Lista de Poemas
AMOR
Faz-me por dentro
Um homem novo
Que a idade quis por fim
Lembra-me que a idade
É só uma capa velha sobre mim
Um homem novo
Que a idade quis por fim
Lembra-me que a idade
É só uma capa velha sobre mim
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FELICIDADE
Felicidade vá embora
Não me venhas iludir
Com tuas falsas esperanças
Que carregas ao partir.
Nunca fica muito tempo
Não te importas à companhia
Deixa na porta o desgosto
Seja noite, seja dia.
Sem nenhuma despedida
Escancara o portão
Por ele entra apressada
Tua amiga depressão.
A senhora é egoísta
Sem nenhuma comoção
Ainda manda na ausência
Tua prima solidão.
Não me venhas iludir
Com tuas falsas esperanças
Que carregas ao partir.
Nunca fica muito tempo
Não te importas à companhia
Deixa na porta o desgosto
Seja noite, seja dia.
Sem nenhuma despedida
Escancara o portão
Por ele entra apressada
Tua amiga depressão.
A senhora é egoísta
Sem nenhuma comoção
Ainda manda na ausência
Tua prima solidão.
👁️ 151
DESPREZO
Amar sem ser amado
Masoquismo desse lado
Viver sem ser notado.
Ser amado sem amar
Sadismo do outro lado
Vive sem me notar.
Esperar para ser amado
Não alcança resultado
Está preso e condenado.
Quem sempre é esperado
Ficou acostumado
Está livre e perdoado.
Masoquismo desse lado
Viver sem ser notado.
Ser amado sem amar
Sadismo do outro lado
Vive sem me notar.
Esperar para ser amado
Não alcança resultado
Está preso e condenado.
Quem sempre é esperado
Ficou acostumado
Está livre e perdoado.
👁️ 188
MANDELA
Somos parte
Da vida de Nelsinho.
Contaremos sua história
Nos livros de história:
O homem de alma livre
Cárcere de sua cor.
Amordaçado,
Gritou livre nas vozes
Dos apartados.
Ganhou
Liberdade,
Eleição.
Governou
Com igualdade,
Para todo tipo de cor:
Da apartada,
Ao apartador.
A vítima,
Nunca vitimou.
Da vida de Nelsinho.
Contaremos sua história
Nos livros de história:
O homem de alma livre
Cárcere de sua cor.
Amordaçado,
Gritou livre nas vozes
Dos apartados.
Ganhou
Liberdade,
Eleição.
Governou
Com igualdade,
Para todo tipo de cor:
Da apartada,
Ao apartador.
A vítima,
Nunca vitimou.
👁️ 154
SUJEITO
Por muito tempo
Achei que era um sujeito.
Passado um tempo
Descobri que nunca fui o sujeito que eu achava.
Parado no tempo,
Não faço a menor ideia que sujeito eu sou.
Passo o tempo,
Sendo qualquer sujeito.
Achei que era um sujeito.
Passado um tempo
Descobri que nunca fui o sujeito que eu achava.
Parado no tempo,
Não faço a menor ideia que sujeito eu sou.
Passo o tempo,
Sendo qualquer sujeito.
👁️ 128
PEDRO GRILEIRO
Herdei essas terras
Que não deviam ser minhas
E essas terras vizinhas
Não deveriam ser de ninguém
Terras que nunca pertenceram
Aos que acha que as têm
Essa terra que habito
Que nunca foi minha
Foi tomada de um povo
Que alma não tinha
E povo sem alma
É condenado a escravaria
Ganhei à culpa genocida
Do Charrua ao Tupinambá
E para àqueles que sobraram
O perigo ainda há
Herança eurodescendente
Acostumados a tomar
Que não deviam ser minhas
E essas terras vizinhas
Não deveriam ser de ninguém
Terras que nunca pertenceram
Aos que acha que as têm
Essa terra que habito
Que nunca foi minha
Foi tomada de um povo
Que alma não tinha
E povo sem alma
É condenado a escravaria
Ganhei à culpa genocida
Do Charrua ao Tupinambá
E para àqueles que sobraram
O perigo ainda há
Herança eurodescendente
Acostumados a tomar
👁️ 126
CARNAÚBA
Carnaúba populeira
Copernícia do Ceará
Cantava a jandaia
Para os tupis
Na árvore do caraná
Pariceira cearaense
Manga da seca
Mostra ao bocó
Essa gente corralinda
Contrária de curubau
Muitos cabras da peste
Já raparam o gato de lá
Foram pra cambirimbas
Sobreviver à vida
Sem a rapadura entregar
Copernícia do Ceará
Cantava a jandaia
Para os tupis
Na árvore do caraná
Pariceira cearaense
Manga da seca
Mostra ao bocó
Essa gente corralinda
Contrária de curubau
Muitos cabras da peste
Já raparam o gato de lá
Foram pra cambirimbas
Sobreviver à vida
Sem a rapadura entregar
👁️ 163
FOCA
Esperta foca focando
olha distante do mar
a foca focada andando
tubarão não vai pegar.
