Lista de Poemas
VOZES AO VENTO
Brada o poeta seus versos revoltos
Qual água em cascata do peito a jorrar
Da injustiça e descaso transborda o desgosto
É a voz dos que sofrem mas não ousam falar
Chora o poeta seus versos tristonhos
Sorrisos e prantos, do amor a ilusão
Fantasias desfeitas ou mantidas em sonhos
É o "glamour" da ventura, loucura e paixão
Canta o poeta a alegria do povo
Exalta em versos, da vida o prazer
Esquece a miséria, é Copa de novo
Deixa em sonhos e quimeras sua gente viver
Qual água em cascata do peito a jorrar
Da injustiça e descaso transborda o desgosto
É a voz dos que sofrem mas não ousam falar
Chora o poeta seus versos tristonhos
Sorrisos e prantos, do amor a ilusão
Fantasias desfeitas ou mantidas em sonhos
É o "glamour" da ventura, loucura e paixão
Canta o poeta a alegria do povo
Exalta em versos, da vida o prazer
Esquece a miséria, é Copa de novo
Deixa em sonhos e quimeras sua gente viver
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A CONQUISTA
Não a vejo, meu bem querer, como conquista
Ou por troféu que se premia a um vencedor
A vejo apenas como a razão maior já vista
Pra um coração se desmanchar de amor
Se por lauréus fosse, assim, minha corrida
E falsa a busca pra conquistar seu coração
Vazia e triste seria enfim a minha vida
Sem seu amor, só amargura e solidão
Que importa se conquistei ou fui conquistado
Na sedução não há derrotado ou vencedor
É uma batalha onde o orgulho é derrotado
Pra que almas enfim se unam em pleno amor
Ou por troféu que se premia a um vencedor
A vejo apenas como a razão maior já vista
Pra um coração se desmanchar de amor
Se por lauréus fosse, assim, minha corrida
E falsa a busca pra conquistar seu coração
Vazia e triste seria enfim a minha vida
Sem seu amor, só amargura e solidão
Que importa se conquistei ou fui conquistado
Na sedução não há derrotado ou vencedor
É uma batalha onde o orgulho é derrotado
Pra que almas enfim se unam em pleno amor
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BRASIL GOSTOSO
Você já ouviu o cantar do uirapuru?
Subiu as serras do Sul?
Visitou o Pantanal?
Percorreu o litoral?
Viu as musas dourando ao sol?
Sabe o que é um rouxinol?
Visitou a foz do Iguaçu?
Já viu uma tribo Xingu?
Sabe o que é pororoca?
Comeu cuscuz, tapioca?
Cruzou o agreste e o sertão?
Dançou xaxado e baião?
Foi do Iapoque ao Chuí?
Tomou tacacá e tucupi?
Gingou com os capoeiristas?
Comeu virado-a-paulista?
Dançou numa escola de samba?
Comeu a feijoada baiana?
Desceu, de trem, a Paranaguá?
Já foi ao Araguaia pescar?
Comeu do biscoito mineiro?
Já contemplou o Rio de Janeiro?
Andou de bonde no corcovado?
Foi ao Cristo e a São Conrado?
Foi a Mariana, a Ouro Preto?
A um rodeio em Barretos?
Foi a Olinda, a Salvador?
Ao pelourinho, ao elevador?
A Comandatuba, a Itaparica?
A Pomerode, a Curitiba?
E Brasília, a capital,
Você já viu beleza igual?
Antes de ir ao exterior,
Eu só lhe peço um favor:
Suba a Cento e Dezesseis
E desça, aos poucos, a Cento e Um
Pois um Brasil, como Deus fez,
Jamais verás em canto algum.
Subiu as serras do Sul?
Visitou o Pantanal?
Percorreu o litoral?
Viu as musas dourando ao sol?
Sabe o que é um rouxinol?
Visitou a foz do Iguaçu?
Já viu uma tribo Xingu?
Sabe o que é pororoca?
Comeu cuscuz, tapioca?
Cruzou o agreste e o sertão?
Dançou xaxado e baião?
Foi do Iapoque ao Chuí?
Tomou tacacá e tucupi?
Gingou com os capoeiristas?
Comeu virado-a-paulista?
Dançou numa escola de samba?
Comeu a feijoada baiana?
Desceu, de trem, a Paranaguá?
Já foi ao Araguaia pescar?
Comeu do biscoito mineiro?
Já contemplou o Rio de Janeiro?
Andou de bonde no corcovado?
Foi ao Cristo e a São Conrado?
Foi a Mariana, a Ouro Preto?
A um rodeio em Barretos?
Foi a Olinda, a Salvador?
Ao pelourinho, ao elevador?
A Comandatuba, a Itaparica?
A Pomerode, a Curitiba?
