Lista de Poemas
AMARRAS
Nunca desejei mal a ninguém e não seria agora que o faria,
Sei que já existe alguém, se me visse lá fora, será que viria?
Persigo idéias, você bromélias, camélias, as cores do jardim,
Gosto do ar, do pomar, até de invariavelmente estar contigo,
Faz tempo, um carinho, vinho, o imponderável, inimaginável,
Ficou pelo caminho, no Minho, está lá no quintal de Portugal.
Já estive melhor, estou acometido por lembranças e danças,
Típicas e regionais, do gosto das uvas, conheci o lado frugal.
Uma viagem é realmente uma imersão na cultura, a procura
Às vezes vem acompanhada de surpresas, cravas e presas,
Fica tudo tridimensional, visceral, seria só o último encontro,
Mas, a partir deste ponto, eu não conto com a menor lucidez.
Olhares no saguão miraram direções, as nossas são opostas,
Não há mais perguntas, nem respostas, só fraturas expostas
E vida que segue, só regue se quiser ver florescer, conhecer,
Quem sabe da próxima vez, eu encontre a porta destrancada.
Sei que já existe alguém, se me visse lá fora, será que viria?
Persigo idéias, você bromélias, camélias, as cores do jardim,
Gosto do ar, do pomar, até de invariavelmente estar contigo,
Faz tempo, um carinho, vinho, o imponderável, inimaginável,
Ficou pelo caminho, no Minho, está lá no quintal de Portugal.
Já estive melhor, estou acometido por lembranças e danças,
Típicas e regionais, do gosto das uvas, conheci o lado frugal.
Uma viagem é realmente uma imersão na cultura, a procura
Às vezes vem acompanhada de surpresas, cravas e presas,
Fica tudo tridimensional, visceral, seria só o último encontro,
Mas, a partir deste ponto, eu não conto com a menor lucidez.
Olhares no saguão miraram direções, as nossas são opostas,
Não há mais perguntas, nem respostas, só fraturas expostas
E vida que segue, só regue se quiser ver florescer, conhecer,
Quem sabe da próxima vez, eu encontre a porta destrancada.
👁️ 338
MUITO ACIMA DA MESQUINHEZ HUMANA
Tenho quase tantas horas de dores quanto de vida, vida comprida,
Ainda me causa espanto essa capacidade de pessoas suportarem
Por dias, horas, meses e até anos, sensações extremas, algemas
Apertam cada vez mais e quem saberá ou poderá enxergar o fim?
Fim de tarde, não do dissabor, chamaria de heróis, dizem que não,
Mas, quem resiste ao que lateja sem cessar, sem dizer se irá parar,
Tudo vira loucura, é tanta tortura, é tanta tontura e, mesmo o ferro
Se curva ao fogo, eu já sinto o cheiro de sangue após o bangbang.
Olho tantas covas prontas e enterros, aqueles aterros a céu aberto,
Minha hora ainda não chegou, quem apostou perdeu, essa não deu
E nem vai dar certo conspirar, pois sei que o poder de Deus é maior
Do que o esforço concentrado, executado por pessoas más e ruins.
Para quem perdeu tempo não tentando ser feliz, saiba que eu estou,
Sem me preocupar ou até lembrar da existência, sobram aparências
Em interiores vazios, tão frios, que não sabem ainda o quanto é bom
Não dever nada para ninguém e olhar este horizonte lindo, bem azul.
Ainda me causa espanto essa capacidade de pessoas suportarem
Por dias, horas, meses e até anos, sensações extremas, algemas
Apertam cada vez mais e quem saberá ou poderá enxergar o fim?
Fim de tarde, não do dissabor, chamaria de heróis, dizem que não,
Mas, quem resiste ao que lateja sem cessar, sem dizer se irá parar,
Tudo vira loucura, é tanta tortura, é tanta tontura e, mesmo o ferro
Se curva ao fogo, eu já sinto o cheiro de sangue após o bangbang.
