Lista de Poemas
🔴 “Vou festejar o teu sofrer”
Dançando ao som de Beth Carvalho. Que mal pode haver nisto? Quando o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, está na festa, algo está muito estranho. A letra da música ‘Vou Festejar’ cabe perfeitamente para escarnecer de quem se deu mal no pleito. O curioso é que o responsável pela votação foi parcial. A eleição foi empurrada de qualquer jeito, não foi transparente e colocou na Presidência um sujeito que não atua como um servidor público, mas um realizador de interesses particulares.
Dentre as imagens que eu vi, chamou a atenção um sujeito dançando solto como um “tiozão” no final de um baile de debutante. Como se não houvesse amanhã, o camarada, que devia ser um cidadão compenetrado, sério mesmo, balançava o esqueleto ao som da “melô da vingança” ‘Vou Festejar”. Com a gravata frouxa, paletó amarrotado e os dedinhos indicadores em riste (como um legítimo japonês sambando), ele gritava: “(...) vou festejar o teu sofrer, o teu penar”. Chora. Deve ser a tal “festa da democracia”. Pode não ser nada do que parece, mas tudo isto tem a estética do escárnio.
Se há políticos e autoridades comemorando absolutamente nada numa festinha brega e nababesca, o interesse público está vazando pelo ladrão. O pouco caso pode ser traduzido numa dancinha. Quem não se lembra da deputada Ângela Guadagnin e a “Dança da Pizza”. A performance, que poderia ser facilmente confundida com uma celebração mística, era a ofensiva e obscena comemoração da absolvição de um colega acusado no “Mensalão”.
“Eleição não se ganha, toma-se”; “Já vai tarde” e “Perdeu, mané” contribuem para o argumento do escárnio. Luís Roberto Barroso justifica a infelicidade do que diz como sendo piadas. O repertório de baboseiras é o suficiente para um “open mic” (microfone aberto) de “stand-up comedy”.
Políticos arriscando dancinhas, trilhas sonoras e frases que evidenciam (ao menos simbolizam) que eles não estão nem aí para o povo, são o prenúncio de uma disrupção. O ‘Baile da Ilha Fiscal’ ficou conhecido por isso. O evento que ofereceu diversão para os nobres antecipou a queda do Império e início da República.
Já temos a dancinha, a trilha sonora e as frases infelizes. Falta pouco.
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🔵 A revolução dos bixos
Resolvi começar mais uma faculdade. Sempre tomando o devido cuidado para não virar aquela piadinha besta do pedreiro que fez cinco faculdades e ía começar mais uma. A decisão era séria, entretanto desta vez os objetivos eram alguns: dar um “upgrade” na minha formação intelectual, bem como obter um diploma para pendurar no lugar do diplominha da escolinha infantil. O principal era que, com o terceiro grau completo, eu poderia prestar um concurso público mais robusto.
Ingressei numa dessas universidades “shopping center”, conhecidas como “pagou, passou” ou, ainda, prédios escolares que, distribuindo canudos, despejaram caixas de supermercados advogados e balconistas administradores de empresas.
Nosso quadro docente contava com uma equipe pronta para formar uma guerrilha urbana e a luta armada, almejando, eternamente, a “ditadura do proletariado”. Para não sobrar dúvidas, um professor chamava-se Vladimir. Como eu não tinha talento para disfarçar que era capitalista e, além disso, conservador, só continuei o curso porque Vladimir (logo ele!) me deu cobertura e garantiu minha vida enquanto não instalassem o paredão. Descartando a possibilidade de me tornar um marxista, tratei de autopoliciar o emprego das palavras. Sem o estereótipo das classes trabalhadoras, menos favorecidas, minorias ou coletivos, logo vi que eu estava em território inóspito. Portanto, enfrentaria anos difíceis.
Mas, descobri, eu não era o único direitista infiltrado naquele ambiente socialista. O curso de Letras e os descontos atraíram um “enxame” de policiais civis e militares com o objetivo de ingressar na Polícia Federal. Um pouco de tirocínio identificava a ideologia dos indivíduos (professores e alunos).
A profissão da maioria dos calouros intimidava a aproximação dos veteranos e seus trotes. Nós, os calouros, passeávamos pelo “templo do conhecimento” espantando quaisquer ameaças de trote e, até eu evadir-me de mais uma faculdade, do trote. Enfim, consegui dissuadir a ameaça de perseguição dos malditos comunistas.
