Lista de Poemas
ndugcts . 007
quem tu não és
um mero pesadelo
não tentes ser
aquilo que não és
uma escolha efémera
existe
sem seres triste
és o arrepio de um beijo
és tu mulher
que me completa
nesta minha demanda de poeta
agora deixa-me nesta minha apatia
viver alimentado pela poesia
ndugcts . 005
desta vela que se consome
vais embora
partes
triste
caminhas na solidão
do vazio que em ti existe
e nesta escrita cuneiforme
descansam mágoas
seladas com as lágrimas
de um "ate já"
ndugcts . 006
adoro ir
ir para qualquer lado
sozinho
acompanhado
pouco (me) interessa
gosto de ir
e voltar
voltar é que já não sei se volto
levas-me contigo?
ndugcts . 004
que bailam no pêndulo dos dias
eis que sem ti
me perco na idade das manhãs
sei agora os segredos dos trilhos
por onde caminho com o vento
onde na ausência do silêncio
abraço os tormentos esquecidos
abandono-me às palavras
estranhas
que crescem como chamas
neste lugar onde mora o esquecimento
renascem das cinzas
pétalas brancas
lágrimas
carregadas de vontade
dispo-me das sombras
que na penumbra da noite
me afagam
desamarro-me do silêncio
e escrevo
sobre ti
sobre mim
palavras apenas!!!
apenas palavras!!!
ndugcts . 003
do sono que não chega
das horas que não passam
vive a loucura
que engasga
sufoca
uma lágrima que cai
perdida na memória
do sonho esquecido
na noite infinda
na solidão da madrugada
no silêncio
o desabafo com Deus
ndugcts . 002
para o amanhecer do mundo
não deixes que
nos tirem a demência
e que os horrendos ponteiros das horas tardias
nos roubem o tempo
que as mordaças da solidão
me roubem de ti
e, se... a teimosia da noite
não nos revelar um novo dia
que o calor da manhã
misture o nosso perfume
e a relva molhada
acolha e acalme
o cansaço dos nossos corpos
que os teus olhos
não desistam dos meus
que a pureza do orvalho
gotejado nas folhas das manhãs
revele a malícia do nosso amor!!!
assim... seja como for...
ndugcts . 001
detesto começos
em cuja distância
até ao fim
é apenas um
abismo
felicidade
O infiltrado
Tinha transposto os primeiros degraus quando ouviu o seu nome. Virou-se e deparou-se com o amigo de longa data, o Carlos Eduardo. "Então Edu que fazes por aqui?" "Vim tratar de uns papeis, vou candidatar-me à policia." "E tu, que fazes todo aperaltado. Parece que vais a uma festa." "Pois é, é mesmo isso, vou a uma festa." Eduardo estranhou o amigo, que lhe parecia evasivo. "Olha, tens o botão de cima desabotoado. Se vais a uma festa ao menos vai decente." Eduardo abotoou-lhe o botão e despediu-se. Nuno ficou a pensar. Será que o amigo se apercebeu de que o botão era uma minicâmara?
Os dias negros de Omar Sayyid
Sayyid tentava, no meio de algum esforço, ver o seu corpo no pequeno espelho que estava pendurado na casa de banho do Hércules C-130. A sua estatura, elevada, dificultava a tarefa, no entanto Sayyid conseguia vislumbrar o quão magro estava. O corpo esguio e a barba grande, faziam-no aparentar ter uns cinquentas e poucos anos, embora só completasse os quarenta no próximo ano. Afastou-se para se poder ver melhor, parando apenas quando embateu de costas na porta da casa de banho. Estava na última, pensava para consigo. Tinha sido resgatado no limiar das suas forças, e agradecia a Deus por isso. Deu dois passos e inclinou a cabeça. Os olhos castanhos estavam cansados do sofrimento dos últimos dias e as marcas negras eram disso a prova viva. As sobrancelhas, ou o que restava delas, estavam em concordância com a barba "desarrumada" e que já deixava antever uns quantos cabelos grisalhos. Sayyid pensava no que o seu pai lhe havia dito: "estuda meu filho, estuda, que o teu futuro são os estudos". E foram os estudos, a educação, o estatuto da família, que o levaram a onde se encontrava agora. Tantas competências, tantos sonhos e ambições para agora estar neste sofrimento. Sayyid sentia a alma feita em bocados e apenas pensava, o que pode uma prisão fazer a um homem!
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desde cedo começou a escrever e em fevereiro de 2011 cumpriu o sonho de menino e editou o seu primeiro livro de poesia, “escritos de um outro dia”.
participou ainda em diversos concursos, sempre subordinados à temática “poesia”. por duas vezes escreveu para a e-zine “nanozine” e participou nas antologias: world art friends da corpos editora em 2011 e na antologia da chiado editora “entre o sono e o sonho” em 2012, 2013, 2014 e 2015.
a convite, participou num projecto do gafa, grupo de amigos fotógrafos amadores, onde consta um poema seu no livro alicerces, cujas receitas reverteram para a casa “acreditar” no porto.
em 2012, “memórias de uma pena”, o segundo livro de poesia do autor, vê a luz do dia através da chancela da corpos editora.
um ano depois e muita tinta gasta, rui serra edita agora, “fragmentos do meu pensar”, um livro, também este de poesia, onde se nota um certo amadurecimento do autor na relação com as palavras.
actualmente vive em brinches, serpa no alentejo, dividindo-se entre o trabalho a família e a escrita.
projectos não lhe faltam e tem em cima da mesa muitos que, espera ele, vejam a luz do dia num futuro próximo.
o último trabalho de originais reúne escritos dos últimos anos, onde o autor aborda os mais variados temas, no entanto, o amor é o leitmotiv de “fragmentos do meu pensar”.
a sua última participação foi na obra “talentos ocultos - vol.1”, que reuniu uma série de escritores de língua portuguesa, e que saiu em dezembro de 2014, sobre a chancela da ediserv.
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