Olho tantas covas prontas e enterros, aqueles aterros a céu aberto,
Minha hora ainda não chegou, quem apostou perdeu, essa não deu
E nem vai dar certo conspirar, pois sei que o poder de Deus é maior
Do que o esforço concentrado, executado por pessoas más e ruins.
Para quem perdeu tempo não tentando ser feliz, saiba que eu estou,
Sem me preocupar ou até lembrar da existência, sobram aparências
Em interiores vazios, tão frios, que não sabem ainda o quanto é bom
Não dever nada para ninguém e olhar este horizonte lindo, bem azul.
👁️ 342
MIL MOTIVOS PARA AMAR
Por mais que existam estradas, por mais que existam destinos,
Um instante muda tudo, deixa agudo o que antes adormecera,
O que antes se perdera entre atalhos, entre galhos envergados
Pelas mãos que buscam frutos prontos a deliciarem seu paladar.
Quem plantou, quem descuidou, quem, ainda assim, o viu brotar
No pomar, o melhor lugar, ao luar, ao chegar perto, no despertar
Do sorriso que não finda, enquanto há, ainda, um beijo latejante,
O frio incessante das madrugadas, dos madrigais e, dos pardais.
Mil motivos para amar, para deixar para lá o que só machucava,
Eu só precisei de um e você vai pensando o quanto é suficiente,
Se o tempo ausente apagou tudo deixando escuro todo o quarto
Que reparto com a solidão e com os poucos livros que acumulei.
O sim rápido se arrepende se intacto o pacto não quer consolidar
Enquanto o não arrastado deixa arrasado o olhar, fica a esperar,
Irá transformar terras ávidas em ácidas e, como você bem sabe,
Pouca coisa cresce em solo hostil, perceba, até o sabiá desistiu.
Um instante muda tudo, deixa agudo o que antes adormecera,
O que antes se perdera entre atalhos, entre galhos envergados
Pelas mãos que buscam frutos prontos a deliciarem seu paladar.
Quem plantou, quem descuidou, quem, ainda assim, o viu brotar
No pomar, o melhor lugar, ao luar, ao chegar perto, no despertar
Do sorriso que não finda, enquanto há, ainda, um beijo latejante,
O frio incessante das madrugadas, dos madrigais e, dos pardais.
Mil motivos para amar, para deixar para lá o que só machucava,
Eu só precisei de um e você vai pensando o quanto é suficiente,
Se o tempo ausente apagou tudo deixando escuro todo o quarto
Que reparto com a solidão e com os poucos livros que acumulei.
O sim rápido se arrepende se intacto o pacto não quer consolidar
Enquanto o não arrastado deixa arrasado o olhar, fica a esperar,
Irá transformar terras ávidas em ácidas e, como você bem sabe,
Pouca coisa cresce em solo hostil, perceba, até o sabiá desistiu.
👁️ 364
FOGO
Quando o coração fica apertado e não tem ninguém ao seu lado, fica o vazio,
Fica o rio com a calha exposta, uma vida sem resposta, sem saída, represada;
Quanto tempo mais se faz necessário, qual será o melhor itinerário para fugir,
Para rugir e espantar fantasmas do passado, sorrir, revigorar o rosto cansado.
A janela se abriu e tem bastante sol lá fora, a flor aflora com graça sem igual,
Tudo fica muito especial, quando uma barreira é transposta e, aquela encosta
Não vai mais desmoronar e soterrar sonhos cultivados com tamanho cuidado,
Deixar verde o gramado, o jardim colorido foi concebido para tê-la à sua volta.
Estou mais forte, como as raízes deste chão e pronto para segurar as rédeas,
Fazer escolhas e encher as folhas com novas histórias, atrizes e finais felizes,
Tão parecidos com este novo momento e, sinto o vento como sendo um sinal
Para seguir em frente e, fazer diferente, subir um degrau, tocar o céu, resistir.