Me sentindo um veterano já no primeiro dia e incólume à doutrinação escolar, senti-me livre para acessar os gráficos da Bolsa de Valores e outros ícones da burguesia. Naquele momento, me senti incólume às lesões cognitivas causadas pela leitura de Jean-Jacques Rousseau e Michel Foucault, bem como militantes disfarçados de professores implementando sua tática gramsciana. Minhas credenciais garantiam que ninguém se aproximaria de mim me chamando de companheiro.
Eu nunca tive vocação para me fazer de oprimido, muito menos “posar” de vítima da suposta classe opressora. A utopia socialista jamais me usaria de massa de manobra. O Diretório Acadêmico, naquele ano, garantiria uma fornada de idiotas úteis voluntários. As expectativas iniciais tornavam tinta na cara e um corte mal feito no cabelo os menores dos males.
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🔴 Este ano não acabará neste ano
Lula resolveu brincar de presidente. Viajou para o continente africano, assustou o Mercado (a cada palavra que cometeu) e montou uma equipe de transição que já merece a sequência: Mensalão, Petrolão e Transição.
Lula correu à COP 27,Egito, representar a si e posar de ambientalista, fingindo que está preocupado com o futuro da Humanidade. Os cumprimentos, sorrisos e tapinhas nas costas e o aparente bom trânsito do corrupto notório vem da facilidade com que ele obedece o que essas cúpulas e agendas mundiais impõem para travar a evolução do Terceiro Mundo: demarcações imensas de terras indígenas, deixar que estrangeiros e ONG’s estabeleçam os “cuidados” com a Amazônia, preservação do que os europeus exploram, utilizar energia limpa e diminuir as já insignificantes emissões de carbono.
Ineditamente, o governo que reivindica a vitória está espantando quem fez o “L”. Essas pessoas descobriram a ameaça tarde demais. Que analistas financeiros são esses que só interpretaram agora uma agenda econômica desastrosa que era promessa de campanha?
Jornalistas vergonhosamente fizeram o “L” e “no seu tempo” se arrependeram. Acreditaram num “Lulinha liberal”, pragmático e cheio de responsabilidade fiscal. Ora, durante a campanha o petista se apresentou como sempre foi, radical, vingativo e com péssimas ideias.
Suspensão temporária da incredulidade, fenômeno que acomete quem cai em “contos do vigário”, pode ser a explicação para muitos que votaram no “Ali Babá”.
Nem mesmo a tal da pacificação, prometida, será cumprida. Pelo contrário, o que se vê é uma convulsão social, e já se fala em guerra civil. O “perdeu, mané” dá o tom de como a oposição é vista. Não existe pacificação assim.
A insurreição patriótica ganhou força, apoio logístico e segue incólume a apelidos pejorativos (bolsonarista, manifestações golpistas e atos antidemocráticos) e sanções insanas (multas abusivas, fiscais de ocasião, um conselho tutelar sabujo etc). Está na hora do recúo de Alexandre de Moraes. Uma coisa é certa: esse personagem já merece algumas páginas nos livros de História futuros, só não se sabe, ainda, o final.
A frase “perdeu, mané” é infeliz, porém sincera. Em apenas duas palavras foi resumido o processo que permitiu que Lula conseguisse a “saidinha eleitoral”. O “perdeu, mané” escancarou quem “ganhou” e quem é o “mané”. “Mané”, neste caso, significa otário; o interlocutor é o malandro.
“Xandi” lançou mão de tática de guerra (sufocamento); o contra-golpe, igualmente, veio numa estratégia militar (desabastecimento). A guerra participar do ministro extrapolou e prejudica milhões de pessoas. Está em tempo dele desistir.
Desde o começo, Alexandre de Moraes plantou o caos para “colar” a crise e a pecha de incompetente e golpista no Bolsonaro. Entretanto, quando explodiu a prevista erupção social, a culpa ganhou outro nome e sobrenome. Desista.
