Lista de Poemas
CARTA AOS BRETÕES
Querida vizinha, como vai? Tenho muito prazer em convidá-la para assistir a copa do mundo aqui em casa. Vai ter tudo de bom: fogos; muita carne; cerveja gelada e alho no pão!
Não repara a confusão! Alguns meninos meus estão muito tristes porque gastei o que não tinha para todos agradar. Minha casa ficou linda para poder te convidar e para poder te receber tinha mesmo que enfeitar!
Perdoa essa bagunça dos pequenos filhos meus. Eles são os meus mais novos e sabiam da tua chegada. Estão querendo se mostrar andando pelas ruas todos juntos a gritar. Liga não que logo passa! Só tão querendo desabafar.
Ah! Que saudade quando a cada um podia esfolar. Mas agora diz meus outros: “Temos que dialogar”! Mas como vê não tá dando certo! Ah! Na minha época de ensinar! A cartilha era o cinto, esse sim, ensinava a respeitar!
Entra minha querida, sei que deve estar cansada! Não se preocupa com o barulho é coisa que não dá em nada. Afinal, é futebol e mais tarde chega o carnaval.
Deus é aqui de casa! Por isso cremos que deixando nas mãos Dele, tudo de bom vai acontecer!
Não tenha nenhum receio! Aqui em casa o mal que praticamos só fere a nós mesmos, aos outros bem tratamos. Nós sabemos receber! Pelo menos nós tentamos! Tem filho meu policial preparado só pra atender você.
Se achega minha amiga senta aqui pra prosear. Olha só toda essa pilha de roupa que tenho pra lavar. Mas roupa suja se lava em casa, ninguém tem nada que saber o que temos pra lavar. Só a gente aqui de casa pra entender! Meus garotos fofoqueiros com esse tal de celular grava tudo o dia inteiro, não dá nem pra disfarçar. Junta tudo nesses grupos que dá pra compartilhar e a fofoca aqui de casa não dá nem pra controlar. Dizem que tem muita coisa que é falsa por aí... Mas em quem acreditar? A televisão também engana! Isso não dá para negar.
Tempos passados meu Fernando, um querido filho meu, não tinha chance de ganhar pra aqui de casa ele cuidar. Parecia que meu outro, o Luiz, o mais popular, era certo que meus outros colocariam ele aqui em casa pra cuidar. Menina tu não sabe o que aconteceu?! Tudo deu uma reviravolta e colocaram Fernando incumbido dessa missão. Quando eu achava que o outro iria ganhar, pimba! Preferiram o irmão! Ah! Essa tal televisão. Não passou nem muito tempo e já tiraram ele de lá, assumindo outro irmão, o mais velho Itamar.
Todo mal a nós fazemos, fica tudo aqui dentro. Não levamos lá pra fora nenhum tipo de desgraça, exploramos a nós mesmos! Tem vizinha aqui de cima que adora usurpar, mas isso não me interessa quem sou eu para julgar.
Menina nem te conto: Tô toda endividada, todinha até o pescoço. Fui lá no agiota pedir pra me salvar, um tal FMI, empresta a juros pra pagar. Como eu estou precisando, voltei nele pra pedir: “Preciso de mais dinheiro”! Foi aquele alvoroço e me disse com voz firme aquele belo moço, que até me envergou: “Pra visita tudo dá carne e os seus que roem o osso”! Mas como sempre prometi que dessa vez vou me cuidar. Falou também de outras coisas,que tive de concordar. Aceitei os juros altos pro dinheiro eu levar.
Esse mês vai ter mais conta que outa vez não vou pagar. Meu Deus que desespero, onde é que eu vou parar? Vou tirar da educação? Dá saúde vou tirar? Tiro da segurança, mas essa festa eu vou dar!
Quem controla minha finança são alguns dos filhos meus. Eles tem essa função! Cuidam de tudo aqui de casa: compra do mês e compra do pão. Mas sempre quando eu preciso nunca tem pra me ajudar. Os do meio que trabalham pra essa casa sustentar. Ah! Quando veem que estou brava trocam minha televisão, me dão outra geladeira, sofá, armário e fogão. Isso eu não vou mentir, presente é muito bom! Eles sabem esses danados que sempre dou o meu perdão. Esperam inteiros quatro anos para eu dar outra explosão.
Minha casa era maior dizimaram meu terreno, uma briga de dar dó. Perdi parte do quintal, sorte que foi um pedaço bem pequeno. Não abri mão de mais nada e o sul ainda tenho!
Fui casada quando nova, meu marido um senhor, que criava nessa terra: horta, peixe, fruta e flor. Mas aí, veio um danado, um lindo sedutor; pele branca diferente do primeiro morador. Ele foi tão violento, sucumbiu o meu senhor, me buchou e foi embora, levando tudo que encontrou. Depois veio outro homem, esse de retinta cor, tinha um troço diferente que também me encantou. Por isso aqui em casa, cada um é de uma cor. Mas são todos minhas crianças, cada qual tem seu valor.