E Brasília, a capital,
Você já viu beleza igual?
Antes de ir ao exterior,
Eu só lhe peço um favor:
Suba a Cento e Dezesseis
E desça, aos poucos, a Cento e Um
Pois um Brasil, como Deus fez,
Jamais verás em canto algum.
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DIA INTERNACIONAL DA MULHER
No dia internacional da mulher, cabe-nos uma reflexão. Será que podemos comemorar? É verdade que já foi muito pior, mas nem por isso podemos dizer que estamos bem. Ainda são centenas os registros diários de agressões físicas contra esposas, sem que os agressores sejam sequer convocados a depor, que de lá serem julgados ou punidos.
A agressão física é normalmente o culminar de muitas outras agressões inconcebíveis a um viver digno. As mulheres são ainda, em muitos lares, vetadas do seu direito de ir e vir, do seu direito de expressão, de sonhar com uma carreira profissional, de visitar e ser visitada, de participar da definição orçamentária da família, principalmente aquelas que se dedicam integralmente às atividades domésticas.
Vivemos ainda numa sociedade hipócrita, onde muitas mães ainda ensinam as filhas para suportarem as afrontas e agressões domésticas para que o casamento seja mantido. Mas, que casamento é este que se quer manter? Para agradar a quem, se a parte mais importante dele está sendo ferida e desrespeitada? Dizem que o tempo cura todos os males, mas há alguns que a passividade do tempo só os transforma em moléstias crônicas.
Quem perde o respeito próprio perde a alegria da vida. Os sonhos de uma mulher não podem se resumir à vida dos filhos. Elas têm o direito de sonhar e viver realizações que não podem ser trocadas pela imagem obtusa de uma aparente estabilidade conjugal, caracterizada pelo ostracismo e submissão.
É preciso mudar a nossa cultura. Ensinarmos as nossas filhas que a dignidade vale mais que um casamento; que onde não há respeito pode existir tara e até paixão, mas nunca o amor. É preciso mostrar-mos que o trabalho externo ao lar é doloroso aos filhos, mas é o primeiro passo para a manutenção da dignidade.
É preciso que amemos e apoiemos as nossas mães, irmãs e filhas, não apenas em palavras, mas em gestos e atitudes, quando sofrem por buscarem para si o respeito acima da aparência, bem como o direito de serem livres e felizes.
A todas as mulheres neste dia, o meu respeito, carinho e admiração. Que o vosso sorriso, e não as lágrimas, seja sempre a expressão da vossa ternura. Que nosso país amanhã, lhes dê a justiça que lhes nega hoje.
Parabéns! Parabéns e parabéns!
A agressão física é normalmente o culminar de muitas outras agressões inconcebíveis a um viver digno. As mulheres são ainda, em muitos lares, vetadas do seu direito de ir e vir, do seu direito de expressão, de sonhar com uma carreira profissional, de visitar e ser visitada, de participar da definição orçamentária da família, principalmente aquelas que se dedicam integralmente às atividades domésticas.
Vivemos ainda numa sociedade hipócrita, onde muitas mães ainda ensinam as filhas para suportarem as afrontas e agressões domésticas para que o casamento seja mantido. Mas, que casamento é este que se quer manter? Para agradar a quem, se a parte mais importante dele está sendo ferida e desrespeitada? Dizem que o tempo cura todos os males, mas há alguns que a passividade do tempo só os transforma em moléstias crônicas.
Quem perde o respeito próprio perde a alegria da vida. Os sonhos de uma mulher não podem se resumir à vida dos filhos. Elas têm o direito de sonhar e viver realizações que não podem ser trocadas pela imagem obtusa de uma aparente estabilidade conjugal, caracterizada pelo ostracismo e submissão.
É preciso mudar a nossa cultura. Ensinarmos as nossas filhas que a dignidade vale mais que um casamento; que onde não há respeito pode existir tara e até paixão, mas nunca o amor. É preciso mostrar-mos que o trabalho externo ao lar é doloroso aos filhos, mas é o primeiro passo para a manutenção da dignidade.
É preciso que amemos e apoiemos as nossas mães, irmãs e filhas, não apenas em palavras, mas em gestos e atitudes, quando sofrem por buscarem para si o respeito acima da aparência, bem como o direito de serem livres e felizes.
A todas as mulheres neste dia, o meu respeito, carinho e admiração. Que o vosso sorriso, e não as lágrimas, seja sempre a expressão da vossa ternura. Que nosso país amanhã, lhes dê a justiça que lhes nega hoje.
Parabéns! Parabéns e parabéns!
