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CARTA AOS BRETÕES

Querida vizinha, como vai? Tenho muito prazer em convidá-la para assistir a copa do mundo aqui em casa. Vai ter tudo de bom: fogos; muita carne; cerveja gelada e alho no pão!

Não repara a confusão! Alguns meninos meus estão muito tristes porque gastei o que não tinha para todos agradar. Minha casa ficou linda para poder te convidar e para poder te receber tinha mesmo que enfeitar!

Perdoa essa bagunça dos pequenos filhos meus. Eles são os meus mais novos e sabiam da tua chegada. Estão querendo se mostrar  andando pelas ruas todos juntos a gritar. Liga não que logo passa! Só tão querendo desabafar.

Ah! Que saudade quando a cada um podia esfolar. Mas agora diz meus outros: “Temos que dialogar”! Mas como vê não tá dando certo! Ah! Na minha época de ensinar! A cartilha era o cinto, esse sim, ensinava a respeitar!

Entra minha querida, sei que deve estar cansada! Não se preocupa com o barulho é coisa que não dá em nada. Afinal, é futebol e mais tarde chega o carnaval.

Deus é aqui de casa! Por isso cremos que deixando nas mãos Dele, tudo de bom vai acontecer!

Não tenha nenhum receio! Aqui em casa o mal que praticamos só fere a nós mesmos, aos outros bem tratamos. Nós sabemos receber! Pelo menos nós tentamos! Tem filho meu policial preparado só pra atender você.

 

 

Se achega minha amiga senta aqui pra prosear. Olha só toda essa pilha de roupa que tenho pra lavar. Mas roupa suja se lava em casa, ninguém tem nada que saber o que temos pra lavar. Só a gente aqui de casa pra entender! Meus garotos fofoqueiros com esse tal de celular grava tudo o dia inteiro, não dá nem pra disfarçar. Junta tudo nesses grupos que dá pra compartilhar e a fofoca aqui de casa não dá nem pra controlar. Dizem que tem muita coisa que é falsa por aí... Mas em quem acreditar? A televisão também engana! Isso não dá para negar.

Tempos passados meu Fernando, um querido filho meu, não tinha chance de ganhar pra aqui de casa ele cuidar. Parecia que meu outro, o Luiz, o mais popular, era certo que meus outros colocariam ele aqui em casa pra cuidar. Menina tu não sabe o que aconteceu?! Tudo deu uma reviravolta e colocaram Fernando incumbido dessa missão. Quando eu achava que o outro iria ganhar, pimba! Preferiram o irmão! Ah! Essa tal televisão. Não passou nem muito tempo e já tiraram ele de lá, assumindo outro irmão, o mais velho Itamar.

Todo mal a nós fazemos, fica tudo aqui dentro. Não levamos lá pra fora nenhum tipo de desgraça, exploramos a nós mesmos! Tem vizinha aqui de cima que adora usurpar, mas isso não me interessa quem sou eu para julgar.

 

 

 

 

 

 

Menina nem te conto: Tô toda endividada, todinha até o pescoço. Fui lá no  agiota pedir pra me salvar, um tal FMI, empresta a juros pra pagar. Como eu estou precisando, voltei nele pra pedir: “Preciso de mais dinheiro”! Foi aquele alvoroço e me disse com voz firme aquele belo moço, que até me envergou: “Pra visita tudo dá carne e os seus que roem o osso”! Mas como sempre prometi que dessa vez vou me cuidar. Falou também de outras coisas,que tive de concordar. Aceitei os juros altos pro dinheiro eu levar.

Esse mês vai ter mais conta que outa vez não vou pagar. Meu Deus que desespero, onde é que eu vou parar? Vou tirar da educação? Dá saúde vou tirar? Tiro da segurança, mas essa festa eu vou dar!