Venha aqui pra minha cozinha que vou te fazer um chá! Espero que acerte, nunca vou me acostumar. Aqui gostamos do café direto do pé tirar, pegar aqueles grãos fresquinhos e jogar no moedor, juntar água fervida e sentir todo sabor. Esses grãos da minha terra que tanta gente que plantou.
Senta aqui minha rainha pra comer bolo de fubá. Tudo aqui do meu terreno, o que planta, aqui dá. Tá gostoso esse bolo? Claro que está! Já comeu até outro, pode comer que tem mais fubá.
Chega aqui pra minha sala pra gente fofocar: “A vizinha aqui de cima, tenho mesmo que contar, ela tem muito dinheiro e armas dela vem pra cá. Ela vive dessa guerra, daqui e de acolá, fabrica tanta arma que não falta gente pra comprar. Parece que tem outros que moram do lado de lá, igualzinho ela aqui de cima, também fazem pra exportar. Financiam outras guerras sem data pra acabar”. Etah! Por que ficou vermelha? Engasgou foi? Levanta o braço vai passar! Não sei onde esses meninos guardam? É muito triste usarem armas sem ter incentivo pra estudar. Viver bem uns com os outros e aprender a se gostar. Mas ficamos em segredo, daquele pássaro tenho medo, ele pode até bicar!
Mas me conta, adoro fofocar: “Aquela guerra do Araque, lá perto de você? Deu no quê”? Desculpa! Não quis te encabular. Esquece tudo que falei e vamos outra coisa fofocar?
Menina! Minha prima aqui do lado já brigou contigo né? Por causa de uma ilha? Nossa! Foi uma surra daquelas! Eu fiquei até com dó dela. Mas nada pude fazer? Eu adoro meus meninos e se fosse eu, nunca que brigava com você. Ela bem que já sabia o que iria acontecer... O importante é que acabou! Deus me livre de alguém querer o que é meu: “Minha Amazônia, meu Pantanal, qualquer coisa daqui do meu quintal”! O que Deus deu a cada um que cuide do seu.
Gostamos muito de ajudar e tiramos da nossa boca para os outros alimentar! Mas deixemos de tristeza e vamos falar de futebol: “Tu que inventou não foi? Aqui no quintal, a gente passa mal! Eles brigam pra valer. E só torcem juntos quando não é contra os daqui. Etah! Que invenção! Você sabia que somos penta campeão...”?
Pode chamar sua família pra vir pra cá torcer. A casa é muito simples, mas não falta pra comer. Temos chá de todo tipo e tudo pra te agradar. Se quiser traz biquíni e vamos todos para o mar.
Tem menino meu que sonha mesmo em ser cantor. Deixei cantar só um pouquinho, antes do jogo começar, é distração pra minha cabeça ouvir um pouquinho ele cantar: "Nessa pele melanina que retemos mais calor, nossos corpos bem mais quentes estão fervendo de amor". Bravo querido! Lindo da mamãe! Agora pro banho e já!
Tá calor vamos à praia? Venha cá se refrescar? Também cá tem cachoeira e o que preferir nós temos cá. O clima aqui é colorido, nosso clima é tropical, esqueça aquele tom de cinza que tem lá no seu quintal. Aquele frio... Minha Nossa! Aquilo pode fazer mal! Aqui vocês abrem a janela dá bom dia para o sol. Tá levando protetor? Pele branca se dá mal!
Só te peço minha amiga avisar para os seus filhos que respeitem minhas meninas, que já devem estar lá, com biquínis tão pequenos e a bunda para o ar. Aqui pode mostrar a bunda sem ser vagabunda! Querendo pode até vê, mas tem que respeitar! O direito de um começa quando do outro terminar!
Fim de jogo... Acabou! Acabou! É vida que segue...
Vou bater nesses meninos que a irmã querem vaiar. Deixa disso seus danados deixa ela entregar o troféu para o ganhador!
Eu falei pra essa menina pra essa briga não comprar! Tenho medo é que algum dia alguém tire ela de lá.
Eu te levo no portão! Vai com Deus e boa viagem! Me liga quando chegar!
Me desculpa alguma coisa que não fiz pra te agradar! Nessa festa ainda sou nova, mas por aqui eu vou parar.
Foi boa tua visita e foi um prazer te conhecer! Querendo sabe o caminho... É só aparecer!
Não repara a confusão! Alguns meninos meus estão muito tristes porque gastei o que não tinha para todos agradar. Minha casa ficou linda para poder te convidar e para poder te receber tinha mesmo que enfeitar!