Segure a minha mão e não tente escapar desta velha prisão, é início de verão
E de férias que pareciam nunca chegar, sinto o gosto do mar e macia a areia,
Preparativos para a ceia, enquanto olhares se aproximam e bocas confirmam
Ao se tocarem, ao se molharem, que, corpos tão acesos, continuam a queimar.
Fica o rio com a calha exposta, uma vida sem resposta, sem saída, represada;
Quanto tempo mais se faz necessário, qual será o melhor itinerário para fugir,
Para rugir e espantar fantasmas do passado, sorrir, revigorar o rosto cansado.
A janela se abriu e tem bastante sol lá fora, a flor aflora com graça sem igual,
Tudo fica muito especial, quando uma barreira é transposta e, aquela encosta
Não vai mais desmoronar e soterrar sonhos cultivados com tamanho cuidado,
Deixar verde o gramado, o jardim colorido foi concebido para tê-la à sua volta.
Estou mais forte, como as raízes deste chão e pronto para segurar as rédeas,
Fazer escolhas e encher as folhas com novas histórias, atrizes e finais felizes,
Tão parecidos com este novo momento e, sinto o vento como sendo um sinal
Para seguir em frente e, fazer diferente, subir um degrau, tocar o céu, resistir.
Segure a minha mão e não tente escapar desta velha prisão, é início de verão
E de férias que pareciam nunca chegar, sinto o gosto do mar e macia a areia,
Preparativos para a ceia, enquanto olhares se aproximam e bocas confirmam
Ao se tocarem, ao se molharem, que, corpos tão acesos, continuam a queimar.
👁️ 358
TOALHAS
Tem um céu abrindo, tá lindo, vem ver, vem comer na varanda,
Sujar o chão onde tantas vezes nos esparramamos feito idiotas,
Porque juízo não combina com nossa rotina, crianças travessas
Se atiram à mesa, esquecem os vizinhos, simplesmente amam.
É tão leve este vento e o momento, atmosfera que nos envolve,
Somos tão sedentos e ardentes, vertentes de algumas sombras
Que o tempo sepultou e são pontos finais, temporais passaram,
Agora é onda, é surf todo dia, alegria, uma dose de espumante.
A banheira tão cheia, preparei a ceia, quero mais a sobremesa,
Sempre foi desse jeito, estou ainda mais previsível ou sensível,
Só não canso de rolar e de soltar as toalhas que nos envolviam,
Elas pediam para ficar pelo caminho, tamanho carinho e, caíram.
Agora são ângulos e pontos de vista, falta pista e sobram aviões,
Viagens inconsequentes, olhos reluzentes, as mentes extasiadas,
Fomos feitos para isso, o compromisso mesmo é com a verdade,
Não dá para enganar um desejo ou fazer de conta que ele sumiu.
Sujar o chão onde tantas vezes nos esparramamos feito idiotas,
Porque juízo não combina com nossa rotina, crianças travessas
Se atiram à mesa, esquecem os vizinhos, simplesmente amam.
É tão leve este vento e o momento, atmosfera que nos envolve,
Somos tão sedentos e ardentes, vertentes de algumas sombras
Que o tempo sepultou e são pontos finais, temporais passaram,
Agora é onda, é surf todo dia, alegria, uma dose de espumante.
A banheira tão cheia, preparei a ceia, quero mais a sobremesa,
Sempre foi desse jeito, estou ainda mais previsível ou sensível,
Só não canso de rolar e de soltar as toalhas que nos envolviam,
Elas pediam para ficar pelo caminho, tamanho carinho e, caíram.
Agora são ângulos e pontos de vista, falta pista e sobram aviões,
Viagens inconsequentes, olhos reluzentes, as mentes extasiadas,
Fomos feitos para isso, o compromisso mesmo é com a verdade,
Não dá para enganar um desejo ou fazer de conta que ele sumiu.
