Lista de Poemas

🔵 O último jogo de futebol




Já não passaria mal. Antes, quase vomitei, depois das corridas entre defesa e ataque. Esse era meu retorno, após um período de algum grau de sedentarismo, ao futebol de meio de semana. Todo o vigor físico conquistado era confiscado na churrasqueira e no balcão do bar.




Com a mudança de trabalho, o futebol, o churrasco e a cerveja no meio da semana tiveram que ser sacrificados. Por um lado isso era bom: não precisaria mais chegar em casa às quatro da madrugada nem acordar quebrado. Aquela vida de “atleta de um único dia” havia ficado para trás. 




Domingo, novamente entregue ao sedentarismo, os amigos me chamaram para assistir à final do campeonato. Relutei, dando explicações que não pareceram convincentes. Não conseguindo aplicar uma desculpa plausível, desisti e aquiesci ao insistente convite. 




Chegando na quadra, aproximei do narrador para ver o placar da partida. Não queria acreditar no que vi: o meu nome estava escrito na escalação que o narrador consultava. Tive um misto de orgulho e frustração típica de quem caiu numa pegadinha televisiva. A solução era eu me esconder entre os espectadores. Mas não teve jeito, fui descoberto e “convidado” (mais um convite) para vestir o uniforme e entrar na quadra.




O sedentarismo causou uma incompatibilidade entre a vontade de vencer e o corpo. O cérebro estava na quadra “society”, correndo da defesa ao ataque (e vice-versa); o corpo ainda tentava se esconder entre a torcida, “assistir” a churrasqueira ou debruçar no balcão.




A minha gana de vencer sempre contrastou com outros que, ao contrário, pareciam com vontade de perder. O placar adverso refletia o ânimo da equipe, pois, já estava estabelecida a derrota. Portanto, pouco adiantou o reforço, mesmo que eu estivesse em melhor forma física.




Apesar de eu jogar apenas para dividir a frustração por perder o campeonato, cheguei à conclusão de que os tempos de “atleta” haviam se esgotado. E, para não sofrer nenhum gol, fiquei na defesa, já que eu também estava esgotado. Apenas sobrava disposição para o churrasco e a cerveja.
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🔵 Mistérios da meia-noite




Todos concordaram com aquele desafio. Talvez alguém não concordasse com a prova besta, contudo não ousou se manifestar. Aquilo era quase um clichê: entrar no cemitério à meia-noite. No entanto, mais do que ter, era preciso demonstrar coragem.




Este plano não estava incluído no rol de atividades  relacionadas a uma banda de rock. Contudo, a presença em frente à necrópole, àquele horário, instigou a triste ideia. Como ninguém arredaria o pé, perante uma plateia sedenta por localizar a covardia, todos concordaram em invadir o dormitório eterno.




O arame farpado sobre o portão denunciava a frequência do local: penas de frango enroscadas. Vencendo o portão secundário, seria muito humilhante desistir do infeliz rito de passagem. 




Andando lentamente e em silêncio, o objetivo óbvio era alcançar o meio do cemitério e aguardar para... não acontecer nada. A lógica indicava que o cemitério à noite era menos frequentado e mais silencioso. Qualquer som ou movimento que alterasse o esperado seria motivo para esquecer a coragem e correr. A interpretação imediata seria de um acontecimento sobrenatural.




As árvores secas, os monumentos funerários, algumas sepulturas precárias e as lápides lembravam que estávamos num ambiente sombrio. Os retratos e os epitáfios emprestavam uma perturbadora pessoalidade ao fúnebre “passeio”. O fogo-fátuo, embora seja um fenômeno facilmente explicável pela ciência, seria o suficiente para povoar de contornos fantasmagóricos a nebulosa excursão. O horror da expectativa era o suficiente para gelar a espinha.




Como não acontecia nada (ainda bem), a tranquilidade aparente favoreceu arriscarmos algumas estórias de terror. Fora os roedores e insetos rasteiros, nem os contos manjados causavam pânico. A atitude mais sóbria era nos evadir do local, tomando cuidado para não rasgar a pele no arame farpado.