Perdoa essa bagunça dos pequenos filhos meus. Eles são os meus mais novos e sabiam da tua chegada. Estão querendo se mostrar andando pelas ruas todos juntos a gritar. Liga não que logo passa! Só tão querendo desabafar.
Ah! Que saudade quando a cada um podia esfolar. Mas agora diz meus outros: “Temos que dialogar”! Mas como vê não tá dando certo! Ah! Na minha época de ensinar! A cartilha era o cinto, esse sim, ensinava a respeitar!
Entra minha querida, sei que deve estar cansada! Não se preocupa com o barulho é coisa que não dá em nada. Afinal, é futebol e mais tarde chega o carnaval.
Deus é aqui de casa! Por isso cremos que deixando nas mãos Dele, tudo de bom vai acontecer!
Não tenha nenhum receio! Aqui em casa o mal que praticamos só fere a nós mesmos, aos outros bem tratamos. Nós sabemos receber! Pelo menos nós tentamos! Tem filho meu policial preparado só pra atender você.
Se achega minha amiga senta aqui pra prosear. Olha só toda essa pilha de roupa que tenho pra lavar. Mas roupa suja se lava em casa, ninguém tem nada que saber o que temos pra lavar. Só a gente aqui de casa pra entender! Meus garotos fofoqueiros com esse tal de celular grava tudo o dia inteiro, não dá nem pra disfarçar. Junta tudo nesses grupos que dá pra compartilhar e a fofoca aqui de casa não dá nem pra controlar. Dizem que tem muita coisa que é falsa por aí... Mas em quem acreditar? A televisão também engana! Isso não dá para negar.
Tempos passados meu Fernando, um querido filho meu, não tinha chance de ganhar pra aqui de casa ele cuidar. Parecia que meu outro, o Luiz, o mais popular, era certo que meus outros colocariam ele aqui em casa pra cuidar. Menina tu não sabe o que aconteceu?! Tudo deu uma reviravolta e colocaram Fernando incumbido dessa missão. Quando eu achava que o outro iria ganhar, pimba! Preferiram o irmão! Ah! Essa tal televisão. Não passou nem muito tempo e já tiraram ele de lá, assumindo outro irmão, o mais velho Itamar.
Todo mal a nós fazemos, fica tudo aqui dentro. Não levamos lá pra fora nenhum tipo de desgraça, exploramos a nós mesmos! Tem vizinha aqui de cima que adora usurpar, mas isso não me interessa quem sou eu para julgar.
Menina nem te conto: Tô toda endividada, todinha até o pescoço. Fui lá no agiota pedir pra me salvar, um tal FMI, empresta a juros pra pagar. Como eu estou precisando, voltei nele pra pedir: “Preciso de mais dinheiro”! Foi aquele alvoroço e me disse com voz firme aquele belo moço, que até me envergou: “Pra visita tudo dá carne e os seus que roem o osso”! Mas como sempre prometi que dessa vez vou me cuidar. Falou também de outras coisas,que tive de concordar. Aceitei os juros altos pro dinheiro eu levar.
Esse mês vai ter mais conta que outa vez não vou pagar. Meu Deus que desespero, onde é que eu vou parar? Vou tirar da educação? Dá saúde vou tirar? Tiro da segurança, mas essa festa eu vou dar!
Quem controla minha finança são alguns dos filhos meus. Eles tem essa função! Cuidam de tudo aqui de casa: compra do mês e compra do pão. Mas sempre quando eu preciso nunca tem pra me ajudar. Os do meio que trabalham pra essa casa sustentar. Ah! Quando veem que estou brava trocam minha televisão, me dão outra geladeira, sofá, armário e fogão. Isso eu não vou mentir, presente é muito bom! Eles sabem esses danados que sempre dou o meu perdão. Esperam inteiros quatro anos para eu dar outra explosão.
Minha casa era maior dizimaram meu terreno, uma briga de dar dó. Perdi parte do quintal, sorte que foi um pedaço bem pequeno. Não abri mão de mais nada e o sul ainda tenho!
Fui casada quando nova, meu marido um senhor, que criava nessa terra: horta, peixe, fruta e flor. Mas aí, veio um danado, um lindo sedutor; pele branca diferente do primeiro morador. Ele foi tão violento, sucumbiu o meu senhor, me buchou e foi embora, levando tudo que encontrou. Depois veio outro homem, esse de retinta cor, tinha um troço diferente que também me encantou. Por isso aqui em casa, cada um é de uma cor. Mas são todos minhas crianças, cada qual tem seu valor.
Venha aqui pra minha cozinha que vou te fazer um chá! Espero que acerte, nunca vou me acostumar. Aqui gostamos do café direto do pé tirar, pegar aqueles grãos fresquinhos e jogar no moedor, juntar água fervida e sentir todo sabor. Esses grãos da minha terra que tanta gente que plantou.
