Lista de Poemas
Crítica - Ilmo. Sr. José Henrique Fabre Rolim
SENTIMENTO E PROJEÇÃO VIVENCIAL
A poesia permite ao leitor vislumbrar amplos horizontes, desafios existenciais oportunos e sempre estimulantes. Rafael Zafalon, além de artista plástico é um poeta sensível que expressa sutilmente em versos suas vivencia, observador atento, capta em cada comportamento humano a dimensão transcendental dos significados mais pungentes dos relacionamentos em seus devaneios, como nos desencontros da alma.
A complexa realidade do cotidiano é transportada para o campo da poesia como num passe de mágica, um confronto de realidades que se convergem liricamente enaltecendo a transparência de um sentimento nas suas mais envolventes harmonias ou nos conflitos mais íntimos.
A sua poesia abrange o ser humano como um todo, reflete profundamente o nosso interior, as conquistas, as frustrações, os desejos mais ardentes, as paixões mais ocultas, as fantasias passageiras de uma noite de verão e de todas as outras estações do ano.
Escrever é dialogar com a mente humana com todos os prazeres estéticos ampliando a gama de experiências vividas, desde o frescor de uma recordação recente a tantas outras manifestações memorialísticas que fazem da poesia a essência da reflexão.
José Henrique Fabre Rolim[1]
(São Paulo - SP, 28 de Setembro de 2019)
[1] Bacharel em Direito pela FADIR-UNISANTOS (1970 a 1974), Crítico de Arte (1977 a 1991) período em que publica nos periódicos nacionais e internacionais: A Tribuna de Santos, Folha de S. Paulo, A Gazeta, Módulo, Nuevas de España, Cadernos de Crítica, Arte em São Paulo e Arte Vetrina da Itália. Presidiu a APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte entre 2013 e 2017. Colunista (2007 até o momento) semanal no jornal Shopping News-DCI e ArteRef que enfoca as Artes Visuais, cobrindo exposições, lançamentos de livros de arte, além de matérias específicas sobre design, arquitetura, fotografia, movimentos artísticos, enfim tudo que abrange o vasto campo artístico.
👁️ 244
Amor
Percorri todo o campo
ansiosa à sua procura
meu peito prenhe em pranto
por sua partida tão dura.
Foi somente hoje quando acordei,
arranhei as meninas,
desprezei as matutinas,
e suspirei.
Há tempos estou à sua procura!
ansiosa à sua procura
meu peito prenhe em pranto
por sua partida tão dura.
Foi somente hoje quando acordei,
arranhei as meninas,
desprezei as matutinas,
e suspirei.
Há tempos estou à sua procura!
👁️ 304
Na beira do mar
Eu e você
Num só compasso
Rabisco um traço
Ora cá
Na baixada
Ora lá
Na beira da estrada
Você está
Desembaraçado
Cambaleante
Juvenil amante
Na beira do mar.
Num só compasso
Rabisco um traço
Ora cá
Na baixada
Ora lá
Na beira da estrada
Você está
Desembaraçado
Cambaleante
Juvenil amante
Na beira do mar.
👁️ 163
Oratório
Ficam nos passos meus
Amores passados
Minutos rasgados
E no entanto
Memoráveis são os sonhos
Tortuosos ou risonhos
Flutuantes
Livres
Como este poeta amador
Que destemido roga amor
Sob as ruínas
Desta concha da fé.
Amores passados
Minutos rasgados
E no entanto
Memoráveis são os sonhos
Tortuosos ou risonhos
Flutuantes
Livres
Como este poeta amador
Que destemido roga amor
Sob as ruínas
Desta concha da fé.
👁️ 126
Soneto aos Mestres
Urrem-me formidáveis astros
Não basta dor que se console?
Neste frio imenso que acolhe
Meus olhos murmurosos e vastos
Que resta-me senão dor?
Na juventude, a libertação
Trovas e versos em vão
Pontas secas, traços sem cor
Ao sopro, serei atento?
Aprendiz, vocábulo faminto
Em memória, o contraponto
Mestres, há no mundo desalento?
-Escreva, posto que serás distinto!
Se foram, em minh'alma, sinto-me pronto!
Não basta dor que se console?
Neste frio imenso que acolhe
Meus olhos murmurosos e vastos
Que resta-me senão dor?
Na juventude, a libertação
Trovas e versos em vão
Pontas secas, traços sem cor
Ao sopro, serei atento?
Aprendiz, vocábulo faminto
Em memória, o contraponto
Mestres, há no mundo desalento?
-Escreva, posto que serás distinto!
Se foram, em minh'alma, sinto-me pronto!