Seria mais embaraçoso acusar o terror de ratos e baratas, saindo e entrando nas tumbas, realizando o asqueroso, embora necessário trabalho de decompor os cadáveres. Fantasmas, em comparação com os animais nojentos, seriam encarados com mais altivez e relatados com um indisfarçável orgulho.
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🔴 O MST volta a amolar




Não foi por falta de aviso. Aviso deles mesmos. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) tem um método para realizar ataques terroristas sem ser enquadrado no crime. No entanto, Lula foi eleito, digo, “coroado” chefe do Brasil, apesar das ameaças terroristas do grupo.




É muito curioso como o MST chega nos assentamentos: picapes e outros carros. João Pedro Stédile, líder do MST, já acenava com retomada de invasões, em caso vitória de Lula. Chegou a hora.




Durante o governo Bolsonaro, o movimento resolveu suspender suas perfunctórias atividades, entrando, assim, numa hibernação compulsória e bastante oportuna. Com a tolerância zero tendo dissuadido o bando de tentar invadir propriedades, e a distribuição de terras ter feito o grupo terrorista perder a motivação, o MST não conseguiu conduzir uma turba enfurecida com sangue nos olhos e a faca entre os dentes.




Mas com a invasão-mor do PT (Partido dos Trabalhadores) servindo de exemplo, o MST está amolando os fações e foices. O amor venceu e o estímulo financeiro para colocar a justiça social em prática está chegando. Se o Lula subir a rampa, o agronegócio desce a ladeira.




Pedro Stédile e sua massa de manobra só esperou o Lula ganhar o Brasil de presente para voltar a tocar o terror. Fingindo perseguir a reforma agrária, o MST mutila animais, arrasa pesquisas e destrói plantações. A tática dos manifestantes invalida o argumento de que o grupo só invade terras improdutivas.




Jair Bolsonaro, contrariando as expectativas, realizou uma farta distribuição de propriedades rurais; essa ação desmobiliza o exército do MST. Além de impossibilitar o meio de vida de parasitas, como o Stédile, isso desmascara quem finge que luta pela reforma agrária. Resumindo: é ruim para os negócios. Se Lula não fosse conduzido à Presidência, Stédile teria que, argh, trabalhar.




Facões, foices e pedaços de madeira não são ferramentas de trabalho, são instrumentos de intimidação ou, na hora que o “bicho pega”, armas.




“Fé cega, faca amolada”.
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🔴 Azar deles




Um povo não merece ser governado por um mandatário condenado. Ontem, Cristina Kirchner foi condenada pela Justiça. Como os argentinos têm azar!




Como dar o exemplo? Os pais ensinam que é feio roubar, que isso não  compensa. Os argentinos não têm mais este argumento. Aqui no Brasil, os juízes têm plena consciência: o crime não compensa. Por isto, lamento muito: que pena dos argentinos.




Governantes amigos de ditadores sul-americanos. Ditadores sul-americanos donos de uma estética caudilha terceiro-mundista. Foro de São Paulo, Grupo de Puebla, Unasul, Bolivarianismo etc. Esse pacote de besteiras faz parte do glossário do Mal e compõe  essa estética latino-americana terceiro-mundista. Todos esses mandatários parecem oferecer um ideal de sociedade tão utópico que não conseguem entregar nunca. Acabam por “quebrar alguns ovos para fazer uma omelete”. Prometem uma igualdade que, se existe, se materializa como escassez para todos. A Argentina padece na mão dessa gente. Que azar!




O futebol é o ópio do povo. É Copa do Mundo, a seleção está classificada para as quartas de final, portanto, tudo é válido; é nessas horas que medidas impopulares passam no Congresso, A nossa rivalidade é só em campo. Por serem tratados assim, tenho pena deles, os argentinos.