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🔴 O país do futebol
No dia 30 de outubro, o Brasil deixou de ser o “país do futuro” para voltar a ser o “país do futebol”. Ziriguidum, borogodó, telecoteco, balacobaco, essas palavras, que parecem sem significado, sugerem a malemolência, o jogo de cintura, a malandragem e o jeitinho brasileiro. Jeitinho que conduziu o presidente daquela republiqueta sul-americana terceiro-mundista do cárcere ao Palácio da Alvorada. O próprio Lula é a personificação do jeitinho brasileiro.
É hora de deixar esse negócio de Judiciário, Legislativo e Executivo para quem entende. Ninguém quer saber de STF, TSE, STJ ou BNDES, são somente siglas desimportantes para quem deseja só um churrasquinho com uma gordurinha e cervejinha na hora do gol. Teto de gastos, responsabilidade fiscal e independência do Banco Central são coisas de neoliberal. O papo é bola na rede.
Dá de bico que o jogo é de taça; pra cima deles, Brasil; Brasil, vai buscar esse caneco. Lula pensa igual a um estelionatário: fala o que a vítima quer ouvir, faz o “otário” ser atraído pela própria ganância e usa metáforas e comparações futebolísticas. Tudo inteligível e empático.
Com sinais claros de psicopatia, o ex-presidiário falava do Mercado e arriscava o “economês”, quando queria encantar uma plateia de empresários; quando encarava o povão, ludibriava com promessas de “cervejinha” e “chuva de picanha”.
Com quaisquer meios justificando seus objetivos, o “sapo barbudo” segue mentindo para alojar seu exército de desocupados e incompetentes em Brasília. Obtém êxito mentindo como se não houvesse amanhã e transformando “o país do futuro” em “país do futebol”.
Pouco interessa que a Copa do Catar foi comprada, afinal “futebol é a coisa mais importante, dentre as menos importantes”. Vivemos num país onde um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não sabe se aqui o crime compensa, outro diz, malandramente, “perdeu, mané”. Eu digo: nóis é tudo assim.
Este texto cheio de ironia é para alertar que, sim, como sempre, ficaremos inebriados durante os jogos da Seleção Brasileira, mas os políticos que confundem pacificação com distração terão oposição e vigilância ferrenhas. Será que “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter” subirá a Rampa?
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🔴 Aquele que tudo vê
Chico Vigilante, deputado petista, sugeriu bustos de Alexandre de Moraes em praças do Brasil. Esta sugestão virou manchete. Entretanto, foi a maior demonstração pública e desavergonhada de bajulação ou retribuição de favor. Um neologismo se aplica melhor a essa infeliz ideia: “puxasaquice”.
Coincidentemente, “Xande” foi exaltado pelo deputado petista como merecedor do monumento, depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) foi elevado à presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Lá, “Xande” conseguiu emplacar o seu projeto de vida: o “Lava Lula.
Chico Vigilante apareceu com um esclarecedor segundo nome. Vigilante pode ser, sem erro, interpretado pela distopia orwelliana ‘1984’, pelo regime comunista e ditaduras como a stalinista. Para estes paralelos, nada mais adequado como uma homenagem personalista que simboliza aquele “que tudo vê”. A única certeza de um monumento como esse, é sua derrubada.
Alexandre de Moraes vem cumprindo a “cartilha do tirano”: vigiando, prendendo, cancelando e perseguindo quem declara algo que o desagrade. Ele vem censurando, desmonetizando, calando etc quem irrita-o com publicações contrárias a seu objetivo: reescrever a História.
A “xandecracia” extrapola a perseguição do TSE além do período eleitoral. A cena começou errada: uma posse que remeteu-nos ao que deve ter sido a coroação de um imperador. No final de tudo (ou não), foi celebrada a rápida apuração dos votos. Mais rápido, somente nas ditaduras, nas quais é comum se saber do resultado antes mesmo do início do processo. Entendi, o objetivo nunca foi transparência, foi ligeireza. Tudo como num crime perfeito.
Um busto ou uma estátua era o que faltava para ilustrar o grau de tirania do ministro. Medidas mais evidentes de homenagem impopular e inútil só mesmo “nome de logradouro público” ou “dia de alguma coisa”, como “o dia da sanfona”.
A História mostra que o destino das representações de poder acabam representando a queda de um poder. Isso é muito simbólico.
