa dos meus dedos não existe tu,
na minha mão não há teu toque,
não podemos ser selvagens,
não descobrimos como se amarra o tempo ao perder de vista as horas,
nem intuímos nosso interior em comunhão.
325

Tua palavra vazia

Na ausência da tua palavra,
na demora da tua prese,
nos vestígios que me apetece,
tua fuga ao meu olhar,
a tua presença na minha folha enraíza teu fugir,
não existe canto aonde tu possas ir.
272

Desculpas

Entre tantos depois,
há um perdão,
entre tantas desculpas,
há uma intenção,
entre idas e vindas,
há uma humanidade.
265

Contador de poesia

Apaixonar-se por um poema é
tornar-se contador de fantasias,
apreciador de linguagens alucinógenas.
341

Meus astros

As canetas que me constitui
borram a imensidão de estrelas
perdidas, soltas de seu porto,
somente lá elas conseguiam ser sorridentes e meigas,
em meu peito há navios,
sou percorrida de raízes,
a existência brutal do ser é a essência de milhares de astros perdidos,
e galhos que os atravessam,
como quem vê o horizonte aplaudir,
como quem vê o adeus no olhar de um besouro.
311

Poema de versões

Escrever poemas é como tecer palavras
nas linhas do meu coração,
estou em uma ilha e eu sou meu próprio porto,
aqui tudo é cheio,
vago e rabiscado,
tudo parece preconcebido,
minha mente e meu corpo
vão se moldando em várias versões perdidas no espaço,
como todos os outros seres.
329

O ruído das insignificâncias

Os talheres, seus ruídos que ganham voz no almoço de domingo,
teu corpo e os talheres,
a tempestade de inverno que está por vir,
a frieza sentida no verão,
o romper de um canal correndo água,
o devastar das mais belas formigas,
o desaguar solicito de tantas existências,
amarrando eternamente seus sonhos em mar azul solar.
308

Selva de pedras

Mostre-me como se despe as árvores
presas na gaiola da vida,
politize tanto minha língua
que eu seja capaz de colocar-te
aos lírios das pedras,
as flores da selva.
 
296

Pedra do sal

 
No barco há pescadores com sede de navio,
Tomam cachaça abaixo da neblina,
Riem com lagrimas no rosto,
Pescam o peixe abaixo da garoa, que inunda a lagoa.
 
Os pescadores assam o peixe,
Amargos de insolação, preparam o jantar,
Já que a fome, ocupa o lugar,
No pôr do sol, mistérios de coração.
 
Ao redor há pedras que escondem o tesouro,
Não se vê o ouro, que é história de pescador,
Mas se vê só o lodo.
 
O mar quebra abaixo dos olhares, abaixo das canoas,
As ondas na paisagem fazem-me mergulhar,
Já que a chuva quarou o luar 
317

Tu és possibilidades

Quando eu olhava em teus olhos,
sinto que podia enxergar a pureza do oceano,
a bondade que não se vê em ser humano
e a mancha que crescia em teu corpo
causada por mim,
hoje sei que sempre irei te guardar em meio
a possibilidades do meu coração.
269

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!