👁️ 240
RECADO A UMA MULHER INDEPENDENTE
Ouço sobre conquistas, independência, empoderamento, autossuficiência,
Respeito todas essas coisas, fruto do trabalho notável de grandes pessoas,
Vejo também como constatação cruel de que o sustento único, não basta,
Hoje o casal precisa abrir mão da proximidade dos filhos para alimentá-los.
Enquanto fala em liberdade, providenciei asas para os seus próximos vôos,
Apesar de não precisar, peço licença para cuidar como uma criança frágil,
Acho notável a coragem para fazer mil coisas ao mesmo tempo, namorar,
Dizer que não precisa de ninguém, por já ser feliz, pequena alma inocente.
A vida deixa as pessoas tão duras, quando percebem, já perderam o brilho,
Gastam os melhores anos atrás do mesmo conforto que sufoca suas almas,
A maternidade, colocam no armário enquanto a carreira decola, esquecem
Que esse tempo é um ciclo que não volta, perdê-lo é morrer bem devagar.
A mulher não depende mais do homem, parece com ele, no melhor e pior,
O homem se permite a cuidados que não tinha, sensibilidade incorporada,
Entre tantas mudanças, apaixonam-se por quem as entende, às vezes elas,
Quero dizer com a maior sinceridade possível, vou cuidar tão bem de você!
Respeito todas essas coisas, fruto do trabalho notável de grandes pessoas,
Vejo também como constatação cruel de que o sustento único, não basta,
Hoje o casal precisa abrir mão da proximidade dos filhos para alimentá-los.
Enquanto fala em liberdade, providenciei asas para os seus próximos vôos,
Apesar de não precisar, peço licença para cuidar como uma criança frágil,
Acho notável a coragem para fazer mil coisas ao mesmo tempo, namorar,
Dizer que não precisa de ninguém, por já ser feliz, pequena alma inocente.
A vida deixa as pessoas tão duras, quando percebem, já perderam o brilho,
Gastam os melhores anos atrás do mesmo conforto que sufoca suas almas,
A maternidade, colocam no armário enquanto a carreira decola, esquecem
Que esse tempo é um ciclo que não volta, perdê-lo é morrer bem devagar.
A mulher não depende mais do homem, parece com ele, no melhor e pior,
O homem se permite a cuidados que não tinha, sensibilidade incorporada,
Entre tantas mudanças, apaixonam-se por quem as entende, às vezes elas,
Quero dizer com a maior sinceridade possível, vou cuidar tão bem de você!
👁️ 251
CORDÃO UMBILICAL
Eu carrego uma dor que é feito terra arrasada, vida abreviada,
Cordão umbilical que se corta e é como se estivesse grudado,
Chuva que o vento leva, mas, tanto insiste, termina por voltar.
Tenho rios que não param de correr porque olham para você,
Um mundo cheio de cores, mas, que ainda não conhece o sol,
Um velotrol empoeirado como os porões, salões, minha alma.
Para que buscar razões, a vida é tão insana, só falta de grana
Não justificaria a inquietação, tudo é tão louco, já estou rouco
De tanto explicar, mostrar que não há motivo para separação.
Decisões assim são traumáticas, lunáticas como as emoções,
Quero mais é sair do atoleiro, cruzar o canteiro, livre ser feliz,
Como é bom dar o primeiro choro de vida e conseguir respirar.
Quero mais é tirar dos peitos o alimento, todo o meu sustento,
Aninhar-me neste colo enquanto amolo, quero tanto continuar,
Quem sabe depois de um sono, finalmente viveremos em paz.
Cordão umbilical que se corta e é como se estivesse grudado,
Chuva que o vento leva, mas, tanto insiste, termina por voltar.
Tenho rios que não param de correr porque olham para você,
Um mundo cheio de cores, mas, que ainda não conhece o sol,
Um velotrol empoeirado como os porões, salões, minha alma.