Senta aqui minha rainha pra comer bolo de fubá. Tudo aqui do meu terreno, o que planta, aqui dá. Tá gostoso esse bolo? Claro que está! Já comeu até outro, pode comer que tem mais fubá.
Chega aqui pra minha sala pra gente fofocar: “A vizinha aqui de cima, tenho mesmo que contar, ela tem muito dinheiro e armas dela vem pra cá. Ela vive dessa guerra, daqui e de acolá, fabrica tanta arma que não falta gente pra comprar. Parece que tem outros que moram do lado de lá, igualzinho ela aqui de cima, também fazem pra exportar. Financiam outras guerras sem data pra acabar”. Etah! Por que ficou vermelha? Engasgou foi? Levanta o braço vai passar! Não sei onde esses meninos guardam? É muito triste usarem armas sem ter incentivo pra estudar. Viver bem uns com os outros e aprender a se gostar. Mas ficamos em segredo, daquele pássaro tenho medo, ele pode até bicar!
Mas me conta, adoro fofocar: “Aquela guerra do Araque, lá perto de você? Deu no quê”? Desculpa! Não quis te encabular. Esquece tudo que falei e vamos outra coisa fofocar?
Menina! Minha prima aqui do lado já brigou contigo né? Por causa de uma ilha? Nossa! Foi uma surra daquelas! Eu fiquei até com dó dela. Mas nada pude fazer? Eu adoro meus meninos e se fosse eu, nunca que brigava com você. Ela bem que já sabia o que iria acontecer... O importante é que acabou! Deus me livre de alguém querer o que é meu: “Minha Amazônia, meu Pantanal, qualquer coisa daqui do meu quintal”! O que Deus deu a cada um que cuide do seu.
Gostamos muito de ajudar e tiramos da nossa boca para os outros alimentar! Mas deixemos de tristeza e vamos falar de futebol: “Tu que inventou não foi? Aqui no quintal, a gente passa mal! Eles brigam pra valer. E só torcem juntos quando não é contra os daqui. Etah! Que invenção! Você sabia que somos penta campeão...”?
Pode chamar sua família pra vir pra cá torcer. A casa é muito simples, mas não falta pra comer. Temos chá de todo tipo e tudo pra te agradar. Se quiser traz biquíni e vamos todos para o mar.
Tem menino meu que sonha mesmo em ser cantor. Deixei cantar só um pouquinho, antes do jogo começar, é distração pra minha cabeça ouvir um pouquinho ele cantar: "Nessa pele melanina que retemos mais calor, nossos corpos bem mais quentes estão fervendo de amor". Bravo querido! Lindo da mamãe! Agora pro banho e já!
Tá calor vamos à praia? Venha cá se refrescar? Também cá tem cachoeira e o que preferir nós temos cá. O clima aqui é colorido, nosso clima é tropical, esqueça aquele tom de cinza que tem lá no seu quintal. Aquele frio... Minha Nossa! Aquilo pode fazer mal! Aqui vocês abrem a janela dá bom dia para o sol. Tá levando protetor? Pele branca se dá mal!
Só te peço minha amiga avisar para os seus filhos que respeitem minhas meninas, que já devem estar lá, com biquínis tão pequenos e a bunda para o ar. Aqui pode mostrar a bunda sem ser vagabunda! Querendo pode até vê, mas tem que respeitar! O direito de um começa quando do outro terminar!
Fim de jogo... Acabou! Acabou! É vida que segue...
Vou bater nesses meninos que a irmã querem vaiar. Deixa disso seus danados deixa ela entregar o troféu para o ganhador!
Eu falei pra essa menina pra essa briga não comprar! Tenho medo é que algum dia alguém tire ela de lá.
Eu te levo no portão! Vai com Deus e boa viagem! Me liga quando chegar!
Me desculpa alguma coisa que não fiz pra te agradar! Nessa festa ainda sou nova, mas por aqui eu vou parar.
Foi boa tua visita e foi um prazer te conhecer! Querendo sabe o caminho... É só aparecer!
👁️ 110
ESPÉRAME AMOR
Mergulhado no silêncio petardo
Enxerga na memória de menino.
Perdura arrastando o corpo, seu fardo...
Farrapo destas vestes, inquilino.
Pinga dos olhos fulguram as vistas
Bambeia nas mãos, um copo de pinga
História só, de dois protagonistas...
Afoga a saudade nessa mandinga.
Veemente eterno do amor longínquo,
Tragado na respiração pungente,
Destino mudo, sórdido delinquo.
Parece fora ontem tua partida.
Rezo nesses dias desde então ausente...
Morrer, para ver de novo à vida.
Enxerga na memória de menino.
Perdura arrastando o corpo, seu fardo...
Farrapo destas vestes, inquilino.