Mesmo após a sentença, a permanência no governo é praticamente garantida. O crime, quando não é punido se banaliza, aí a cara de pau é institucionalizada, e até a Presidência abre as portas para quem deveria estar na cadeia. Governados por quem deveria estar na cadeia. E, pela idade avançada, isso não vai acontecer. Ah, os “hermanos”, quanto azar. Graças a Deus, sou brasileiro.




Perseguição política é a narrativa padrão para “vender” a condenação como algo ilegal. A turma da vice também fala em “máfia judicial” e “Estado paralelo”. A Argentina não é para amadores.




As urnas eletrônicas provam que no Brasil, sim, existe democracia. A apuração sempre ocorre magicamente, e os resultados são divulgados como, mágica, no dia. Eleições, aqui, são tão confiáveis e ágeis, que esse dia é conhecido como: “A festa da democracia”.




Realmente, nós temos muita sorte. 
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🔴 Bola fora




Aquele sambinha no ônibus, a alegria movida a “ON e OFF” das câmeras e a “pachequice” do Galvão Bueno. A nada disso foi atribuída a eliminação do Brasil. Fatores extracampo não faltaram para explicar o fracasso da Seleção. Durante o torneio, Casagrande tratou de ser o zangado comentarista de comportamento dos jogadores, técnico, jornalistas, torcedores... Seu olhar acusador não deixou escapar: as dancinhas, os ex-jogadores na tribuna, todos os seres vivos bolsonaristas e a carne de ouro. Era óbvio que o episódio da churrascaria seria usado para explicar a eliminação da Seleção. 




A peça de carne não tem nada de especial, além de custar caro, ser pulverizada com o metal precioso e ser preparada por um chef-celebridade e servida com salamaleques exagerados.  A cena dos jogadores rindo, enquanto a carne era confeccionada com ouro, só é patética. Um personagem de peso (Ronaldo Fenômeno) se destacava. Apesar de não jogar futebol, o ex-craque foi escalado para o restaurante, tendo sido alimentado bem. 




Não vejo mal nenhum em visitar um restaurante com carne folheada a ouro; eu mesmo escapei dos holofotes quando frequentava o rodízio chamado ‘Novilho de Ouro’. Em termos de ostentação, isso é bem pior. Posso ter sido poupado dos “flashs” porque peguei a promoção da quinta-feira, quando o espeto corrido era mais barato. Bife de ouro.. Isso é nome de churrascaria de beira de estrada.




Prefiro o ‘Novilho de Ouro:, porque dá direito a: promoção de quinta-feira, bufffet de salada à vontade, um pedaço de pudim de graça e um cafezinho. Logo na entrada, uma lousinha, rabiscada de giz, informa qual é a especialidade do dia. Tudo isto por um precinho que cabe no bolso. Isso vale ouro!




O Brasil tentou conquistar a Copa do Mundo, mas, como consolação, comprou a carne de ouro.







A ‘carne de ouro’ é nossa,

com brasileiro não há quem possa.
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🔵 Vá ao teatro! Mas não me chame




Definitivamente, ir ao teatro não é pra mim. Talvez esse hábito exija um nível intelectual que não possuo. Entretanto, quando tento fingir que sou “antenado” e tenho um gosto cultural refinado, faço o sacrifício. Mas, ainda assim, fico com a impressão que a representação teatral não passe de uma pecinha escolar.




Enfrentar uma plateia “blasé” é pior. Este tipo de público faz questão de esfregar na cara que você não deve fazer a mínima ideia do que foi assistir ali. Um pessoalzinho descolado, antenado e citando peças obscuras — dessas que nem a turminha do Metrópolis conhece.




Meu amigo tinha um primo ligado com a cena mais “underground” de teatro que pode existir. Como frequentávamos as excelentes festas na Serra da Cantareira, nada mais justo que tirar uma noite de sábado para prestigiar a atuação da trupe.




Teatro de Bolso, Vila Madalena e aquele público “cabeça”, que olhava para nossa cara como se nós tivéssemos errado o endereço do “stand-up comedy”. Aquela combinação toda era um “combo” perfeito do entretenimento para poucos. 