Para que buscar razões, a vida é tão insana, só falta de grana
Não justificaria a inquietação, tudo é tão louco, já estou rouco
De tanto explicar, mostrar que não há motivo para separação.
Decisões assim são traumáticas, lunáticas como as emoções,
Quero mais é sair do atoleiro, cruzar o canteiro, livre ser feliz,
Como é bom dar o primeiro choro de vida e conseguir respirar.
Quero mais é tirar dos peitos o alimento, todo o meu sustento,
Aninhar-me neste colo enquanto amolo, quero tanto continuar,
Quem sabe depois de um sono, finalmente viveremos em paz.
👁️ 338
INTUMESCIMENTO
Sinto a eletricidade, sangue novo nas veias, as meias foram costuradas,
O pé já reconhece o chão, o pão já chega ao estômago e os olhos riem,
Estamos prontos e excitados para a aventura, de ternura nos vestimos,
Sentimos que é o momento exato de romper o hiato que nos paralisou.
Somos a criança, o adolescente, o jovem expoente de seu tempo, tudo,
Menos cadeira de balanço, porque ganso é que costuma ficar sentado,
O dia deve ser regado a vinho, rostos rubros externam seus excessos,
Que às vezes são convenientes, sob medida, cabem doses de loucura.
Você queria companhia, agora tem, valentia e coragem só fazem bem,
Quem nunca precisou devia conhecer a adrenalina de estar sem freios,
Sem rodeios me beijou e a mágica aconteceu, que venha o jantar farto,
O quarto mal pode esperar, o lençol mais afoito, resolveu se desnudar.
A água morna do banho não relaxa se encaixa a vida, o sonho, o gozo,
Mas, é gostoso vê-la escorrer, satisfazer este instinto natural, profano,
Engano acreditar que arrefeceu os anseios com os seios intumescidos,
Os tecidos já não cabem mais nos corpos que se descobriram quentes.
O pé já reconhece o chão, o pão já chega ao estômago e os olhos riem,
Estamos prontos e excitados para a aventura, de ternura nos vestimos,
Sentimos que é o momento exato de romper o hiato que nos paralisou.
Somos a criança, o adolescente, o jovem expoente de seu tempo, tudo,
Menos cadeira de balanço, porque ganso é que costuma ficar sentado,
O dia deve ser regado a vinho, rostos rubros externam seus excessos,
Que às vezes são convenientes, sob medida, cabem doses de loucura.
Você queria companhia, agora tem, valentia e coragem só fazem bem,
Quem nunca precisou devia conhecer a adrenalina de estar sem freios,
Sem rodeios me beijou e a mágica aconteceu, que venha o jantar farto,
O quarto mal pode esperar, o lençol mais afoito, resolveu se desnudar.
A água morna do banho não relaxa se encaixa a vida, o sonho, o gozo,
Mas, é gostoso vê-la escorrer, satisfazer este instinto natural, profano,
Engano acreditar que arrefeceu os anseios com os seios intumescidos,
Os tecidos já não cabem mais nos corpos que se descobriram quentes.
👁️ 260
DESPRETENSÃO
Sinto o sol bater na janela enquanto o seu contato aquece tudo por dentro,
Com esse jeito meio desbocado, infantil, sempre querendo me fazer sorrir,
Produzir tenros frutos que a amizade gera, qual a mãe, deveras cuidadosa.
Não importa se pela voz, perfume, presença, pelo roçar do cabelo de anjo,
Esbanjo a alegria que vem desse amor, desse abraço que aperta e estala,
Feito pipoca na panela, feito a alma leve que resvala no chão e repica alto.
Seguimos por caminhos separados, mas, que se esbarram com frequência,
Mesmo em dias de indolência, quando o frio deveria frustrar idas ao parque,
Fazemos desembarque na Praça dos Porquinhos, é próximo ao portão seis.
Gosto dessa gente feliz que transita entre jardins, bicicletas, patins e skates,
Que abre a toalha, faz piquenique, adora pegar um instrumento e sair por aí
Empunhando o sax, o violino, violão, um playback, soltando a voz para valer.