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🔴 Comboio contra conluio
O conjunto organizado de caminhões, sob a guarda do Exército, parece ameaçador, mas não é. As bandeiras, estrategicamente colocadas, na frente dos veículos, mostram que há um objetivo maior. As “Tias do Zap”, senhoras com cadeira de rodas, andador e outros sinais da dificuldade de locomoção, escancaram a falácia dos ditos “protestos antidemocráticos” e “atos golpistas”.
Inteligentemente, cada cidadão se considera e age como líder dos protestos, isso impossibilita multas e prisões, bem como a consequente desmobilização do evento. Não contente com a desobediência civil, Alexandre de Moraes ameaçou os caminhoneiros com multa de R$ 100.000 por hora (mostrando que suas ações não obedecem nem a proporcionalidade nem a razoabilidade) e, com a intenção de minar as forças da manifestação, enviou uma turminha de fiscais para tratar o povo como bandido. O plano maligno não funcionou. Os fiscais foram expulsos.
A movimentação não é contra o resultado das urnas; é contra a condução forçada (à Presidência) do chefe da organização criminosa que limpou os cofres do Brasil. Contrariando a lei, a lógica e as evidências, Lula foi solto; não dialogava, nem reunia o povo (a não ser um público amestrado, e controlado em ambientes petistas); foi presenteado com “pesquisas”, embora erradas, muito favoráveis; foi beneficiado com decisões judiciais amigas; foi protegido por ministros togados amigos (que acatam tapinhas no rosto); foi ajudado com desigualdade eleitoral programada (nas inserções radiofônicas) e uma apuração, no mínimo, estranha (dos votos). Tá bom?
Os ministros do STF tentaram voar longe “dessa gente bronzeada”. Não adiantou. A pulverização mundial brasileira não deu sossego e brindou-os com uma amostra grátis do inferno. Sem violência, a manifestação da indignação é legítima, ainda mais no país da “freedom of speech” (liberdade de expressão). Lá, eles não podem censurar, desmonetizar, calar, prender...
Ao contrário da velha imprensa, “youtubers” e a imprensa internacional estão cobrindo as manifestações. Além disso, a ‘Fórmula 1’ (um evento mundial) internacionalizou o que está acontecendo aqui. E isto é tudo o que os togados não queriam que vazasse deste jeito.
A mobilização pode não trazer resultados imediatos, entretanto o presidente não terá sossego. Ele não precisará nem ir ao Maracanã para descobrir isto; do seu gabinete, a impopularidade já será sensível. Nem mesmo o trânsito de “dinheiros” será capaz de resgatar a governabilidade petista.
O conluio sonha com a volta do “Fique em casa”.
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🔵 O supermercado hiper assaltado
Inocentemente, me dirigi à caixa do supermercado, coloquei a garrafa de Coca no balcão e aguardei a minha vez. Saindo do meu transe e reparando bem, notei que a demora se devia a um assalto. Obedecendo a autoridade de um revólver, fui expulso para não atrapalhar a “limpeza” da caixa registradora.
Fui ao estoque, esperar os “clientes preferenciais” serem atendidos. Chegando lá, o que vi mudou minhas impressões acerca da gravidade do evento: ajoelhados, clientes e funcionários rezavam com muita fé. O local não era apropriado para aquela genuflexão forçada, mas, naquele depósito imundo, eu somava, entre barras de sabão e pacotes de bolacha, à demonstração de fé.
A cena ecumênica, emocionante, foi interrompida pelos disparos do revólver. Os estampidos acrescentaram às orações, os choros. Foi nesse momento que eu me entreguei ao “muro das lamentações”. O cenário era, definitivamente, de fanatismo explícito em direção a Meca do que os fundos de um supermercado. Como não estávamos em uma agência bancária, não havia cofre, então estava praticamente descartada a probabilidade da quadrilha espalhar o pânico.
Reconheci alguns dos “fiéis”. Apesar da pouca experiência e inédita participação em assaltos, mantive a calma. Minha vida começou a ser reproduzida como um curta-metragem, mas interrompi aquele terrível clichê e tentei lembrar das táticas dos filmes de assalto a banco. Entretanto, não havia jeito, teria que sair daquela situação constrangedora. Foi o que fiz, pois eu só queria sair daquele maldito supermercado vivo e com a garrafa de refrigerante.