👁️ 249
Soneto ao Crepúsculo
Ouvi da varanda um clamor
Gritos lúgubres, suspirados
Olhos secos arrancados
Enlouquecidos pela dor
Fronte inchada, amargurada
Maltrapilho e desgostoso
Triste coração, trêmulo e vagaroso
Que se entrega à lembrança amada
Ensurdecedor brado, desesperado
Sangraria em minh’alma tal desalento?
Poderia eu torná-lo amenizado?
Perfiz então o quão atormentado
Sentia-me naquele momento
Eu não o ouvi, era eu mesmo, machucado.
Gritos lúgubres, suspirados
Olhos secos arrancados
Enlouquecidos pela dor
Fronte inchada, amargurada
Maltrapilho e desgostoso
Triste coração, trêmulo e vagaroso
Que se entrega à lembrança amada
Ensurdecedor brado, desesperado
Sangraria em minh’alma tal desalento?
Poderia eu torná-lo amenizado?
Perfiz então o quão atormentado
Sentia-me naquele momento
Eu não o ouvi, era eu mesmo, machucado.
👁️ 226
O que é?
Tempo
Vento
Passou
Água
Céu
Ressoou
Raízes
Folhas
Pés
Lágrimas
Chuva
O que é?
Vento
Passou
Água
Céu
Ressoou
Raízes
Folhas
Pés
Lágrimas
Chuva
O que é?
👁️ 151
Enquanto Chorava
Você me perguntou o motivo do atraso
Abriu-me as portas e enfim, olhos nos olhos
Estagnado, esperei que viesse ao meu encontro
Toquei-me o peito com cautela
Arranquei algumas linhas dos botões
Esperei cabisbaixo sua chegada
Ao meu corpo nu de julgamento
Porém, não viu motivação para levantar-se
Aproximei-me, implorei sem prostrar-me
Garrafas, pinos e lacres, meu abismo
Juras que auscultei, eram falsas
No entanto, não lhe privou o mundo
Previsões ditas, consequências adquiridas
Enquanto chorava saudades amargas
Aquele cujo coração desejou
Sua ausência não o incomodou
E por fim, escarrou o amor
Terminando por conviver em dor.
Abriu-me as portas e enfim, olhos nos olhos
Estagnado, esperei que viesse ao meu encontro
Toquei-me o peito com cautela
Arranquei algumas linhas dos botões
Esperei cabisbaixo sua chegada
Ao meu corpo nu de julgamento
Porém, não viu motivação para levantar-se
Aproximei-me, implorei sem prostrar-me
Garrafas, pinos e lacres, meu abismo
Juras que auscultei, eram falsas
No entanto, não lhe privou o mundo
Previsões ditas, consequências adquiridas
Enquanto chorava saudades amargas
Aquele cujo coração desejou
Sua ausência não o incomodou
E por fim, escarrou o amor
Terminando por conviver em dor.
👁️ 200
Devaneio
Acordado mergulho no devaneio
Recordando-me do mar de lágrimas poentes
Que de meus olhos jorraram com tal dor
Que parecia sangue vertendo da escuridão
Adormecido nos minutos inacabáveis
Acolhido pelas sedas e mares agonizantes
Esquecido pela felicidade que marcava horas
No relógio dilacerador dos pesadelos
Assustado, lanço-me sobre a frieza do chão.
Mergulho nas sombras de um canto qualquer
Esquecido de amor em minh’alma
Levanto-me e olho no deslumbre da madeira
A lembrança que me rasga o peito
E me fará chorar a vida inteira.
Recordando-me do mar de lágrimas poentes
Que de meus olhos jorraram com tal dor
Que parecia sangue vertendo da escuridão
Adormecido nos minutos inacabáveis
Acolhido pelas sedas e mares agonizantes
Esquecido pela felicidade que marcava horas
No relógio dilacerador dos pesadelos
Assustado, lanço-me sobre a frieza do chão.
Mergulho nas sombras de um canto qualquer
Esquecido de amor em minh’alma
Levanto-me e olho no deslumbre da madeira
A lembrança que me rasga o peito
E me fará chorar a vida inteira.
👁️ 302
Miau!
Anjo negro e sem asas
Breve foi sua chegada
Passadas noites
Aos seus toques súbitos
Nos meus cabelos, adormecido
Foi-se embora
Minha pequenina estrela
Doce aurora
Deixando nos meus olhos
O brilho do seu olhar.
Breve foi sua chegada
Passadas noites
Aos seus toques súbitos
Nos meus cabelos, adormecido
Foi-se embora
Minha pequenina estrela
Doce aurora
Deixando nos meus olhos
O brilho do seu olhar.
👁️ 211
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Biografia do autor
Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.
Titulação
A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor:
RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA
Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.