olha distante do mar
a foca focada andando
tubarão não vai pegar.
👁️ 112
ALMA INCOLOR
Deslizei sobre o mar
Tiraram-me de lá
Trazendo-me pra cá
Vontade minha não era
De vir para o lado de cá
Acho que enquanto vivo
Nunca mais vou voltar
Apesar de toda guerra
Que tinha na terra minha
Eu preferia a minha guerra
Onde liberdade eu tinha
Os meus inimigos
Tinham tudo a mesma cor
Aqui ficamos amigos
Agora nossos inimigos
São diferentes na cor.
Moramos todos juntos
E agora somos muitos
Várias tribos, uma cor
Trouxe comigo a fé dos santos
Não conheço os daqui
Que todos são brancos
Diferentes de onde eu vim
Nada trouxe comigo
E também nada juntei
Faço aqui o que eu não quero
Sendo o que eu não sou também
Já passaram tantas luas
Que até parei de contar
Cada lua que eu contava
Era mais tempo pra ficar
Fui jogado sobre a terra
Pelas mãos de um capataz
Que de tanto me surrar
Fui e deixei o corpo ficar
Deixo aqui meu corpo velho
Que não me pertence mais
Visitarei a minha terra
Que deixei tempos atrás
Está tudo diferente
Como nunca antes vi
Deixo nela minhas saudades
Vou dela de novo parti
Fui pra uma nova terra
Que agora eu herdei
Por uma estrada livre de pedras
Que nunca antes pisei
Com as flores tão cheirosas
E nenhuma tem espinhos
Notei outros do meu lado
Não caminhava sozinho
Diante de um descampado
Onde a luz adormecia
Todos os pássaros cantavam
E a noite não existia
Tinha uma linda cachoeira
E mal pude acreditar
Os Orixás ali presentes
Todos a nos esperar
Eu com lágrimas nos olhos
Sem ter o que falar
Quando vi estava nos braços
De Nosso Pai Oxalá
Ele falou ao meu ouvido
Filho vamos trabalhar
Voltar pra aquela terra
Que te obrigaram a ficar
Para ajudar todos aqueles
Que te obrigaram a trabalhar
Te bateram e te prenderam
Não te deixaram descansar
Eu fiquei muito confuso
Não querendo acreditar
Como eu tão ofendido
Poderia ajudar
Aqueles que me tiraram a vida
E me enviaram para cá
Oxalá enternecido
Apertou as minhas mãos
Pude ver duas feridas
Cada uma em cada mão
Fiquei tão envergonhado
Parei na hora de chorar
Beijei suas mãos divinas
E voltei para o lado de cá
Me deram uma bengala
Um cachimbo pra fumar
Um copo d’água
E uma vela
Um toco pra sentar
Reuni todos os filhos
Pra poder me apresentar:
Sou um velho da senzala
E vim aqui pra trabalhar
Vocês não estão sozinhos
Vim a todos ajudar
Atravessar esse caminho
Com as bênçãos de Oxalá
Tiraram-me de lá
Trazendo-me pra cá
Vontade minha não era
De vir para o lado de cá
Acho que enquanto vivo
Nunca mais vou voltar
Apesar de toda guerra
Que tinha na terra minha
Eu preferia a minha guerra
Onde liberdade eu tinha
Os meus inimigos
Tinham tudo a mesma cor
Aqui ficamos amigos
Agora nossos inimigos
São diferentes na cor.