Quem controla minha finança são alguns dos filhos meus. Eles tem essa função! Cuidam de tudo aqui de casa: compra do mês e compra do pão. Mas sempre quando eu preciso nunca tem pra me ajudar. Os do meio que trabalham pra essa casa sustentar. Ah! Quando veem que estou brava trocam minha televisão, me dão outra geladeira, sofá, armário e fogão. Isso eu não vou mentir, presente é muito bom! Eles sabem esses danados que sempre dou o meu perdão. Esperam inteiros quatro anos para eu dar outra explosão.

Minha casa era maior dizimaram meu terreno, uma briga de dar dó. Perdi parte do quintal, sorte que foi um pedaço bem pequeno. Não abri mão de mais nada e o sul ainda tenho!

 

 

 

 

 

 

Fui casada quando nova, meu marido um senhor, que criava nessa terra: horta, peixe, fruta e flor. Mas aí, veio um danado, um lindo sedutor; pele branca diferente do primeiro morador. Ele foi tão violento, sucumbiu o meu senhor, me buchou e foi embora, levando tudo que encontrou. Depois veio outro homem, esse de retinta cor, tinha um troço diferente que também me encantou. Por isso aqui em casa, cada um é de uma cor. Mas são todos minhas crianças, cada qual tem seu valor.

Venha aqui pra minha cozinha que vou te fazer um chá! Espero que acerte, nunca vou me acostumar. Aqui gostamos do café direto do pé tirar, pegar aqueles grãos fresquinhos e jogar no moedor, juntar água fervida e sentir todo sabor. Esses grãos da minha terra que tanta gente que plantou.

Senta aqui minha rainha pra comer bolo de fubá. Tudo aqui do meu terreno, o que planta, aqui dá. Tá gostoso esse bolo? Claro que está! Já comeu até outro, pode comer que tem mais fubá.

Chega aqui pra minha sala pra gente fofocar: “A vizinha aqui de cima, tenho mesmo que contar, ela tem muito dinheiro e armas dela vem pra cá. Ela vive dessa guerra, daqui e de acolá, fabrica tanta arma que não falta gente pra comprar. Parece que tem outros que moram do lado de lá, igualzinho ela aqui de cima, também fazem pra exportar. Financiam outras guerras sem data pra acabar”. Etah! Por que ficou vermelha? Engasgou foi? Levanta o braço vai passar! Não sei onde esses meninos guardam?  É muito triste usarem armas sem ter incentivo pra estudar. Viver bem uns com os outros e aprender a se gostar. Mas ficamos em segredo, daquele pássaro tenho medo, ele pode até bicar!

 

Mas me conta, adoro fofocar: “Aquela guerra do Araque, lá perto de você? Deu no quê”? Desculpa! Não quis te encabular. Esquece tudo que falei e vamos outra coisa fofocar?

Menina! Minha prima aqui do lado já brigou contigo né? Por causa de uma ilha? Nossa! Foi uma surra daquelas! Eu fiquei até com dó dela. Mas nada pude fazer? Eu adoro meus meninos e se fosse eu, nunca que brigava com você. Ela bem que já sabia o que iria acontecer... O importante é que acabou!  Deus me livre de alguém querer o que é meu: “Minha Amazônia, meu Pantanal, qualquer coisa daqui do meu quintal”! O que Deus deu a cada um que cuide do seu.

Gostamos muito de ajudar e tiramos da nossa boca para os outros alimentar! Mas deixemos de tristeza e vamos falar de futebol: “Tu que inventou não foi? Aqui no quintal, a gente passa mal! Eles brigam pra valer. E só torcem juntos quando não é contra os daqui. Etah! Que invenção! Você sabia que somos penta campeão...”?

Pode chamar sua família pra vir pra cá torcer. A casa é muito simples, mas não falta pra comer. Temos chá de todo tipo e tudo pra te agradar. Se quiser traz biquíni e vamos todos para o mar.