Mesmo assim, arriscamos nos submeter ao critério daquela “gente fina, elegante e sincera” e, automaticamente, sermos observados como uma espécie exótica. Portanto, entramos no teatrinho minúsculo, ocupamos os assentos do fundo e aguardamos a atração. Pelo estado dos nossos trajes, tenho certeza de que éramos temidos. A proximidade realçou nossas diferenças.




Logo na entrada do elenco, gargalhamos ao ver figuras masculinas exibindo trajes femininos. Continuamos rindo meio fora de hora. Nossos risos tomaram conta daquele tacanho ambiente. A plateia, formada por gente do teatro e a nata da vanguarda das artes cênicas paulistana, no princípio ficou incomodada com o péssimo comportamento daquela escória em ambiente tão nobre. Nossa visão turva de mundo continuava contrastando com aquele povinho que se achava mais moderno porque tinha a “cabeça aberta”.




O quão ridícula era aquela situação: aquele teatro, aqueles atores, a plateia.... Todos fingindo pertencer a uma elite cultural urbana, tendo o “privilégio” de testemunhar uma manifestação artística para poucos. Mas todos estavam ávidos para devorar um “dogão” de rua com purê, milho, ervilha e batata palha, logo vi.




Nossa insistência em gargalhar começou a ser replicada. A nova reação do diminuto público nada mais era do que a galerinha “blasé” achando que não estava entendendo alguma coisa. Não cedemos o protagonismo. Conduzimos aquela pantomima ridícula, aquele jogral mal ensaiado até o derradeiro ato. Levamos aqueles nobres falidos para onde quisemos.




No final daquela aventura, o primo do meu amigo agradeceu as risadas efusivas. Coitado, mal sabe que havia franqueado a entrada àquela arena teatral a uma horda acostumada a rir de humor pastelão, histórias rasteiras, videocassetadas e piadas de mau gosto. O resultado de estudos e ensaios foi recebido com a mesma profundidade de um capítulo do ‘Big Brother’ ou ‘A fazenda’. Pronto, enfim havíamos encarado o programa do qual lamentaríamos eternamente.




Logo seríamos expelidos para o subúrbio, devolvidos ao porão cultural, garimpando no esgoto o que nos é permitido nos momentos de lazer.
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🔵 Passarás vergonha




Fui à missa da igreja do bairro. Fui com a minha mãe e, sendo muito novo, me comportei bem porque ali, além de ser a casa de Deus, Ele poderia castigar-me. Eu estava sendo avaliado por minha mãe, Deus e o padre. Não adiantava olhar para os lados, os santos pareciam me encarar, às vezes com cara de acusação. Eu nunca me senti tão vigiado exposto aos olhos dessa turma. Se eu me submetesse ao escrutínio implacável desta turma, quem sabe, no Natal, isto poderia me render bons presentes.




Estava montado o cenário que corroborava com o temor que Deus castigava e os olhos d’Ele estavam em todos os lugares. Seria relativamente fácil ouvir a palavra de Deus. Contudo, a dificuldade, que mantinha a preocupação fora do meu alcance, era o forte sotaque do pároco. Como não entendia o que era dito, copiei os fiéis. Num mimetismo católico, e caótico, que poderia ser confundido com demonstração precoce de fé, sentei, levantei, fiz o sinal da cruz e murmurei algumas palavras rituais.




Na hora das ofertas, eu cometi o ato que até hoje deve ser lembrado. Pois bem, a sacolinha percorria as mãos do povo, mas aquele domingo não parecia ser o dia das grandes ofertas. Talvez, do outro lado, algum empresário garantisse um bom vinho. A canção, tocada num violão desafinado, mas que era honesto. O som me deixou num inédito estado meditativo. Isto deveria fazer parte do rito ou efeito do incenso.




Quando voltei a mim, notei que tudo havia cessado: o recolhimento da contribuição financeira, o burburinho e a canção. A igreja estava em silêncio, e o padre voltou a citar a Bíblia ou dar conselhos. De repente, minha mãe sacou uma inacreditável nota. Como não havia nenhuma loja nas proximidades, meu maior temor havia se materializado: sim, eu subiria no altar e depositaria a derradeira oferta.




