Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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O desgastar

A sola do sapato gasto pelo tempo
é apenas mais uma representação
do desgaste de quem o usa,
o tempo tem o poder de gastar a
camada abstrata da alma,
a camada móvel
do gasto
ganho
do desgaste.

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Poemas

82

Nossas almas verdes

O raio que corre entre meu corpo,
a queimação exagerada, o vento da minha alma,
que se encontra aberta, o frio me agarrando sem medo,
a cor que passa entre os nossos lábios,
teu cabelo me enrolando, nossas almas verdes,
nossos sentidos abstratos,
me lembram o ar livre e fresco,
que simultaneamente nos encaixamos.
 
390

O quase instante

Todos nós temos um quase instante,
daqueles que não poderiam ser quase,
típico momento em que perdemos o fio da miada,
e continuamos jogando palavras do corpo,
típico momento em que cuspimos com palavras,
e escorregamos em certezas, dando espaço para a ignorância,
sendo vão,
as vezes somos tão afiados quanto a língua portuguesa,
e somos tão ríspidos quanto as pedras,
nesses quase instante que te cerca,
onde o ruído, é um grito.
 

 

353

Tem muito de mim

Existem dias que eu te enxergo em mim,
em outros dias não enxergo nada além de uma vista para o mar,
e há dias que estão cheios de ti,
e outros que não tem nada além de um horizonte finito,
eu sei bem que tu querias me enxergar em ti,
mas tem muito de mim
para caber em ti.
 
327

Portas no ponto

Os sentidos das portas que se fecham,
São muitas expressões do infinito,
Na existência da escuridão que finca os arcos do peito,
Na carne viva do coração,
Na ponta da luz, que rasga e vibra a cadência,
Os feixes que perpetuam a imensidão,
São o necessário para o fisgar da nuance da mente,
Os pontos finais,
as vazes não passam de uma porta fechada e uma reticência oculta,
com uma reticência e uma porta fechada,
é que se fazem as vidas.

 

 

331

A desordem comum

O tempo em cadência no ponto
em que as fissuras amarram os eixos gerais,
o gastar dos mantras tocando laços rompidos por extratos terrosos,
sugeridos no olhar de moças regionais,
acostumadas a nadar na desordem de um pequeno cais.
829

Eu sou, ou não sou

Eu era como um código que habitualmente não podia-se decifrar,
Eu era o que ninguém conseguia entender,
Eu era as pazes entre a minhoca e o pássaro ,
Eu era um trovão num lugar de paz.
 
Sou um sonho que não pôde ser concretizado,
Sou como uma alma enviada à terra para descrever o amor,
Logo eu que já falei tanto da boca para fora,
Logo eu que pouco caso já fiz com quem me amou.
 
Tenho sede de laços corporais,
do toque da folha verde ao chão quando o vento bate
Tenho fome de rastros que nunca ouvi, de pele macia respingada,
Tenho urgência dos lábios tocando-se.
 
Pouco me fiz nos rastros,
Pouco procurei-me nos cantos,
Pouco pinto meu eu, porque não há cores
capazes de me tingir tão bem como eu mesma.
 
613

O eco da saudade

A saudade ocupa essa vaga no peito, 
um buraco que queima pouco a pouco,
esse espaço preenchido pela saudade, 
é matéria de poesia. 

A saudade faz-me sentir o eco, 
tapeia-me o peito, amarga o doce, 
segura meu coração e aperta, 
espera ele sangrar e lentamente para. 

Essa dor faz quarar a alma, 
- me aplumo ao senti-la -
me comove, me aperta e me custa noites. 

Essa dor que me atrofia o coração, 
é delicada, como linha de algodão, 
essa saudade repousa e me faz vagar em outros corações.  
 
444

Vivência poética

A terra fria encima de mim, 
meu tecido em contraposição a um canto escuro, 
meu corpo avista seres perdidos, todos ali, 
sinto minha garganta invadida por palavras
o verbo fecundando-me toda manhã, 
o útero rasgando a extensão do meu corpo, 
minha mente amarrada num foguete perdido no espaço, 
meu suspiro quando o verso me aniquila o peito, 
meu suspiro quando o verso me bombardeia as mãos, 
o papel recebendo-me nos seios, 
a democracia das almas que vivem dentro de mim 
percorrendo a linha tênue que faz-me ser poeta. 
486

Pulsos

Sinto um rio correndo na veia,
não há como mergulha-lo,
só há como senti-lo,
no meu pulso, há correntes fortes e leves,
como corrente de rio.
389

Não és viajante do mundo

Não és desbravador quem nunca se aventurou
no ventre de uma mulher,
não és viajante quem nunca sentiu sede, fome e medo,
aos olhos de uma mulher,
não és navegador tu, que se afogou,
nas marés estimulantes das mentiras femininas. 
397

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!