Tem menino meu que sonha mesmo em ser cantor. Deixei cantar só um pouquinho, antes do jogo começar, é distração pra minha cabeça ouvir um pouquinho ele cantar: "Nessa pele melanina que retemos mais calor, nossos corpos bem mais quentes estão fervendo de amor".  Bravo querido! Lindo da mamãe! Agora pro banho e já!

 

 

 

 

Tá calor vamos à praia? Venha cá se refrescar? Também cá tem cachoeira e o que preferir nós temos cá.  O clima aqui é colorido, nosso clima é tropical, esqueça aquele tom de cinza que tem lá no seu quintal. Aquele frio... Minha Nossa! Aquilo pode fazer mal! Aqui vocês abrem a janela dá bom dia para o sol. Tá levando protetor? Pele branca se dá mal!

Só te peço minha amiga avisar para os seus filhos que respeitem minhas meninas, que já devem estar lá, com biquínis tão pequenos e a bunda para o ar. Aqui pode mostrar a bunda sem ser vagabunda! Querendo pode até vê, mas tem que respeitar! O direito de um começa quando do outro terminar!

 Fim de jogo... Acabou! Acabou! É vida que segue... 

Vou bater nesses meninos que a irmã querem vaiar. Deixa disso seus danados deixa ela entregar o troféu para o ganhador!

 Eu falei pra essa menina pra essa briga não comprar! Tenho medo é que algum dia alguém tire ela de lá.

Eu te levo no portão! Vai com Deus e boa viagem!  Me liga quando chegar!

Me desculpa alguma coisa que não fiz pra te agradar! Nessa festa ainda sou nova, mas por aqui eu vou parar.

Foi boa tua visita e foi um prazer te conhecer!  Querendo sabe o caminho... É só aparecer!
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ESPÉRAME AMOR

Mergulhado no silêncio petardo

Enxerga na memória de menino.

Perdura arrastando o corpo, seu fardo...

Farrapo destas vestes, inquilino.

 

Pinga dos olhos fulguram as vistas

Bambeia nas mãos, um copo de pinga

História só, de dois protagonistas...

Afoga a saudade nessa mandinga.

 

Veemente eterno do amor longínquo,

Tragado na respiração pungente,

Destino mudo, sórdido delinquo.

 

Parece fora ontem tua partida.

Rezo nesses dias desde então ausente...

Morrer, para ver de novo à vida.

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ALMA INCOLOR

Deslizei sobre o mar

Tiraram-me de lá

Trazendo-me pra cá

Vontade minha não era

De vir para o lado de cá

Acho que enquanto vivo

Nunca mais vou voltar

Apesar de toda guerra

Que tinha na terra minha

Eu preferia a minha guerra

Onde liberdade eu tinha

Os meus inimigos

Tinham tudo a mesma cor

Aqui ficamos amigos

Agora nossos inimigos

São diferentes na cor.