Pinga dos olhos fulguram as vistas
Bambeia nas mãos, um copo de pinga
História só, de dois protagonistas...
Afoga a saudade nessa mandinga.
Veemente eterno do amor longínquo,
Tragado na respiração pungente,
Destino mudo, sórdido delinquo.
Parece fora ontem tua partida.
Rezo nesses dias desde então ausente...
Morrer, para ver de novo à vida.
👁️ 119
ALMA INCOLOR
Deslizei sobre o mar
Tiraram-me de lá
Trazendo-me pra cá
Vontade minha não era
De vir para o lado de cá
Acho que enquanto vivo
Nunca mais vou voltar
Apesar de toda guerra
Que tinha na terra minha
Eu preferia a minha guerra
Onde liberdade eu tinha
Os meus inimigos
Tinham tudo a mesma cor
Aqui ficamos amigos
Agora nossos inimigos
São diferentes na cor.
Moramos todos juntos
E agora somos muitos
Várias tribos, uma cor
Trouxe comigo a fé dos santos
Não conheço os daqui
Que todos são brancos
Diferentes de onde eu vim
Nada trouxe comigo
E também nada juntei
Faço aqui o que eu não quero
Sendo o que eu não sou também
Já passaram tantas luas
Que até parei de contar
Cada lua que eu contava
Era mais tempo pra ficar
Fui jogado sobre a terra
Pelas mãos de um capataz
Que de tanto me surrar
Fui e deixei o corpo ficar
Deixo aqui meu corpo velho
Que não me pertence mais
Visitarei a minha terra
Que deixei tempos atrás
Está tudo diferente
Como nunca antes vi
Deixo nela minhas saudades
Vou dela de novo parti
Fui pra uma nova terra
Que agora eu herdei
Por uma estrada livre de pedras
Que nunca antes pisei
Com as flores tão cheirosas
E nenhuma tem espinhos
Notei outros do meu lado
Não caminhava sozinho
Diante de um descampado
Onde a luz adormecia
Todos os pássaros cantavam
E a noite não existia
Tinha uma linda cachoeira
E mal pude acreditar
Os Orixás ali presentes
Todos a nos esperar
Eu com lágrimas nos olhos
Sem ter o que falar
Quando vi estava nos braços
De Nosso Pai Oxalá
Ele falou ao meu ouvido
Filho vamos trabalhar
Voltar pra aquela terra
Que te obrigaram a ficar
Para ajudar todos aqueles
Que te obrigaram a trabalhar
Te bateram e te prenderam
Não te deixaram descansar
Eu fiquei muito confuso
Não querendo acreditar
Como eu tão ofendido
Poderia ajudar
Aqueles que me tiraram a vida
E me enviaram para cá
Oxalá enternecido
Apertou as minhas mãos
Pude ver duas feridas
Cada uma em cada mão
Fiquei tão envergonhado
Parei na hora de chorar
Beijei suas mãos divinas
E voltei para o lado de cá
Me deram uma bengala
Um cachimbo pra fumar
Um copo d’água
E uma vela
Um toco pra sentar
Reuni todos os filhos
Pra poder me apresentar:
Sou um velho da senzala
E vim aqui pra trabalhar
Vocês não estão sozinhos
Vim a todos ajudar
Atravessar esse caminho
Com as bênçãos de Oxalá
Tiraram-me de lá
Trazendo-me pra cá
Vontade minha não era
De vir para o lado de cá
Acho que enquanto vivo
Nunca mais vou voltar
Apesar de toda guerra
Que tinha na terra minha
Eu preferia a minha guerra
Onde liberdade eu tinha
Os meus inimigos
Tinham tudo a mesma cor
Aqui ficamos amigos
Agora nossos inimigos
São diferentes na cor.
