Escritas

Lista de Poemas

amar sem ser... sem ter... sem saber prá quê?

afastei-me
de
meus
pensares

afastei-me
de
toda
sentença

afastei-me
de
meus
saberes

sinto-me
alerta
aberta
vaga

sem crença

sinto-me
livre de escolha

sem sentido
consentindo

incapaz
de
paz ao repassar

ao
definir
sou
definhar

assustadora
sensação
de ser tudo
em
apenas
UM

sensação de viver
sem
nenhuma
idéia
complementar

sensação
de
amar
por
amar

amar
sem razão

é
uma
prova
ou
uma
provocação?

sensação
inédita e tamanha

muito
estranha

amar
sem
direção

sem causa
certa
de
ser
ou
fazer

existir
é
o quê?

direcionado...
o remar
é
naufragio

amar por amar
amar
o mar
há mar
amar... remar

amar
é
mais

mais
do que o quê?

é
saber-se
amando

desembaraçando
das redes
de
tudo
que já foi fisgado

amar
é
não
saber
não amar

amar
sem
sentidos
é
todo
sentido


👁️ 217

querer

na busca
parecemos ser duas

na busca
queremos ser unas

na busca
nos percebemos
sendo
uma
em duas

uma
em
multiplas

na busca
nos rimos

na busca
nos cansamos
de
buscar um jeito
tolo
de ser

na busca
nos
alargamos

nos assustamos
ao tentar
compreender

na busca
encontramos
jargões e enquadramentos

muitos modos
de
SER

NA BUSCA
ABSURDA

SOMOS
E
NOS TORNAMOS
SURDOS

TENTANDO OUVIR
O SILENCIO
PREENCHIDO
DE
MIM
COM
OU SEM
VOCÊ

É
ASSUSTADOR
PERCEBER

E
NÃO CONSEGUIR
OUVIR
E
DIZER


Não me assusta
não
ser
capaz
de
fazer-me
compreensivel

não me
assusta
não dizer

me assusta
o querer
👁️ 265

sorria

alegria
é
a
linguagem
da
alma

sorria
e
abrace
com
alegria

sorria
com
o
corpo
dando
asas
a
imaginação

sinta
a
delicia
do
toque
e
do
pulsar
do
coração

sorria
com
vida

sorria
por
ser
você
aquele
que
é
e
sente
no
corpo
a
expressão
do
prazer




👁️ 270

afloras

beijo
o
botão
em
flor
que
se
abre
docemente

pétala
de
um
amor
brotando
de
una
semente

labios
que jorram
mel

no
corpo

deleite
quente

frenesi
sons
dedilhados
ritmando
tons
de
mim

gozo
fácil
largo
intenso

mergulho
nas
águas
de
ti


espaços
que
nos
preenche
de
despojada
nudez

flor da pele
aflorada
afagando
sem
pudor
todo
seu
algo
profundo

um
beijo
vindo
do
céu

ressoa
palavras
bem vindas
conheço
seu idioma
na
ponta
da
minha
língua












👁️ 256

Amar-te... Em Marte

me apaixonei

pelo teu...
não sei ao certo!

pelo
não te saber
por inteiro

pelo nosso grande mistério

me descobri
curiosa e
atenta
num pequeno mundo

no diminuto
absurdo
da grandeza oculta

gravitando
ao teu redor
subjacente

atraida à você
me senti como que...
flutuando a divagar

em seu
e em meu
tudo nada
neste espaço
ausente

tudo era
e
está
no tempo presente

contente
por não
saber quem de nós
seria

apaixonei-me
por
todo esse estado de ser
enorme
e
sem nome

sendo todo e tudo
um só movimento
de
incompletude plena


solto... frouxo... absorto...
ligado por um
silencio ôco

seguindo ao encontro
de
algo vago

sem mim
nem ti
definidos

quem sou
eu neste agora?

amar-te
e
inspirar-te
com ares de arte
moderna

como
grande é a alegria
daquela inocente
menina que habita
em ti
e
em mim

no continuo ar
que nos revive

contigo sou
e
nada
me
é
negado

desde
que
eu
em suma
não pense
em limites
e
nem me resuma

a um sujeito oculto
em meio
a
verbos no passado
e
adjetivos tolos

assumo sem medo
não ser plenamente...
ainda

liberto-me de tudo
o
que
me
contaram
ser EU

começo algo novo
agora e sempre
neste contínuo
instânte

principio
num princípio eterno
a
principiar-me como sendo UM sempre

Estou sem limites
para
terminar-me

amar-te
é meu inicio

e
pode ser

aqui

ou

aqui

em
Marte

estamos enfim
destinados a amar

em toda e qualquer
parte

somos
um só
sem começo

reconhecendo
UM algo
GERADO VIVENDO

gestando cá dentro
como um lá imenso...
sem fim




👁️ 228

divino presente

descrever-te
com
as exatas
palavras
tão falhas
na
ponta
de
minha língua

deleitar-me
com seu
sabor
quente
e
aconchegante

desfrutar-te
ao
desnudar-te
como
fruta
madura

desejos absorvidos
na
boca molhada
fonte
de
um doce
mel

descobrir-me
no seu
todo
quente
num
gozo
banquete
misto de
estase
com
celebração

abraçar-te
me
inspira
a
delicada
arte
ao
desembrulhar-te
das
roupas
com as
próprias
mãos

tocar-te
é
amar-te
com
inspiração

você
é
comigo
um

e
divino
presente
desde
sempre



ella de castro


👁️ 325

medo de ver

seu amor
é...

