Lista de Poemas

DEISE

Eu não sei restringir sonhos, quando eles se desgarram do controle,

Também não tenho modos, quando o assunto é esperar o momento,

Meu alento, é que vale à pena ser assim, por quem faz por merecer.

Seus olhos derramam em mim, toda esta pressa, a intensa vontade

De puxar o tapete, roubar o chão, seqüestrar e saquear sem perdão,

Porque eles me acompanham, ainda que, persista em esconder-me.

A boca que é um exagero, um desespero para quem gosta de beijar,

Quer abusar, selar a noite, o dia, a eternidade, a cumplicidade, tudo,

Tudo fica parado, quando ela quer, linda, linda, esplendor de mulher.

Quando penso saber tudo e, sortudo ter decorado as curvas e traços,

Laços desfeitos, o feixe aberto, ela desnorteia, incendeia ainda mais,

Tonto, um novo brinquedo, mais parece o João Bobo, é bobo demais,

Já não tenho receios, nem meios, de evitar que prossiga, me domine,

Que incline o corpo e jogue o cabelo para trás, sentencie, até ilumine,

Que exija um pedido de clemência, enquanto eu só penso em morrer.
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NATHALIA

Bem vindo seja o pássaro que me acorda de manhã

É como um amigo mandando um recado:

Venha depressa, o dia nasceu

Voando este ser tão querido, não sabe o bem que me faz

Com ele aprendi a cantar coisas boas e simples da vida

Meu irmão, te quero aqui dentro do coração

Meu irmão, tua presença me deixa em paz

 

Quem dera eu fosse um pássaro a te acordar de manhã

Te desse um beijo, um abraço

E te alegrasse sempre Lia

Voando para você minha filha, que não sabe o bem que me faz

Contigo aprendi a cantar coisas boas e simples da vida

Nathalia, te quero aqui dentro do coração

Minha filha, tua presença me deixa em paz
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ENTRE O BANHO E O SONO

Como um breve lapso de memória, sem distinguir o real do imaginário,

Enquanto a água caia, o ritual se repetia com duas ou até quatro mãos,

As únicas certezas são da porta destrancada, de o cão não querer latir.

Se os dedos se entrelaçavam, arranhavam azulejos, uma vez ou outra,

Nada perderia seu valor, no campo físico ou fictício, no frio ou no calor,

Sei que entre deslizar e se agarrar, restaram forças contrárias e felizes.

O vapor criou uma nuvem densa e tudo se perdeu, tudo se achou aqui,

A espuma que escondia, a água desnudou, o olhar abriu, arregalou-se,

E, entre superfícies úmidas e quentes, dispersas em inúmeras frentes,

Vieram sensações, novas dimensões, tudo se encaixou, tudo se fundiu.

Como fosse pouco, tudo recomeçou do ponto que normalmente termina,

O que era frescor se converteu em adrenalina, suor, desejo e endorfina,

Quem gritava não, implorou pelo sim, mãos que afastavam, já acolhiam,

O cérebro apagou, acordou, e, a casa também estava virada do avesso.
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NEUZA

Tenho mãos que deslizam, contornam cada uma dessas curvas sem fim,

Eu me aproprio dos sonhos e quero seus olhos verdes reluzindo em mim,

Enquanto os corpos dançam, enquanto lançam toda a sorte de encantos

Que a imaginação permita, o coração não resista, a manhã possa chegar.

O tempo rompeu as barreiras, invadiu as fronteiras e esqueceu de voltar,

Mesmo com lareira, a clareira trazia o seu brilho de outro fogo a queimar,

Enquanto ardia, nenhuma sede resistia e ninguém iria se atrever a parar,

Mas, a energia é finita e, a vontade que fica, jura que algum dia irá voltar.

A saudade nasce do aceno, de tudo que é pleno, ela encontrou seu lugar

Para morrer, também renascer, para seguir atormentando quem a cultive,

E se a vive, é porque conheceu o amor, é nele que tudo acha um sentido,

Mesmo num dia corrido como este, encontrou um momento para namorar.