Segurando o dinheiro como quem transportava um cartaz, fui liberado e segui o trajeto sob os olhares da minha mãe, de Deus, dos santos, dum padre (incrédulo com a cena) e de uma plateia silenciosa e atenta. Não interrompi só o padre, interrompi a missa, talvez uma visão celestial, uma santa vertendo lágrimas ou o Arrebatamento. Fui e voltei, cabisbaixo, com as perninhas céleres, como um coelho de gincana de quermesse ou um frango de granja.




Quem sabe a minha prova de fé sirva de exemplo, mostrando que para Deus nada é impossível, nem mesmo passar vergonha. Este singelo gesto pode ser lembrado mais que as festas católicas e, provavelmente, deve ter destravado as eternas obras da igreja e a troca do telhado.




Foi, literalmente, o maior mico da paróquia, afinal, os olhos de Deus estão em todos os lugares, mas naquela igreja estavam olhos, ouvidos e bocas de toda a vizinhança. Eu acredito que a frase mais repetida, naquele dia, foi: É o filho da Neuza!
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🔴 Alemanha, deixe de manha




A seleção da Alemanha posou para uma fotografia do time, estrategicamente, tapando a boca. Legal. Algum coletivo “mimizento” deve ter achado o pseudoprotesto revelador, uma denúncia corajosa, “lacrador”, o máximo e blá-blá-blá... No entanto, quem queria ver apenas um bom jogo de futebol começou achando a coisa estranha. O alemão que torcia para ver sua “Deutschland” classificada decepcionou-se.




Ajoelhar-se, negar-se a cantar o hino, esse tipo de atitude, combinada e ensaiada para ser registrada pelas câmeras, é eficaz para sinalizar virtude. Ou seja, quem toma essa atitude inócua faz uma propaganda de si mesmo; quem, mesmo sendo favorável à causa, se nega a se submeter ao gesto, é rotulado de misógino, homofóbico, intolerante etc.




Antes que eu seja rotulado, devo dizer que minha crítica é só com a sinalização de virtude e, em casos mais severos, o monopólio da virtude. A Alemanha podia ser mais radical no protesto com o boicote à competição. Não enviando o escrete, demonstraria total repúdio ao país oriental (Catar) e ao certame (eivado de denúncias) e, ainda mais, evitaria o vexame futebolístico.




Dificilmente, todos os jogadores alemães estavam dispostos a “pagar o pedágio ideológico”, o que não significa ser indiferente às restrições do país. Protesto de ocasião foi inventado para aparecer bem na foto, literalmente e figuradamente.




Abraçar, coletivamente, a Lagoa Rodrigo de Freitas, vestir-se de branco ou cantar ‘Imagine’ não combate a violência. Pelo contrário, até aumenta. Por quê? Porque essa é a reação que o assassino gosta. É o “Não reaja” do assassinato.




A FIFA ameaçou punir as seleções “lacradoras” com uma farta distribuição de cartões amarelos. A punição mostra que a federação aceita disputar o torneio fora de campo. Aliás, é longe do gramado onde os dirigentes estão acostumados a decidir as “jogadas” e onde essa Copa do Mundo começou.




O país, onde um chanceler barbarizou o mundo, terá quatro anos para protestar contra absurdos que ocorrem em outros países. Enquanto isso, dá até para treinar futebol.
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🔵 Copa 1990




Décadas depois, abri o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 1990. Senti o cheiro das páginas besuntadas de cola Tenaz. O olfato me tragou para a memória afetiva (ou seria memória olfativa?). Quando folheei mais o livro ilustrado, tive a impensável surpresa de encontrar um envelope de figurinhas. O cheiro me puxou de vez e, quando fechei os olhos, tinha apenas 15 anos novamente.