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SAUDADE
Saudade é a espera do amor ausente
Em que o tempo a cada instante eternizou
E a tudo faz passar indiferente,
Ignóbil, vazio e sem sabor
Saudade é o sorriso que desponta
Como a aurora que reluz ao teu chegar
Saudade é o embaraço a cada encontro
E meu rosto rubicundo ao teu olhar
Saudade é a fantasia não vivida
E o amor que não ousei te declarar
É o remorso de quem não faz a tentativa
De a tão formosa dama conquistar.
Saudade é a amargura da lembrança
De um amor que intensamente me envolveu
É uma mistura de tristeza e de esperança
De que um dia ele ainda volte a ser só meu
Em que o tempo a cada instante eternizou
E a tudo faz passar indiferente,
Ignóbil, vazio e sem sabor
Saudade é o sorriso que desponta
Como a aurora que reluz ao teu chegar
Saudade é o embaraço a cada encontro
E meu rosto rubicundo ao teu olhar
Saudade é a fantasia não vivida
E o amor que não ousei te declarar
É o remorso de quem não faz a tentativa
De a tão formosa dama conquistar.
Saudade é a amargura da lembrança
De um amor que intensamente me envolveu
É uma mistura de tristeza e de esperança
De que um dia ele ainda volte a ser só meu
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BRAÇOS ERRANTES
Braços meigos, infantes, gentis, saltitantes;
pureza e ilusão.
Braços unidos, dobrados, mansamente curvados;
fé e devoção.
Braços enfileirados, fuzil empunhado;
serviço à nação.
Braços abertos, espaçosos, gentis, calorosos;
amor e afeição.
Braços musculosos, servis, vigorosos;
labor e produção.
Braços levantados, vibrantes, agitados;
participação.
Braços desanimados, ociosos, cruzados;
crise e recessão.
Braços indoutos, insanos, revoltos, profanos;
fome e desilusão.
Braços magros, estendidos, fracos, abatidos;
mendicância de pão.
Braços enrijecidos, maléficos, agressivos;
violência e tensão.
Braços algemados, feridos, drogados;
morte numa prisão.
pureza e ilusão.
Braços unidos, dobrados, mansamente curvados;
fé e devoção.
Braços enfileirados, fuzil empunhado;
serviço à nação.
Braços abertos, espaçosos, gentis, calorosos;
amor e afeição.
Braços musculosos, servis, vigorosos;
labor e produção.
Braços levantados, vibrantes, agitados;
participação.
Braços desanimados, ociosos, cruzados;
crise e recessão.
Braços indoutos, insanos, revoltos, profanos;
fome e desilusão.
Braços magros, estendidos, fracos, abatidos;
mendicância de pão.
Braços enrijecidos, maléficos, agressivos;
violência e tensão.
Braços algemados, feridos, drogados;
morte numa prisão.
👁️ 512
A COTA DO DIA
- Moço me dá um real.
Não era um pedido qualquer, deste que se houve todo dia. Era um clamor sincero, com expressão e sentimento, daqueles que fazem doer a alma de quem ouve.
Virei-me. Era uma garotinha ruiva , cabelos anelados, olhos cor de mel, que brilhavam no reflexo da luz sobre as lágrimas que brotavam nos seus olhos.
- Não chore menina! Você quer um prato de sopa?
- Quero sim, mas não posso comer aqui. O dono da venda não deixa a gente comer. Depois ele briga com a gente. Eu quero mesmo é um real.
- Vai deixar sim! Quem está pagando sou eu. Ora essa! Garçom: traga-me um prato de sopa de frango aqui para a garotinha.
Meio a contragosto, o garçom trouxe a sopa. Já era tarde, umas vinte e trinta horas.
- Quantos anos você tem? Perguntei, quebrando o gelo, enquanto a menina se afogava na sopa.
- Acho que vou fazer seis em setembro, minha mãe é quem disse.
- Por que ainda não foi para casa? Onde você mora?
- Moro na estrutural. Ainda não fui prá casa porque só fiz "sete real". Está dentro do short, senão os garotos tomam.
- Ora, se fez sete reais, por que não foi embora?
Esta hora já é perigoso e ninguém vai te dar mais nada.
- É por isso que eu falei com o senhor. Eu só posso
ir para casa depois que fizer "dez real". Ontem eu só fiz "seis real" e meu pai não deixou eu entrar em casa. Dormi do lado de fora na porta.
- Não é possível! E sua mãe não fez nada?
- Moço. Meu pai é muito brabo. Ele bebe muito e
quando minha mãe fala alguma coisa ele esmurra e chuta ela. Ela está barriguda e doente.
Perdi o apetite. Paguei a conta, dei o troco para a menina e fui para casa revoltado. Não só com o acontecido mas, principalmente, por saber que amanhã ela voltaria e provavelmente com a exigência de uma cota maior.
Não era um pedido qualquer, deste que se houve todo dia. Era um clamor sincero, com expressão e sentimento, daqueles que fazem doer a alma de quem ouve.