Este circuito, que nem imaginava percorrer toda a semana, veio para encher
A vida com as cores que saltam da tela, com o pé que erra, se suja na terra,
Com este beijo despretensioso, que você ainda não sabe se recusa ou pega.
Com esse jeito meio desbocado, infantil, sempre querendo me fazer sorrir,
Produzir tenros frutos que a amizade gera, qual a mãe, deveras cuidadosa.
Não importa se pela voz, perfume, presença, pelo roçar do cabelo de anjo,
Esbanjo a alegria que vem desse amor, desse abraço que aperta e estala,
Feito pipoca na panela, feito a alma leve que resvala no chão e repica alto.
Seguimos por caminhos separados, mas, que se esbarram com frequência,
Mesmo em dias de indolência, quando o frio deveria frustrar idas ao parque,
Fazemos desembarque na Praça dos Porquinhos, é próximo ao portão seis.
Gosto dessa gente feliz que transita entre jardins, bicicletas, patins e skates,
Que abre a toalha, faz piquenique, adora pegar um instrumento e sair por aí
Empunhando o sax, o violino, violão, um playback, soltando a voz para valer.
Este circuito, que nem imaginava percorrer toda a semana, veio para encher
A vida com as cores que saltam da tela, com o pé que erra, se suja na terra,
Com este beijo despretensioso, que você ainda não sabe se recusa ou pega.
👁️ 301
O VENTO NÃO PERCEBE A BRISA
No começo tudo era lindo, o seu pai na calçada
O muro ruindo a três quadras da minha casa
O ônibus subindo e eu sempre atrasado
Quanto entrei afobado, meu mundo parou
E dando tudo certo, eu sempre quis você na minha vida
E ela aturdida te acenou na multidão
Quem sabe você me dê alguma pista
E encha então de paz o meu coração
No domingo sessão de cinema, eu sentado ao seu lado
A pipoca caindo, me deixando encabulado
Num gesto inusitado, apoiei o dedo em sua mão
Ela aninhou-se por baixo e um beijo selou
A herança que eu trago desse dia são duas maravilhas
É por elas que eu vou atravessar o turbilhão
Foi duro ter que abrir a porta da saída
Agora vou seguir sem direção
E se tudo der errado, saiba o vento não percebe a brisa
E ela, por sua vez, vencida, se perde no furacão
Quem sabe ainda exista uma fagulha viva
Mas, sei, choveu demais neste verão
O muro ruindo a três quadras da minha casa
O ônibus subindo e eu sempre atrasado
Quanto entrei afobado, meu mundo parou
E dando tudo certo, eu sempre quis você na minha vida
E ela aturdida te acenou na multidão
Quem sabe você me dê alguma pista
E encha então de paz o meu coração
No domingo sessão de cinema, eu sentado ao seu lado
A pipoca caindo, me deixando encabulado
Num gesto inusitado, apoiei o dedo em sua mão
Ela aninhou-se por baixo e um beijo selou
A herança que eu trago desse dia são duas maravilhas
É por elas que eu vou atravessar o turbilhão
Foi duro ter que abrir a porta da saída
Agora vou seguir sem direção
E se tudo der errado, saiba o vento não percebe a brisa
E ela, por sua vez, vencida, se perde no furacão
Quem sabe ainda exista uma fagulha viva
Mas, sei, choveu demais neste verão
👁️ 249
Comentários (2)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
sergios
2020-02-03
Ania, querida! Muito obrigado pelos carinhosos elogios, apesar do tanto que me falta melhorar e que sigo em busca. Tenhas dias lindos e inspirados!
ania
2020-02-03
Poeta, bom dia! Obrigada pelo carinhoso comentário ue me ensejou teus versos ler. Li alguns, e todos a alma me tocaram pelo lirismo, pela sensibilidade, parabéns! abraços, ania..
Português
English
Español