Mais do Mesmo
Lembra-se de um tempo distante,
Um Tempo Perdido mesmo.
De olhos abertos, vejo e sinto o tempo passar.
A vida faz curvas, a morte gargalha.
O amor foge pra Montanha Mágica.
De olhos abertos, obedeço à Ordem dos Templários.
Vejo a Sereníssima noite cair com seus braços longos — e me proteger.
À noite, eu era um Lobisomem Juvenil. Eu sei.
Fico de olho nessa mentira de amor (Cantiga de Amor).
O vento passa por mim e vai pro litoral.
O sol bate na janela do teu quarto, toca teu rosto:
É um novo dia — que já não é tão diferente.
É Mais do Mesmo.
De olhos abertos, vejo que o tempo está perdido.
Há tempos, como se não houvesse amanhã,
A perfeição bate à minha porta...
Vivendo nessa metrópole de Fábricas,
Palácios de plantas embaixo do aquário,
Ouvindo e vendo Música Urbana.
Por enquanto, O Mundo Anda Tão Complicado.
E do jeito que as coisas vão,
Parece necessário vender todas as almas dos nossos Índios num leilão.
Que país é este?
Senhor da guerra, olho pros seus Soldados agora.
Não é diferente — é Mais do Mesmo.
Eu sei: Angra dos Reis fica deste lado.
Do outro, os tambores da selva já começaram a rufar.
A cocaína não vai chegar.
Astronautas Perdidos no Espaço.
Geração refrigerante.
Daniel, na cova dos leões, grita: Ainda é cedo!
Maurício, Quase Sem Querer, encontra Andréa Doria.
Eduardo e Mônica ouvem Faroeste Caboclo e moram nas Sete Cidades.
De olhos abertos, assisto ao Teatro dos Vampiros.
Nas ruas, Pais e Filhos passeiam de mãos dadas.
Eles sabem o caminho dos barcos.
A nossa dança é o reggae.
Nosso sangue é combustível — é Petróleo do Futuro.
De olhos abertos e boca fechada,
Sei qual é o tema.
Não sei o Teorema.
A violência é tão fascinante,
E nossas vidas são tão normais...
Mas só por hoje, faremos um Dia Perfeito.
De trinta, ficaram Vinte e Nove.
São só Duas Tribos — e todos os índios foram mortos.
Será que fiquei esperando meu amor passar?
Depois do Começo,
O que vier vai começar a ser o fim.
E no fim das contas,
Ninguém sai vivo daqui.
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