Virei-me. Era uma garotinha ruiva , cabelos anelados, olhos cor de mel, que brilhavam no reflexo da luz sobre as lágrimas que brotavam nos seus olhos.
- Não chore menina! Você quer um prato de sopa?
- Quero sim, mas não posso comer aqui. O dono da venda não deixa a gente comer. Depois ele briga com a gente. Eu quero mesmo é um real.
- Vai deixar sim! Quem está pagando sou eu. Ora essa! Garçom: traga-me um prato de sopa de frango aqui para a garotinha.
Meio a contragosto, o garçom trouxe a sopa. Já era tarde, umas vinte e trinta horas.
- Quantos anos você tem? Perguntei, quebrando o gelo, enquanto a menina se afogava na sopa.
- Acho que vou fazer seis em setembro, minha mãe é quem disse.
- Por que ainda não foi para casa? Onde você mora?
- Moro na estrutural. Ainda não fui prá casa porque só fiz "sete real". Está dentro do short, senão os garotos tomam.
- Ora, se fez sete reais, por que não foi embora?
Esta hora já é perigoso e ninguém vai te dar mais nada.
- É por isso que eu falei com o senhor. Eu só posso
ir para casa depois que fizer "dez real". Ontem eu só fiz "seis real" e meu pai não deixou eu entrar em casa. Dormi do lado de fora na porta.
- Não é possível! E sua mãe não fez nada?
- Moço. Meu pai é muito brabo. Ele bebe muito e
quando minha mãe fala alguma coisa ele esmurra e chuta ela. Ela está barriguda e doente.
Perdi o apetite. Paguei a conta, dei o troco para a menina e fui para casa revoltado. Não só com o acontecido mas, principalmente, por saber que amanhã ela voltaria e provavelmente com a exigência de uma cota maior.
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VISITA A MASMORRA
Desci a masmorra uma tarde
Para ver o que o homem tinha
Quando se punha face a face
Com sua alma mesquinha
Eu vi a ira nas pedras
Vi versos em sangue escritos
Vi vingança, desafetos
Escárnio, ódio e estrupício
Vi mágoas em alto relevo
Vi cicatrizes e feridas
Vi sombras de pesadelos
Amargos restos de vida
Eu vi a tristeza e a má sorte
Em dentes e unhas esculpidas
Eu vi a sombra da morte
Oculta em faces fingidas
Vi planos aterrorizantes
Angústia e mágoa explosiva
Vi a tristeza pulsante
Vi dor, malícia e intriga
Vi a vaidade desfeita
Vi arrogantes oprimidos
Vi soberbos na sarjeta
Eu vi valentes vencidos
Eu vi a miséria dos homens
A tristeza de arrependidos
Eu vi pensamentos profanos
Vi sonhos desvanecidos
Sai da masmorra em tormenta
Mui triste e apavorado
Por ver nas paredes cinzentas
O meu coração retratado
Para ver o que o homem tinha
Quando se punha face a face
Com sua alma mesquinha
Eu vi a ira nas pedras
Vi versos em sangue escritos
Vi vingança, desafetos
Escárnio, ódio e estrupício
Vi mágoas em alto relevo
Vi cicatrizes e feridas
Vi sombras de pesadelos
Amargos restos de vida
Eu vi a tristeza e a má sorte
Em dentes e unhas esculpidas
Eu vi a sombra da morte
Oculta em faces fingidas
Vi planos aterrorizantes
Angústia e mágoa explosiva
Vi a tristeza pulsante
Vi dor, malícia e intriga
Vi a vaidade desfeita
Vi arrogantes oprimidos
Vi soberbos na sarjeta
Eu vi valentes vencidos
Eu vi a miséria dos homens
A tristeza de arrependidos
Eu vi pensamentos profanos
Vi sonhos desvanecidos
Sai da masmorra em tormenta
Mui triste e apavorado
Por ver nas paredes cinzentas
O meu coração retratado
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METAMORFOSE INDUZIDA
A falsidade é a ferramenta pela qual você transforma o seu maior amigo em seu inimigo mais ferrenho!

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FLORES DE ESTAÇÕES
Querendo ou não acreditar
Tal qual foi jamais será
Triste é o espelho do viver
Tal qual amou não amará mais
O amor em mágoas se desfaz
Só as cicatrizes vão viver
Em sonho e amor vida se faz
Mas no amanhã já não é mais
Nuvens de quimeras e ilusões
Mas tão volúvel é o coração
Logo se entrega a outra paixão
Flores e perfumes de estações

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Comentários (2)
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Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte. Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez
Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a abnegação tem a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais imundícia que a dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus páreos.
Hoje eu luto, não mais para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.
Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio. Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as inquietudes da minha alma; fazer soar os clarins da vida, sem ter a presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.