Quando acabou a forçada transferência de renda, esperei o som de “fim de festa” para arriscar sair da toca. Sei que a minha humilde bebida não compensaria o prejuízo causado pela expropriação, mas, é claro, paguei a mercadoria.
Semanas depois, quando eu via aquele repositor, concentrado, entre latas de extrato de tomate e pacotes de sal, logo lembrava dele ajoelhado, rezando e murmurando aos prantos.
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🔴 Ele nunca mais
Choveram textos comparando todo o processo eleitoral com uma partida de futebol conduzida por um juiz ladrão. Essa comparação (às vezes metáfora) é injusta. Vou fazer algo que nunca fiz: defender Alexandre de Moraes. A comparação é injusta porque o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não é juiz. Entendeu? Simples assim.
E as velhas mídias? A imprensa se acostumou a assumir o lado errado. Em 1964, estimulou o Regime Militar; está até hoje, mal acostumada a reescrever a História, tentando dizer que “não era bem assim”. Agora, está torcendo pelo petista assumir plenos poderes, depois de fazer militância descarada durante a campanha; daqui a 50 anos, vai se tocar que, novamente, estava do lado errado, bem como tentará reescrever a História. Quando a imprensa está sempre atrasada, muita coisa está errada.
Eu já assinei a revista Veja e o jornal Folha de SP; descobri que as duas publicações estão contra o Brasil. É fácil entender porque esses negócios carecem de credibilidade e vendas. Jornais, revistas, portais de internet e emissoras de televisão e rádio são negócios com fins lucrativos. Porém, vimos uma imprensa promovendo o retorno de um governo que assaltou os cofres cheios de dinheiro público. Além disso, apoiou a censura e a perseguição a um grupo político.
Quando vi Gleisi Hoffmann e sua turma visitando a nova ocupação, não pude deixar de notar a demonstração de deslumbre por invadir um palácio (Planalto). O objetivo deles nunca foi governar o País.
Alguns ditadores da América do Sul correram felicitar O Chefe para garantir generosas parcerias. Esses ditadores vêm com uma abstinência de quem vislumbrou uma oportunidade de fazer “chover picanha” em seus gabinetes — se é que vocês me entendem.
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) são hostilizados dentro e fora do País. Isso ocorre porque muitas decisões, comportamentos e atitudes são conflitantes com a liturgia do cargo do Tribunal. Exemplos: falar em público fora dos autos, fazer campanha política e adiantar votos.
A nova ditadura age dizendo que é pela “democracia”. Com o mesmo método, Hitler surgiria, hoje, bonzinho como um integrante do Clube do Mickey.
Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade.
(Ayn Randt)
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🔵 Pérolas aos porcos
Aquele uniforme era bem ridículo, ainda mais em contraste com o desfile de moda estrangeira que passava na faculdade classe A. Muito embora eu me garantisse metido na calça de tergal e camisa barata. Também tentava, eternamente, ajeitar a gravata torta sem mostrar o elástico substituindo o nó.
Final de ano, o clima era diferente, melhor. As férias estavam chegando, os melhores alunos talvez já estivessem em alguma estação de esqui ou algum balneário na Europa. No “campus” já havia um clima de férias e a Secretaria de Direito, onde eu trabalhava, acompanhava esse ritmo. Alguns inspetores de alunos ficavam na Secretaria “cozinhando o galo”.
A Sala dos Professores estava cheia. Imperava o clima de “jantar inteligente”. Nas conversas, naquele simulacro de Supremo Tribunal Federal, um tentava parecer mais inteligente que o outro. Circulando entre magistrados, juízes, desembargadores, promotores e advogados, não me impressionei com toda aquela afetação verborrágica. Até achei engraçado quando percebi que os professores achavam que falavam em outro idioma ou que eu necessitava correr para o dicionário para compreender as conversas do cômodo.
O Diretor do curso de Direito Tributário anunciava nas rodinhas, grupos e duplas de conversas um vinho italiano chamado Frascati. Os catedráticos examinavam o rótulo da garrafa; nós, o conteúdo do vasilhame. Pouco importavam o nome, a marca e a procedência da bebida, o importante é que tinha álcool.
Aquela nobreza de plástico e o clima pedante eram mera disputa de erudição, farsa que não resistiria a meio copo do maldito vinho italiano. A exibição enciclopédica de conhecimentos, aquela ostentação de cultura e erudição, o desfile de gente grande brincando de Sorbonne estava prestes a ruir, todo mundo via.