Moramos todos juntos
E agora somos muitos
Várias tribos, uma cor
Trouxe comigo a fé dos santos
Não conheço os daqui
Que todos são brancos
Diferentes de onde eu vim
Nada trouxe comigo
E também nada juntei
Faço aqui o que eu não quero
Sendo o que eu não sou também
Já passaram tantas luas
Que até parei de contar
Cada lua que eu contava
Era mais tempo pra ficar
Fui jogado sobre a terra
Pelas mãos de um capataz
Que de tanto me surrar
Fui e deixei o corpo ficar
Deixo aqui meu corpo velho
Que não me pertence mais
Visitarei a minha terra
Que deixei tempos atrás
Está tudo diferente
Como nunca antes vi
Deixo nela minhas saudades
Vou dela de novo parti
Fui pra uma nova terra
Que agora eu herdei
Por uma estrada livre de pedras
Que nunca antes pisei
Com as flores tão cheirosas
E nenhuma tem espinhos
Notei outros do meu lado
Não caminhava sozinho
Diante de um descampado
Onde a luz adormecia
Todos os pássaros cantavam
E a noite não existia
Tinha uma linda cachoeira
E mal pude acreditar
Os Orixás ali presentes
Todos a nos esperar
Eu com lágrimas nos olhos
Sem ter o que falar
Quando vi estava nos braços
De Nosso Pai Oxalá
Ele falou ao meu ouvido
Filho vamos trabalhar
Voltar pra aquela terra
Que te obrigaram a ficar
Para ajudar todos aqueles
Que te obrigaram a trabalhar
Te bateram e te prenderam
Não te deixaram descansar
Eu fiquei muito confuso
Não querendo acreditar
Como eu tão ofendido
Poderia ajudar
Aqueles que me tiraram a vida
E me enviaram para cá
Oxalá enternecido
Apertou as minhas mãos
Pude ver duas feridas
Cada uma em cada mão
Fiquei tão envergonhado
Parei na hora de chorar
Beijei suas mãos divinas
E voltei para o lado de cá
Me deram uma bengala
Um cachimbo pra fumar
Um copo d’água
E uma vela
Um toco pra sentar
Reuni todos os filhos
Pra poder me apresentar:
Sou um velho da senzala
E vim aqui pra trabalhar
Vocês não estão sozinhos
Vim a todos ajudar
Atravessar esse caminho
Com as bênçãos de Oxalá
👁️ 19
A IMPORTANTE COISA SEM IMPORTÂNCIA ALGUMA
Hoje!
Os hipopótamos levantaram primeiro
E lá se foram os meus travesseiros,
Direto para a lagoa ,
Bem perto da minha cama de feno,
Amontoados sobre a grama seca,
Onde todos os hipopótamos
Tinham olhos azuis .
Eles submergem dentre as folhas,
Pois o rio seco era banhado,
Por uma luz brilhante,
De uma lâmpada fria,
Que queima a pele fina e branca,
Com listras pretas dos hipopótamos,
Tal como as zebras.
Ei! Acabei de me dar conta
Que eram zebras mesmo!
Nunca foram hipopótamos!
E na verdade,
Seus olhos eram azuis esverdeados.
Eu estou apavorado,
Como pude confundir,
Durante tantos anos,
Zebras com hipopótamos?
Resolvi plantar toda minha angústia,
Num canteiro sobre a laje ,
Do edifício ladrilhado
Com pastilhas amarelo ouro,
E num piscar de olhos,
Um jardim de crisântemos
Floresceram no tapete da sala
Que beira a cozinha ,
Onde eu tomo meu café da manhã ,
Rodeado de borboletas brancas
E um bode de chifres abobadados
Aguarda para comer as migalhas
Do mingau de aveia que esfria
Sobre a copa da árvore sem folhas,
Pois que era verão
E o frio fazia as araras nadarem
No céu molhado pelo mar,
Jogando para cima
Suas águas transparentes...
De vez verde,
De vez azul,
De vez somente água.
Que respinga em mim,
Enquanto penso,
Sobre o meu absurdo,
De confundir zebra com hipopótamo.
Os hipopótamos levantaram primeiro
E lá se foram os meus travesseiros,
Direto para a lagoa ,
Bem perto da minha cama de feno,
Amontoados sobre a grama seca,
Onde todos os hipopótamos
Tinham olhos azuis .
Eles submergem dentre as folhas,
Pois o rio seco era banhado,
Por uma luz brilhante,
De uma lâmpada fria,
Que queima a pele fina e branca,
Com listras pretas dos hipopótamos,
Tal como as zebras.
Ei! Acabei de me dar conta
Que eram zebras mesmo!
Nunca foram hipopótamos!
E na verdade,
Seus olhos eram azuis esverdeados.
Eu estou apavorado,
Como pude confundir,
Durante tantos anos,
Zebras com hipopótamos?
Resolvi plantar toda minha angústia,
Num canteiro sobre a laje ,
Do edifício ladrilhado
Com pastilhas amarelo ouro,
E num piscar de olhos,
Um jardim de crisântemos
Floresceram no tapete da sala
Que beira a cozinha ,
Onde eu tomo meu café da manhã ,
Rodeado de borboletas brancas
E um bode de chifres abobadados
Aguarda para comer as migalhas
Do mingau de aveia que esfria
Sobre a copa da árvore sem folhas,
Pois que era verão
E o frio fazia as araras nadarem
No céu molhado pelo mar,
Jogando para cima
Suas águas transparentes...
De vez verde,
De vez azul,
De vez somente água.
Que respinga em mim,
Enquanto penso,
Sobre o meu absurdo,
De confundir zebra com hipopótamo.
👁️ 17
Aldravia
gastei
tempo
precioso
preciso
mais
tempo
tempo
precioso
preciso
mais
tempo
👁️ 14
O DEPOIS ESQUECIDO
Os jovens vivem
Tão depressa
Que não tem tempo
Para pensar no fim...