Agora que existe afinidade, a intimidade migrou para uma ligação estreita,

Para aquela mão direita com quem se pode sempre contar, vou mergulhar,

Espalhar aos quatro ventos, aos ouvidos menos atentos, por este achado,

O corpo suado pode enfim descansar, aqui tem tudo que sempre busquei.
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EUGENIO

Não sei quanto tempo ainda tenho e se disse e fiz tudo o que poderia,

Nem mesmo penso estar pronto para seguir sem segurar suas mãos,

Inevitável é que o dia virá, posso senti-lo, também procuro ficar calmo,

Como fiquei assim que vi você pela primeira vez, minha melhor visão.

Foram tantas lições que espero aprendidas, feita de gestos, palavras,

Estradas que cruzamos confiantes, de que juntos, seríamos vitoriosos

Como agora nos sentimos e rimos, relembrando os perrengues, afins,

Limiar da maior aventura e, que ainda reserva outros tantos capítulos.

Gratidão basta para expressar o sentimento de estar nesta celebração,

Onde a realização se mede em silêncio, o mesmo que se torna diálogo

No dialeto de quem tem laços profundos se percebidos pela respiração,

Eufórico coração, tão cercado de cuidados, onde seu nome foi gravado.

Do suor que trouxe o pão, aprendi a melhor lição e ela quis disseminar,

Perpetuando nela o legado, o nome que para mim é santo, consagrado,

Por ele fui abençoado e agraciado, que trago e, outorgo como herança,

O amor de quem sempre foi mais filho do que pai, porque pai, só você!
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LUA DO AMOR DIVINO

Gosto de escalar montanhas, de ficar mais perto da lua, do amor divino,

Procuro encontrar um motivo para cada nova escalada e ali me deleitar

Entre o silêncio e a respiração contida, entre gaivotas, águias e feridas.

Diversas culturas, diferentes relevos, sempre mantenho a cabeça vazia

Como se nada mais existisse entre o céu e o precipício, só o bem-estar

De proporcionar paz de espírito, de meditar, orar, amar, perdoar e viver.

Quem dera o tivesse sempre como ofício, como o vício que não faz mal,

Mas, tudo ficou lá embaixo, aguardando pacientemente pela minha volta,

Feito a mão que não solta do pai, por sentir medo, por querer aconchego.

Tenho apego por coisas, pessoas que conquistei, os caminhos que trilhei

E sempre retorno como quem revê o velho mestre e, que volta a aprender,

Sem saber se a lição de ontem servirá, se quem aprendeu agora ensinará.

Eis que a vida, que não gera vidas, fez outra vida se tornar melhor e vibra,

Porque encontrou um sentido, porque encontrou o amigo e o amor brotou

E agora quem plantou um sorriso, beija a flor, escreve umas histórias, crê.
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NOSSA ESTRADA

Eu não sei se são olhos de mar, de céu, de janelas da minha vida,

Talvez esse corpo aos 20, 30, 50 ou 100 anos, meu doce repouso,

Quem sabe esse jeito de interior, de café fresco, de fogão à lenha,

A varanda, a cadeira de balanço em movimento e tão nossa casa?

Filhos que ainda não nasceram e rosas que ainda não cresceram,

Os frutos fartos como os riachos que não secam, somente brilham,

Seria a pequena sereia que cresceu e que canta cada vez melhor,

Areias fofas que recebem, que massageiam a pele tão sem juízo?

Não tenho a menor idéia se poderia ser mais uma história de lutas,

Esses campos e uns grampos que caem quando ela corre de mim,

Os dois seios que alimentam minha criança mimada e ainda ávida,

Aves que riscam os ares, certos lugares, em que teimas em reinar?

Não sei se acreditaria se eu falasse quanto o amor faz doer, moer,

Ele clama cada segundo por viver, morrer, quer renascer por você,

Mas, como não sei mais o que fazer com tudo isso me consumindo,

Me entrego, aceito seu sim e o seu não, aperto a sua mão, prossigo.
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Comentários (2)

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sergios
2020-02-03

Ania, querida! Muito obrigado pelos carinhosos elogios, apesar do tanto que me falta melhorar e que sigo em busca. Tenhas dias lindos e inspirados!

ania
ania
2020-02-03

Poeta, bom dia! Obrigada pelo carinhoso comentário ue me ensejou teus versos ler. Li alguns, e todos a alma me tocaram pelo lirismo, pela sensibilidade, parabéns! abraços, ania..