A confraria seguia emulando o ambiente intelectual de Harvard, despejando um conhecimento superficial; enquanto isso, a ralé confraternizava com sua festa na Floresta de Sherwood. Era claro, a verdadeira confraternização de fim de ano estava no “churrascão de fundo de quintal”.
E o vinho branco, o tal Frascati, rodando pra lá e pra cá, de mão em mão, recebendo “rasgados” elogios bajuladores.
Enquanto isso, o “chão de fábrica”, o “porão do navio”, “o pagode na laje” era a reunião mais agradável e sincera, com um linguajar simples. Trajando calças de tergal e falando de futebol, ríamos mais que os mestres ostentando paletós ingleses e discutindo a Revolução Francesa.
No entanto, faltava uma coisa: uma bebida alcoólica decente. Quando o festejado vinho italiano chegou no convescote proletário, não faltava mais nada. Dali, o vasilhame só foi liberado seco. Feito um reles Sangue de Boi, o Frascati matou a sede da plebe em simples copinhos descartáveis. Não havia “terroir”, nem “bouquet”, todos só queriam saber de “ficar bem louco”.
Não vi nada de especial na bebida europeia; só sei que, se fôssemos processados pelo delito, estávamos num dos piores lugares. Creio que o episódio foi minimizado porque aquele foi o nosso “Dia da Pendura”.
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🔴 Dores nas articulações
‘O Chefe’ não vai conseguir restaurar a paz entre a população brasileira, mas já tratou de costurar a “harmonia entre os poderes”. Isto é tudo, afinal, como disse Zélia Cardoso de Mello, “o povo é só um detalhe”. A quantidade de ministérios que ‘O Chefe’ voltará a botar para funcionar dá uma dimensão de como será o “diálogo de coalizão”.
A fauna que ‘O Chefe’ trouxe como equipe de transição, apontou como possíveis ministros ou simplesmente sinalizou a aproximação assustou o mercado e as pessoas de carne e osso. Como sempre, os derrotados nas eleições garantem um cargo.
Há um acordo tácito de apelidar uma parte da mídia de velha imprensa. Sem se dar conta de que o nome pejorativo foi dado porque existe uma nova imprensa e quem não dá mais credibilidade à velha imprensa é, justamente, seu antigo consumidor, ela acelera rumo ao abismo.
Quem assistiu à torcida explícita desta imprensa, não se surpreendeu com a redação da Globo festejando a “vitória” do “Chefe”, como se fosse a “festa da firma” ou o “amigo secreto”. Esta, digamos, imprensa não reporta algo incrível que está acontecendo: o povo nas ruas. Quando reporta, descreve, desinformando, como “ato golpista” ou “manifestações antidemocráticas”.
Depois do relatório do Ministério da Defesa, tentaram arrefecer os atos, mas — não lamento — os atos recrudescerão. “O bicho vai pegar”. Enquanto a velha imprensa dorme, a nova imprensa e parte da reportagem internacional mostram o que está acontecendo. Como sempre, muitos se arrependerão de ignorar o fenômeno. Será tarde demais, porque a internet não esquece e é implacável com quem acostumou-se a reescrever a História.
Emílio Surita, programa Pânico, Jovem Pan, chama esta turma (novo governo) de ‘Carreta Furacão’. Carreta Furacão é um trenzinho turístico de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O veículo agrupa uma inacreditável seleção de personagens ensandecidos e aleatórios. Esta turminha sai alegrando e barbarizando pelas ruas da cidade. Eu gosto de comparar a equipe do ‘Chefe” como um catado de pessoas incapazes de administrar um carrinho de pipoca. São os incapazes capazes de tudo.
Agora que terminou a eleição, avisaram que a “chuva de picanha” era apenas uma metáfora. O estelionato eleitoral, que rendeu votos, virou figura de linguagem. Os brasileiros que entenderam a promessa de campanha como a volta do “churrasquinho com cervejinha” caíram no conto da picanha por serem analfabetos funcionais ou ingênuos. Ora, ninguém vai culpar se confundem algo irreal, como uma precipitação de proteína bovina, com fartura de carne. Temos alguns anos de incompetência sendo chamada de herança maldita e metáfora. “Faz o L”
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