Já que ainda estão
Bem perto do começo.
Tão depressa
Que não tem tempo
Para pensar no fim...
Já que ainda estão
Bem perto do começo.
👁️ 127
O BEM DE TODO MAL
O mal que fiz para alguém
Fez tão mal a mim também
Que me levou a procurar no bem
O perdão que o mal não tem.
O malvado que foge do bem
E ainda deseja-me mal também
É total responsabilidade minha
Pedir para nós dois o bem.
O tempo é dono do começo
Mas o fim não pertence a ninguém
O perdão é ponto final do mal
E reticência de todo bem.
Fez tão mal a mim também
Que me levou a procurar no bem
O perdão que o mal não tem.
O malvado que foge do bem
E ainda deseja-me mal também
É total responsabilidade minha
Pedir para nós dois o bem.
O tempo é dono do começo
Mas o fim não pertence a ninguém
O perdão é ponto final do mal
E reticência de todo bem.
👁️ 99
A ESCOLA DA VIDA
Hoje é dia de prova
E me preparo em oração
O agente se renova
Encarregado da missão.
De surpresa me aparece
Uma em cada momento
Cada instante uma prece
Pouco estudo e muito lamento.
E na volta para casa
Eu rezo para entrar
É que a fé às vezes jaza
E as provas tende aumentar.
Pra quem estuda fica fácil
E também saiba vigiar
Com Jesus tudo é grácil
Ajuda quem tem fé passar.
Tem dias que reprovo
Distraído na multidão
Mas o Diretor muito bondoso
Deixa-me em recuperação.
Tem vezes sem estar pronto
Não querendo arriscar
Fico em prece estudando
Para outra prova eu tentar.
A vida é uma escola
Qualquer dia e lugar
Até mesmo na família
Tem professor pra ensinar.
O dia é corretor
E quando me esqueço de vigiar
Peço rápido ao Diretor
Outra prova pra tentar.
Em todos os anos letivos
Cada dia foi uma lição
Estou fazendo supletivo
Recuperando em oração.
Fiz muitas provas no escuro
E foram poucas que passei
Deixei matérias para o futuro
Que no pretérito eu errei.
E me preparo em oração
O agente se renova
Encarregado da missão.
De surpresa me aparece
Uma em cada momento
Cada instante uma prece
Pouco estudo e muito lamento.
E na volta para casa
Eu rezo para entrar
É que a fé às vezes jaza
E as provas tende aumentar.
Pra quem estuda fica fácil
E também saiba vigiar
Com Jesus tudo é grácil
Ajuda quem tem fé passar.
Tem dias que reprovo
Distraído na multidão
Mas o Diretor muito bondoso
Deixa-me em recuperação.
Tem vezes sem estar pronto
Não querendo arriscar
Fico em prece estudando
Para outra prova eu tentar.
A vida é uma escola
Qualquer dia e lugar
Até mesmo na família
Tem professor pra ensinar.
O dia é corretor
E quando me esqueço de vigiar
Peço rápido ao Diretor
Outra prova pra tentar.
Em todos os anos letivos
Cada dia foi uma lição
Estou fazendo supletivo
Recuperando em oração.
Fiz muitas provas no escuro
E foram poucas que passei
Deixei matérias para o futuro
Que no pretérito eu errei.
👁️ 122
PARTIU MINHA POESIA
Acordei sem inspiração
O vazio me completa
Procuro palavras em vão
E a poesia se dispersa.
Por mais que tento
Nada vem
Procuro dentro
Nada tem!
Desencontro desesperado
Preciso me encontrar
Tento sonhar acordado
Não consigo me achar.
Desprovido da palavra
Cada linha espera um verso
A caneta o papel lavra
E as estrofes ficam sem nexo.
A música ficou sem letra
E a melodia virou barulho
Lancei de atiradeira
Bem acima do mangrulho...
Meu orgulho de poeta
Equilibrado sobre o muro
Tocando como sineta
Lembrando-me do perjuro.
Eu jurei para poesia
Nunca me envolver com a dor
Escrever sempre todo dia
Somente versos de amor.
Não cumpri o juramento
Desde quando ela se foi
Sumindo no firmamento
Ficando um o que era dois.
Dormiu e ainda dorme
Ela nunca que acordou
Meu coração ficou disforme
E só a prosa me sobrou.
O vazio me completa
Procuro palavras em vão
E a poesia se dispersa.
Por mais que tento
Nada vem
Procuro dentro
Nada tem!
Desencontro desesperado
Preciso me encontrar
Tento sonhar acordado
Não consigo me achar.
Desprovido da palavra
Cada linha espera um verso
A caneta o papel lavra
E as estrofes ficam sem nexo.