***




A caminho do clube, seguindo a trilha de pacotinhos abertos e espalhados pela calçada, descobri de qual banca vinham os rejeitos. Comprei os meus pacotinhos e fiz o mesmo; sem nem sequer entender o conceito de limpeza pública, espalhei-os pelo meio-fio. Parece que como castigo o “bolo” de repetidas só aumentava. Às vezes, de bicicleta eu ía à banca “que dava sorte”: por coincidência ou nexo causal, quase sempre funcionava.




Já no Esporte Clube Vila Galvão, era hora de trocar cromos repetidos, mas não sem antes fazer uns gols e defesas gritando “É do Maradonaaaa” ou “Espalma Michel Preud-Hommeeee”, craque da Argentina e goleiro da Bélgica, respectivamente. 




Aos 15 anos, tudo ainda podia acontecer, inclusive completar o álbum. Essa coleção é uma excelente metáfora ou comparação com a própria vida: alguns têm a perseverança de completá-los, enquanto outros desistem; antigamente a coleção era pregada com cola escolar, hoje é com a facilidade dos cromos autocolantes.




*




Arremessando bolas na cesta de basquete, enquanto as caixas de som reverberavam por todo o “Vila” os sucessos do momento, adivinhava que a incipiente década de 90 seria muito boa, a julgar pela infância favorável. Entretanto, naquele momento, minha única preocupação era completar o livro ilustrado, enquanto me “embriagava” de refrigerante e aplacava o meu vício em misto-quente. E foi este meu bem sucedido objetivo. Naquele ano, eu me dediquei nesta coleção mais do que nos álbuns da falecida Copa União, do Campeonato Brasileiro de 1988 e, até mesmo, que na escola. 




Após essa “viagem”, fechei o álbum, voltando à atual década, que transformou a infância em algo remoto. Infância que pode ser relembrada intensamente, abrindo um velho álbum de figurinhas que guarda o cheiro de 1990.
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🔴 Fernando Haddad colou, mas não colou




A equipe de transição do PT (Partido dos Trabalhadores) assusta. A mistura aleatória de colaboradores da volta do projeto nefasto de poder confirma os maiores temores de “volta ao local do crime”, dando uma leve parafraseada na exata fala de Geraldo Alckmin, vice-presidente eleito. Apelidada de Carreta Furacão — trenzinho infantil que reúne uma turminha inacreditável de personagens —, a absurda e meganumerosa equipe de transição ocupa o Palácio do Planalto como um local abandonado. Calma, quando anunciarem os ministérios, pode piorar.




Fernando Haddad, possível ministro da Fazenda, cursou apenas dois meses de mestrado em Economia, tendo “colado”. Eu não tenho sequer essa curtíssima experiência de 60 dias na disciplina, logo, não colei. Num país em que a maioria valoriza a honestidade, eu ganharia o cargo no quesito confiança. No entanto, como o STE (Superior Tribunal Eleitoral) quis dizer, a maioria não valoriza a honestidade e é ingênua, quando ao mesmo tempo cai fácil no “conto da picanha”. Triste...




Fora de contexto, piada, brincadeira, as desculpas seriam suficientemente tranquilizadoras se o político do PT não fosse cotado para o Ministério da Fazenda. Apesar das ideias assustadoras, o fato do petista ter “colado” na disciplina, pode ser uma excelente notícia, afinal o desconhecimento significa impedimento de implementá-la. Afinal, o que é pior: alguém como Guido Mantega ou Fernando Haddad?




Haddad é uma mentira ambulante. Forma uns três acordes, mas posa segurando um violão que é uma beleza, fingindo, assim, que toca o instrumento. Ele também carrega uma estética meio tucana (petista de paletó). Contudo, não se engane, apesar da estampa de professor do ‘Mackenzie’, suas ideias são radicais como as de um comunista do início do século XX. Só essas características credenciam-no como um Cavalo-de-Troia perfeito. Apesar de multi derrotado, ele se infiltrou no coração do poder.




Quando Haddad confessou que não sabia nada de Economia, a plateia aplaudiu. Essa atitude escancara o jeitinho brasileiro (malandragem). Haddad diria a seus professores: Perdeu, mané.




Não há reza que faça isso dar certo.
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