CORDÃO UMBILICAL

Sérgio Gonçalves de Sousa
Sérgio Gonçalves de Sousa
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Eu carrego uma dor que é feito terra arrasada, vida abreviada,

Cordão umbilical que se corta e é como se estivesse grudado,

Chuva que o vento leva, mas, tanto insiste, termina por voltar.

Tenho rios que não param de correr porque olham para você,

Um mundo cheio de cores, mas, que ainda não conhece o sol,

Um velotrol empoeirado como os porões, salões, minha alma.

Para que buscar razões, a vida é tão insana, só falta de grana

Não justificaria a inquietação, tudo é tão louco, já estou rouco

De tanto explicar, mostrar que não há motivo para separação.

Decisões assim são traumáticas, lunáticas como as emoções,

Quero mais é sair do atoleiro, cruzar o canteiro, livre ser feliz,

Como é bom dar o primeiro choro de vida e conseguir respirar.

Quero mais é tirar dos peitos o alimento, todo o meu sustento,

Aninhar-me neste colo enquanto amolo, quero tanto continuar,

Quem sabe depois de um sono, finalmente viveremos em paz.
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