Moramos todos juntos

E agora somos muitos

Várias tribos, uma cor

Trouxe comigo a fé dos santos

Não conheço os daqui

Que todos são brancos

Diferentes de onde eu vim

Nada trouxe comigo

E também nada juntei

Faço aqui o que eu não quero

Sendo o que eu não sou também

Já passaram tantas luas

Que até parei de contar

Cada lua que eu contava

Era mais tempo pra ficar

Fui jogado sobre a terra

Pelas mãos de um capataz

Que de tanto me surrar

Fui e deixei o corpo ficar

Deixo aqui meu corpo velho

Que não me pertence mais

Visitarei a minha terra

Que deixei tempos atrás

Está tudo diferente

Como nunca antes vi

Deixo nela minhas saudades

Vou dela de novo parti

Fui pra uma nova terra

Que agora eu herdei

Por uma estrada livre de pedras

Que nunca antes pisei

Com as flores tão cheirosas

E nenhuma tem espinhos

Notei outros do meu lado

Não caminhava sozinho

Diante de um descampado

Onde a luz adormecia

Todos os pássaros cantavam

E a noite não existia

Tinha uma linda cachoeira

E mal pude acreditar

Os Orixás ali presentes

Todos a nos esperar

Eu com lágrimas nos olhos

Sem ter o que falar

Quando vi estava nos braços

De Nosso Pai Oxalá

Ele falou ao meu ouvido

Filho vamos trabalhar

Voltar pra aquela terra

Que te obrigaram a ficar

Para ajudar todos aqueles

Que te obrigaram a trabalhar

Te bateram e te prenderam

Não te deixaram descansar

Eu fiquei muito confuso

Não querendo acreditar

Como eu tão ofendido

Poderia ajudar

Aqueles que me tiraram a vida

E me enviaram para cá

Oxalá enternecido

Apertou as minhas mãos

Pude ver duas feridas

Cada uma em cada mão

Fiquei tão envergonhado

Parei na hora de chorar

Beijei suas mãos divinas

E voltei para o lado de cá

Me deram uma bengala

Um cachimbo pra fumar

Um copo d’água

E uma vela

Um toco pra sentar

Reuni todos os filhos

Pra poder me apresentar:

Sou um velho da senzala

E vim aqui pra trabalhar

Vocês não estão sozinhos

Vim a todos ajudar

Atravessar esse caminho

Com as bênçãos de Oxalá
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A IMPORTANTE COISA SEM IMPORTÂNCIA ALGUMA

Hoje!

Os hipopótamos levantaram primeiro

E lá se foram os meus travesseiros,

Direto para a lagoa ,

Bem perto da minha cama de feno,

Amontoados sobre a grama seca,

Onde todos os hipopótamos

Tinham olhos azuis .

Eles submergem dentre as folhas,

Pois o rio seco era banhado,

Por uma luz brilhante,

De uma lâmpada fria,

Que queima a pele fina e branca,

Com listras pretas dos hipopótamos,

Tal como as zebras.

Ei! Acabei de me dar conta

Que eram zebras mesmo!

Nunca foram hipopótamos!

E na verdade,

Seus olhos eram azuis esverdeados.

Eu estou apavorado,

Como pude confundir,

Durante tantos anos,

Zebras com hipopótamos?

Resolvi plantar toda minha angústia,

Num canteiro sobre a laje ,

Do edifício ladrilhado

Com pastilhas amarelo ouro,

E num piscar de olhos,

Um jardim de crisântemos

Floresceram no tapete da sala

Que beira a cozinha ,

Onde eu tomo meu café da manhã ,

Rodeado de borboletas brancas

E um bode de chifres abobadados

Aguarda para comer as migalhas

Do mingau de aveia que esfria

Sobre a copa da árvore sem folhas,

Pois que era verão

E o frio fazia as araras nadarem

No céu molhado pelo mar,

Jogando para cima

Suas águas transparentes...

De vez verde,

De vez azul,

De vez somente água.

Que respinga em mim,

Enquanto penso,

Sobre o meu absurdo,

De confundir zebra com hipopótamo.

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Aldravia

gastei

tempo

precioso

preciso

mais

tempo
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O DEPOIS ESQUECIDO

Os jovens vivem

Tão depressa

Que não tem tempo

Para pensar no fim...

Já que ainda estão

Bem perto do começo.
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O BEM DE TODO MAL

O mal que fiz para alguém

Fez tão mal a mim também

Que me levou a procurar no bem

O perdão que o mal não tem.

 

O malvado que foge do bem

E ainda deseja-me mal também

É total responsabilidade minha

Pedir para nós dois o bem.

 

O tempo é dono do começo

Mas o fim não pertence a ninguém

O perdão é ponto final do mal

E reticência de todo bem.
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A ESCOLA DA VIDA

Hoje é dia de prova

E me preparo em oração

O agente se renova

Encarregado da missão.

