Segredo
Vejam os astros celestes,
Quanta poesia sob seus segredos,
Cantigas de amor,
A luz da lua,
Ao som das águas dos rios,
Das ondas do mar,
Do canto dos pássaros,
Infinidades de versos,
Nos lábios confessam,
Aos corações encantados,
De alma arrebatados,
Num canto todo seu.
Passam as nuvens despercebidas,
Na solidão da noite,
Se encanta com os sonhos,
Que o vento testemunhou,
Contou à lua e o sol,
No alvorecer cheio de confidências.
Primazia
Em toda minha vida,
Pela primeira vez,
Vejo de modo claro,
As flores desabrocharem em meu jardim,
Percebendo o quanto eu te amo,
Beleza vertente do seu sorriso.
Eu me vejo em sua alma,
Reflexo de nossa vontade manifesta,
Emoções sob emoções,
A nos conduzir em plenitude,
Profundo desejo,
Construído no fogo das provações.
As batidas do meu coração,
Seguem o ritmo de sua cumplicidade,
Sei o quanto és importante,
Nesta ponte construída,
Com as pedras colhidas,
Ao longo do caminho.
Atravessamos os vales perigosos,
Com nossas mãos entrelaçadas,
Abertos aos desafios do amor,
Nossas vidas em busca da felicidade.
Solidão
Hoje meu dia está em luto,
Estou sem você,
Não posso ouvir a sua voz,
Não poderei sentir o teu abraço,
Sentir teus lábios nos meus.
Não demore a voltar,
Acabar com este tédio torturante,
Não sou completo sem a tua presença,
Saber que estás tão longe,
Faz de mim um pássaro sem asas.
A noite será longa,
Ao saber que não estás,
Aqui neste quarto frio,
Distante do calor do teu corpo,
Todo instante desejando o seu retorno,
Sentir o calor deste amor incontrolável.
A saudade é tanta,
Que te vejo em todos os lugares,
Ouvindo sua voz em cada canto,
Chamando por mim em meu desejo,
Sorrindo e convidando-me para uma dança,
Enquanto me dou conta da sua ausência,
Esta sofreguidão louca,
Que me arrebata a memória,
Levando-me até onde se encontra,
A razão deste amor tão grandioso.
Vitrais
Há tanta vida na vida,
Que chega doer o existir,
Quando os olhares se tornam cegos,
Emoções supérfluas,
Nos corações empedernidos.
São tantos sábios,
Que a sabedoria se fez muda,
Observando o tempo,
Prantear os seus mortos,
Em seus últimos discursos,
Engasgados em suas palavras.
Há tantas sementes sem chão,
Árvores daninhas,
Que a natureza geme em silêncio,
Perscrutando as raízes mais profundas,
Em busca de esperança.
Há tanta gente lá fora,
Desejando um pouco de amor,
Enquanto quem os tem não sabe de si,
Beijam o vento na noite mais fria,
Abraçam a tormenta em suas almas,
Enamorando-se da arrogância que os consome.
Há tantas cores sem aquarela,
Tantos céus sem nuvens,
Noites sem estrelas,
Que a beleza se aquebranta,
No mais longíquo desejo de felicidade,
Observando os avaros em seus reclames,
Os que não tem clamando de fome,
Da caridade, do abraço e da amizade,
De comida do mais simples gérmen;
Amor entre as gentes.
Completude
Em teu olhar,
Percebi desabrochar a flor,
Pétalas sorridentes perfumadas,
Da luz emanada do teu ser,
Que misturada as minhas lágrimas,
Versejou um arco íris de felicidade.
No silêncio amei o seu desejo,
Respiração a embalar tua voz,
Música dos teus lábios irrequietos,
Serenando minh'alma enamorada,
A desenhar teu corpo no meu,
Visão platônica dos meus sentidos.
A tua partida se fez saudade,
Ansiosa recordação de si,
Ensejo cálido do tempo,
Ao meu coração carente.
Cativa memória desperta,
Beleza em ti adorável vela,
Este poético desvelar do amor,
Entre as sementes da noite,
A germinar entre as manhãs,
Perdidamente em teus braços.
Audácia
Esta prosa distante da vida,
Ádito de um amor tão tímido,
Que de tanto feitiço,
De temor me espanto.
Vai a poesia em seus ensaios,
Permeando a ânsia dos sentidos,
Do seu amor não meu,
Nuances paixão inócua,
De mim que deseja amar.
Tétrica existência me inflama,
Neste folhetim sem tramas,
Que talvez em grata sorte,
Haja engano e me ame,
Me deixe adorar,
Prosaica sorte clamo,
Que em mim a solidão se acabe,
Morrendo em teu belo sorriso,
Sem hesitar aos teus braços,
O amor me encontre além do mar.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
Querubin
Argêntea luz beija o ocaso,
Escol vívido a flor germina,
Notívagas sementes quiméricas,
Efêmero perfume paira,
Ameno arrebol flutua.
Vai a brisa peregrina,
Vestida de vento divino amor,
Imitando a voz das ondas,
No perene mar da eternidade,
Olhar invisível de um sorriso.
Venerável criança brinca,
Imitando alvas estrelas,
Serena lisonja celeste,
Escutando o infinito,
Aspirações da alma enleva.
Propósito
Epopeias os ventos trazem,
Em suas asas de lugar incerto,
Desígnio aos olhos,
Abrigo de um deleitoso maná,
Estes cartapácios que chegam de lá,
Erudito pouso eminente dos versos,
Substancial segredo refúgio.
O encanto desabrocha em páginas,
Ápice adorável peregrino,
Atalhos de emoções,
De sentenças alusões.
Colóquio
Lá fora há um dia insolente,
Coisas demais sob o céu,
Incongruência de mim,
Metáforas disformes do medo,
Expressões indecifráveis,
Furtiva banalidade da dor.
Ludíbrio da vida?
Queria abraçar as estrelas,
Sentir o infinito que surpreende,
Gritar bem alto,
Acordando o meu universo.
Me vejo na multidão,
Me fundindo ao caos invisível,
Ao poder mortal,
Em meio a olhares dispersos,
Num breve silêncio do outro lado.
São tantas paradas imprevistas;
Bifurcações do destino,
Que mais cedo ou tarde,
Nos revelará o segredo.
Sigo em frente,
Entre bons e maus momentos,
Lendo as memórias impressas,
Discrepâncias de um longo tempo,
Entre pedras,espinhos e flores,
Matéria prima de várias pontes,
Do meu mundo indizível.
Trajetória
Acordei bem cedo,
Na boca um gosto amargo,
Muitos pensamentos rondando,
Nesta vida cheia de adjetivos,
Bordões da alma em farrapos,
Delirando-se na comédia da existência,
A rodopiar, assoviando para a morte.
Sirlânio Jorge Dias Gomes