A música ficou sem letra
E a melodia virou barulho
Lancei de atiradeira
Bem acima do mangrulho...
Meu orgulho de poeta
Equilibrado sobre o muro
Tocando como sineta
Lembrando-me do perjuro.
Eu jurei para poesia
Nunca me envolver com a dor
Escrever sempre todo dia
Somente versos de amor.
Não cumpri o juramento
Desde quando ela se foi
Sumindo no firmamento
Ficando um o que era dois.
Dormiu e ainda dorme
Ela nunca que acordou
Meu coração ficou disforme
E só a prosa me sobrou.
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A IMPORTANTE COISA SEM IMPORTÂNCIA ALGUMA
Hoje!
Os hipopótamos levantaram primeiro
E lá se foram os meus travesseiros
Direto para a lagoa
Perto da minha cama de feno
Amontoados sobre a grama seca
E todos os hipopótamos
Tinham olhos azuis
Eles submergiam dentre as folhas
Pois o rio seco era banhado
Por uma luz brilhante
De uma lâmpada fria
Que queimava a pele fina e branca
Com listras pretas dos hipopótamos
Tal como as zebras
Mas acabei de me dar conta
Que eram zebras mesmo
E que nunca foram hipopótamos
Na verdade seus olhos
Eram azuis esverdeados
E eu estava apavorado
Como poderia confundir
Durante tantos anos
Zebras com hipopótamos
Resolvi plantar toda minha angústia
Num canteiro sobre a laje
Do edifício ladrilhado
Com pastilhas amarelo ouro
E num piscar de olhos
Um jardim de crisântemos
Floresceram no tapete da sala
Que beirava a cozinha
Onde eu tomava café da manhã
Rodeado de borboletas brancas
E um bode de chifres abobadados
Aguardando para comer as migalhas
Do mingau de aveia que esfriava
Sobre a copa da árvore sem folhas
Pois que era verão
E o frio fazia as araras nadarem
No céu molhado pelo mar
Que jogava para cima
Suas águas transparentes
De vez verde
De vez azul
De vez somente água
Respingando em mim
Enquanto em pensamento
Indagava sobre meu absurdo
De confundir zebras com hipopótamos.
Os hipopótamos levantaram primeiro
E lá se foram os meus travesseiros
Direto para a lagoa
Perto da minha cama de feno
Amontoados sobre a grama seca
E todos os hipopótamos
Tinham olhos azuis
Eles submergiam dentre as folhas
Pois o rio seco era banhado
Por uma luz brilhante
De uma lâmpada fria
Que queimava a pele fina e branca
Com listras pretas dos hipopótamos
Tal como as zebras
Mas acabei de me dar conta
Que eram zebras mesmo
E que nunca foram hipopótamos
Na verdade seus olhos
Eram azuis esverdeados
E eu estava apavorado
Como poderia confundir
Durante tantos anos
Zebras com hipopótamos
Resolvi plantar toda minha angústia
Num canteiro sobre a laje
Do edifício ladrilhado
Com pastilhas amarelo ouro
E num piscar de olhos
Um jardim de crisântemos
Floresceram no tapete da sala
Que beirava a cozinha
Onde eu tomava café da manhã
Rodeado de borboletas brancas
E um bode de chifres abobadados
Aguardando para comer as migalhas
Do mingau de aveia que esfriava
Sobre a copa da árvore sem folhas
Pois que era verão
E o frio fazia as araras nadarem
No céu molhado pelo mar
Que jogava para cima
Suas águas transparentes
De vez verde
De vez azul
De vez somente água
Respingando em mim
Enquanto em pensamento
Indagava sobre meu absurdo
De confundir zebras com hipopótamos.
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joaoeuzebio
2020-10-20
DESPREZO UM BELO POEMA AMAR SEM SER AMADO
Robson Wagner de Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 08 de fevereiro de 1970, domingo de carnaval, às 13 horas.
Desde 1983 escreve poesias para conquistar as colegas de turma que apreciavam poesias.
Em 1987 ingressa no Colégio Dom Pedro II, ensino médio, em São Cristovão – Rio de Janeiro/RJ.
Sua vida acadêmica teve início no ano de 2006 na Universidade Augusto Motta, cursando engenharia civil, fazendo somente quatro períodos. Ingressou logo em seguida, ano de 2009, na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, recomeçando o mesmo curso de engenharia civil, fazendo somente dois períodos.
Em 2011 retorna para Universidade Augusto Motta cursando um período de Arquitetura e Urbanismo.
No ano de 2014 começa a exercer a função de Mestre de Obras, responsável pela construção de dois prédios, na zona oeste do Rio de Janeiro. E logo em seguida, ano de 2015, se forma em Técnico de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, Universidade Estácio de Sá.
No ano de 2017 deixa fluir toda sua vocação poética e nunca mais parou...
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