 

De surpresa me aparece

Uma em cada momento

Cada instante uma prece

Pouco estudo e muito lamento.

 

E na volta para casa

Eu rezo para entrar

É que a fé às vezes jaza

E as provas tende aumentar.

 

Pra quem estuda fica fácil

E também saiba vigiar

Com Jesus tudo é grácil

Ajuda quem tem fé passar.

 

Tem dias que reprovo

Distraído na multidão

Mas o Diretor muito bondoso

Deixa-me em recuperação.

 

 

Tem vezes sem estar pronto

Não querendo arriscar

Fico em prece estudando

Para outra prova eu tentar.

 

A vida é uma escola

Qualquer dia e lugar

Até mesmo na família

Tem professor pra ensinar.

 

O dia é corretor

E quando me esqueço de vigiar

Peço rápido ao Diretor

Outra prova pra tentar.

 

Em todos os anos letivos

Cada dia foi uma lição

Estou fazendo supletivo

Recuperando em oração.

 

Fiz muitas provas no escuro

E foram poucas que passei

Deixei matérias para o futuro

Que no pretérito eu errei.
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PARTIU MINHA POESIA

Acordei sem inspiração

O vazio me completa

Procuro palavras em vão

E a poesia se dispersa.

 

Por mais que tento

Nada vem

Procuro dentro

Nada tem!

 

Desencontro desesperado

Preciso me encontrar

Tento sonhar acordado

Não consigo me achar.

 

Desprovido da palavra

Cada linha espera um verso

A caneta o papel lavra

E as estrofes ficam sem nexo.

 

A música ficou sem letra

E a melodia virou barulho

Lancei de atiradeira

Bem acima do mangrulho...

 
Meu orgulho de poeta

Equilibrado sobre o muro

Tocando como sineta

Lembrando-me do perjuro.

 

Eu jurei para poesia

Nunca me envolver com a dor

Escrever sempre todo dia

Somente versos de amor.

 

Não cumpri o juramento

Desde quando ela se foi

Sumindo no firmamento

Ficando um o que era dois.

 

Dormiu e ainda dorme

Ela nunca que acordou

Meu coração ficou disforme

E só a prosa me sobrou.
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A IMPORTANTE COISA SEM IMPORTÂNCIA ALGUMA

Hoje!

Os hipopótamos levantaram primeiro

E lá se foram os meus travesseiros

Direto para a lagoa

Perto da minha cama de feno

Amontoados sobre a grama seca

E todos os hipopótamos

Tinham olhos azuis

Eles submergiam dentre as folhas

Pois o rio seco era banhado

Por uma luz brilhante

De uma lâmpada fria

Que queimava a pele fina e branca

Com listras pretas dos hipopótamos

Tal como as zebras

Mas acabei de me dar conta

Que eram zebras mesmo

E que nunca foram hipopótamos

Na verdade seus olhos

Eram azuis esverdeados

E eu estava apavorado

Como poderia confundir

Durante tantos anos

Zebras com hipopótamos

Resolvi plantar toda minha angústia

Num canteiro sobre a laje

Do edifício ladrilhado

Com pastilhas amarelo ouro

E num piscar de olhos

Um jardim de crisântemos

Floresceram no tapete da sala

Que beirava a cozinha

Onde eu tomava café da manhã

Rodeado de borboletas brancas

E um bode de chifres abobadados

Aguardando para comer as migalhas

Do mingau de aveia que esfriava

Sobre a copa da árvore sem folhas

Pois que era verão

E o frio fazia as araras nadarem

No céu molhado pelo mar

Que jogava para cima

Suas águas transparentes

De vez verde

De vez azul

De vez somente água

Respingando em mim

Enquanto em pensamento

Indagava sobre meu absurdo

De confundir zebras com hipopótamos.
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Comentários (1)

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joaoeuzebio
2020-10-20

DESPREZO UM BELO POEMA AMAR SEM SER AMADO