semente
de
flor
contida

seu olhar é...

sem viço

opaco
turvo
apagado

mirando
o sonho

assustado
de
uma cova
pouco profunda


aterrado
amar
inexprecivo

frio
é

o
chão
a

te
aguardar






👁️ 318

bico de sinuca

nunca
até
agora
me
vi
num bico
de sinuca

agora sei
o
que
é

pode
ser
algo
a
ser
apenas
analisado
e
superado
mesmo
que
a
caçapa
não
revele
um
perfeito
encaixe
na
bola
fora
que
cutuquei

viver
é
jogar
sabendo
que
tudo
é
ganhar

nem
que
seja
experiência
devida

a vida
não
paga
dividas

a vida

ganha
mas
nunca
barganha

apenas
convida

o
erro
é
uma
forma
de
ajuste
que
acerta
as
faltas
sofridas




👁️ 340

cores de amores

pintei você
com as cores
dos meus
sentimentos

quadro real
na
moldura
irreal
onde
você
não
se
enquadra

inacabada pintura
misto de
escultura
onde
cultivo
mil flores

nada se vê
e
tudo que pinto
logo se
desvanece

você tão imensa
num piscar
de olhos
diante
de mim
desaparece

imagem fortúita
que escapa
ao movimento
de minha compreensão
por
entres os dedos
de
minhas próprias mãos

revelando
no espaço
da tela viva
o seu mais belo
não visto

indomável
esboço
do meu
imaginário
sem começo
ou
fim

contorno
o
volátil
ao
tentar
descrever
e
desenhar
você

sou eu
revelado
em
meus
contornos grafados
incapaz
de
ser
algo
que vê
você

você não se molda
nem se conforma
você é sem forma
no inexato
que
apenas
me sente e contorna

com graça
me
grafas
me
enquadrando
em
meus
próprios
riscos

retrato abstrato
de meu
auto retrato
cheio
de
sentidos

existe
a
idéia
na
minha
tela
repleta
de
idéias
em branco


conjunto
de cores
vivas
e
transparentes
de
um
amor
vivo
e
quente

seu ser
é
claro
com a
divina
luz

me
inspira
a
amar
e
me
enche
de
cores
em
nuances
imaculáveis

numa miríade
de
incolores












👁️ 368

aconchego

mergulhei no seu corpo
e sem
perceber

enredei-me
em
você
como uma onda
absorta

observei detalhes
e
contrastes tais
que me
fascinaram

tateei o seu corpo
pousando olhares
no seu colo nú

deixei-me levar
por entre vãos
de sua delicada seda
em pleno mar

colada
a
seu
corpo
embalei-me
feliz
na sua pele
de lã
insinuante urdidura
feita
de
negra renda

com olhos
atentos
buscava sinais
nos seus olhos

nuances de
um
longe farol
ao meu
alcance

na
nudez
da sua
pele
semi
encoberta
flutuei

senti-me
atrevida...
ousada

nadando
em
meio àquela
trama bordada
colada em seus
limites

me rendo
aos encantos

seu alvo corpo
me
aconchegou
pelos
fios
eriçados
em seus
póros
e neste
diminuto
instante
sinto

que sou

suas mãos
a riscar
circulos azuis
no inexato
quadrado
ponteado

cantavam
as
pedras

cantava
eu

cantava
o silêncio
em
sonoro
sussurro

risos
no salão
ecoavam
a
sua
e
a
minha
alegria

do palco
das
prendas
surgia
a
magia
por
entre
letras
e
inúmeros
números

em pedaços
um bolo
de
doce limão
que
imaginei ser
eu mesma

a
derreter
com todo
prazer
no céu de
você

delicado era olhar-te
e o
meu respirar
um quase arfar
maravilhado

deleitoso o sentir
sem falar
nesse
estase louco...
calado


sutil
movimento
a todo
momento
surgia de cá
de
dentro

não queria
anotar
nem riscar
ou
fazer-me
notar
tocando
você
pelo
avesso

senti o prazer
do
meu ser estar

envolto em você
na imaginária
trama
tecida
de
nós

te
olhar
é
sentir
o
destino
da vida
nos tecendo

no meu corpo
calor

vesti-me
de
você
com todo amor
aconchegada
a
sua
presença

pura luz
que
me
convida
e
me
chama
de
vida
por dentro



ella de castro




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