Moramos todos juntos
E agora somos muitos
Várias tribos, uma cor
Trouxe comigo a fé dos santos
Não conheço os daqui
Que todos são brancos
Diferentes de onde eu vim
Nada trouxe comigo
E também nada juntei
Faço aqui o que eu não quero
Sendo o que eu não sou também
Já passaram tantas luas
Que até parei de contar
Cada lua que eu contava
Era mais tempo pra ficar
Fui jogado sobre a terra
Pelas mãos de um capataz
Que de tanto me surrar
Fui e deixei o corpo ficar
Deixo aqui meu corpo velho
Que não me pertence mais
Visitarei a minha terra
Que deixei tempos atrás
Está tudo diferente
Como nunca antes vi
Deixo nela minhas saudades
Vou dela de novo parti
Fui pra uma nova terra
Que agora eu herdei
Por uma estrada livre de pedras
Que nunca antes pisei
Com as flores tão cheirosas
E nenhuma tem espinhos
Notei outros do meu lado
Não caminhava sozinho
Diante de um descampado
Onde a luz adormecia
Todos os pássaros cantavam
E a noite não existia
Tinha uma linda cachoeira
E mal pude acreditar
Os Orixás ali presentes
Todos a nos esperar
Eu com lágrimas nos olhos
Sem ter o que falar
Quando vi estava nos braços
De Nosso Pai Oxalá
Ele falou ao meu ouvido
Filho vamos trabalhar
Voltar pra aquela terra
Que te obrigaram a ficar
Para ajudar todos aqueles
Que te obrigaram a trabalhar
Te bateram e te prenderam
Não te deixaram descansar
Eu fiquei muito confuso
Não querendo acreditar
Como eu tão ofendido
Poderia ajudar
Aqueles que me tiraram a vida
E me enviaram para cá
Oxalá enternecido
Apertou as minhas mãos
Pude ver duas feridas
Cada uma em cada mão
Fiquei tão envergonhado
Parei na hora de chorar
Beijei suas mãos divinas
E voltei para o lado de cá
Me deram uma bengala
Um cachimbo pra fumar
Um copo d’água
E uma vela
Um toco pra sentar
Reuni todos os filhos
Pra poder me apresentar:
Sou um velho da senzala
E vim aqui pra trabalhar
Vocês não estão sozinhos
Vim a todos ajudar
Atravessar esse caminho
Com as bênçãos de Oxalá
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FAVELA DELAS
A filha da minha filha
Criada também sem pai
Já teve sua filha
A filha da filha da minha filha
Como também um dia fui filha
Nasceu e cresce na favela
O barraco que herdei
Quando era somente filha
Divido com todas elas
Fico no morro guardando
A filha da filha da minha filha
Como fazia aquela que comigo fazia
Assim todos os dias
Minha filha e sua filha
Renovam a história dessa família
Deixam tão pequena
Aquela que é a última ainda
Criada pelas outras que já foram somente filhas
Além da guarda repetida
Tenho a minha própria lida
Lavando para outras famílias
Reiterando a luta feminina
Desde lá de trás
Todos os dias
Criada também sem pai
Já teve sua filha
A filha da filha da minha filha
Como também um dia fui filha
Nasceu e cresce na favela
O barraco que herdei
Quando era somente filha
Divido com todas elas
Fico no morro guardando
A filha da filha da minha filha
Como fazia aquela que comigo fazia
Assim todos os dias
Minha filha e sua filha
Renovam a história dessa família
Deixam tão pequena
Aquela que é a última ainda
Criada pelas outras que já foram somente filhas
Além da guarda repetida
Tenho a minha própria lida
Lavando para outras famílias
Reiterando a luta feminina
Desde lá de trás
Todos os dias
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joaoeuzebio
2020-10-20
DESPREZO UM BELO POEMA AMAR SEM SER AMADO
Robson Wagner de Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 08 de fevereiro de 1970, domingo de carnaval, às 13 horas.
Desde 1983 escreve poesias para conquistar as colegas de turma que apreciavam poesias.
Em 1987 ingressa no Colégio Dom Pedro II, ensino médio, em São Cristovão – Rio de Janeiro/RJ.
Sua vida acadêmica teve início no ano de 2006 na Universidade Augusto Motta, cursando engenharia civil, fazendo somente quatro períodos. Ingressou logo em seguida, ano de 2009, na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, recomeçando o mesmo curso de engenharia civil, fazendo somente dois períodos.
Em 2011 retorna para Universidade Augusto Motta cursando um período de Arquitetura e Urbanismo.
No ano de 2014 começa a exercer a função de Mestre de Obras, responsável pela construção de dois prédios, na zona oeste do Rio de Janeiro. E logo em seguida, ano de 2015, se forma em Técnico de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, Universidade Estácio de Sá.
No ano de 2017 deixa fluir toda sua vocação poética e nunca mais parou...
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